She & Him – Volume Three

Eu li no blog de Tatiana Feltrin, cujo canal literário no You Tube eu adoro, um texto sobre a falta de talento de Zooey Deschanel. O texto era assinado por HP Charles, se não me engano, marido de Tati. Ele fala sobre a necessidade de Zooey fazer a imagem cool, mas sem conteúdo, usando, entre outros acessórios, tiaras com orelhas da Mini Mouse. Com aquele ar avoado, meio débil, virou a imagem da garota que é amiga de todos. Falar mal dela é quase um pecado. Há quem pensa que seja.

Bom, eu gosto de Zooey. Não a acho apenas linda, a acho talentosa, mas concordo com HP quando diz que ela abusa desse ar avoado e cool em excesso. A acho uma boa atriz, embora não tenha feito um filme cujo desempenho seja merecedor de um Globo de Ouro. Acho que canta bem e gosto da dupla She & Him, mas os álbuns não mudaram minha vida.

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Esse Volume 3, para mim, é o pior. Sim, ouvi apenas uma vez. Julgar agora é errado, mas fiz a comparação com os outros dois, que me ganharam na primeira audição.

O álbum segue a linha que consagrou a dupla: melodias doces, sendo onze canções escritas por M. Ward e Zoeey e três versões, com acento sessentista. Poxa, achei chatinho, embora não todo.

Mas é isso. Vamos esperar o quarto volume e ver no que dá.

 

As Violetas de Março

Autora best-seller do The New York Times.

e mais embaixo…

Melhor livro do ano – Library Journal.

Confesso que não gosto dessas frases nas capas dos livros. São uma espécie de jabá para vender mais e muitas vezes é propaganda enganosa. Foi o que senti ao terminar (na verdade, bem antes) ‘As Violetas de Março’, da jornalista americana Sarah Jio. A autora mora em Seattle com o marido, três filhos e…um golden retriever (para quem não sabe, uma raça de cachorro). Escreve para revistas como SELF, Real Simple, Cooking Lihgt e O, The Oprah Magazine.

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Aí eu pensei! Bom, ela escreve para diversas publicações, inclusive para a ‘O’, que deve ser influente na sociedade americana, já que sua proprietária é uma das mulheres mais influentes da televisão dos Estados Unidos, Oprah Winfrey. Além disso a imagem que ela passa é a de uma mulher bem-sucedida dentro de uma família aparentemente perfeita: marido, três filhos e um cachorro. Somado a esses fatores, algo que não deve ser desprezado: sua beleza. Por mais que ela seja competente em sua profissão, a beleza, em qualquer área é uma excelente propaganda, por mais que depois não gostemos do, neste caso, livro.

Sarah Jio e seu lindo sorriso!

Sarah Jio e seu lindo sorriso!

Estou raciocinado, tentando entender como ‘As Violetas de Março’ pode ter sido considerado o melhor livro de 2011, ano no qual foi publicado. Aqui no Brasil, a Novo Conceito editou o livro este ano.’Violetas’ foi o primeiro da autora, que vai lançar no dia 28 de maio seu quinto romance.

Sou parceiro da Novo Conceito e recebi o exemplar, que veio com um belo kit. Aliás, a Novo Conceito sempre é muito cuidadosa e parte dos livros enviados vêm com mimos. 

Não é fácil criar uma boa história, desenvolver personagens, criar bons diálogos, etc. Sem dúvida é um esforço muito grande e deve ser valorizado sob esse ponto de vista. Mas não é por isso que devemos ser indulgentes, mas nunca devemos ser grosseiros ou fazer ataques pessoais. Muitos críticos na área da Cultura fazem isso.

A História

‘Violetas’ conta a história de Emily, que acaba de se separar e resolve passar uma temporada com sua tia na ilha Bainbridge Island. Lá, hospedada em sua casa, descobre um diário e resolve lê-lo. À medida que avança na história percebe que existem segredos que devem ser revelados e que os mistérios do livro estão ligados à problemas não resolvidos em sua própria família. Além disso, o texto do diário acaba se confundindo com sua própria história afetiva.

Claro, nós já vimos filmes e lemos livros nos quais isso acontece. A questão não é o clichê, como todo mundo sabe, mas como ele é desenvolvido.

Eu, particularmente, não gostei na maneira como Sarah escreve. Achei o texto fraco, com uma narração pouco envolvente e muitas vezes infantil.

