Vinho: Yellow Tail (shiraz)

Faz tempo que eu não escrevo sobre vinhos aqui no Vinil. Lógico que não deixei de tomar, mas eu percebi que estava concentrado muito nos chilenos e nos argentinos e vez ou outra experimentava algum nacional. Então resolvi que escreveria apenas quando tomasse algum vinho que fugisse desse eixo. E eis que estou aqui para falar do Yellow Tail, um vinho australiano muito simpático, esse é o termo.

Foto: Sandro Caldas

Pessoal, não sou, como sempre afirmo, nenhum sommelier ou enólogo, apenas um cara que gosta de experimentar vinhos, que considera esta bebida maravilhosa. Indico aquilo que gosto e quero dicas também!

Pois bem, experimentei este Yellow Tail no domingo e adorei a surpresa. Aquela fração de segundo antes da bebida encostar na língua é muito excitante! Eu adorei este vinho. Quis fugir da uva cabernet sauvignon e acabei por pegar a shiraz, que era a outra garrafa disponível. Uma uva ótima, sem dúvida. Tomei apenas duas ou três garrafas produzidas com esta uva.

No rótulo do Yellow Tail diz: Aromas: especiarias, alcaçuz, geleia de frutas vermelhas. Sabores: frutas vermelhas maduras e especiarias. Aprecie: com carne grelhada ou em frente a uma lareira. Diz também que o vinho é amigável, fresco e saboroso.

Só provando para saber se você vai perceber tudo isso, mas acho que além de qualquer gosto ou aroma que você perceba ou deixe de perceber, acho que o Yellow Tail é realmente amigável e simpático, próprio para momentos felizes e descontraídos.

Um vinho bom. Um filme bom. Um livro ruim.

Resolvi juntar um vinho, um filme e um livro porque os três têm em comum o sexo nesse texto. Especificamente, apenas o vinho não é parte direta de um fato envolvendo o tema. Mas como todos sabem e como afirma o ditado espanhol: “Vinho e amor, nus têm mais sabor”. Então, vamos direto ao ponto.

Foto: Sandro Caldas

Eu nunca tinha experimentado a uva shiraz e faz tempo que esse desejo ronda o meu paladar. Eis que fui convidado por minha prima, que trouxe do Chile o ‘Trio’, um vinho de corte que mistura as uvas cabernet sauvignon, cabernet franc e shiraz. Olha, esse ménage à trois caiu muito bem em minha boca. O vinho é bem estruturado, como se diz, concentrado, encorpado, macio, e sua fusão com penne com camarão foi interessante. Um vinho que me deixou feliz. Recomendo, sem dúvida! A estreia com a shiraz não podia ter sido melhor.

 

 

Nas buscas por filmes que acabam não chegando no mercado brasileiro, como acho que é o caso aqui, encontrei o ótimo ‘Shortbus’ (2006), do diretor e roteirista John Cameron Mitchell. O filme conta a história da terapeuta sexual Sofia, vivida pela música e atriz Sook-Yin Lee, que torna-se amiga de uma casal de homossexuais masculinos logo após confessar para os dois, durante uma sessão na qual ela deveria ser a conselheira, que nunca teve um orgasmo.

Jamie (PJ DeBoy) e James (Paul Dawson) resolvem levar a mais nova amiga a um local chamado Shortbus. Lá, ela encontra de tudo. O sexo no ambiente não é proibido e existe uma sala onde as pessoas fazem sexo, como em um clube de swing (lá podem entrar solteiros). Sofia conhece novas pessoas, também com problemas sexuais, que aos poucos vão ajudá-la a descobrir do que ela realmente precisa se libertar para chegar ao orgasmo que sempre fingiu.

Uma terapeuta sexual que nunca atingiu o orgasmo!

O filme é muito bem dirigido e escrito e possui uma abordagem sem frescuras sobre o sexo, aliás, como deve ser. Por isso mesmo, as cenas de sexo explícito no filme não soam forçadas ou apelativas. Sim, o longa possui diversas cenas de sexo explícito. Mitchell disse que as colocou porque considera o sexo algo natural (e é mesmo!). Acho que o próprio filme não seria tão bom se essas cenas não fossem inclusas. Mitchell fez um filme maduro e ousado. Eu adorei!

