Ringer – Episódio Piloto

Desde que ‘Buffy – A Caça-Vampiros’ terminou em 2003, eu espero um grande filme estrelado por Sarah Michelle Gellar. Eu gosto muito dela e sempre torci para que, terminada a série criada por Joss Whedon, ela pudesse se destacar, já que a considero uma boa atriz. Infelizmente isso não aconteceu e o melhor filme que ela fez, na minha opinião, foi ‘Segunda Intenções’ (1999), quando ainda estava na pele de Buffy Summers.

Fiquei muito contente quando ‘Ringer’, série na qual Gellar protagoniza, estreou nos Estados Unidos no dia 13 de setembro. Como não há previsão de estreia no Brasil, impossível não recorrer à web para conferir logo. Foi o que fiz e suspirei aliviado, já que gostei do roteiro e achei esse episódio piloto interessante.

O show foi criado por Eric Charmelo e Nicole Snyder e de acordo com os realizadores foi concebido como um produto noir que explora as nuances da moralidade por meio da rivalidade entre duas irmãs gêmeas e utilizará o recurso de flashbacks para revelar o passado das duas personagens sob o ponto de vista de cada uma.

Sarah Michelle Gellar interpreta as irmãs Bridget e Siobhan. A primeira vive em um submundo no qual é stripper em um clube pertencente à máfia local, além de ser alcoólatra. Após presenciar um assassinato, Bridget se torna a principal testemunha contra um dos chefões. No entanto, por medo de ser assassinada, no dia do julgamento ela foge. Dessa forma o agente do FBI Victor Machado (Nestor Carbonell, de “Lost”), responsável pelo caso, começa sua busca para localizá-la. Bridget vai para a casa de sua irmã, Siobhan, que é casada com Andrew (Ioan Gruffudd, o doutor elástico de ‘O Quarteto Fantástico’). Porém, afastada da irmã por quase seis anos, Siobhan não conta a ninguém, nem mesmo ao marido, que possui uma irmã gêmea.

Parte do elenco de 'Ringer'

Convidada para um passeio de barco, Bridget adormece e quando acorda conclui, ao ver um frasco de remédios no chão da lancha, que Siobhan cometeu suicídio. Assim, assume a identidade da irmã, o que temporariamente pode salvá-la. De posse da nova identidade, Bridget vive algumas situações que a fazem perceber que a irmã tem mais segredos do que ela imagina e que a vida de Shiobhan está longe de ter sido um mar de rosas.

Li que a série ganhou o Critcs’ Choice Television Award, como uma as produções mais promissoras da nova temporada de séries dos Estados Unidos. No entanto, alguns críticos já afirmam que ‘Ringer’ não conseguirá manter o interesse do público por muito tempo. Acho que é cedo para falar qualquer coisa, mas gostei da trama e do episódio piloto. É esperar os próximos capítulos e torcer para que os roteiristas e diretores do programa consigam manter o público interessado nas duas irmãs. Eu torço por muitas temporadas e quero ver Sarah voltar ao topo.

 

 

‘The Ringer’, com Sarah Michelle Gellar

Em 2003, minha série predileta chagava ao fim. Acompanhei ‘Buffy, a caça-vampiros’ durante sete anos. Uma série que eu ainda acho uma das melhores já feitas e onde conheci a atriz Sarah Michelle Gellar. Me apaixonei pela atriz e pela excelência do texto do programa. Sarah ganhou Emmys, prêmio máximo da televisão americana, por sua atuação como Buffy Summers.

No entanto, depois do término da série, Sarah não emplacou como boa atriz que é, fazendo filmes de medianos a péssimos, como ‘Simplesmente Irresistível’, ‘Scooby Doo’ 1 e 2, ‘O retorno’, ‘Harvard Man’, entre outras bombas que nem chegaram ao Brasil. Para mim, o melhor filme dela até agora foi ‘Segundas Intenções’, com Reese Witherspoon. Filme a filme fui me decepcionando com as escolhas profissionais de Sarah.

Foto: Eric Liebowitz/The CW

Há muito tempo já passava pela minha cabeça a vontade de vê-la novamente em uma série boa, que a deixe em evidência, mas por conta de um produto de qualidade. Foi aí que me deparei com a notícia de que Sarah vai estrelar ‘The Ringer’, seriado que será exibido pelo canal americano CW, e que tem previsão de estreia para outubro nos Estados Unidos.

