Clarice Lispector – Pinturas

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Quem não conhece Clarice Lispector? Você pode não ter lido nenhum obra da escritora, mas Clarice, mesmo que por vias tortas, é conhecida pelo público em geral. Com ‘vias tortas’ me refiro às inúmeras frases atribuídas a ela nas redes sociais. Enfim, Clarice Lispector é uma das mais importantes escritoras da literatura universal e possuía uma mente em eterna ebulição que não pôde ficar circunscrita à arte da construção das palavras. Ela mesma dizia que a palavra era falha para descrever as emoções. Por isso mesmo, Clarice investiu em outra forma de expressão, a pintura. Suas telas refletem seus livros e para entendê-las acho que ‘Clarice Lispector – Pinturas’, do pesquisador Carlos Mendes de Sousa, é muito importante.

Confesso que teria dificuldade em entender as telas, caso não houvesse este suporte para decodificá-las. Claro, apenas poderia extrair as sensações das pinceladas fortes e explosivas e guardar as emoções para mim, sem traduções de terceiros. Mas as pinturas de Clarice ganham mais força e sentido por conta desse diálogo com seus livros.

Clarice era apaixonada por artes plásticas e chegou a fazer aulas de escultura. Não deu certo. Acabou encontrando na pintura, principalmente em placas de madeira, suas outra veia artística. Os próprios livros de Lispector eram pictográficos, visuais, como se as palavras e frases ganhassem cores. Ela também refletia sobre o ofício de pintar:  ‘Água Viva’  e ‘Um Sopro de Vida’, por exemplo, possuem personagens que são pintoras.

Mendes de Sousa divide o livro em duas partes: ‘Os quadros de Clarice’ e ‘Clarice pintora’. Na primeira, lemos como Clarice tomou contato com as obras e pintores, além de servir de modelo para diversos artistas. Na segunda, o estudo volta-se para as obras pintadas pela escritora.

Carlos Scliar 1972

Retrato de Clarice por Carlos Scliar, de 1972.

Estamos acostumados a ligar Clarice Lispetor à palavra. Naturalmente. Mas texto não é apenas formado pelo código da escrita. É tudo que podemos extrair mensagem. As pinturas de Clarice são tão fortes quanto a sua escrita, apenas fazem parte de outra forma de representação.

“Pássaro da Liberdade” (1975). Óleo sobre madeira.

“Pássaro da Liberdade” (1975). Óleo sobre madeira.

 

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