Trilogia da libertação

Foto: Sandro Caldas

Vou dar a dica de uma trilogia libertária que se chama Amores Comparados e foi editada em 2006: Sexo no Casamento, Separação e Fidelidade Obrigatória e Outras Deslealdades. Os livros foram escritos pela psicanalista e escritora, doutora Regina Navarro Lins e seu marido, o romancista e dramaturgo, Flávio Braga.

Quem acompanha, mesmo de forma muito esparsada, os textos que coloco aqui no Vinil sabe que sou admirador de Regina Navarro e suas ideias. O que me faz concordar de forma tão entusiasmada com seus livros é que eles são baseados na nossa história, na evolução dos costumes, nas modificações pelas quais a humanidade passou durante esses milênios, e possuem a intenção de fazer com que as pessoas vivam melhor. Ela justifica seus argumentos solidificando suas frases com exaustiva pesquisa. Não é invencionice de um pseudo-mestre. Claro, muitos podem discordar dos seus textos, mas não há como negar que é preciso repensar a maneira como nos relacionamos e encaramos o sexo. Pelo menos criticar a nossa realidade é fundamental, mesmo que tenhamos que confrontar nossos medos.

Os três livros possuem um pouco mais de 100 páginas cada um, sempre trazendo duas histórias escritas por Flávio Braga. Ao final de cada narrativa Regina Navarro faz sua análise sobre os assuntos tratados. A trilogia é bem didática e bastante informativa, fazendo-nos conhecer os hábitos de uma Roma antiga até o Rio de Janeiro dos anos 50, por exemplo. Leia abaixo dois trechos que analisam a história ‘Bodas na copa’, do livro Sexo no Casamento:

“Para se sentirem seguras as pessoas exigem fidelidade, o que sem dúvida, é um elemento limitador e também responsável pela falta de tesão: a certeza de posse e exclusividade leva ao desinteresse, pois elimina a sedução e a conquista”

“Atualmente, muita gente se mostra supresa quando percebe que sexo e casamento são incompatíveis. Mas todos sempre souberam disso. O casamento funcionou muito bem, durante séculos, porque o amor romântico e prazer sexual não podiam fazer parte dele”

É ler os livros, concordar ou não, mas sempre criticar e achar sua melhor maneira de viver a sua sexualidade de forma satisfatória para você e seu parceiro ou parceiros. Há muitas maneiras de se viver e nenhum modelo é melhor que outro, mas a reflexão é fundamental para elimiar culpas, pecados ou qualquer falsa moral que tem apenas uma única finalidade: dar poder a quem as inventa.

Ciúme, monogamia e o homem caçador

Ouvi em uma rádio daqui de Salvador uma psicóloga falando sobre ciúme, monogamia e a condição de caçador do homem. Bom, sobre o ciúme ela afirmou que é algo da alma, do espírito, e que as pessoas deviam tentar controlar para viver melhor. Certo, mas ser da
alma é complicado. Ela não apresentou nenhum argumento consistente sobre a origem
do ciúme, por exemplo.

Outra questão abordada foi a monogamia. Para ela, a monogamia é uma evolução, já
que a pessoa aprende a ceder, a conviver com os defeitos do outro etc. Achei outra
balela, quando sabemos que a maioria vive preso à monogamia por questões morais,
religiosa, etc.

O último quesito foi a condição do homem de caçador. Para ela, o homem conquistar
a mulher é biológico, já que é o homem sempre foi o caçador. Para ela, é uma inversão a
mulher ir atrás, ser mais agressiva. Achei outra babaquice dessa profissional, que parece não enxergar as mudanças.

Por isso, resolvi fazer uma pequena entrevista com a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins. A questão não é escolher alguém com uma visão com a qual eu corrobore. O fato é que quando lidamos com determinadas questões não podemos ficar no reino do achismo. Essa psicóloga pode ter suas convicções pessoais, mas não podemos dizer que ela seja uma profissional instruída, que solidifique seus argumentos com a consistência do estudo, da perspectiva histórica, da reflexão sobre as mudanças dos costumes sociais.

Confiram abaixo as respostas de Dra. Regina Navarro Lins sobre essas três questões. Respostas que eu concordo inteiramente! Agradeceria se vocês emitissem suas opiniões.

Doutora Regina Navarro Lins

CIÚME

A qualquer momento, inesperadamente, pode surgir o ciúme numa relação amorosa: na
fase da conquista, no período da paixão, durante o namoro ou casamento e até mesmo
depois de tudo terminado. O ciúme envolve uma espécie de ansiedade de abandono. As
atitudes ciumentas alimentam essa ansiedade, ao mesmo tempo que tentam encontrar
alívio para ela. Para superar os crescentes sentimentos de impotência, o ciumento se
esforça por sufocar o outro. Seus interrogatórios e pedidos de garantia de fidelidade
fazem parte das tentativas de controle.