‘Três’ é o terceiro romance da italiana Melissa Panarello e conta a história de um triângulo amoroso formado por Larissa, Gunther e George. No livro, Melissa tenta nos mostrar que o amor é mais do que apenas o encontro entre duas pessoas e que é possível amar mais de um ser humano ao mesmo tempo. Sim, pelo menos ela contribui de alguma forma para acabarmos com o pensamento antiquado de que só é possível amar e desejar uma pessoa de cada vez.

Porém, Panarello ainda não me convenceu como escritora. Eu não consegui me aproximar dos personagens e me envolver com a trama. Achei os protagonistas chatos, sem consistência, sem profundidade, a despeito das digressões sobre o caráter dos três, que vez ou outra Panarello enxerta no livro. O erotismo contido no romance também é pouco envolvente ou bem descrito e me soou muitas vezes forçado. Sempre me interessei por romances onde o erotismo é forte. Não é uma questão de tentar se excitar com a obra, mas de ter um autor que escreva bem sobre o assunto e que nos enriqueça com uma narrativa bem construída. Não encontrei isso em ‘Três’.

O julgamento de Paris

Ver um filme delicioso, divertido, e ainda ser sobre vinhos, sempre é bom. Juntam-se duas das minhas paixões. Foi o que aconteceu com ‘O julgamento de Paris'(2008). Para vocês entenderem melhor essa história, selecionei o trecho abaixo do texto de Marcos Pivetta, do Jornal do Vinho.

Quem se interessa por vinho certamente já ouviu falar ou leu algo sobre o Julgamento de Paris, aquela degustação às cegas organizada em 24 de maio de 1976 na capital francesa pelo crítico inglês (e então comerciante de vinhos) Steven Spurrier que deu fama e reconhecimento internacional aos tintos e brancos da Califórnia. O resultado genérico da prova é bem conhecido: os tintos e brancos americanos, elaborados respectivamente com as castas Cabernet Sauvignon e Chardonnay, bateram os melhores Bordeaux tintos (em geral um blend de Cabernet Sauvignon e Merlot e, às vezes, algum Cabernet Franc) e os melhores Borgonhas brancos (feitos apenas de Chardonnay). O evento entrou para a história como a primeira grande evidência de que países do Novo Mundo podiam fazer vinhos tão bons ou melhores do que os franceses, os reis do Velho Mundo vínico.

Quem faz o papel de Steven Spurrier é o excelente Alan Rickman, que dá ao personagem um tom pernóstico, mas simpático. Uma atuação muito divertida. Aliás, o elenco está muito bom. Até Bill Pullman, no papel de Jim Barret, que é um ator que não acho grande coisa, consegue se sair bem no papel do cara que não é muito bom em expressar suas emoções, mas no fundo é amável.

Meu novo, e caro, sonho de consumo

Mas o protagonista do filme não é ninguém de carne e osso, mas uma garrafa que dentro possui um líquido precioso que, como foi exposto acima, conseguiu bater os, até então, imbatíveis vinhos franceses.

Quem gosta de vinho, da história dessa bebida apaixonante, e ainda quer ver um filme leve e simpático, eu recomendo. Por causa desse longa, meu mais novo sonho de consumo é provar um Chateau Montelena Chardonnay. Pena que a garrafa custe, em média, R$ 230.

Vinhos tomados recentemente

Escrevi apenas dois textos sobre vinhos neste site. Quando tomo um vinho que considero bom, sinto um grande impulso em escrever aqui. No entanto, considero minha cultura sobre vinhos ainda muito superficial, por isso reluto em escrever. Pensando melhor, resolvi desencanar e reunir neste post os vinhos que tomei durante os últimos meses, sem nenhuma pretensão de ser reconhecido como sommelier. Os comentários são bem rápidos. Caso tenham uma dica, me passem. Adoraria experimentar um vinho indicado por vocês.

Foto: Sandro Caldas

Esse vinho da Casa Perini é bem tranquilo, não é muito ácido. Leve. A uva é cabernet sauvignon. Gostei.

 

 

 

 

 

 

Foto: Sandro Caldas

Esse chileno Concha y Toro Sunrise também é muito agradável, alegre. A uva novamente é cabernet sauvignon. Gostei.