Apesar de Emily fazer uma escolha madura no final e que não cai, graças a Deus, nos clichês das necessidades femininas, ainda assim me pareceu um romance muito água com açúcar, que atende a um público menos exigente e que ainda está preso às tradições afetivas de sempre: tem que ter um casamento no final, a mocinha da novela encontra o grande amor, etc. Não que isso não possa acontecer, claro, mas não vi reflexão inteligente sobre essas questões. E como eu gosto muito de ler sobre isso, seja em psicologia ou em outras áreas, como história, eu realmente sou muito exigente em relação a esses temas.

Eu achei a melhor amiga de Emily, Anabelle, uma débil, me desculpem. Aqui vai um spoiler (acho): ela escolhe seus relacionamentos pelo nome, já que em sua teoria determinados nomes masculinos permanecem casados mais tempo!!! O_O

Enfim, pessoal, este foi o meu julgamento em relação ao primeiro livro de Sarah Jio. Caso alguém tenha lido e gostado ou mesmo tenha uma opinião parecida com a minha, deixe nos comentários!

Beijos e abraços em todos!!!

OBS IMPORTANTE: As editoras precisam ter cuidado com a revisão dos livros. Encontrei alguns problemas em ‘Violetas’, um até muito engraçado. Emily, quando criança, costumava ir andando até um supermercado e durante a caminhada se divertia catando flores, etc. Até aí, tudo bem. Um passeio gostoso! O fato é que a caminhada era de 800 quilômetros!!! Não seriam 800 metros??? Tem outros exemplos, mas vamos parar por aqui.  

Diablo

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Eu adoro histórias com toques medievais, magia, monstros, mundos perdidos, etc. É um universo que me atrai tanto em HQ quanto em romances e filmes.

Gentilmente a editora Panini, que gosto muito, me enviou a série Diablo, que é sucesso nos games. São cinco livros que totalizam 124 páginas. O roteiro é  de Aaron Willians e a arte, de Joseph Lacroix.

Diablo conta a história de Jacob, um jovem que comete um “crime” (as aspas têm sua razão) e cai em uma aventura de autodescoberta cujo objetivo será salvar seu povo e a si mesmo, além de revelar uma grande verdade. Para ajudá-lo ele contará com Shanar, uma arcanista (espécie de mágica).

Faz tempo que não jogo videogame. Eu era viciado e zerei quase todos os títulos que joguei. Já tinha ouvido muito em Diablo, inclusive que ele era um dos jogos mais sombrios já criados, mas sequer experimentei . O fato é que na HQ esse lado negro não é tão sentido. Eu achei o roteiro fraquinho. Gostei muito dos desenhos de Lacroix. E mesmo as cores frias de Lee Loughridge não conferem peso à história.

Não sei, minha impressão foi essa. Talvez o game seja muito melhor e realmente sombrio, já que o envolvimento com o texto  é diferente, é outra forma de estar inserido na história.

É isso.

Amy Winehouse (O Clube dos 27)

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Desde que vi um jornalista comentar sobre esta série em HQ fiquei com uma curiosidade imensa. ‘O Clube dos 27’ conta de forma concisa a trajetória de alguns músicos que morreram aos 27 anos. Amy Winehouse, Kurt Cobain, Jim Morrison, Janis Joplin, Jimi Hendrix e Brian Jones (um dos fundadores dos Rolling Stones) estão entre os ídolos desta coleção publicada pela Editora Conrad. O projeto foi idealizado pelo jornalistas franceses Cristophe Goffette e Patrick Eudeline com desenhos do espanhol Javi Fernandez.

O primeiro livro da série relata a vida conturbada da britânica Amy Jade Winehouse, morta em junho de 2011. Na primeira página já damos de cara com a letra de  “Cross Road Blues”, de Robert Johnson, lendário guitarrista de blues, também morto aos 27 anos e que diz a lenda: vendeu a alma ao diabo em troca da virtuosidade com o instrumento.

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Em 48 páginas de cores fortes, tristes, pesadas, ficamos sabendo que Amy sofreu forte influência do blues, jazz e soul e que tinha entre os seus ídolos, Frank Sinatra, e sua estremecida relação com o pai e a mãe. Não à toa o nome do seu primeiro álbum, ‘Frank‘, de 2003. Mais tarde conhece Blake Fielder-Civil, homem que é retratado como a felicidade e a destruição da cantora. Em 2006 lança ‘Back to Black‘, que alavanca sua carreira e a transforma em uma das cantoras mais prestigiadas do cenário musical. Daí em diante os problemas aumentaram. O circo da mídia foi armado, todos ficaram sabendo dos altos e baixos da cantora até à notícia de sua morte.

A HQ é curta como a vida de Amy foi e acho que os outros livros seguirão assim. Vale a pena como uma introdução e penso que deve ser acompanhada pela audição dos discos e de leituras complementares, caso o leitor queira mergulhar no universo de determinado artista.

