X-Men: Primeira Classe


Não é à toa que ‘X-Men: Primeira Classe’ começa e termina com o personagem Magneto. No início, vemos o jovem Erik Lehnsherr, futuro Magneto, em um campo de concentração nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Ali, observando as atrocidades humanas praticadas pelo nazistas, é que percebemos as motivações futuras do personagem, sua deconfiança da humanidade. Nâo vou contar mais sobre essa parte da história, porque é legal ver e perceber como foi gestada a personalidade do futuro, digamos, vilão. Uso a palavra ‘digamos’ porque é difícil, para mim, aceitar a completa vilania de Magneto. Isso porque conheci sua história de vida, o que me fez quase concordar com algumas atitudes dele. Assistam e depois de digam.

No início disse que não é à toa que o filme começa mostrando o futuro Magneto e termina com ele. Para mim, a batalha interna, moral, de Erik Lehnsherr (vivido de forma excelente por Michael Fassbender) é que faz andar todo o filme. No campo de concentração ele conhece o facínora Sebastian Shaw (Kevin Bacon em ótima atuação), que acaba se tornando o primeiro grande vilão da saga. As sandices cometidas por Shaw moldam Erik a ponto de o tornar, de certa forma, parecido com o nazista.

Cotrapondo a personalidade de Erik nos é apresentado o jovem Charles Xavier (Professor Xavier). Quem dá corpo ao personagem é o também excelente James McAvoy, que constrói o Professor de forma carismática, sempre atencioso, inteligente, e um tanto galanteador, o que me divertiu bastante.  E antes que eu repita as qualidades do elenco toda vez que citar um personagem, prefiro resumir dizendo que os atores estão ótimos e convincentes em seus papéis, tanto os mutantes quanto os ‘normais’.

Sebastian Shaw, vinte anos depois, tenta destruir as duas maiores potências da época, Estados Unidos e União Soviética, colocando-as uma contra a outra ao tentar desencadear uma terceira guerra mundial com armas nucleares. Engraçado é que nunca sabemos ao certo a motivação de Shaw, mas nada que comprometa o filme. Erik e Xavier se encontram durante uma tentativa fracassada de Erik ao tentar matar Shaw. Daí tornam-se parceiros, amigos, e montam seu próprio exército, formado por mutantes, para enfrentar o vilão.

O filme é eficiente nas cenas de ação, sempre muito bem feitas, embora os efeitos especiais não sejam sempre perfeitos. Outra parte estimulante é a preparação dos jovens mutantes para enfrentar Shaw e seu séquito de mutantes perversos. É muito interessante ver Mística (Jennifer Lawrence), Banshee (Caleb Landry Jones), Fera (Nicholas Hoult), além de outros mutantes e o próprio Magneto, treinarem suas habilidades. Igualmente emocionante é acompanhar as discussões entre os futuros inimigos Erik e Charles; observar as diferenças morais dos dois personagens.

Vemos como tudo se encaixa. Desde as escolhas dos nomes dos mutantes, até o momento em que Xavier para em uma cadeira de rodas, às escolhas pessoais de cada personagem. Este filme acrescenta, contextualiza, nos fornece elementos para que entendamos mais a mitologia. Mais um ótimo filme extraído do universo dos quadrinhos. Nos divertimos e refletimos.

Fiz um breve comentário do filme, que é muito mais que isso. E tenho certeza que quem é fã da saga pode até considerar este o melhor. Eu adorei.

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