 

 

 

 

 

Foto: Sandro Caldas

A Miolo é uma das principais vinícolas do país chegando a produzir cerca de 12 milhões de litros de vinho por ano na serra gaúcha. Esse Miolo Seleção 2009 é um vinho de corte, ou seja elaborado com mais de uma uva. Neste caso, cabernet sauvignon e merlot. Eu gostei bastante. Os vinhos que utilizam apenas uma uva são chamados de varietais ou monocastas.

 

 

 

Foto: Sandro Caldas

Esse é outro vinho brasileiro, o Marcus James, produzido na região de Bento Gonçalves, no Rio Grande do Sul. Esse Marcus James branco meio seco feito com a uva chardonnay casou comigo. É um vinho sorridente, se é que podemos chamar um vinho assim, de aromas frutados. Acho que podemos, pois lembro-me que em um livro a autora disse que devemos pôr nosso lado poético na hora da avaliação de um vinho, porém sem exageros. Ao descrever os vinhos, denominações como ‘aroma de cavalo suado’ e ‘cachorro molhado’ me fizeram rir muito. Eu adoro esse vinho!!! Vamos parar com o preconceito contra os brancos, ainda mais em um país tropical como o Brasil. Vinho bom é aquele que nos agrada e combina com a situação!

 

 

Esse Concha y Toro Casillero del Diablo é um vinho que sempre tive vontade de experimentar, só que com a mítica uva cerménère. Não encontrei e comprei esse produzido com a cabernet sauvignon. Aliás, essa uva, apesar de excelente, não é a única que produz bons vinhos. O mercado é algo engraçado! Elegeu essa uva como celebridade. Enfim, eu gostei desse vinho, mas ainda quero experimentá-lo com a carménère. Sim, por qual razão a carménère é mítica? Vale uma pesquisa!

E por falar em carménère, resolvi comprar o primeio vinho que encontrasse com essa uva. Achei uma garrafa pequena de outro chileno, o Carta Vieja. Não é bem essa garrafa ao lado, já que não tirei a foto da garrafa e não achei uma imagem do vinho que tomei. Enfim, eu gostei da uva, mas não me recordo de ter um impacto especial, pelo menos com esse vinho. Apenas me senti tomando parte da história da França e do Chile. Como disse, vale a pesquisa sobre a história dessa uva.

 

 

Periquita é um dos tradicionais vinhos de Portugal e é bem conhecido aqui no Brasil. Ele é um vinho simples, com aroma das frutas framboesa e morango, além do aroma amadeirado. Eu gostei, principalmente pelos aromas dessas frutas e da presença amadeirada, mas não chega a ser nada excepcional. A acidez baixa também me agradou.

 

 

Este Saint Germain cabernet suave é produzido pela vinícola Aurora, na serra gaúcha. Tomei pela primeira vez no ano passado, quando ganhei de amigo secreto. Tomei de uma sentanda, durante o Natal, entre uns pratos da ceia. O vinho é bem leve e macio e combina com diversos tipos de queijo e aves. Eu gostei bastante.

 

 

Foto: Sandro Caldas

Por último, o vinho Acquasantiera. Este vinho da Vinícola Garibaldi, da serra gaúcha, é produzido com as uvas merlot, cabernet e tannat. Um vinho demi-sec, de baixa acidez, muito saboroso. Bom, achei bem legal.

 

 

 

 

 

É isso, esses são alguns dos vinhos que experimentei esses últimos meses. Não coloquei, porém, um português e um italiano que não registrei em foto e não consegui me lembrar dos nomes de jeito nenhum! Além desses, tem mais dois, o Melody e o JP, mas são vinhos bem mais simples. Não sou preconceituoso, não, pelo contrário. Quando falta grana recorro a eles, principalmente ao Melody.

Espero dicas sobre vinhos. Me digam também se já experimentaram algum desses e o que acharam! Sim, quero uma dica sobre um vinho produzido com a uva shiraz. Nunca tomei essa uva.

Meu primeiro vinho orgânico

 

Foto: Sandro Caldas

Comprei meu primeiro vinho orgânico na quinta-feira (7). Depois que li o livro da sommelier Lis Cereja, tive uma vontade imensa de experimentar um vinho desse tipo, saber o que o diferenciava dos outros. Comprei um que se chama ‘Da casa’, safra 2008, da vinícola Garibaldi, no Rio Grande do Sul. Foram produzidas 165 mil garrafas dele.

Mas o que vem a ser um vinho orgânico?