Somos Tão Jovens

ALELUIA!

Esse aleluia aí de cima se refere a um fato vergonhoso: ‘Os Vingadores’ terá companhia na lista de filmes vistos este ano. Sim, estamos em maio e vi apenas dois filmes. Na lista entram filmes vistos integralmente, seja pelo computador, cinema ou televisão.

E que filme foi este?

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‘Somos tão jovens’, dirigido por Antônio Carlos da Fontoura, narra a história do cantor e compositor Renato Russo, um dos caras mais interessantes do nosso cenário musical. Para mim, não há dúvida do poder das palavras de Renato e do quanto ele soube captar as necessidades e angústias da juventude e do país. Claro, às vezes ele cantava frases que sabíamos que eram clichês ou a repetição de algum compositor que ele admirava, mas tudo isso é pouco diante da quantidade de belas canções que ele produziu.

Certa vez li na Veja, revista deplorável (falo isso porque desde os meus 9, 10 anos eu leio a Veja e não foram poucas as vezes que deparei com absurdos), um “colunista cultural” falar que Renato tinha um punhado de canções razoáveis e era um letrista acima da média. OK, Renato não escrevia como Chico Buarque e nem criava melodias como Tom Jobim, mas sua proposta e alma musical eram diferentes desses compositores. Nitidamente o colunista, que esqueci o nome, quis diminuir a obra de Renato e o tempo todo perguntava por que o culto em torno de uma banda medíocre. Como se o rock fosse um estilo menor e não fizesse parte da MPB.

Pois bem…

Diferente de ‘Cazuza – O Tempo da Para’, que cobre uma parte maior da vida de outro grande personagem da nossa música, ‘Somos’ concentra-se em Brasília e termina com a ida da Legião Urbana para o Rio.

Quem conhece a trajetória de Renato se emociona ao ver “o próprio cantor” criando as canções, vivendo seu dia a dia em Brasília, aprontando em festas, formando sua primeira banda, etc. Claro, muita coisa ficou de fora. Quem leu livros sobre Renato e escutou as suas canções, sabe que não há como incluir tudo. Você faz escolhas e monta a história sob seu ponto de vista, tentando ser o mais fiel possível aos fatos da vida do biografado.

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Laila Zaid (Ana) e Thiago Mendonça (Renato)

Eu gostei muito da atuação de Thiago Mendonça, que interpreta Renato. Thiago criou um Renato com suas manias características. Emocionante sua atuação! A personalidade criativa do artista era muito forte, ele era referência para a galera. Dinho Ouro Preto começou a cantar imitando Renato Russo, por exemplo. Renato criava histórias em seus cadernos, nomes de bandas com biografias dos integrantes e até nomes dos discos lançados…Ou seja, tudo isso ficou de fora, embora o filme mostre a influência de Renato, a começar pela formação da primeira banda punk de Brasília, o Aborto Elétrico. Gostei, também, muito da Laila Zaid, que interpreta a amiga Ana e que teve forte influência na vida do músico.

Fontoura foi pelo caminho da mensagem, da importância das canções de Renato, que no final é que mais importa. Mostra uma Brasília até plácida, mesmo na época da ditadura. Deixou o peso das tristezas e da AIDS que matou o cantor de fora de seu longa. Em um dos livros que eu li sobre Renato e a Legião existe uma passagem que fala de uma menina que abortou depois de receber um choque de um cassetete elétrico, daí o nome da banda. Nada tão punk foi mostrado no filme.

Não posso deixar de citar a obviedade de alguns diálogos que utilizam frases de músicas de Renato, apenas para fazer a ligação com as ideias do compositor e logo em seguida mostrá-lo cantando. Soa artificial, mas vá lá…perdoado! Exemplos: “Que porra de país é esse” e “Tédio com um T bem grande”. Outro ponto que poderia ser diferente é  a sexualidade de Russo. Se no filme ele beija a personagem Ana, deveria aparecer beijando o rapaz pelo qual se interessa e sai. Mas o que nos é mostrado são tímidos agrados e nada mais.

No fim das contas eu adorei ver parte da trajetória de Renato no cinema e o filme é ótimo Ele que foi muito importante durante minha adolescência e bem depois dela. E mesmo hoje eu escuto e adoro suas canções, que sempre são atuais. Algo que o tempo não destrói chamamos de clássico. Considero muitas canções de Renato clássicas e imortais. Ele parafraseou Caetano quando cantou “…infinito é realmente um dos deuses mais lindos…”.

Suas canções são imortais e atuais.