A Arte – Conversas imaginárias com minha mãe

arte

Mais um livro editado pela WMF Martins Fontes que me deixou muito feliz! Eu recebi da editora o ‘Logicomix’, que vocês podem encontrar a resenha logo abaixo. Um livro fascinante, como escrevi. E agora eu leio este: ‘A Arte – Conversas imaginárias com minha mãe’, do espanhol Juanjo Sáez. Igualmente (porém diferente) lindo!

Desenhos toscos? Depende do ponto de vista!

Desenhos toscos? Depende do ponto de vista!

O livro é em formato de HQ, onde o autor se posiciona sobre o significado da arte e discorre sobre a importância de determinados artistas, basicamente criadores da arte contemporânea, vaidade artística, para que serve a arte, além de falar sobre museus, sempre em conversas imaginárias com sua mãe.

O autor e sua mãe em carne e osso

O autor e sua mãe em carne e osso

Toda a obra é desenhada de um jeito informal, que poderíamos chamar de tosco, mas jamais o é. O texto também é escrito como se Saéz estivesse escrevendo em seu diário. Quando o autor erra, ele não apaga, ele simplesmente risca a palavra e continua, como se quisesse nos dizer que a falha, o erro, durante o processo artístico faz parte e não tem que ser escondido.

Um livro para todos!

 

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Logicomix

Antes, um obrigado.

Agradeço à Editora WMF Martins Fontes, principalmente a Beatriz Reingenheim, pela presteza no atendimento, pela atenção dedicada. Meu pedido foi atendido com muita gentileza, depois que Bia viu meu blog. A editora e ela me deram a oportunidade de entrar em contato com uma obra linda. Agradeço imensamente a essa editora que sou fã, verdadeiramente, há muitos anos!

Até o final do segundo grau levei a matéria matemática como o meu calcanhar de Aquiles. Tive ótimas professoras, mas a matemática me perseguia. Cheguei até a entrar em aulas de banca e um reforço no turno oposto na escola onde estudava, a extinta e ótima Escola Tereza de Lisieux, aqui em Salvador. Mas, para a minha surpresa, a professora Eládia (ou Euládia, não me recordo), uma velhinha que usa roupas tradicionais de vovozinha, disse que não sabia o que eu estava fazendo ali, pois eu era capaz de fazer contas de cabeça de forma muito rápida, de dar de forma rápida e precisa a resposta para questões de raciocínio lógico. Caramba, então era tudo psicológico, eu realmente era bom com números!!!

Não, eu era bem ruim! Minhas notas não melhoravam. Matemática, mesmo depois da generosidade de professora Euládia (ou era Eládia, não me recordo), continuou sendo meu ponto fraco até o fim do segundo grau!

Mas o tempo foi passando e eu acabei gostando de matemática, assim como de física (outra pedra no caminho). Mais velho, meu interesse por tudo não deixou a matemática de fora e hoje somos amigos, mesmo que distantes.

Bom, essa introdução longa, e talvez desnecessária, foi só para dar sentindo ao livro sobre o qual falarei: Logicomix – Uma jornada épica em busca da verdade.

LOGICOMIX

 

Lindamente escrito por Apotolos Doxiadis e Christos Papadimitriou e lindamente ilustrado por Alecos Papadatos e Annie Di Donna, a obra conta a história do filósofo e matemático Bertrand Russel e sua busca pela verdade por meio dos fundamentos lógicos da matemática. No decorrer dessa busca, vamos conhecendo o homem e o cientista, suas conquistas e falhas humanas, mas principalmente o poder da paixão pela ciência e pela humanidade. Ao longo do livro, que é parte romance histórico, conhecemos pensadores fundamentais como Kurt Gödel e Ludwig Wittgenstein, e suas contribuições filosóficas e matemáticas para o mundo.