De acordo com o livro de Lis Cereja, os vinhos orgânicos são vinhos ambientalmente corretos e trazem a cada gole menos substâncias estranhas para o nosso organismo. Ou seja, são bebidas que contém um nível de toxicidade quase nulo, produzidos com uvas que no processo de desenvolvimento não levaram agrotóxico no solo.

Na viticultura convencional, a feitura de vinhos utiliza substâncias sintéticas e conservantes, como o dóxido de enxofre (SO2). Para a produção de um vinho orgânico ou biológico, esse quadro muda. Nenhum tipo de substância sintética é utilizada, como agrotóxico, conservantes ou aditivos. Para combater pragas nas videiras são utilizados controles naturais, como insetos. Caso seja utilizado um conservante SO2, a quantidade é muito pequena.

Neste vinho específico, pude perceber uma leveza em relação aos demais que já consumi; quase não há adstringência, além de ser pouco gorduroso. O teor alcoólico dele também é baixo, 10,5%.

Além de ser um vinho mais saudável para o organismo, consumir vinhos orgânicos ou biológicos ajuda o meio ambiente pelas características explicitadas acima. Outra coisa interesante nesse vinho, é que o invólucro que cobre a rolha não é de plástico, mas sim de cera; o consumidor tem que raspar para chegar até a rolha.

Fica a dica. Experimente também os vinhos orgânicos. Você ajuda o meio ambiente e o seu organismo. Os dois agradecem.

Características:

Produtor: Vinícola Garibaldi, linha Da Casa
Tipo: Seco
Descrição do produto: Vinho tinto de mesa seco, elaborado com 50% de uvas Isabel e 50% de uvas Bordô.
Harmonizações: Combina com sopas, massas de molhos leves, peixe de rio, carnes de molho médio e queijos médios e leves.
Temperatura de serviço: de 10 a 12 ° C.

Beba mais brancos!

 

Foto: Sandro Caldas

Foto: Sandro Caldas

 

Neste domingo, primeiro dia de agosto, resolvi sair da hibernação. Foi necessário. Ler mais, ouvir mais, ver mais, e trazer coisas interessantes (espero que seja interessante pra quem ler).E aí, parece que vem tudo de vez!

Nesse texto, que retira o urso polar, resolvi falar sobre vinhos brancos. Eu nunca tinha feito um texto sobre vinhos, uma das minhas paixões. Embora não seja nenhum sommelier, acho que tenho o direito de escrever sobre essa bebida tão apreciada, cheia de segredos e magias.

Durante o período em que estive ausente do blog, li um livro muito interessante chamado ‘Superdicas para entender de vinho’ (Editora Saraiva, R$ 12,90), da sommelier Lis Cereja. E digo uma bobagem aqui: Lis estudou Gastronomia na Universidade Anhembi-Morumbi, em São Paulo, onde estudei Comunicação por dois semestres.

Mas, quem sabe o que significa ser sommelier? Este profissional é o responsável pelo serviço do vinho, por eleger os rótulos de uma carta de vinho, saber harmonizá-los, saber serví-los à mesa corretamente.

Bom, mas apesar de todas as 60 dicas desse pequeno e precioso livro serem maravilhosas, uma me chamou a atenção: por qual razão ou razões, em um país como o Brasil, tropical, quente quase o ano todo, as pessoas consideram os vinhos brancos inferiores? Criou-se o mito de que vinho bom é vinho tinto e a verdade está muito longe disso.

Eu mesmo, sempre que compro um vinho, escolho um tinto. Não por não gostar dos brancos, mas por puro vício. Confesso que gosto mais dos tintos, mas resolvi mudar meus hábitos e comprar um branco.

Comprei um Concha y Toro, chileno, sauvignon blanc (uma uva mais ácida). E quem disse que vinho bom é vinho caro? Vinho é uma bebida abstrata, que depende muito do paladar de quem a bebe. Então, nao adianta ter uma garrafa de R$ 1000 na mão. O vinho pode ser excelente tecnicamente, mas não agradar a todo mundo. Meu veredito: adorei.

Conclamo: bebamos mais brancos. Há uma infinidade de rótulos!

É como diz Lis em seu livro: a vida é muito curta para nos restringirmos a um só tipo de vinho.

Para saber mais:

http://www.sitedovinhobrasileiro.com.br

Dica de leitura:

Superdicas para entender de vinho, de Lis Cereja

livro