O homem de aço (2013)

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Relutei em assistir ao filme “O homem de aço” (2013), de Zack Snyder, por conta da má impressão causada pelo chatíssimo “Superman – o retorno”, produção de 2006 do diretor Brian Singer. O alarme preconceituoso soou assim que vi a figura de mais um bonitão vestindo a roupa do super-herói mais poderoso dos quadrinhos. Enfim, hoje, resolvi buscar o filme e me dei conta, em poucos minutos de fruição, que esta nova produção, se não pode ser considerada maravilhosa, está bem à frente da anterior.

Mais um vez temos um reboot, o que quer dizer que os produtores do filme resolveram recontar a história do SuperHomem do começo ao invés de dar continuidade à história já conhecida por nós. Como se o personagem fosse recriado por Hollywood. Dessa forma, acompanhamos o nascimento de Kal-El/Clark Kent até o momento em que ele assume para a humanidade que é um ser vindo do planeta Krypton.

De todos os filmes do herói este foi o único a mostrar Krypton como um planeta verossímel, palpável, com um cenário que indica um cotidiano. E logo nos primeiros minutos do longa eu vejo Russel Crowe como Jor-El e Michael Shannon como general Zod, o que já conferiu credibilidade ao filme e aumentou meu interesse.

Quando Jor-El tenta avisar aos líderes de Krypton, uma espécie de conselho de anciãos, que o planeta está prestes a ser destruído e que pode salvá-lo, entra o general Zod para culpar os líderes pela iminente tragédia. Em meio a uma batalha entre os dois personagens, o bebê de Jor-El e Lara é enviado para a Terra, onde é achado e criado pelo casal Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diane Lane). Tanto Costner quanto Lane estão ótimos no papel dos pais de Clark. Realmente fiquei feliz por ver Costner em um papel que se encaixou perfeitamente para ele e assistir Lane encarnar uma mulher mais velha (uma verdadeira matrona) e nada sexy, ao contrário dos papéis que geralmente vejo, também foi ótimo.

Assim conhecemos o futuro Super-Homem vivendo sua vida no campo e em empregos comuns como pescador em alto mar ou como garçom em um pequeno bar. O diretor utiliza muito o recurso do flashback para revelar aos poucos como foi a infância de Clark e os valores morais ensinados pelos pais, principalmente pela força moral de Jonathan e sua eterna preocupação em relação à segurança do filho.

O ator Henry Cavill (Kal-El/Clark Kent) consegue, apesar de não ser um excelente ator, desenvolver de forma muito mais eficiente seu personagem em comparação a Brandon Routh, do filme anterior, revelando nuances emocionais que distinguem sua imaturidade do adulto controlado e sábio. Mas é possível falar sem pestanejar que Christopher Reeve ainda é o Super-Homem “de verdade”, já que sua atuação foi impecável.

Outra coisa que achei uma falha do filme foi revelar logo de cara os poderes do herói já adulto, o que enfraqueceu algumas cenas dele quando criança, importantes para o seu desenvolvimento emocional e sobre as escolhas que mais tarde teria que fazer como super-herói. Outra falha é que o roteiro é extenso demais e perde a pulsação, deixando-o por certo tempo enfadonho. Mais uma falha observada: as lutas entre Zod e Super-Homem são travadas como se não existissem pessoas ao redor e que provavelmente sairiam seriamente machucadas ou mortas por conta da luta entre os dois. Felizmente o filme acerta mais que erra e um desses acertos foi apenas fazer referência a Lex Luthor, quando vemos a marca LexCorp no alto de um dos prédio de Metrópolis. A ausência desse vilão foi importante para não deixar a produção mais óbvia. Outro acerto do filme é sua parte técnica, que nos enche os olhos, como nas cenas no planeta Krypton, por exemplo.

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Mas cadê Lois Lane? O amor terreno de Clark é vivido pela sempre competente Amy Adms, que confere à jornalista do Planeta Diário uma persona mais séria e determinada, mas não carrancuda em momento algum. Aliás, o Super-Homem dessa nova produção também é mais sério, ciente da difícil tarefa que carrega nas costas. Neste longa só vemos o jornalista Clark Kent no final depois de revelar que precisa de um emprego no qual as pessoas não perguntem quando ele for para um lugar perigoso. Lembrei que existe um livro chamado “Complexo de Super-Homem”, dedicado a jornalistas como eu e Clark..rsrs.