Alguns consideram o ciúme universal, inato. Outros, entre os quais me incluo,
acreditam que sua origem é cultural, mas é tão valorizado, há tanto tempo, que
passou a ser visto como parte da natureza humana. Para o psicólogo Ralph Hupka, da
Universidade do Estado da Califórnia, o ciúme é um constructo social: “É improvável
que os seres humanos venham ao mundo ‘pré-programados’, digamos assim, para
serem emocionais com qualquer coisa que não sejam as exigências de sua sobrevivência
imediata.”

O psiquiatra Dinesh Bhugra, do Instituto de Psiquiatria em Londres, argumenta que
o ciúme é resultado da sociedade capitalista. Segundo ele, as sociedades capitalistas
colocam um prêmio nas posses e propriedades pessoais, que se estende a possuir
outras pessoas. A sociedade capitalista encoraja a “tratar o objeto amoroso como se
fosse um objeto literal, assumindo que o parceiro seja posse ou propriedade pessoal do
indivíduo”.

MONOGAMIA

Na pesquisa que fiz no meu site e que de origem aos livros ‘A Cama na Rede’ e ‘Se eu
fosse você…’, 72% das pessoas declararam ter tido relações extraconjugais. Apesar de
todos os ensinamentos que recebemos desde que nascemos – família, escola, amigos,
religião – nos estimularem a investir nossa energia sexual em uma única pessoa, as
relações extraconjugais são muito comuns. Uma porcentagem significativa de homens e
mulheres casados compartilha seu tempo e seu prazer com outros parceiros.

As mais diversas justificativas apontam que as relações extraconjugais ocorrem por
problemas emocionais, insatisfação ou infelicidade na vida a dois. Mas poucos dizem o
óbvio: as relações extraconjugais ocorrem principalmente porque variar é bom.

Um casamento pode ser plenamente satisfatório do ponto de vista afetivo e
sexual mesmo havendo relações extraconjugais. Afinal, todos estão constantemente
expostos a estímulos sexuais novos provenientes de outros, que não o parceiro atual.
É possível que esses estímulos não tenham efeito na fase inicial da relação, em que
há total encantamento pelo outro. Entretanto, existem e não podem ser eliminados. A
maioria dos seres humanos já sentiu vontade de viver uma relação com alguém que
lhe agradou, e isso não só devido a fatores físicos. Os mais variados aspectos podem
provocar o desejo, mas somos historicamente limitados pela ideia de exclusividade.

O HOMEM CAÇADOR

Essa resposta mostra o desconhecimento total da história por essa psicóloga.

O patriarcado, uma organização social baseada no poder do pai, e a descendência e
parentesco seguem a linha masculina, se instalou há cinco mil anos. As mulheres são
consideradas inferiores aos homens e, por conseguinte, subordinadas à sua dominação.
Hoje, sabemos que antes havia uma sociedade de parceria entre homens e mulheres.

Superior/inferior, dominador/dominado. A ideologia patriarcal dividiu a humanidade
em duas metades, acarretando desastrosas consequências. Apoiando-se em dois pilares
básicos — controle da fecundidade da mulher e divisão sexual de tarefas — a sujeição
física e mental da mulher foi o único meio de restringir sua sexualidade e mantê-la
limitada a tarefas específicas.

A fidelidade feminina sempre foi uma obsessão para o homem. É preciso proteger
a herança e garantir a legitimidade dos filhos. Isso torna a esposa sempre suspeita,
uma adversária que requer vigilância absoluta. Temendo golpes baixos e traições, os
homens lançaram mão de variadas estratégias: manter as mulheres confinadas em casa
sem contato com outros homens, cinto de castidade e até a extirpação do clitóris para
limitar as pulsões eróticas. As adúlteras são apedrejadas, afogadas fechadas num saco,
trancadas num convento ou, como acontece hoje no Ocidente, espancadas ou mortas por
maridos ciumentos, protegidos por leis penais lenientes com os crimes passionais. Ao
homem, por não haver prejuízo para sua linhagem, concede-se o direito de infidelidade
conjugal.

Os homens, que aparentemente só têm a lucrar num sistema que os coloca numa posição
superior, são seduzidos a lutar pela sua manutenção para continuar usufruindo dessas
vantagens. Entretanto, pagam um preço elevado para corresponder à expectativa de ser
homem patriarcal. Como resultado da divisão da humanidade, assistimos à divisão dos
seres humanos. Para se adequar ao modelo patriarcal de homem e mulher, cada pessoa
tem que negar parte do seu eu, na tentativa de ser masculina ou feminina. Homens e
mulheres são simultaneamente ativos e passivos, agressivos e submissos, fortes e fracos,
viris e femininos, mas perseguir o mito da masculinidade significa sacrificar uma parte
de si mesmo, abrir mão de sua autonomia.

