Somos Tão Jovens

ALELUIA!

Esse aleluia aí de cima se refere a um fato vergonhoso: ‘Os Vingadores’ terá companhia na lista de filmes vistos este ano. Sim, estamos em maio e vi apenas dois filmes. Na lista entram filmes vistos integralmente, seja pelo computador, cinema ou televisão.

E que filme foi este?

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‘Somos tão jovens’, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, narra a história do cantor e compositor Renato Russo, um dos caras mais interessantes do nosso cenário musical. Para mim, não há dúvida do poder das palavras de Renato e do quanto ele soube captar as necessidades e angústias da juventude e do país. Claro, às vezes ele cantava frases que sabíamos que eram clichês ou a repetição de algum compositor que ele admirava, mas tudo isso é pouco diante da quantidade de belas canções que ele produziu.

Certa vez li na Veja, revista deplorável (falo isso porque desde os meus 9, 10 anos eu leio a Veja e não foram poucas as vezes que deparei com absurdos), um “colunista cultural” falar que Renato tinha um punhado de canções razoáveis e era um letrista acima da média. OK, Renato não escrevia como Chico Buarque e nem criava melodias como Tom Jobim, mas sua proposta e alma musical eram diferentes desses compositores. Nitidamente o colunista, que esqueci o nome, quis diminuir a obra de Renato e o tempo todo perguntava por que o culto em torno de uma banda medíocre. Como se o rock fosse um estilo menor e não fizesse parte da MPB.

Pois bem…

Diferente de ‘Cazuza – O Tempo da Para’, que cobre uma parte maior da vida de outro grande personagem da nossa música, ‘Somos’ concentra-se em Brasília e termina com a ida da Legião Urbana para o Rio.

Quem conhece a trajetória de Renato se emociona ao ver “o próprio cantor” criando as canções, vivendo seu dia a dia em Brasília, aprontando em festas, formando sua primeira banda, etc. Claro, muita coisa ficou de fora. Quem leu livros sobre Renato e escutou as suas canções, sabe que não há como incluir tudo. Você faz escolhas e monta a história sob seu ponto de vista, tentando ser o mais fiel possível aos fatos da vida do biografado.

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Laila Zaid (Ana) e Thiago Mendonça (Renato)

Eu gostei muito da atuação de Thiago Mendonça, que interpreta Renato. Thiago criou um Renato com suas manias características. Emocionante sua atuação! A personalidade criativa do artista era muito forte, ele era referência para a galera. Dinho Ouro Preto começou a cantar imitando Renato Russo, por exemplo. Renato criava histórias em seus cadernos, nomes de bandas com biografias dos integrantes e até nomes dos discos lançados…Ou seja, tudo isso ficou de fora, embora o filme mostre a influência de Renato, a começar pela formação da primeira banda punk de Brasília, o Aborto Elétrico. Gostei, também, muito da Laila Zaid, que interpreta a amiga Ana e que teve forte influência na vida do músico.

Fontoura foi pelo caminho da mensagem, da importância das canções de Renato, que no final é que mais importa. Mostra uma Brasília até plácida, mesmo na época da ditadura. Deixou o peso das tristezas e da AIDS que matou o cantor de fora de seu longa. Em um dos livros que eu li sobre Renato e a Legião existe uma passagem que fala de uma menina que abortou depois de receber um choque de um cassetete elétrico, daí o nome da banda. Nada tão punk foi mostrado no filme.

Não posso deixar de citar a obviedade de alguns diálogos que utilizam frases de músicas de Renato, apenas para fazer a ligação com as ideias do compositor e logo em seguida mostrá-lo cantando. Soa artificial, mas vá lá…perdoado! Exemplos: “Que porra de país é esse” e “Tédio com um T bem grande”. Outro ponto que poderia ser diferente é  a sexualidade de Russo. Se no filme ele beija a personagem Ana, deveria aparecer beijando o rapaz pelo qual se interessa e sai. Mas o que nos é mostrado são tímidos agrados e nada mais.

No fim das contas eu adorei ver parte da trajetória de Renato no cinema e o filme é ótimo Ele que foi muito importante durante minha adolescência e bem depois dela. E mesmo hoje eu escuto e adoro suas canções, que sempre são atuais. Algo que o tempo não destrói chamamos de clássico. Considero muitas canções de Renato clássicas e imortais. Ele parafraseou Caetano quando cantou “…infinito é realmente um dos deuses mais lindos…”.

Suas canções são imortais e atuais.

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2 pensamentos sobre “Somos Tão Jovens

  1. Mas, Sandro, como assim? Não estou te reconhecendo! Só dois filmes? rs

    O que eu tinha ouvido falar sobre o filme foi justamente isso dos diálogos artificiais usando passagens de músicas. Li que numa cena, chegando numa festa, ele diz “festa estranha com gente esquisita” rs mas não sei se é verdade.

    Beijo

  2. Ha, sim, existem essas falhas no filme. Inclusive outras frases fazendo referência a músicas dele. Nessa frase aí, ele não disse ‘festa estranha com gente esquisita’. Ele disse ‘gente esquisita’. Alguém aumentou o erro e passou pra você! rsrs. Mas algumas falhas do filme não fazem dele uma produção ruim. Poxa, eu acho que eu gostaria somente pela atuação de Thiago Mendonça. E, sim, eu só vi DOIS FILMES!!!!!!!! Estou retado comigo mesmo..rsrs. Mas, acredite, tou com tempo curto! Beijos!!!!!!!!!!!

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