“O Homem de aço” é um filme eficiente e bom de ser assistido, com um elenco primoroso e uma parte técnica muito boa. Uma experiência divertida mesmo que não contribua de forma significativa para a mitologia do homem de Kryton.

 

 

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Azul é a cor mais quente

Trecho da matéria que li no G1:

A Imovision, distribuidora de “Azul é a cor mais quente”, divulgou um comunicado nesta terça-feira (25) em que critica as empresas que estão se recusando a produzir o Blu-ray do filme francês.

E mais:

“A Imovision procurou a empresa brasileira Sonopress, que replica seus títulos em Blu-ray, mas a mesma se recusou e ainda alegou que nenhuma outra empresa faria o serviço. A Imovision então contatou a SONY DADC, que também se recusou a produzir o Blu-ray do filme, por considerar o conteúdo inadequado devido às cenas de sexo, apesar do filme já ter sido classificado para maiores de 18 anos”, diz o texto.

Aí eu penso o quanto  a internet é maravilhosa, que já não precisamos ficar nas mãos de grandes corporações que decidem o que bom ou ruim, decente ou não!  Enquanto essas empresas negam a produzir lindos filmes sobre o amor apenas por conter lindas cenas de sexo entre mulheres, o coro come na TV e outros meios, reproduzindo nossas piores mazelas.

Dito isto…

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O texto abaixo contém spoilers!!!

“Azul é a cor mais quente” (2013), produção francesa baseada nos quadrinhos de Julie Maroh, trata “apenas” de uma linda história de amor entre dois seres humanos, sem rótulos. Humanos, não um romance gay, um romance lésbico. E acho que começar falando desse filme definindo-o com tais etiquetas é diminuir a beleza do próprio amor, que é um sentimento universal e poderoso.

O diretor Addellatif Kechiche narra a história de Adèle ( Adèle Exarchopoulos), uma garota que inicia o longa com 15 anos e nos dá sua evolução emocional aos poucos, de uma forma orgânica e delicada. Adèle sofre por conta de suas descobertas sexuais, teme ser rejeitada pelas amigas e por conta disso se força a uma relação heterossexual. Não pode dar certo. Quando cruza com Emma (Léa Seydoux) há o despertar de uma intensão paixão, que mais tarde será correspondida.

O envolvimento das duas nos é revelado por Kechiche de forma belíssima, sempre com a busca dos pequenos grandes gestos de corpo, de face, dos olhos, das palavras. Pareceu, a meu ver, um documentário, como se escondido atrás de um muro ou uma árvore, o diretor filmasse as reações das duas garotas. O que quero dizer é que as reações são muito orgânicas, singelas e intensas ao mesmo tempo. E claro, mérito também das fabulosas atuações de Seydoux e Exarchopoulos. Kechiche aproxima a câmera dos rostos dos personagens, nos colocando quase que na ação, na cena. Outra coisa que achei muito interessante foi quase a ausência de música, o que deixou o universo mais denso, regido pela melodia das emoções. Uma vez ou outra vemos pitadas políticas mais diretas, como à questão da imigração, talvez por conta da origem franco-tunisiana do cineasta, mas o que vigora e impera é a história de amor.

As cenas de sexo (que tanto chamaram a atenção) são apenas cenas de sexo. Ou seja, não há porque se sentir constrangido com elas ou chamá-las de explícitas como se isso fosse demérito. O sexo é tabu em nossa sociedade e instrumento de controle, porque o usamos para controlar o moral das pessoas. Sexo é a energia mais poderosa e importante que existe. E quando falo de sexo, falo de amor, de contato nunca vulgar entre pessoas que querem viver e ser felizes. As cenas de Kechiche são longas e podem constranger alguns porque vemos o sexo como algo sujo, ainda mais quando se trata de um casal gay. Lamentável!