A evolução das sociedades de parceria foi mutilada, sofrendo mudança radical. A
mente humana foi remodelada em um novo tipo de mente, e a cultura dominada pelo
homem, autoritária e violenta, acabou sendo vista como normal e adequada, como se
fosse característica de todos os sistemas humanos. A lembrança de que por milhares de
anos houve organizações sociais diferentes foi suprimida. O longo tempo — quase
cinco mil anos — auxiliado pelo hábito e o desconhecimento de outra alternativa, se
encarregou da normalidade. Dessa forma, os novos valores penetraram nos mais
profundos recônditos da alma humana e durante muito tempo foram tidos como
verdades imutáveis.

Para o aprofundamento desses e outros assuntos, leiam o livro ‘A cama na varanda’, de Regina Navarro Lins. É um livro que nos faz pensar, refletir, e não um amontoado de clichês e verdades discutíveis.

A corrosão do ciúme

Adoro estudar sobre a sexualidade humana e durante esses últimos anos tenho lido muito sobre esse assunto tão vasto, tão importante para a humanidade, e que ainda é tabu apesar da facilidade de encontrarmos o sexo nos meios de comunicação, principalmente na internet. Sexo não é somente um ato entre duas ou mais pessoas, mas é também política, religião, filosofia, antropologia, sociologia, psicologia etc. Ele permeia diversas áreas do conhecimento humano e para mim, aceitando uma ideia de Doutora Regina Navarro Lins, sexo é uma questão de saúde pública. Por conta de tantos entraves impostos à sexualidade humana, somos reprimidos e disso surgem diversos problemas, como agressão à mulher e as disfunções sexuais.

Bom, escolhi falar sobre o ciúme. Ele, ao contrário do que muitos pensam, não reflete amor, mas uma forma ditarorial de controlar o outro. Desde o menor ciúme ao patológico, ele, na minha opinião, nunca é bom. E de onde vem o ciúme?

Já ouvi e li muita gente dizer que o ciúme faz parte do ser humano, que quem não sente ciúme não pode dizer que gosta ‘de verdade’ da pessoa. Como algo baseado no medo da perda e no egoísmo pode ser bom e refletir afeto sincero? Não pode.

O ciúme, acredito nisso, nasce em nós quando, ainda crianças, não temos ningúem além de nossa mãe para nos proteger. A criança sente-se desamparada sem sua proteção e o ciúme aparece como instinto de sobrevivência. No entando, quando crescemos não abandonamos o ciúme infantil e levamos esse sentimento para os nossos relacionamentos. O medo da perda do parceiro faz com que nos tornemos possessivos, como um carcereiro vigiando seu prisioneiro para que ele não fuja. Temos medo da pessoa amada se interessar por outra, receio de ser abandonado por aquele que – acreditamos nisso – é o único capaz de nos fazer feliz. Caso nos deixe, nosso mundo desabará e nada mais fará sentido. Impotentes, achamos que nunca mais encontraremos ninguém capaz de nos alegrar a vida. Depositamos nossa felicidadade em um ser que não tem obrigação de suprir nossas expectativas, mas cobramos isso o tempo todo.

Cara feia

Quando, seja homem ou mulher, nosso companheiro (namorado (a), marido, esposa, ficante, sei lá) faz uma cara feia por ciúme, não nos dá uma tristeza imediata que pode até estragar o resto do nosso dia? É como se nós estivéssemos cometendo um erro por vestir uma roupa mais atraente ou ligar para uma ex-namorada que não deixou de ser uma amiga. Já paramos para pensar porque achamos essas atitudes corretas e parte ‘normal’ de um relacionamento? Para mim, não há nada normal nisso, apenas nossa insegurança gritando.

Se cada um tivesse a certeza que é interessante o suficiente para não ser trocado facilmente, as coisas seriam mais fáceis. O seu companheiro ou companheira está com você por livre e espontâneo tesão e não por uma lei imposta pelo Estado. E se, hipoteticamente, o seu amor trocar você por outra ou outro, não ache que é incapaz de continuar sem esta pessoa e não repita o mantra ‘não posso viver sem fulano (a)’. Claro que pode. E muitas pessoas se supreendem em saber que podem. O massacre cultural que afirma que temos obrigatoriamente de ter alguém para sermos felizes destroi a possibilidade de vivermos bem de forma solitária, o que não quer dizer que deixaremos de viver experiências amorosas satisfatórias.

Longe do ciúme

Eu tenho certeza que todos já sentiram ciúme, em menor ou maior grau e que, talvez, alguns dos seus relacionamentos terminaram por conta desse sentimento. É muito mais fácil tecer análises tentando desvendar as origens do ciúme e os seus malefícios do que não senti-lo.

No entanto, eu acredito que o primeiro passo para deixarmos de sentir ciúme ou mesmo sentir de forma menos destrututiva é refletir sobre o tema. É pensar que não dependemos de ninguém para nos sentirmos felizes. Isso não é autossuficiência exagerada ou desprezo pelas pessoas, mas nossa saudável individualidade, no melhor sentido da palavra. O ciúme é ditatorial e faz mal para quem sente e para quem é alvo dele. Ciúme e amor não combinam. Cada pessoa precisa ter a liberdade para ser quem é e o outro precisa entender que propriedade privada combina com questões agrárias e não com afetividade humana. É um processo de aprendizagem e reflexão constante onde avaliamos nossa dependência em relação ao outro, mas creio que é possível pra qualquer um elevar sua autoestima e viver longe do ciúme.

