O homem de aço (2013)

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Relutei em assistir ao filme “O homem de aço” (2013), de Zack Snyder, por conta da má impressão causada pelo chatíssimo “Superman – o retorno”, produção de 2006 do diretor Brian Singer. O alarme preconceituoso soou assim que vi a figura de mais um bonitão vestindo a roupa do super-herói mais poderoso dos quadrinhos. Enfim, hoje, resolvi buscar o filme e me dei conta, em poucos minutos de fruição, que esta nova produção, se não pode ser considerada maravilhosa, está bem à frente da anterior.

Mais um vez temos um reboot, o que quer dizer que os produtores do filme resolveram recontar a história do SuperHomem do começo ao invés de dar continuidade à história já conhecida por nós. Como se o personagem fosse recriado por Hollywood. Dessa forma, acompanhamos o nascimento de Kal-El/Clark Kent até o momento em que ele assume para a humanidade que é um ser vindo do planeta Krypton.

De todos os filmes do herói este foi o único a mostrar Krypton como um planeta verossímel, palpável, com um cenário que indica um cotidiano. E logo nos primeiros minutos do longa eu vejo Russel Crowe como Jor-El e Michael Shannon como general Zod, o que já conferiu credibilidade ao filme e aumentou meu interesse.

Quando Jor-El tenta avisar aos líderes de Krypton, uma espécie de conselho de anciãos, que o planeta está prestes a ser destruído e que pode salvá-lo, entra o general Zod para culpar os líderes pela iminente tragédia. Em meio a uma batalha entre os dois personagens, o bebê de Jor-El e Lara é enviado para a Terra, onde é achado e criado pelo casal Jonathan (Kevin Costner) e Martha Kent (Diane Lane). Tanto Costner quanto Lane estão ótimos no papel dos pais de Clark. Realmente fiquei feliz por ver Costner em um papel que se encaixou perfeitamente para ele e assistir Lane encarnar uma mulher mais velha (uma verdadeira matrona) e nada sexy, ao contrário dos papéis que geralmente vejo, também foi ótimo.

Assim conhecemos o futuro Super-Homem vivendo sua vida no campo e em empregos comuns como pescador em alto mar ou como garçom em um pequeno bar. O diretor utiliza muito o recurso do flashback para revelar aos poucos como foi a infância de Clark e os valores morais ensinados pelos pais, principalmente pela força moral de Jonathan e sua eterna preocupação em relação à segurança do filho.

O ator Henry Cavill (Kal-El/Clark Kent) consegue, apesar de não ser um excelente ator, desenvolver de forma muito mais eficiente seu personagem em comparação a Brandon Routh, do filme anterior, revelando nuances emocionais que distinguem sua imaturidade do adulto controlado e sábio. Mas é possível falar sem pestanejar que Christopher Reeve ainda é o Super-Homem “de verdade”, já que sua atuação foi impecável.

Outra coisa que achei uma falha do filme foi revelar logo de cara os poderes do herói já adulto, o que enfraqueceu algumas cenas dele quando criança, importantes para o seu desenvolvimento emocional e sobre as escolhas que mais tarde teria que fazer como super-herói. Outra falha é que o roteiro é extenso demais e perde a pulsação, deixando-o por certo tempo enfadonho. Mais uma falha observada: as lutas entre Zod e Super-Homem são travadas como se não existissem pessoas ao redor e que provavelmente sairiam seriamente machucadas ou mortas por conta da luta entre os dois. Felizmente o filme acerta mais que erra e um desses acertos foi apenas fazer referência a Lex Luthor, quando vemos a marca LexCorp no alto de um dos prédio de Metrópolis. A ausência desse vilão foi importante para não deixar a produção mais óbvia. Outro acerto do filme é sua parte técnica, que nos enche os olhos, como nas cenas no planeta Krypton, por exemplo.

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Mas cadê Lois Lane? O amor terreno de Clark é vivido pela sempre competente Amy Adms, que confere à jornalista do Planeta Diário uma persona mais séria e determinada, mas não carrancuda em momento algum. Aliás, o Super-Homem dessa nova produção também é mais sério, ciente da difícil tarefa que carrega nas costas. Neste longa só vemos o jornalista Clark Kent no final depois de revelar que precisa de um emprego no qual as pessoas não perguntem quando ele for para um lugar perigoso. Lembrei que existe um livro chamado “Complexo de Super-Homem”, dedicado a jornalistas como eu e Clark..rsrs.

“O Homem de aço” é um filme eficiente e bom de ser assistido, com um elenco primoroso e uma parte técnica muito boa. Uma experiência divertida mesmo que não contribua de forma significativa para a mitologia do homem de Kryton.

 

 

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