Adéle e Seydoux

Adèle e Léa

Vemos os anos passarem e elas agora moram juntas. Emma já não tem cabelos azuis, ms loiros, e se transformou em uma pintora em ascensão; era estudante de Belas Artes. Adèle agora é uma promissora professora de alfabetização. Fica visível a diferença entre seus mundos intelectuais. Emma possui amigos cultos, um vasto círculo de amizades que intimida e deixa Adèle enciumada. Em certo momento, por se sentir só, Adèle trai Emma com um colega de trabalho e confessa, em meio a uma discussão, que dormiu com o rapaz. A confissão de Adèle provoca o rompimento por parte de Emma.

Todo o processo é muito doloroso. Claro que eu torci pela volta das duas, mas a vida não é uma novela barata, na qual já sabemos que o final será feliz. Após um longo tempo distantes, Adèles marca um encontro em um bar e tenta uma reaproximação. Percebemos que Emma ainda a ama, apesar de dizer que não. Acho que todos nós já tivemos o coração destroçado por frases como “tenho um imenso carinho por você” ou algo similar. E quando vemos nosso amor nos dar as costas e ir embora, um vácuo é aberto em nosso peito, o mais fundo desespero e impotência.

Bonito também foi o desfecho do filme. Adèle, ao visitar uma exposição de Emma, vai com um vestido azul, como que fechando um ciclo em sua vida. Ela percebe a felicidade de Emma e sua nova parceira, percebe que Emma agora é um sucesso como artista plástica e que talvez seu lugar no coração de seu ex-amor seja o de uma grande amiga. O amor existe ainda entre as duas, mas ocupa um outro lugar.

Kechiche entre as duas grandes e belas atrizes

Kechiche entre as duas grandes e belas atrizes

Indico este filme para aqueles que amam uma bela história, belíssimas atuações e uma direção poética. Li em sites de revistas como Época que o diretor foi agressivo com as atrizes, que forçou ao limite suas atuações nas cenas de sexo, que foi um abuso, etc, etc. Bom, se ele foi grosseiro com as atrizes, eu não sei. O fato é que quando lidamos com um processo artístico as emoções estão à flor da pele e não é incomum relatos de brigas feias em estúdio. Mas neste caso me parece mais um campanha para denegrir um filme belíssimo. Mesmo que o diretor tenha sido grosseiro com as atrizes, digamos, é o produto artístico que está em análise. Vi uma entrevista de Adèle na qual ela elogia muito Kechiche e a beleza que foi ter passado pela experiência de atuar em “Azul”.

Felizmente a mediocridade de parte dos veículos de comunicação e de determinadas empresas fica obscurecida pela grandeza dessa produção, que na minha opinião, é um dos filmes de amor mais bonitos que vi.

O link para assistir o filme no you tube é: http://www.youtube.com/watch?v=baaD68O0Vl4 

Cortina de Fumaça

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Estava passando de canal em canal pela TV, naquele movimento quase involuntário, e parei no Canal Brasil, no exato momento do início deste documentário. O tema me interessa muito e resolvi ficar. Minuto a minuto fui adorando o filme e percebi a sua importância. É o tipo de mensagem que precisa ser mostrada a todos, já que vivemos em uma sociedade hipócrita em diversos assuntos, como o sexo, por exemplo. Mas ‘Cortina de Fumaça’ (2009), do brasileiro Rodrigo Mac Niven, fala de outro tabu: as drogas, principalmente as consideradas ilícitas e seu consequente combate.

O FILME COMPLETO ESTÁ LOGO ABAIXO E VOCÊ PODE VÊ-LO PELO YOU TUBE. VEJA, EU IMPLORO..RS!

Umas das mensagens do longa, que acho não ser novidade pra muitas pessoas, inclusive do poder, é que no fundo a guerra às drogas é o verdadeiro causador da violência e não o uso de determinada substância. Mostra que as leis criadas são fruto da ignorância e preconceito e que acabam por criminalizar a pobreza. Por exemplo, nos Estados Unidos, há cerca de 100 anos, a cocaína era legal. Sua proibição foi instaurada porque os negros do sul começaram a utilizá-la. A mesma coisa aconteceu com a maconha, que foi proibida porque os americanos de origem mexicana começaram a fazer uso da substância. E para quem não sabe, nosso cérebro, o de todos nós, possui o sistema canabinoide. Sim, que contém substância presentes, claro, na cannabis, e é fundamental para o seu funcionamento. Talvez a maconha não seja tão prejudicial à saúde, já que nosso organismo produz a química presente na planta que tentamos combater!!!