Algumas frases sobre o ciúme:

“Se o ciúme é sinal de amor, como querem alguns, é o mesmo que a febre no enfermo. Ela é sinal de que ele vive, porém uma vida enfermica, maldisposta. ”
(Miguel de Cervantes)

“Para o ciumento, é verdade a mentira que ele vê. ” (Calderón de la Barca)

“Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce. ”
(William Shakespeare)

“O ciumento passa a vida tentando descobrir o segredo que irá destruir a sua felicidade. ” (Oxenstien)

Um giro pelo mundo pop

Foto: Cleomir Tavares/Divulgação

Vi algumas coisas que me chamaram atenção por motivos variados. Primeiro, soube que Sandy é a mais nova musa das cervejas, e logo da Devassa. Embora eu achasse que o contraste pudesse criar algo atrativo e sexy, depois que vi o comercial não achei muito atraente. Acho Sandy linda e com uma voz muito bonita. E sim, ela é atraente para mim, mas será que ela tem sex appeal suficiente pra vender cerveja? Agora, algo sobre o qual refleti. Sandy tem posições muito seguras contra o uso de drogas, aborto, infidelidade, etc.  Será que ela não sabe que o álcool mata muitas pessoas por diversos motivos e que rola muita hipocrisia em relação à utilização das drogas na sociedade? Será que ela faria propaganda sobre a maconha? Divagações! Assistam ao comercial abaixo.

Antes de ver o vídeo, leia o que disse uma publicitária sobre a escolha da empresa:

Na avaliação da publicitária Shalla Monteiro, sócia da Tree Branding, empresa especializada em marcas corporativas, a escolha de Sandy pareceu “artificial” e “um pouca descabida”.
“Não existe um alinhamento entre a imagem da celebridade, neste caso a Sandy, com a marca do produto, a cerveja. A imagem da Sandy não incorpora os atributos da Devassa e destoa até mesmo com o Carnaval”, afirma a publicitária.

Música

Outra coisa interessante foi a continuação dos 5 segundos das músicas que foram número 1 na Billboard. O link me foi passado, novamente, por Deise, do blog Sete Faces! Essa nova compilação possui 30 minutos e vai de 1993 a 2011 e tem nomes como Lady Gaga e Spice Girls. Confiram abaixo.

Filmes

Por último, depois de ler a lista de filmes vistos por Deise no mês de fevereiro, resolvi copiar a ideia e colocar os longas que vi nos meses de janeiro e fevereiro. Não são muitos, mas a maioria é bem interessante.

1 -Toy Story 3  – Lindo e emocionante! Um dos grandes filmes que vi!

2 – Cisne Negro – Amei esse filme. Grande atuação de Natalie – minha deusa – Portman. Atuação esta que lhe valeu um Oscar de Melhor Atriz.

3 – Incontrolável – Razoável, com um erro de edição bizarro!

4 – Bravura Indômita – Os irmãos Cohen sempre são bons!

5 – As viagens de Gulliver – Para quê??? Sem graça!

6 – O discurso do rei – Gostei, mas Tom Hooper não merecia ganhar o Oscar de Melhor Diretor. O próprio filme não merecia ser o melhor do ano.

7 – O vencedor – Muito bom, com belas atuações.

8 – 127 horas – É bom, nada mais que isso. O que segura o filme é a atuação de James Franco.

9 – O ritual – Razoável.

10 – Caça às bruxas – Nicolas Cage, meu filho!

11 – O Lobisomem – Filme com roteiro fraco. O que vale é a maquiagem.

12 – Santuário – Chatinho, chatinho! Usar a tecnologia de Avatar não torna nenhum filme bom.

13 – Foi apenas um sonho – Ótimo filme de Sam Mendes, com Leonardo de Caprio e Kate Winslet. Discute de forma profunda o desgaste do casamento.

14 – Queime depois de ler – Outro bom filme dos irmãos Choen.

15 – Amor sem escalas – Só consegui ver esse filme agora. Gostei muito.

16 – Coração Louco – Muito bom. Jeff Bridges arrasa na pele de um cantor country alcoólatra.

Eu sei escrever, ler e votar…e sou NORDESTINO!

Será que essa pessoa possui massa cinzenta?

O post de hoje seria sobre a vitória de Dilma Rousseff. Minha opinião modesta sobre a 1ª mulher presidente do Brasil. Ainda vou escrever sobre isso, mas depois que um amigo jornalista botou um link no twitter sobre a ignorância e o preconceito de pessoas que possuem fezes no lugar do cérebro e coliformes fecais fazendo suas sinapses, resolvi escrever este texto.