De acordo com divulgação feita, o programa narra a história de uma mulher que testemunha um assassinato e decide esconder-se na identidade de sua irmã gêmea. O que ela não sabia é que a irmã – que julga ser perfeita – não é nada do que parece.

Agora, pelo menos para mim, é torcer para que a série seja boa e que desperte em mim o desejo de continuar vendo.

Um giro pelo mundo pop

Foto: Cleomir Tavares/Divulgação

Vi algumas coisas que me chamaram atenção por motivos variados. Primeiro, soube que Sandy é a mais nova musa das cervejas, e logo da Devassa. Embora eu achasse que o contraste pudesse criar algo atrativo e sexy, depois que vi o comercial não achei muito atraente. Acho Sandy linda e com uma voz muito bonita. E sim, ela é atraente para mim, mas será que ela tem sex appeal suficiente pra vender cerveja? Agora, algo sobre o qual refleti. Sandy tem posições muito seguras contra o uso de drogas, aborto, infidelidade, etc.  Será que ela não sabe que o álcool mata muitas pessoas por diversos motivos e que rola muita hipocrisia em relação à utilização das drogas na sociedade? Será que ela faria propaganda sobre a maconha? Divagações! Assistam ao comercial abaixo.

Antes de ver o vídeo, leia o que disse uma publicitária sobre a escolha da empresa:

Na avaliação da publicitária Shalla Monteiro, sócia da Tree Branding, empresa especializada em marcas corporativas, a escolha de Sandy pareceu “artificial” e “um pouca descabida”.
“Não existe um alinhamento entre a imagem da celebridade, neste caso a Sandy, com a marca do produto, a cerveja. A imagem da Sandy não incorpora os atributos da Devassa e destoa até mesmo com o Carnaval”, afirma a publicitária.

Música

Outra coisa interessante foi a continuação dos 5 segundos das músicas que foram número 1 na Billboard. O link me foi passado, novamente, por Deise, do blog Sete Faces! Essa nova compilação possui 30 minutos e vai de 1993 a 2011 e tem nomes como Lady Gaga e Spice Girls. Confiram abaixo.

Filmes

Por último, depois de ler a lista de filmes vistos por Deise no mês de fevereiro, resolvi copiar a ideia e colocar os longas que vi nos meses de janeiro e fevereiro. Não são muitos, mas a maioria é bem interessante.

1 -Toy Story 3  – Lindo e emocionante! Um dos grandes filmes que vi!

2 – Cisne Negro – Amei esse filme. Grande atuação de Natalie – minha deusa – Portman. Atuação esta que lhe valeu um Oscar de Melhor Atriz.

3 – Incontrolável – Razoável, com um erro de edição bizarro!

4 – Bravura Indômita – Os irmãos Cohen sempre são bons!

5 – As viagens de Gulliver – Para quê??? Sem graça!

6 – O discurso do rei – Gostei, mas Tom Hooper não merecia ganhar o Oscar de Melhor Diretor. O próprio filme não merecia ser o melhor do ano.

7 – O vencedor – Muito bom, com belas atuações.

8 – 127 horas – É bom, nada mais que isso. O que segura o filme é a atuação de James Franco.

9 – O ritual – Razoável.

10 – Caça às bruxas – Nicolas Cage, meu filho!

11 – O Lobisomem – Filme com roteiro fraco. O que vale é a maquiagem.

12 – Santuário – Chatinho, chatinho! Usar a tecnologia de Avatar não torna nenhum filme bom.

13 – Foi apenas um sonho – Ótimo filme de Sam Mendes, com Leonardo de Caprio e Kate Winslet. Discute de forma profunda o desgaste do casamento.

14 – Queime depois de ler – Outro bom filme dos irmãos Choen.

15 – Amor sem escalas – Só consegui ver esse filme agora. Gostei muito.

16 – Coração Louco – Muito bom. Jeff Bridges arrasa na pele de um cantor country alcoólatra.

Clandestinos

Adelaide de Castro em cena de 'Clandestinos'

Amo televisão, cresci vendo TV, absorvi muito da TV e continuo a utlizando para me informar. Intelectuais ou talvez falsos pensadores, muitos deles, apedrejam a televisão. Eu discordo de forma veemente quando dizem de boca cheia que a televisão não serve pra nada, que aliena o povo. Penso que não há veículo de comunicação ou qualquer tecnologia criada pelo homem que não sirva para os dois fins: bem ou mal!