Esse sistema belicista de enfrentamento às drogas ilícitas gera criminosos que precisam ser combatidos. De um lodo temos os usuários (transformados em criminosos) e os traficantes, que são fruto do mercado negro e querem ganhar dinheiro com a situação. Já que a lei determina que este mercado é ilegal e prejudicial à sociedade, a poder público arma policiais para combatê-lo. No meio disso tudo está as pessoas que não consomem nem traficam. Pessoal que estão no meio do fogo cruzado e que sofrem as consequências negativas, tanto dos policiais quanto do mercado ilícito.

Pessoal, é muito estranho e desonesto tudo isso. Vocês conhecem algum estudo que indique que depois de consumir um ou mais cigarros de maconha, a pessoa tenha saído para cometer um crime? Ou algum estudo que revele que o consumo de tantas grama de cocaína levou o indivíduo a matar alguém? Não, porque não existe. O que existe é a criação de clichês moralistas para colocar medo nas pessoas e repetir a ladainha da guerra às drogas. Mas todos nós sabemos que o álcool pode gerar (e gera) brigas e mortes por diversos motivos. O cigarro também! Milhares de pessoas morrem por causa dos inúmeros componentes químicos presentes no tabaco. Você já viu alguém morrer por overdose de maconha? Não. Mas muitas pessoas morrem por conta de uma simples aspirina!

Outro mito e clichê é dizer que a maconha leva a outras drogas. Não, nunca levou. A cannabis é relaxante e a cocaína, por exemplo, é estimulante. Então, não tem relação, são duas necessidades diferentes. Nenhum estudo sério no mundo comprovou isto. Mas a mídia desinforma e os políticos se aproveitam disso para criar plataformas políticas populistas que jamais resolverão o problema. Não é trocando as armas e os carros dos policiais que o problema será resolvido. Para mim, é claro que a DESCRIMINALIZAÇÃO é o início da solução. O controle das drogas e não a guerra contra as drogas, que acaba atingido a população!

Não se assuste, mas o LSD e o Ecstasy, por exemplo, fazem muito menos mal do que o cigarro e o álcool. Álccol que assume a pele da doce e linda Sandy e da voluptuosa Alinne Moraes em propagandas que ligam o sexo ao consumo da bebida. Nestes casos, a cerveja nossa de cada dia. Porra, que sociedade hipócrita é essa?

É fato: as drogas fazem parte da sociedade desde os primórdios e jamais vão desaparecer. Eu rezo para que surjam políticos que tenham coragem em tratar do assunto com seriedade e mudar a maneira como lidamos com essas substâncias. A grande mídia, muito influente, é outra peça medrosa e cega (ou se faz de) e só reforça os preconceitos repetindo os mesmos clichês nos atrasam. E o círculo viciosos (com o perdão da palavra) continua…

Somos Tão Jovens

ALELUIA!

Esse aleluia aí de cima se refere a um fato vergonhoso: ‘Os Vingadores’ terá companhia na lista de filmes vistos este ano. Sim, estamos em maio e vi apenas dois filmes. Na lista entram filmes vistos integralmente, seja pelo computador, cinema ou televisão.

E que filme foi este?

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‘Somos tão jovens’, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, narra a história do cantor e compositor Renato Russo, um dos caras mais interessantes do nosso cenário musical. Para mim, não há dúvida do poder das palavras de Renato e do quanto ele soube captar as necessidades e angústias da juventude e do país. Claro, às vezes ele cantava frases que sabíamos que eram clichês ou a repetição de algum compositor que ele admirava, mas tudo isso é pouco diante da quantidade de belas canções que ele produziu.

Certa vez li na Veja, revista deplorável (falo isso porque desde os meus 9, 10 anos eu leio a Veja e não foram poucas as vezes que deparei com absurdos), um “colunista cultural” falar que Renato tinha um punhado de canções razoáveis e era um letrista acima da média. OK, Renato não escrevia como Chico Buarque e nem criava melodias como Tom Jobim, mas sua proposta e alma musical eram diferentes desses compositores. Nitidamente o colunista, que esqueci o nome, quis diminuir a obra de Renato e o tempo todo perguntava por que o culto em torno de uma banda medíocre. Como se o rock fosse um estilo menor e não fizesse parte da MPB.