Morei em São Paulo por dois anos e posso garantir: existem, claro, pessoas maravilhosas lá. Fiz amigos que me comunico até hoje e vivi experiências de simpatia e bondade que me comoveram. São Paulo é concreto e calor humano, isso eu garanto. Depois de Salvador, minha maltratada Salvador, é São Paulo minha cidade predileta. Deixo claro que minha revolta é dirigida a uma estudante paulista, que cursa Direito. Ela resolveu externar seu hitlerismo publicamente via twitter. Arrependida, tentou excluir sua conta, mas já era tarde. Muitos tuiteiros fizeram print da imagem abaixo. O pior de tudo é que existem mais exemplos de debilidade mental e extrema ignorância cultural por parte desses seres superiores!

Como vocês leram acima, Mayara Petruso ficou revoltada por uma razão: os nordestinos votaram em Dilma. Tem uma usuária que chega a sugerir que nordestino não sabe ler nem escrever! Realmente estou estufetato com tanta ignorância cultural, tanta nulidade mental. Os deuses do Olimpo são, além de Mayara: Daniella Lindner, Tayane Monteiro, Suhelen Hernaski, Gioavana Varella e Maxi Franzol.

Eles culpam os nordestinos pela mazelas do País. Acham que o Bolsa Família retira dinheiro de seus cofres sulistas. Pode-se e deve criticar as ações governistas. Eu mesmo tenho restrições ao Bolsa Família, mas não se pode culpar uma região e seu povo pelos problemas do País. Sugerir assassinato, como Mayara fez, revela o nível mental desses estorvos.

O Nordeste não tem culpa da desorganização política do Brasil. Não inventou a corrupção nem a pobreza. Será que políticos do Sul e Sudeste não roubam, não destroem a vida dos outros com suas ações que visam apenas ao benefício próprio? Será que Paulo Maluf faz mais bem ao Brasil do que um nordestino que depende do Bolsa Família? Será que estes jovens e até seus pais, não são corruptos em suas vidas socias, contribuindo para o estado de segregação social e econômica da nossa nação? Cidadãos do Sul e Sudeste são exemplos para o resto dos infelizes brasileiros? O inferno são os outros, dizia o filósofo Jean-Paul Sarte; neste caso, o inferno é o Nordeste e os nordestinos!

Suhelen sugere que nordestinos não sabem ler! Será que ela e seus companheiros de extrema-direita já ouviram falar de João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Glauber Rocha, João Gilberto, Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Ubaldo Ribeiro, Sivuca, Alceu Valença, Chico Anísio, Raul Seixas, Milton Santos e tantos outros nordestinos fantásticos que mudaram o pensamento e a cultura brasileiras? Não, com certeza, não! Será que ela e os demais já pararam pra pensar nas condições infernais que vivem milhões de nordestinos igualmente fantásticos que enfrentam a seca, por exemplo?

O que me preocupa é que com certeza existem mais jovens e não tão jovens que pensam dessa mesma forma ignóbil. Sugiro que eles sejam isolados por alguns anos e recebam aulas de história, português, cultura geral (musical, cinematográfica, literária etc), façam mais sexo e tenham consultas com um excelente psiquiatra. Essa raiva é o raio-x de suas infelicidades, suas frustrações burguesas, suas repressões familiares e sexuais.

Clique aqui veja todos os exemplos da debilidade dos nossos compatriotas

Neste link aqui você pode denunciá-los! Eu denunciei!!!

Contra a moral e os bons costumes

Esse texto é uma homenagem a José Ângelo Gaiarsa, psicoterapeuta que morreu aos 90 anos, no dia 16 de outubro, em São Paulo.

Lembro-me que durante anos assisti Gaiarsa no programa Dia Dia da Bandeirantes; seu quadro foi ao ar durate dez anos, de 1983 a 1993. Sempre me interessei por psicologia e temas como família, sexo, casamento, amizade etc. Aquele senhor de boné adolescente e seus discursos me chamavam a atenção. Confesso que nem sempre entendia seus comentários, mas nunca deixei de escutar com atenção. Sem dúvida, Dr. Ângelo Gaiarsa contribuiu para a minha formação e para a atual consciência que tenho sobre estes assuntos. Ele foi o introdutor de Carl Gustave Jung e William Reich no Brasil, psicanalistas ideólogos da revolução sexual.

Infelizmente não li seus 30 livros, mas o único que tive o prazer de ler, até agora, (Amores Perfeitos) me abriu a mente para a instituição Família. Há muito mais no livro do que os pontos que vou citar. Por isso, recomendo esta obra, que está disponível de forma gratuita no site do Dr. Gaiarsa (link abaixo).

Tenho amor imenso por minha família e até hoje devo todas as minhas conquistas pessoais a ela, com todo o seu apoio por minhas escolhas e toda a sua compreensão pelos meus erros. Quando falo ela, me refiro à família núcleo, representada por pai, mãe e dois irmãos. Acho que apesar de todos os defeitos presentes nessas pessoas, jamais gostaria de não tê-la tido um dia, mas é óbvio que chega um momento que você precisa ir adiante e descobri quem é você longe dela.