Adoro quando assisto algo que me entusiasma e de forma imediata me transporta para a pele das situações, das pessoas que vivem e sonham. Neste caso, sonham em ser atores e atrizes. Saem dos mais longíquos cantos do país, de interiores desconhecidos, para se apesentar durante 90 segundos na esperança de ser escolhido e participar da peça “Clandestinos” (depois virou a série de TV), escrito e dirigido pelo excelente pernambucano João Falcão, que admiro profundamente. Sua mulher, Adriana Falcão, que não fica atrás diante de minha admiração, ajudou o marido no projeto.

Tudo começou quando João Falcao, em maio de 2008, abriu inscrições no site http://www.clandestinos.art.br convocando jovens do Brasil inteiro a partiparem de oficinas gratuitas de dramaturgia no Rio de Janeiro. O objetivo era formar um elenco para a encenar a futura peça teatral “Clandestinos”, que se tornaria a primeira montagem da Companhia Instável de Teatro. Após teste com três mil candidatos, 14 foram selecionados.

A encenação obteve grande sucesso e atraiu os olhares da Rede Globo, que convidou o diretor para transformar o espetéculo em série de TV: “Clandestinos – O Sonho Começou”. Ela foi adaptada para a telinha, mas não mudou em nada, inclusive o elenco é o mesmo, com as mesmas histórias.

Em “Clandestinos” o diretor Fábio Enriquez (todos os personagens têm seus nomes originais) quer recrutar novos talentos para encenar um texto baseado nas vidas dessas pessoas. Sem nenhuma frase no papel, Fábio abre as inscrições e começa os testes. Dessa forma, ouve os peculiares, emocionantes, engraçados relatos das vidas desses futuros atores. Foi o que João Falcão fez.

"Clandestinos" no teatro

Vi o primeiro episódio de “Clandestinos” pelo “faça você mesmo sua programação”, ou seja, o You Tube;  o segundo, pela TV. Me paixonei em especial por Adelaide de Castro, 19 anos, que saiu de Três Corações, terra de Pelé e próxima ao ET de Varginha, como ela mesma diz. Adelaide vem de um família pobre, como milhões de famílias brasileiras. Vida difícil, teve dias que não tinha o que comer. Tocava saxofone em uma bandinha da cidade, animando velórios e outras ocasiões sociais. Quando soube do teste pata “Clandestinos”, não pensou duas vezes: arrumou sua mala, pegou seu sax, pouco dinheiro no bolso e partiu para o Rio sem nem ter onde dormir.

Eu sempre me comovo com esse tipo de história, justamente porque gostaria de ter ser um dos escolhidos daquele teste; porque é o tipo de sonho que carrego em mim. Um sonho artístico, de viver da arte. Acho lindo um menina luminosa, talentosa, simpática, simples e linda como Adelaide correr atrás do seu objetivo de forma destemida e por fim, conseguir. Eu torço sinceramente para que ela se tranforme numa grande atriz, numa grande música.

“Clandestinos” não é bom apenas porque deu oportunidade à joves talentos; outros projetos também o fizeram, como a peça “O despertar da primavera”, igualmente bem-sucedido. A série é bem dirigida, bem escrita, bem interpretada. Televisão de qualidade.

Abaixo vocês conferem o minidocumentário de João Falcão sobre a série e no outro vídeo, o teste de Adelaide para o programa.

Casa de bonecas

dhPasseando por um site que gosto muito, o Portallos, li uma notícia que me deixou feliz. Joss Whedon, criador das séries Buffy, Angel e Firefly (cancelada após 14 capítulos), lança agora a ficção científica Dollhouse. A série é protagonizada por Eliza Dushku, que já fez a personagem Faith, uma caça-vampiros do mal, em Buffy. Dollhouse quase foi cancelada, mas a segunda temporada já está confirmada.

Fiquei ansioso para ver os episódios, já que sou fã do texto de Joss Whedon, além do simples fato dele ter criado minha série predileta até hoje. Sim, Buffy, a caça-vampiros. Desde o fim de Buffy, em 2004, esperava algo novo dele. Enfim, corri atrás dos episódios e baixei os 6 primeiros, dos 13 da primeira temporada.