Pois bem…

Diferente de ‘Cazuza – O Tempo da Para’, que cobre uma parte maior da vida de outro grande personagem da nossa música, ‘Somos’ concentra-se em Brasília e termina com a ida da Legião Urbana para o Rio.

Quem conhece a trajetória de Renato se emociona ao ver “o próprio cantor” criando as canções, vivendo seu dia a dia em Brasília, aprontando em festas, formando sua primeira banda, etc. Claro, muita coisa ficou de fora. Quem leu livros sobre Renato e escutou as suas canções, sabe que não há como incluir tudo. Você faz escolhas e monta a história sob seu ponto de vista, tentando ser o mais fiel possível aos fatos da vida do biografado.

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Laila Zaid (Ana) e Thiago Mendonça (Renato)

Eu gostei muito da atuação de Thiago Mendonça, que interpreta Renato. Thiago criou um Renato com suas manias características. Emocionante sua atuação! A personalidade criativa do artista era muito forte, ele era referência para a galera. Dinho Ouro Preto começou a cantar imitando Renato Russo, por exemplo. Renato criava histórias em seus cadernos, nomes de bandas com biografias dos integrantes e até nomes dos discos lançados…Ou seja, tudo isso ficou de fora, embora o filme mostre a influência de Renato, a começar pela formação da primeira banda punk de Brasília, o Aborto Elétrico. Gostei, também, muito da Laila Zaid, que interpreta a amiga Ana e que teve forte influência na vida do músico.

Fontoura foi pelo caminho da mensagem, da importância das canções de Renato, que no final é que mais importa. Mostra uma Brasília até plácida, mesmo na época da ditadura. Deixou o peso das tristezas e da AIDS que matou o cantor de fora de seu longa. Em um dos livros que eu li sobre Renato e a Legião existe uma passagem que fala de uma menina que abortou depois de receber um choque de um cassetete elétrico, daí o nome da banda. Nada tão punk foi mostrado no filme.

Não posso deixar de citar a obviedade de alguns diálogos que utilizam frases de músicas de Renato, apenas para fazer a ligação com as ideias do compositor e logo em seguida mostrá-lo cantando. Soa artificial, mas vá lá…perdoado! Exemplos: “Que porra de país é esse” e “Tédio com um T bem grande”. Outro ponto que poderia ser diferente é  a sexualidade de Russo. Se no filme ele beija a personagem Ana, deveria aparecer beijando o rapaz pelo qual se interessa e sai. Mas o que nos é mostrado são tímidos agrados e nada mais.

No fim das contas eu adorei ver parte da trajetória de Renato no cinema e o filme é ótimo Ele que foi muito importante durante minha adolescência e bem depois dela. E mesmo hoje eu escuto e adoro suas canções, que sempre são atuais. Algo que o tempo não destrói chamamos de clássico. Considero muitas canções de Renato clássicas e imortais. Ele parafraseou Caetano quando cantou “…infinito é realmente um dos deuses mais lindos…”.

Suas canções são imortais e atuais.

Os Vingadores

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Estava com esse filme faz mais de um ano. Ontem resolvi assistir e gostei. Não vou fazer resenha sobre ele porque acho que todo mundo já viu, já leu sobre, etc.  E também não foi uma produção que me despertou a vontade de fazer um texto mais extenso, apenas comentários.

Apesar de ter gostado, me divertido, achei a produção irregular. Me pareceu que a primeira hora do filme foi promissora, mas algo se perde depois. Temos muitos super-heróis juntos, o que dificultou o aprofundamento dos personagens. Eu não sei nada sobre a Viúva Negra e Gavião…e continuo sabendo quase nada.

