A importância da pintura e do artesanato

Jorge Zalszupin é um designer polonês naturalizado brasileiro. É dele a seguinte frase: “Passamos a vida buscando o acolhimento materno”. Ele criou um carrinho de chá (1959) a partir da memória de seu carrinho de bebê, obra que traduz a frase que citei acima (é fácil encontrar a imagem na web).

Comecei o texto fazendo referência a esse prestigiado designer porque sinto-me como ele ao lidar com a pintura e com, ainda de leve, o artesanato. Não é uma questão de dependência emocional da mãe. Eu acho que cortei o cordão umbilical há muito tempo e não me sinto refém do útero, mas acho que o acolhimento que tive e tenho formaram bases emocionais muito sólidas e que carrego em mim como sustentáculos primordiais da minha personalidade, do que considero importante, da minha perspectiva de vida, de dar valor às coisas simples para ser feliz. Talvez eu não seja o mais apto a me analisar, por isso vou deixar o tom freudiano de lado.

A partir dos ensinamentos do artista Mauro Martins, de Fortaleza, fiz essa rosa com textura

Quando descobri que podia pintar telas que interessavam às pessoas, decidi continuar a pincelar, a desenhar, e quem sabe viver disso um dia. A primeira tela contém erros óbvios, mas já mostrava que eu podia evoluir e fazer coisas bonitas, que pudessem enfeitar os lares, os escritórios, as clínicas e qualquer ambiente disposto a receber um quadro em suas paredes. A princípio a ideia de pintar veio durante 30 minutos de meditação com o surgimento em minha mente de uma tela que pintei quando tinha 12 anos. Não medito com frequência religiosa, mas vez ou outra mergulho nesse mundo. Dia 9 dezembro comprei o material e dia 10 pintei ‘Casa de campo’, tirada de uma revista especializada.

Comecei, então, a pintar pensando em uma futura exposição (se tudo der certo, ainda em julho exponho) à medida que fui recebendo encomendas de diversos tipos, desde telas infantis à animais como a coruja, passando por flores como a orquídea e a Deusa da Justiça. Cada trabalho, por mais fácil que podia parecer, nunca era e ainda não é. Hoje sinto-me mais hábil, com mais confiança, mas o mundo da pintura é vastíssimo, há muito o que aprender, muito. Sempre leio, assisto a vídeos, tiro dúvidas com artistas plásticos. Não há um dia que não se descubra algo.

Hoje, tenho 33 telas feitas, sendo 20 em acrílica e 13 a óleo. Estou em fase de produção de mais 3 (2 em acrílica e 1 a óleo). Fiz 12 desenhos, dos quais alguns foram encomendas e outros fiz para treinar. Além disso, fiz minha primeira peça de artesanato em MDF, uma caixa dada à minha esposa no Dia das Mães.

Tudo que a gente vê, ouve, lê, pode influir em uma tela. Neste caso, durante a leitura da biografia de Carmen Miranda, de Ruy Castro, resolvi estilizar essa africana. As frutas na cabeça e a saia de losango são uma homenagem à Pequena Notável

Durante esse processo, depois dessas telas e desenhos, não há como dizer que a pintura e o artesanato são apenas um hobby ou serão apenas uma fonte de renda extra. A emoção de pintar, de produzir essas peças, vai muito além da questão financeira. Tem relação com a pessoa que sou e do que considero importante, como foi dito no início do texto. Pintar e fazer peças de artesanato, para mim, são a tradução do acolhimento materno, de um sensação de família unida, de sorrisos, de tomar café ao lado da pessoa que se ama, de brincar com a filha. Tudo isso é o que a pintura me faz. A pintura em tela principalmente, já que a dedicação maior vai para ela. Descobri que meu sangue é tinta vermelha e que minha alma carrega o desejo de traduzir as emoções humanas por meio das cores. E cada pessoa que leva para casa um quadro meu, me dá um pouco de felicidade.

Penso que ainda me encontro em uma fase que chamo de ‘Decorativa’, já que ainda pego muitas ideias de outros artistas e coloco minha versão, sempre pensando as telas como um objeto de decoração. Ainda não possuo um estilo que me identifique e nem faço arte, no sentido de propor ideias, de formular conceitos ou quebrar paradigmas. E claro, não há nada de depreciativo no termo, já que uma obra de arte pode ser um objeto de decoração, claro. Apenas foi a forma que encontrei para definir o momento no qual me encontro.

É isso, pessoal. Esse texto foi uma tentativa tosca de expressar o que a pintura me faz, o bem que essa arte me proporciona e afirmar que as cores entraram em minha vida de forma definitiva.

Para quem ainda não conhece as telas que produzi, o link é www.flickr.com/sandrocp

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Ditados mais que verdadeiros

Dona Célia da Água Mansa é uma senhora pacata, mas quando se depara com qualquer tipo de injustiça, não mede palavras. Língua afiada, de argumentação clara e incisiva, Dona Célia da Água Mansa quando fala é porque o negócio existe. Me pediu que eu publicasse seu texto sobre figura que usa máscara de bondade. Dona Célia, sou seu fã.

Às vezes me impressiono como os ditados populares carregam uma sabedoria profunda, daquelas que nem mais uma palavra melhoraria o sentido da frase. Deus colocou no mundo seres capazes de serem amados e odiados. Convivo há algum tempo, com uma dessas peças raras que o Senhor criou e já me peguei pensando em algumas dessas frases antigas e populares.

“Faça o que eu digo, mas não faça o que eu faço”, “Por fora bela viola, por dentro pão bolorento”, “Quem vê cara não vê coração”, são alguns dos exemplos que definem bem Tuquinha. Essa criatura é do tipo “ou é 8 ou é 80”. Quem não convive ama, pois a danada sabe bem medir as palavras. A falsidade é utilizada na dose certa. A bajulação é melimetricamente calculada e a farsa de aparentar quem não é, é dosada no conta-gotas. Ahhh, mas quem está na labuta diária com Tuquinha só tem vontade de esganar e jogar o pão bolorento que ela é, no lixo.

Pode parecer exagero, mas achava que esse tipo de pessoa só existisse na ficção científica (Alien é fichinha perto dela), ou então nas novelas das 18h ou das 20h, da Rede Globo. Odete Roitman (Vale Tudo), Laurinha Figueroa (Rainha da Sucata), Flora (A Favorita) e Frau Herta (Ciranda de Pedra), tenho certeza, foram inspiradas em Tuquinha.

Juro gente, não estou inventando, nem exagerando nada. Já cheguei a pensar que o demônio fizesse curso de infernização fantástica com ela, ou então de como gerenciar o tempo para atazanar a vida alheia. Não, definitivamente, me recuso a crer que sentimentos bons façam cócegas no coração de Tuquinha. Acho que, durante o dia, quando ela não estar torrando a paciência de algum terráqueo (tenho sérias suspeitas que este ser não seja humano), ela está anotando no bloquinho a próxima vítima e que tipo de sacanagem vai aplicar. Acho que só me resta pedir a Deus proteção, pois como diz o ditado “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”. Tô frita!!!