Até agora vi 4 episódios e não sei se já posso avaliar com maior consistência a história. Mas a verdade é que estou gostando da trama criada por Whedon e seus parceiros, entre eles David Solomom, que vem desde os tempos de Buffy.

Echo, vivida por Eliza Dushku, é uma Ativa (como são chamados os homens e mulheres que vivem na organização ilegal chamada Dollhouse). Todos os ativos são programados com uma personalidade diferente a cada missão que devem cumprir. Após realizada, voltam à Casa de Bonecas e têm suas lembranças apagadas, transformando-se em “folhas brancas”, nas quais novas personalidades serão “escritas”. O agente federal Paul Ballard (Tahmoh Penikett) é o único que desconfia da existência da organização e tenta obsessivamente achar sua localização.

Bom, minha impressão foi positiva. Whedon é muito criativo e seus textos nunca são descartáveis, mesmo com possíveis falhas nos roteiros. Gosto da maneira como ele escreve os diálogos, principalmente as frases que possuem humor. Fico na esperança de Dollhouse se transformar em uma série forte que dure muitas temporadas. Talvez ele não faça nada mais como Buffy ou Angel, indiscutivelmente clássicos, mais já estou acompanhando Dollhouse com extremo interesse. Vamos ver no que dá!

Quem quiser conferir os episódios de Dollhouse, clique aqui.

Smallville – 8ª temporada

s81Não sei por quais motivos acabei não prestando muita atenção em seriados como Família Soprano e Lost, ambos fenômenos de púlbico e crítica. Se bem que Lost eu cheguei a ver muitos episódios e me considero fã da série. Já Família Soprano mal sei como é a abertura. De qualquer forma, juro que ainda vou ver essas séries de forma mais profunda.  

Mas a série sobre a qual falarei é Smallville. Para quem não sabe, ela reconta a história do Super-Homem, mostrando sua evolução até se tornar o grande super-herói que todos conhecemos e desenvolve como o último homem de Krypton foi descobrindo seus poderes e como aprendeu a controlá-los.

Depois de 22 episódios desta 8ª temporada, ficou a impressão de que já deu o que tinha que dar e mesmo sendo um fã da série, reconheço que seu texto muitas vezes é fraco ou mesmo bem inconsistente. Clichês rolam a toda hora, apenas para justificar uma idéia. Um exemplo: quando Lois e Clark fingem ser um casal para tentar desvendar um caso. Dessa maneira, os roteiristas “criaram” um motivo para juntar o casal e  revelar a tensão sexual que obviamente deve existir entre os dois. Todo mundo sabe que isso é mais do que batido e demonstra falta de criatividade.

O que mais me interessou nesta temporada, apesar desse exemplo que citei, foi justamente a tensão sexual existente ente Lois e Clark. Já estava na hora de fazer surgir a ligação entre eles e confesso que a atriz que faz Lois, Erika Durance, conseguiu apagar Lana Lang da minha memória.

Fazendo uma análise geral, gosto das atuações de todos, talvez menos um pouco do personagem de Justin Hartley, o Arqueiro Verde. Mas considero que ela tenha a importante função de fazer com que Clark ponha para fora seu verdadeiro “ego” de super-herói. Outra que ganhou destaque foi a atriz Cassidy Freeman, com a personagem Tess Mercer. Ela conseguiu substituir, com personalidade, o vilão principal, Lex Lutor, interpretado pelo excelente Michael Rosenbaum (que volta na próxima temporada, acho). O resto dos personagens continuam iguais, sem muitas grandes mutações ou descobertas. Tom Welling, o Clark Kent, aos meus olhos, já consegue atuar de forma mais interessante.

Claro que nem todos gostam de Smallville, eu mesmo não considero uma excelente série. Mas acho interessante ter bolado uma evolução para o Super-Homem, retratando sua juventude. Espero que a 9ª temporada que vem por aí seja a última e a melhor de todas.

Eu gosto, eu gosto.

A pornografia da morte

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Há muitos séculos, lá pela Idade Média (bem antes disso, também ,claro, com as lutas com Gladiadores, por exemplo. Mas vou começar a argumentação na Idade Média), o ser humano considerava a morte um espetáculo público, o que equivale a uma sessão de cinema com pipoca e guaraná. Naquele período, bruxas e hereges de todos os tipos eram queimados, enforcados ou decaptados sob aplausos e caretas do público espectador. É fácil sabermos como era, basta ver filmes ou séries que retratam ou lembram essa época. 