Eu sou fã de Joss Whedon por ter criado o seriado que até hoje considero o meu predileto: ‘Buffy, a caça-vampiros’. Vi durante sete anos como Joss escreve e dirige. Então, assistindo ao filme eu percebi na hora que o texto era dele, o ritmo, o momento onde ele coloca as piadas e o tipo de piada. Não significa  que, neste caso, o roteiro seja excelente. Infelizmente, apenas gostei, como disse.

‘Os Vingadores’ abre o link ‘Filmes Vistos’. Veja lá a cotação que dei ao filme (mas acho que tá na cara, né?). Espero que este ano de 2013 eu assista mais filmes do que 2012 (fiasco total!). Acho que não é difícil ultrapassar 18 longas, mas vamos ver…

Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Eu li os dois primeiros romances da trilogia ‘Millenium’ e adorei. Escrevi sobre o primeiro no Vinil e citei como falha do livro o excesso de descrições, que por vezes parecia preciosismo do autor, ou em outras palavras ‘encheção de linguiça’. Ainda assim os livros, de mais ou menos 600 páginas cada um, são uma leitura agradável e inteligente. Então quando soube que os filmes foram rodados na Suécia, país de origem do autor Stieg Larsson, fiquei louco para ver. Vi e gostei. Algum tempo depois fiquei sabendo que o ótimo David Fincher (Clube da Luta, Se7en, A Rede Social, Zodíaco) ia ser o responsável por dirigir a trilogia na versão Hollywoodiana e fiquei muito feliz.

O pior é alguns críticos já malharam o filmes antes mesmo do lançamento, porque de acordo com eles, a versão de Hollywood ia estragar tudo. Veja essa:

“É um filme que vale a pena ser visto, antes que Hollywood o estrague”, diz Alysson Oliveira, do Estadão, em uma crítica publicada dia 13 de maio de 2011. A afirmação dele refere-se ao fato de que David Fincher talvez faça a sua versão da trama.

Não concordei com Alysson, que nem sabia que era crítico de cinema. Como pode antecipar uma avaliação assim? Ainda mais quando se trata de um diretor como David Fincher? Enfim, o fato é que esta versão Hollywoodiana é melhor ainda do que a sueca, mais instigante, e a Lisbeth Salander de Rooney Mara, para mim, consegue superar a de Noomi Rapace. Também gostei muito mais do Mikael Blomkvist de Daniel Craig. Na versão sueca foi o ator Michael Nyqvist quem fez.

Achei a versão de Fincher mais bem elaborada cinematograficamente do que a sueca. Fincher consegue dar textura diferenciada a diversos momentos, graças a uma ótima fotografia. O filme também é mais dinâmico do que o sueco, o que faz com que o interesse pela trama se torne maior. Também consegue contar de forma bem encaixada as tramas paralelas presentes no filme até que elas se encaixem, sem nunca cansar o espectador. Outra coisa inteligente de Fincher foi a escolha por manter as locações na Suécia, já que as paisagens são fundamentais para a história. Não consigo ver esse filme em Los Angeles ou Nova Iorque sem que ele perca atmosfera.

Lisbeth Salander (Rooney Mara) e Daniel Craig (Mikael Blomkvist)

Me alonguei demais, mas acho que crítica bem feita tem que ser elaborada depois do produto ser consumido, não antes! Acabei não falando sobre o que o filme trata. Em resumo rápido: o filme conta a história de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um jornalista econômico e um dos criadores da prestigiada revista Millenium. Ele acaba de ser condenado a três meses de prisão por supostamente ter difamado um poderoso empresário. Poucos dias depois é contratado por Henrik Vanger, outro grande empresário, que o incumbe de descobrir o paradeiro de Harriet Vanger, sua sobrinha desaparecida há 40 anos. Mikael acaba sendo ajudado pela hacker Lisbeth Salander, uma mulher de 23 anos com um passado sombrio.

Lisbeth Salander é a principal personagem dos livros, e sem dúvida a mais interessante, com sua aparência frágil e ao mesmo agressiva debaixo daquelas roupas de couro preto e piercings. Rooney Mara consegue compor uma Lisbeth perfeita e sempre (eu, pelo menos) torcia para que ela aparecesse novamente em cena. Desde os gestos corporais, com os ombros curvados como quem está fechada para a sociedade, até sua aparência, Mara faz um trabalho ótimo. E por essa personagem foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Depois da versão de Fincher me tornei um grande fã do trabalho de Rooney Mara, que também fez ‘A Rede Social’. E como disse antes, achei o Mikael de Craig superior ao do ator sueco. O elenco é muito bom e conta com atores como Christopher Plummer (Henrik Vanger) e Stellan Skarsgård (Martin Vanger).

