Meme literário

Parte 1: As duas primeiras prateleiras da minha "biblioteca"

Resolvi responder a um meme literário que encontrei no blog de Deise Luz (link abaixo). Como adoro fazer listas e responder a questionários (dependendo do tema), eis abaixo as minhas respostas.

Antes, porém, quero dizer o quanto amo os livros. Para mim, pelo menos desde os 18 anos, eles nunca foram apenas objetos decorativos. Sempre mudaram minha forma de pensar e agir. Citarei alguns livros que foram fundamentais para a minha formação pessoal. Que destruíram algumas certezas que tive na vida. Mas os livros não são nada sem a vivência, o que sentimos na pele.

As imagens são da minha “biblioteca” (clique nas fotos e as amplie). Entre aspas, sim. Ainda é um armário com cinco prateleiras onde guardo esses tesouros, mesmo que alguns sejam ‘ouro de tolo’. Muitos livros que eu li não estão expostos aí, já que foram emprestados ou lidos em livrarias ou bibliotecas. Estão devidamente anotados. Textos que adorei, como ‘Chega de Saudade’, de Ruy Castro, e ‘O amor nos tempos do cólera, de Gabriel Garcia Márquez.

1 – Existe um livro que leria e releria várias vezes?

Difícil falar apenas um. ‘Sexo, arte e cultura americana’ (Camille Paglia) e ‘A cama na varanda’ (Regina Navarro Lins).

2 – Existe algum livro que você começou a ler, parou, recomeçou, tentou e tentou e nunca conseguiu ler até o fim?

A bíblia. Acho que vou pular para o Novo Testamento.

3 – Se pudesse escolher um livro para ler para o resto da tua vida, qual seria ele?

Mais uma pergunta difícil. Como escolher um só? ‘Grande sertão: Veredas’ (João Guimarães Rosa).

4 – Que livro gostaria de ter lido, mas que, por algum motivo, nunca leu?

Poxa, mais uma pergunta que possui muitas respostas. Os que vou citar não li porque não tive grana pra comprar na ocasião. ‘Anjo pornográfico’, de Ruy Castro, e ‘As mil e uma noites’.

Parte 2: As três últimas prateleiras

5 – Que livro leste cuja ‘cena final’ jamais conseguiste esquecer?

‘Crime e castigo’ (Fiódor Dostoiévski).

6 – Tinha o hábito de ler quando era criança? Se lia, qual era o tipo de leitura?

Comecei a ler livros a partir dos 18. Quando criança lia muitas revistas, principalmente de cinema, música e sobre animais.

7 – Qual o livro que achou chato e mesmo assim leu até o fim? Por quê?

A autobiografia de Brigitte Bardot, ‘Inicias BB’. Sou fascinado por ela, mas o livro é mal escrito, rabugento. Ela odeia arte egípcia, arte negra, etc etc. Admiro sua defesa aos animais, mas ela me pareceu amarga demais.

8 – Indica alguns dos teus livros preferidos.

1 – ‘Personas Sexuais’ (Camille Paglia)

2 – ‘A cama na varanda’ (Regina Navarro Lins)

3 – A trilogia ‘O senhor dos anéis’ (J.R.R. Tolkien)

4 – ‘Conversas com Woody Allen’ (Eric Lax)

5 – ‘Orgulho e preconceito’ (Jane Austen)

6 – ‘História sexual da MPB’ (Rodrigo Faour)

7 – ‘Por que amamos’ (Helen Fischer)

8 – ‘Jimmy Corrigan – O menino mais esperto do mundo’ (Chris Ware)

9 – ‘As travessuras da menina má’ (Mario Vargas Llosa)

10 – ‘O mago’ (Fernando Morais)

9 – Que livro está lendo neste momento?

‘Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou hollywood’ (Peter Biskind) (MARAVILHOSO!!!)

10 – Indica cinco amigos para o Meme Literário.

Qualquer pessoa que passar por aqui e tiver um blog está convidado a responder a essas perguntas!

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Pílulas literárias

Pessoal, me ausentei exatamente 15 dias do site. É sempre assim, aí volto com algumas coisas que vi, li e ouvi. Dessa vez, como sugere o título do post de hoje, trouxe umas dicas de livros.

Bom, começo pelo livro de Moraes Moreira, “Sonhos elétricos”.  Após sua saída dos Novos Baianos, em 1975, o compositor conhece a trupe de Dodô e Osmar e começa sua jornada nos carnavais baianos, ajudando a dar a cara dessa grande festa popular com excelentes canções. O livro está cheio de curiosidades sobre a carreira do cantor e é uma grande homenagem aos inventores do trio elétrico. A parte chata fica por conta dos erros de revisão, mas nada que comprometa a leitura agradável que o livro proporciona.