Essa verdadeira jornada matemático-filosófica confirmou algo que eu venho pensando há algum tempo e que talvez vá parecer óbvio para aqueles que lerem esse texto: podemos criar belíssimas interpretações da vida, tentar explicá-la por meio da religião ou da ciência, mas no fundo jamais revelaremos seus segredos mais profundos e belos, porque o mistério que envolve a existência sempre será um belíssimo mistério. As coisas mais óbvias e simples da vida continuam sendo as fundamentais e necessárias, porque tudo além disso é pura abstração filosófica. Podemos até seguir certos caminhos teóricos que dialoguem mais com nossas crenças, mas nunca teremos a verdade absoluta nas mãos. ‘Nunca’ é a palavra que me parece mais certa no momento.

Algo que achei bem legal. Os autores da história também aparecem explicando como foi o processo de criação da obra.

Algo que achei bem legal. Os autores da história também aparecem explicando como foi o processo de criação da obra.

Talvez por conta dessa busca incessante por respostas, muitos desses personagens tenham enlouquecido. No fim, até mesmo Russel admitiu que falhou (em parte) em sua missão, embora tenha contribuído imensamente para a evolução das teorias matemáticas e filosóficas, ter sido um popularizador da filosofia, além de ter sido um pacifista. Por tudo isso passei a admirar mais este homem, que nasceu no País de Gales, em 18 de maio de 1872.

Só posso indicar o livro e pedir que leiam algo lindo, extremamente bem feito. Poderia falar muito mais, mas acho que ler esta obra é o mais lógico a ser feito.

 

Apegados e Azul é a cor mais quente

Quero falar brevemente de dois livros que li esses dias. Pelo que tenho visto, os comentários aqui no blog diminuíram, mas seria bem legal se quem fizer uma visita por aqui, deixasse suas impressões. É sempre bom trocar informações, receber dicas, etc.

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Bom, “Apegados” é um texto que soa como livro de autoajuda e é também, o que não o deprecia. Clássicos da literatura, em qualquer área, podem ser considerados autoajuda também, porque não? Se nos ajudam, se nos transformam, isso é que importa. O termo adquiriu tom pejorativo por conta de inúmeros livros esquemáticos e formulaicos sobre a felicidade, sobre o sexo, sobre o emprego, etc. Livros generalistas. Não é o caso desse livro, que foi escrito por Amir Levine e Rachel Heller, dois profissionais da área da psicologia, que tomaram como base diversos estudos sobre a teoria do apego. É um livro sobre psicologia.

Acho que é uma obra que pode nos fornecer informações muito interessantes sobre que tipo de apego carregamos dentro de nós: o evitante, o ansioso e o seguro. Esses três tipos de apego, que são adquiridos por diversos fatores, como ambiente familiar, relacionamentos que tivemos, etc, definem que tipo de pessoa somos com nossos parceiros. A menos que você tenha um apego seguro, ser ansioso ou evitante lhe trará alguns problemas. Mas não se preocupe, ser seguro não é ser perfeito, mas facilita muito as coisas. E para quem é ansioso ou evitante, digo que é possível mudar. Pode não ser fácil, mas é completamente possível.

Sei que não expliquei muito. Com isso deixo o gostinho para quem se interessou e indico que leiam o livro. Acho que se podemos melhorar como seres humanos e fazer de nossos relacionamentos algo melhor, devemos fazer. Afinal, somos serem que precisamos viver com outros, se relacionar, viver uma sexualidade saudável e rica. Parte grande de nossa felicidade vem dos nossos relacionamentos afetivos.

Azul-é-a-cor-mais-quente-1

Semana passada eu escrevi sobre o filme “Azul é a cor mais quente”, que simplesmente achei maravilhoso e um dos mais belos filmes sobre o amor que eu já vi. Aí soube que foi baseado em uma história em quadrinhos e resolvi ler.

“Azul é a cor mais quente”, de Julie Maroh, é uma experiência igualmente impactante, com belíssimos desenhos, com uma paleta de cores triste, quase monocromático, a não ser pela presença do azul…igualmente triste, mas metaforicamente quente.

A história narrada na HQ tem suas diferenças em relação ao filme, o que é normal, são duas linguagens diferentes. Mas se eu tivesse que eleger o que mais gostei, fico com o longa.

Se puderem vejam o filme e leiam a HQ, são duas obras lindas e importante sobre o amor.