Uma última coisa que achei linda no filme: os créditos iniciais! Lindos!

Um mês, 31 filmes. Dia 31

Dia 31: Minha Vida em 3 Sequências.

Último dia de meme. Adorei ter participado dessa viagem por uma das artes que mais me fascinam! Esse meme já nasceu meio subversivo, já que não são exatamente 31 filmes que a gente escolhe e há categorias como Melhor Diretor e Melhores Ator e Atriz. Mas no final tudo é cinema!

O primeiro filme que escolhi não tem uma sequência específica para ser destacada. Não é um filme bom, muito pelo contrário. Assim como ‘Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida’ (adoro!) foi o filme da minha vida, já que foi o primeiro assistido em um videocassete e o que iniciou minha paixão pelo cinema, ‘Willow – Na Terra da Magia’ (1988) foi o primeiro que vi no cinema por volta dos 10 anos de idade e também tem sua importância no desenvolvimento dessa paixão. A produção é dirigida por Ron Howard, tem como roteirista George Lucas e é estrelado por Val Kilmer. 

Pulando para a adolescência, embora o filme não tenha sido visto nessa fase, tenho que citar novamente ‘A Felicidade Não Se Compra’ (1946). Foi na adolescência que mais sofri com amizades, algo que sempre considerei uma das coisas mais importantes da vida. O filme de Frank Capra é um dos meus prediletos e traduz bem a importância de se conquistar amigos e de fazer o bem às pessoas. Já falei sobre esse filme no meme, mas não vi outro que pudesse me representar tão bem nessa fase.

Acho que a sequência final do filme, quando ele se vê cercado de pessoas dispostas a ajudá-lo a se livrar da decadência na qual se encontra, é muito bonita. Cada gesto dele com intenção de ajudar alguém no passado ganha sua recompensa. É uma cena linda de amizade, fraternidade. Eu sempre me emociono nesse filme. Só achei o trecho em inglês.

Outro filme que não tive escolha e tenho que repeti-lo. ‘A Árvore da Vida’ (2011), de Terrence Malick, foi um dos filmes mais importantes que vi. E nessa minha fase de vida, com filha, um pouco mais maduro (34), sempre refletindo sobre o que é amar (sexo, amizade, casamento), sobre nosso destino como seres humanos, sobre as ameaças produzidas pelo homem e as que podem vir do espaço, sobre religião, sobre o fim do sol, etc, etc. Bom, no fim das contas não há outra solução para vida do que amar, seja seus amigos, as pessoas que você escolhe como família e as de sangue que você considera sua família, seus companheiros e companheiras de romance etc etc. Amar, para mim, desapega, deixa leve, faz você colocar à vida em perspectiva e valorizar o essencial para ser feliz.

A sequência abaixo mostra uma das coisas que mais me emocionaram no filme e que me emocionam na vida: o universo, a natureza. Pode ser entendiante para alguns, mas faz todo sentido dentro da produção de Malick e todo o sentido do mundo para mim.

Essa é Minha Vida em Três Sequências até o momento. 

Bom, chego ao fim desse meme já com saudade. Consegui postar um filme por dia sem pular nem um dia sequer. Achei que não fosse conseguir, mas no fim deu tudo certo. Quero agradecer a todos os que participaram e que me deram muitas dicas de filmes. Continuo acompanhando aqueles que seguem na viagem! Que venha outro meme tão delicioso quanto!

Um mês, 31 filmes. Dia 30

Dia 30: Nunca Mais (Filme Mais Traumático).

Esse tópico foi dos poucos que o filme me veio de imediato à cabeça. Não tinha dúvidas de que uma das produções mais traumáticas que vi foi ‘A Serbian Film – Terror Se Limites’ (2010), do diretor sérvio Srdjan Spajosevic. Escrevi um texto mais longo sobre o filme aqui. Realmente não pode ser visto por qualquer pessoa. Muitas cenas me causaram extremo desconforto e na pior delas encontra-se um estupro de um recém-nascido. Tempere o filme com incesto, mutilação, pedofilia, necrofilia e por aí vai.