Com o passar dos anos e o avanço da medicina e dos costumes, a morte se tornou caseira, restrita aos lares. Parentes, amigos e o padre esperavam o último suspiro que representava o ser nesta Terra de meus deuses. Lágrimas, rezas e adeus.  Tudo muito discreto e silencioso. A morte começava a ser escondida. Falava-se nela, mas sem estardalhaço.

Hoje em dia, século XXI, temos medo de falar da morte, como se não pertencesse ao ser humano e só fizesse parte dos outros serem animados deste planeta (nosso descaso com o planeta, talvez seja um sintoma). Pois é justamente quando temos mais recursos tecnológicos, mais eficácia nos tratamentos e o ser humano chega com facilidade (cuidando-se, claro) aos 80, 90, até 100 anos, a morte vira tabu e para negar sua existência o ser humano a torna ponográfica, evento escatológico. Vou explicar!

Essa introdução foi apenas para dizer que a existência de programas que se dizem jornalísticos, como Bocão e congêneres, quando não nos próprios jornais ditos sérios, prestam um serviço ao escatólogico e à informação inútil, puramente sensacionalista. Jornlalismo, no meu simples modo de ver, não é isso nem de longe. Abordar um assunto como a guerra em um país africano, não significa mostrar pessoas sendo mortas ou estupradas, para deleite dos nossos olhos ávidos pelo terror. Um terror alheio, que nos causa atração, como se precisássemos comprovar sua existência.

“Sim, mas se dá audiência é porque funciona”, diria alguém pronto a justificar a existência de tais programas, jornais impressos (tem um jornal daqui de Salvador, que é fo…tribuna do sangue!). Sinto muito por negar essa afirmação, dando um exemplo. Quando passamos por um acidente de carro, no qual duas jovens garotas estão destroçadas pelas ferragens, sentimos o impulso de ver, de comprovar sua existência, como disse acima. Olhamos porque gostamos ou porque somos atraídos pela quebra da normalidade que essa tragédia traz, pela sua pornografia? Pornografia da morte, tão explícita, tão sedutora. Olhamos tapando os olhos, pelas fendas dos dedos, mas olhamos.

Hoje, avançamos tecnologicamente, mas consideramos a morte um tabu. E por isso mesmo, nos sentimos atraídos pela pornografia da morte, com suas dilacerações, queimaduras, facadas, estupros e suicídios em tempo real. Retornamos à Idade Média, mas somos muito mais medievais do que pensamos.

Zoológico Humano

Quando George Orwell escreveu “1984”, em 1949, criou um panorama sombrio, onde todos eram vigiados 24h. O Grande Irmão, ou Big Brother, não deixava escapar nada. E quem se voltasse contra as regras duramente impostas pelo estado, sofria consequências gravíssimas, até a morte.

 

Cinquenta anos depois, chegamos à 9ª edição do Big Brother Brasil. O programa, ao longo desses anos provou que o ser humano tem o caráter voyerístico e adora ver a baixaria dos outros, melhor ainda se tiver sexo no meio. E no Big Brother sempre tem sexo, óbvio. Não é à toa que colocam moças e moços sarados juntos, enclausurados por meses. Rapazes e senhoritas já talhados para revistas como Playboy e G Magazine.

 

Esses moços e moças que são escolhidos a dedo, de acordo com suas personalidades, justamente para criar os embates necessários para o deleite da população que escolhe um lado e torce, como se o futuro ganhador do R$ 1 milhão fosse seu parente ou seu cônjuge.

 

Programas parecidos pululam pelas tevês a cabo. São reallity shows que apresentam temas variados como gastronomia, moda, tatuagens e modelos débeis. Gosto de alguns, porque nem todo reallty show abusa da incoerência e do mau gosto. O império do grotesco, como diria o teórico Muniz Sodré, é o reflexo de uma humanidade que facilmente descarta o esforço de pensar e se entreter com algo inteligente e deita no berço esplêndido das brigas banais. E não falo de intelectualismo tolo, não. Ver Bob Esponja ou assistir a um seriado de ação bem feito, não exige ser mestre em Filosofia. Penso que devemos exigir o melhor para a gente. Gosto de futilidades também, elas nos salvam da exagerada seriedade inútil que por vezes nos é imposta.