Leia abaixo trecho de Amores Perfeitos. Para mim, ficou claro durante os anos que família não é uma instituição perfeita e merece críticas. Falo isso, porque tios, tias, primos entre outros, apesar do amor guardado no coração (se é que existe), não participam de sua vida diária, não trocam experiências, não servem como amigos, como companheiros, como família como penso que deva ser. Ao contrário, criam-se disputas entre primos, fofocas destrutivas sobre os defeitos dos outros; promove-se o afastamento ao invés da aproximação e da cumplicidade. Ou seja, devemos pensar um novo modelo de família. Este que se apresenta, para a maioria das pessoas, não é saudável.

Hoje em dia, a família verdadeira não é mais considerada a consanguínea, mas um grupo de pessoas que se amam, se respeitam, querem bem uns aos outros, independente de morarem sob o mesmo teto. Hoje, pode-se escolher a família e não mais estamos presos ao conceito de que pai, mãe e filho ou filhos constituem a estrutura correta. Lembro-me que ouvia que um filho precisa da figura paterna e materna para crescer mentalmente saudável ou que a separação prejudicaria aquele futuro adulto. Pesquisas sérias revelam que filhos de pais separados têm o mesmo nível de problemas do que aqueles que vêm de uma família convencional. Antes pais separados do que um homem e uma mulher que não se respeitam e estão ali somente cumprindo um papel social.

Abaixo outro trecho que selecionei do livro:

Dr. José Ângelo Gaiarsa foi um homem corajoso, que lutou contra a moral e os bons costumes que criam o ambiente propício para a infelicidade humana. Poderia falar de sexo aqui, já que considero o principal motivo de frustração humana, levando à doenças. Somos reprimidos e não nos damos conta disso. Falando isso agora, lembrei da cantora norte-americana Katy Perry, que apesar de toda a sua figura sensual e ousadia no discurso, considerou o sexo casual SUJO. Ou seja, há uma contradição entre a figura dela, com todo apelo sexual, e seus valores, que certamente vêm da culpa religiosa muito bem introduzida em nossas cabeças…mas isso é outro papo.

Assista abaixo um depoimento forte de Gaiarsa sobre a família:

LEIAM ALGUNS LIVROS DE GAIARSA E ASSISTAM SEUS MARAVILHOSOS VÍDEOS AQUI

Clipe do dia!

Já se passaram vinte anos desde que ouvi o R.E.M. pela primeira vez, banda que continua sendo minha predileta de todos os tempos e olha que gosto de muitas coisas. Apesar da Saída de Bill Berry, o baterista das caras da Georgia, Michael Stipe, Mike Mills e Peter Buck continuam firmes e sempre bons.
“Accelerate”, mais recente e já clássico disco da banda, comprova isso. Já ouvi esse álbum dezenas de vezes e está entre os meus preferidos, junto com “Automatic for the People”, “Murmur” e “Out of Time”.
Amanheci esse 19 de janeiro ouvindo “Man Size-Wreath”, segunda faixa do “Accelerate”. Adoro.
Coloco abaixo o vídeo dessa música para que vocês – se não conhecem – sejam apresentados. Mas indico o disco inteiro. Não é o clipe original.

Você tem twitter?

twitterDe um tempo para cá tenho lido sobre o Twitter. Minha curiosidade levantou as orelhas, mas confesso que pelo que tinha lido, não me pareceu grande coisa: um microblog, no qual o usuário tem no máximo 140 caracteres para escrever um texto. Este parágrafo não caberia em um post no twitter. Enfim, para que serve o twiiter mesmo?

Criado em 2006 por Jack Dorsey, ganhou o apelido de SMS da Internet. Como qualquer rede social, como Orkut, Facebook e MySpace, o Twiiter (que também é uma) é apenas uma forma mais dinâmica, em tempo real, de seguir e ser seguido pelas pessoas, seja ela amiga, desconhecida ou alguma personalidade que você admira (Sandy, Luciano Huck e Pitty são algumas que aderiram à ferramenta). Estima-se que 11 milhões de pessoas já tenham uma conta no site.

A meu ver, o Twiiter é mais pessoal e revelador do que os outros, além de fazer com que o usuário sinta-se “amigo” de um cantor ou ator de sua preferência. No Twitter existe a possibilidade de um deles responder a você, interegir com seus textos. Coisa que é mais difícil com um perfil no Facebook ou MySpace. O Twiiter é como se você tivsse o MSN de Sandy, por exemplo, embora ela não esteja, maioria das vezes, falando com você, mas com todos que a seguem.