Um pouco de história do Brasil. Para quem acha os livros de história chatos leia “1808”, de Laurentino Gomes. Lembro-me que eu era razoavelmente bom na matéria quando estava na escola, mas a lembrança que fica é de aulas quase sempre maçantes, com livros muito empolados, duros de ler. O livro de Laurentino, e outros que autalmente foram editados, possuem uma escrita mais fluida e interessante. A obra conta a história da saída da corte portugesa para a colônia, nosso Brasil, por conta da invasão de Napoleão Bonaparte e as tranformações pela quais o Brasil passou por causa da chegada de Dom João VI. O livro é excelente, muito bem escrito.

A psicanalista e escritora Regina Navarro Lins lançou dois livros recentemente. Li “A cama na rede” e adorei. Eu sempre aprendo muito com seus livros e já tive a honra de entrevistá-la duas vezes. Nesta obra, Dra. Regina reuniu as respostas dos internautas para 50 questões que foram lançadas em seu site enquanto este esteve no ar entre os anos de 2000 e 2009. Sexo, para mim, é mais do que um interesse físico, mental, é saúde pública mesmo. Creio que as pessoas são muito reprimidas e por conta disso infelizes, angustiadas, e tudo por conta do sexo. Eu recomendo fortemente qualquer livro de Dra. Regina e este é mais um deles.

Para finalizar, “Vida”, a autobiografia de um dos meus ídolos do rock, Keith Richards, guitarrista do Rolling Stones. Confesso que ainda não terminei, mas já posso adiantar que o livro é muito bem escrito, cheio de curiosidades e histórias maravilhosas. Você não aprende somente sobre a história do rock, de como foram feitas algumas canções, etc, mas sobre a vida, a amizade, a paixão pelo trabalho. Vale muito a pena, não somente para quem gosta de rock, mas música em geral, e principalmente porque Keith teve e tem uma existência muito rica.

Jornalista e escritor

Existem três jornalistas que são escritores que estão entre os meus prediletos. São eles: Ruy Castro, Fernando Morais e Nelson Motta. Dos três eu li livros, pena que poucos. De Nelson Motta li o ótimo “Noites Tropicais”, por sinal seu primeiro livro, escrito quando o jornalista já tinha 50 anos! De Ruy Castro degustei “Chega de Saudade”, que conta a história e as histórias da Bossa Nova. E de Fernando Morais devorei “Chatô – O Rei do Brasil”, que conta de forma magistral a vida de Assis Chateaubriand e “O Mago”, não menos maravilhoso, que conta a tumultuada vida do escritor Paulo Coelho.

Ruy Castro

Como profissional do jornalismo que sou, esses três jornalistas e escritores me inspiram. Ruy Castro e Fernando Morais são dois dos melhores biógrafos do Brasil, estilo de leitura que adoro ler. Além disso, Ruy é um apaixonado por cinema e música, também minhas paixões. É dele a elogiada biografia de uma personagem pouco reconhecida no Brasil, mas tão importante para a nossa cultura: Carmem Miranda. “Carmem, uma biografia” está na minha lista! De Fernando, “Olga” é um livro que não sai de minha cabeça.

Fernando Morais

Em uma recente entrevista concedida à Rádio Metrópole, veículo no qual trabalho, Fernando Morais afirmou que seu próximo projeto será a biografia de Antônio Carlos Magalhães, figura odiada e amada na mesma proporção. É um livro que aguardo com ansiedade. Não amava ACM nem o odiava, mas não aprovava sua política coronelista, por mais que dissesse que amava a Bahia. Enfim…

Nelson Motta

E Nelson Motta? Essa figura simpática, letrista de sucesso, que já produziu dezenas de artistas, dormiu com Elis Regina e sabe tantas histórias do mundo da música? Adoro Nelson Motta, outro que me inspira, já que um dos motivos de eu ter me formado em jornalismo foi porque sempre quis ser um músico reconhecido e como (ainda) não consegui, escrever sobre música era um passo para me aprofundar na área, entrevistando artistas e fazendo contatos. Foi assim, ainda durante a faculdade, que tive a oportunidade de bater papo com Chico César, Nando Reis, Fernanda Porto entre outros nomes que admiro. Nessa digressão esqueci de dizer que de Nelson Motta “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” é um livro que ainda vou ler!

Estudantes de jornalismo ou não, amantes de um bom texto, leiam essas três grandes personalidades das nossas letras.