 

Vi Pedro Bial, apresentador oficial do BBB, dizer que o programa é um zoológico humano, que estamos observando as reações das pessoas como animais em jaulas. Exercício antropológico, psicológico e por aí vai. Seria dessa forma, se o programa fosse escrito e dirigido de forma mais instigante e menos focada na edição das cenas de sexo e das festas temáticas, nas quais fofocas e armações são tramadas.

 

O zoológico humano que Biaallllll falou é um nome de um programa inglês bem interessante. Psicólogos, especialistas em linguagem corporal e mais alguns outros profissionais que estudam o comportamento humano, tecem comentários interessantes sobre o grupo que a todo momento é colocado em situações que testam suas personalidades. Quando acabamos de ver um episódio, ganhamos informação. Pensamos sobre nossas atitudes.

 

O que se ganha com o BBB? A meu ver, nada. Não do jeito que é produzido. Gostaria que fosse um reallity show bom, mas não é. Pelo menos para o autor desse texto. Com o BBB valorizamos a mediocridade e a falta de talento.

Maysa

Jayme, Larrisa e Manoel

Jayme, Larrisa e Manoel

Ontem teve início a minissérie Maysa – Quando Fala o Coração, escrita por Manoel Carlos e dirigida pelo próprio filho da cantora, Jayme Monjardim. Sou fã de Monjardim por ele ter feito Pantanal. Não gostei do seu filme “Olga” e não me lembro da última novela que dirigiu que eu tivesse gostado. Sei que ele saiu da direção da terrível “América” por incompatibilidade de visões.

Já Manoel Carlos não fica entre os 10 autores de novelas que mais gosto. Acho seus textos com um didatismo chato. Seus personagens, com exceções, não me despertam interesse. Se tiver que escolher três autores rapidamente, fico com Gilberto Braga, o inesquecível Dias Gomes, além de João Emanuel Carneiro.

Mas para não induzir ao erro e por conclusão acharem que vou falar que não gostei da Maysa, deixo claro que ainda é cedo para afirmar algo. Mas tenho ressalvas. Achei a atriz Larissa Maciel bem parecida com a artista. Mas, vendo apenas este capítulo, me pareceu faltar mais força dramática à atriz. Maysa era muito intensa, muito visceral…faltou algo na interpretação…!

A produção é muito boa, com certeza. Então, plasticamente a minissérie não vai perder nada.

Bom, veremos no que vai dar. Depois da ousadia maravilhosa da linguagem de “Capitu”, espero algo no mínimo bom.

Desculpem a brevidade e a falta de pesquisa. Essa semana está quase impossível publicar um texto mais consistente!

Olhos de cigana oblíqua e dissimulada

Sono monstro, mas vamos lá!

 

Quem de vocês já leu algo de Machado de Assis? Meu primeiro livro foi “Dom Casmurro”, tardiamente aos 18 anos. Mas só fui perceber a qualidade da obra, algum tempo depois.

 

Machado escreveu o romance em 1899 e lançou a eterna dúvida sobre a traição de Capitolina, a nossa Capitu. Com esse e outros romances foi considerado por Harold Bloom – um dos maiores críticos literários que existem – um gênio da literatura mundial.

 

Talvez naquela época fosse difícil imaginar a traição de uma mulher, por questões morais. Embora os seres humanos sejam feitos do mesmo material, seja hoje ou ontem.

Talvez hoje, a possível traição de Capitu fosse mais facilmente digerível. Nossos valores em relação ao sexo estão mais elásticos, mesmo com os resistentes ranços moralistas que nos circundam. Enfim…Talvez a traição de Capitu tenha a ver com o momento em que a obra é analisada.

 

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Luiz Fernando Carvalho (Pedra do Reino, Hoje é Dia de Maria, os Maias) traz a minissérie baseada no clássico de Machado, sempre com sua assinatura teatral, pop, mágica.

 

Gosto muito desse diretor e é bom saber que temos alguém disposto a levar qualidade visual e lírica para as massas. É muito legal assistir a uma boa novela e logo depois bater de frente com uma estética menos convencional na TV aberta. Espero que o público goste.

 

Gostei do primeiro episódio e achei muito interessante ter uma Capitu tatuada. Não posso deixar de mencionar que Letícia Persiles é linda. E que é cantora de rock!

 

Se para mim ela traiu? Se Machado não soube responder, quem dirá eu! O fato é que Bentinho parece que pedia por isso!