A semelhança com os outros sites de relacionamento é simples: voyeurismo e exibicionismo. Creio que todos esses sites fazem sucesso porque temos sede do outro e todos queremos nos mostrar. Isso não é ruim, pelo contrário. Faz parte da nossa ânsia em ser visto e querer ver, conhecer os detalhes, por vezes bobo, da vida do outro. E claro, somos ainda mais tentados quando esse outro é um ser que tem como profissão a arte de atuar ou cantar, por exemplo. Profissões que os distanciam da realidade ordinária. O intressante é que quando lemos uma frase de Luciano Huck ou Sandy, nos perguntamos se são eles mesmo. Por qual motivo não seriam? Nâo são humanos como nós? Então quer dizer que Sandy não gosta de barulho de construção em dia de feriado? Claro que não…e quem gosta?

Enfim, resolvi há alguns dias aderir ao Twitter. E confesso que é divertido, mesmo que ningúem ache relevante saber que eu tomei vinho no almoço. Mas há muitas dicas que seguidores e seguidos dão: de sites, de filmes, de notícias etc. É saber aproveitar.

Caso você queira seguir algum famoso, cheque se o perfil é Fake.

Obs: Graças ao Twitter um post meu passou a ser o texto que, até agora, apresenta o maior número de comentários. E é um post sobre uma grande cantora.

Sandy e os rituais

Ser famoso ou anônimo são dois lados da mesma moeda. Quem nunca sentiu o gosto da fama, imagina como deve ser receber a atenção, os olhares e até os comentários maldosos daqueles que te observam. Uns com ódio, outros com desprezo e demais com admiração e amor. Não é à toa que milhares de pessoas se candidatam a uma vaga em reality shows como o Big Brother. Por outro lado, quem já desfruta da fama (merecida ou não), sonha em poder ir ao cinema ou passear pelas ruas da sua cidade sem ser abordado em troca de uma foto.

A personagem deste texto é Sandy Leah Lima, uma garota que desde muito pequena é famosa e já conta com 17 anos de carreira, se não me engano.

Sei que Sandy faz análise, mas não atribuo o casamento, a formatura e a festa de 15 anos a algum conselho profissional. Ela podia sinceramente não querer tudo isso, já que não precisa provar que é normal. Mas quis, justamente porque o é. Considero Sandy bastante madura e consciente das suas escolhas e atribuo à família que possui esta sólida formação de caráter.

Acho muito bonito como ela conduz sua vida e falo isso sem medo de parecer idiota. Admiro seu gosto aos rituais. Faz parte de nossa época, e isso não tem nada de ruim também, não prescindir de simbolismos como o casamento, a festa de 15 anos ou a formatura. Eu mesmo não fiz a mínima questão de me formar com solenidade e não dou tanta importância aos rituais de qualquer espécie, mas os acho bonitos e válidos.

15 anos

15 anos

 

 

Sandy realizou sonhos como a festa de 15 anos, com tudo o que tem direito. A menina virou mulher. Sandy se formou em Letras para ganhar mais conhecimento e melhorar como pessoa e artista. Sandy se casou com o homem que ama (sim, muitos se casam sem amar).  Passou por esses rituais humanos porque é humana como todos, apenas tem um emprego que coloca uma lente de aumento em sua persona e descarta sua falibilidade como mortal, seus anseios como mulher, seus medos e incertezas. Como diz em uma das letras que escreveu: o glamour não dura pra sempre, já que também vai ao banheiro.

Nada mais humano.

Vejo muitos artistas, alguns muito pouco artistas, transformarem suas vidas em lama diante do público. Atribuem a si mesmos uma importância que não possuem. Fazem-se de vítimas e atormentados (poucos são mesmo). Nada mais detestável do que um artista que se diz artista. Não vejo Sandy ser assim, diante de quase duas décadas de vida nos palcos.

 Casada

Sendo Sandy, a famosa cantora ou não, continua a olhar para o céu e não entendendo nada, como todos nós.

Casada

 

 

 Formada em Letras

Formada em Letras

Em uma galáxia muito distante…

lcmOntem de madrugada li uma entrevista da “atriz”, “escritora” e “diretora de teatro”, Maria Mariana, 36 anos, filha de Domingos Oliveira. Maria se tornou conhecida por um livro que quase todos conhecem ou já ouviram falar e que logo virou série de  TV: Confissões de Adolescente.

Passados muitos anos, a atual mãe de 4 filhos resolve lançar “Confissões de Mãe” (caça-níquel óbvio? quem sabe!). Fuçando pela internet, encontrei um link para a entrevista que a moça deu parta a revista Época. E a cada linha que lia, me perguntava se Maria Mariana não aprendeu nada com seu pai, este que até namorou Leila Diniz. Acho que o cineasta deve estar muito chateado com as idéias retrógradas da filha.

Para que vocês entendam do que estou falando, abaixo segue a entrevista. Em qual galáxia essa menina esteve para aprender e ter coragem de  falar tanta bobagem?