Tanto Spajosevic quanto o roteirista Aleksandar Radivojevic disseram em entrevistas que quiseram fazer uma crítica às atrocidades vividas pela Sérvia em sua história recente. De fato o país desceu à Idade das Trevas. Mulheres eram estupradas, engravidavam e quando tinham o bebê a criança era morta na frente das mães, para citar apenas um fato execrável, o mais baixo grau de torpeza e vilania humana!!! (se é que podemos chamar tal ato de humano!!!). E se não me falha a memória foi isso que aconteceu. Ou as mães eram mortas ou as crianças – o que não diminui a monstruosidade.

Bom, é um filme que dividiu as opiniões e foi proibido em muitos países. Pessoas gostam pela mensagem política, já outras detestaram, acharam excessivo em sua violência. Eu achei a proposta do filme interessante e entendi mais a produção quando li entrevistas do diretor e do roteirista. Ainda assim não posso dizer que assistiria outra vez. Mas é uma obra de ficção e seus realizadores têm o direito de se expressar artisticamente!

Eu terminei o filme exaurido, querendo me deitar! Foi a experiência cinematográfica mais cruel que já vi.

Um mês, 31 filmes. Dia 29

Dia 29: Saída Pela Esquerda (Melhor Perseguição).

Vou ser direto: o filme é ‘Operação França’ (1971), dirigido por William Friedkin e estrelado por Gene Hackman, que faz o papel do detetive Popeye Doyle. Se eu não tivesse visto este filme, provavelmente ia citar algum outro que foi inspirado por ele. E olha, muitos filmes de ação/policial chuparam um pouquinho de Operação.

A cena de perseguição é a cena clássica do longa. Friedkin conseguiu romper com os clichês e nos oferece algo muito vívido, realista. Vendo a sequência hoje parece até banal. Claro, além de ter sido copiada muitas vezes, os efeitos especiais contemporâneos realizam o que um diretor meramente humano não pode fazer. No entanto, foi o talento de Friedkin que mudou as cenas de perseguição. Confiram abaixo.  

Um mês, 31 filmes. Dia 28

Dia 28: Quente e úmido (melhor sequência de sexo).

‘O Último Tango em Paris’, ‘Instinto Selvagem’, ‘9 e 1/2 Semanas de Amor’, ‘Cidade dos Sonhos’, ‘Orquídea Selvagem’, ‘Cisne Negro’, ‘Bonitinha Mas Ordinária’, ‘Atração Fatal’, ‘A Marca da Pantera’ e mais recentemente um filme ótimo e que indico fortemente, ‘Shortbus’ (leia aqui a resenha). Todos esses citados e mais tantos outros que vi possuem cenas de sexo quentes e bastante úmidas..rsrs. No entanto, o meu escolhido não passou pela minha cabeça de imediato, surgiu bem depois desses todos lembrados acima.

‘Calígula’ (1979), dirigido por Tinto Bras, o mestre italiano do cinema erótico, traz uma cena com pessoas comuns, que simulam uma orgia romana no palácio de Gaius Caesar Germanicus, o popular, tirânico e ensandecido Calígula. Não é encenação. Todos que participaram da cena não são atores, mas pessoas que estavam dispostas a entrar na onda e se divertir um pouquinho…rsrs. Ou seja, é sexo explícito.

Muitos críticos da época tacharam o filme de 'sujo', 'doentio', 'imprestável', 'lixo'...

O longa, que foi escrito por Gore Vidal, conta a ascenção e queda de Calígula, que foi interpretado por Malcolm MacDowell. No elenco ainda temos Peter O’Toole (Tibério) e Helen Mirren (Caesonia). A produção foi a primeira a mostrar atores famosos envolvidos em cenas de sexo explícito. Não nessa que citei, mas em outras – o filme é recheado delas! É um filme que eu gosto muito, principalmente pela sua ousadia e pioneirismo.

Já que o código do vídeo não entrava de jeito nenhum, aqui vai o link para a cena.