Maria Mariana – “Deus quer o homem no leme”
A escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com “Confissões de mãe”

Martha Mendonça 

ÉPOCA – O que a adolescente dos anos 90 e a mãe de quatro filhos têm em comum?
Maria Mariana –
Mudei muito, mas algumas coisas ficaram. Acredito que uma delas seja a criatividade no dia a dia. Eu sei fazer de um limão uma limonada. Tenho sempre um coelho na cartola, um assunto engraçado numa hora chata, uma forma de tornar aconchegante um ambiente ou uma situação difícil. Isso vem também do fato de eu adorar ser mãe. Mas a maternidade está em baixa.

 

ÉPOCA – Por que você diz isso?
Maria –
O valor de ser mãe não está sendo levado em conta. Sinto isso há quase dez anos, desde que eu decidi parar todas as minhas atividades para ter filhos e cuidar deles. A pressão foi inimaginável e veio de todos os lados. Da família, dos amigos, de quem mal me conhecia. Muita gente me perguntou se eu estava deprimida ou tinha síndrome de pânico. Meu pai também custou a entender. Eu era bem-sucedida, e largar a fama é um absurdo para as pessoas. Se alguém saiu da mídia por vontade própria, é porque tem algum problema grave. A verdade é que eu só descobri o que é trabalhar depois de ser mãe! Ser mãe é um trabalho social, o maior deles. É um esforço para garantir a criação de indivíduos de valor, mentalmente sadios, que contribuam para o bem geral. Pessoas equilibradas, educadas, que consigam se manter. Quando pequeno, o filho precisa de atenção especial e exclusiva. É nesse período que se formam a base do que ele será, o caráter, os valores. Depois, é difícil consertar.

 

ÉPOCA – Como foi sair de uma vida badalada no Rio para uma cidade pequena?
Maria –
Eu trabalhava como roteirista, sempre amparada pela sombra do sucesso de Confissões de adolescente, mas alguma coisa não estava fechando. Tive um primeiro casamento, dos 20 aos 23 anos, que não deu certo. Depois fui morar sozinha e tinha a impressão de que a vida se movia em círculos. Ao mesmo tempo, sempre tive a obsessão de ter filhos. Quando meus pais se separaram, eu estava com 7 anos e passei a viver com meu pai. Era filha única, muito madura, lia Dostoiévski e estava sempre cercada por amigos intelectuais dele. Mas eu sonhava com uma enorme mesa de família com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau, mudar de história. No meio disso tudo, conheci o André, meu marido. Um mês depois, estava grávida. Todos os meus filhos foram planejados. A primeira, Clara, foi de cesariana, o que foi uma decepção para mim. Os outros foram de parto normal.

 

ÉPOCA – No livro, você diz que mulheres que não conseguem o parto normal estão “envolvidas com pequenas questões de ego”. Explique.
Maria –
Respeito a história da maternidade de cada mulher. Mas, depois que tive o parto normal, vi que é uma vivência fundamental. Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor. Todos falam do nascimento do bebê, mas esquecem que a mãe também nasce naquela hora. A mulher também tem de estar focada na amamentação.

 

“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão
é um aprendizado de paciência e dedicação “

 

ÉPOCA – A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar?
Maria –
Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

 

ÉPOCA – Você não teme ser repreendida pelas feministas?
Maria –
Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

 

ÉPOCA – Mas você não valoriza a emancipação da mulher?
Maria –
Valorizo. Teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras. Precisamos unir a geração de nossas avós com a de nossas mães para chegar a um equilíbrio feminino. Eu não sou dona da verdade. Não à toa, fiz meu livro como um diálogo entre mim e minha filha. Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza – sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro.

 

ÉPOCA – O que pensa sobre o casamento?
Maria –
Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto. Casamento é embate, negociação e paciência. É preciso insistir e vencer. Saber que não se muda o outro. É preciso mudar a nós mesmos.
Comentários:

É de chorar. Tudo bem que ela fala que a maternidade é algo maravilhoso, que ser mão é o máximo etc. Até aí tudo bem. Mas depois da revolução sexual, da emancipação da mulher e de outras evoluções e revoluções nos costumes mundanos, será que ainda há espaço para dizer que é o homem e apenas ele que deve comandar o barco? Ou que a mulher que não tem filhos de parto normal não será tão boa mãe em comparação com aquela que teve normal? Ou que o casamento é a única forma de ser feliz dentro das relações homem-mulher? Pelo amor dos deuses!!!

Cito Camille Paglia, intelectual que admiro muito, que afirmou que a maternidade é algo maravilhoso e que admira as mulheres que decidem largar tudo para cuidar dos filhos. Inteligente, Camille sabe que isso não tem nada a ver com não ser sexualmente ativa, sentir desejos e ser a quem segura o leme. A mulher pode e já mostrou que guia o barco muito bem.

Mulheres e homens não são iguais biologicamente e é claro que existem diferenças que devem ser respeitadas, mas essa moça está aquém de produzir um discurso inteligente sobre qualquer assunto relacionado à essas diferenças e sobre o papel de ser mãe. Ela está muito mal informada e parou no tempo. Acho que Maria Mariana perdeu tempo demais catando as cuecas sujas do marido.

 Simone de Beauvoir deve estar muito triste.