Marcadores de Lua

Eu adoro artesanato e acho que já disse aqui mil vezes, além de publicar no face e no Vinil as caixas que faço. Receber um presente que não seja industrializado, que foi feito pelas mãos de uma pessoa, é algo lindo.

Recebi estes belos marcadores de Lua Limaverde, do excelente Ficções do Interlúdio, blog que sempre leio e sempre tem um ótimo texto. Não tem como não ficar emocionado, não é? Os marcadores são lindos e são muitos! E além de amar ler, eu ainda coleciono estes objetos.

Lua, obrigado! Adorei!

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Livro: Medo da Vida

Há algumas semanas li ‘Medo da Vida’, do psiquiatra Alexander Lowen. É daqueles livros que nos faz sentir a necessidade de divulgar, de fazer com que o maior número de pessoas leia. Não vou me alongar sobre o obra, o que geralmente faço, na vã esperança de que centenas de pessoas saiam correndo para adquirir o livro e mudem suas vidas (se isso for possível). Mas, Sandro, diga logo do que se trata a obra!

Alexander, que foi discípulo e paciente de Reich, que amo, que era amado por Ângelo Gaiarsa, que é outro que amo, constrói a obra em cima da frase super verdadeira e básica para mim: a sexualidade é a chave do ser. O psiquiatra argumenta que nosso destino amoroso e mesmo como nos comportamos diante da vida está relacionado com nossa fase edipiana, aquela na qual a criança sente uma ligação sexual com o pai ou a mãe.

O grande mal dessa fase é que os pais não sabem lidar com a situação, justamente porque vivemos em uma sociedade repressora, onde o sexo é feio e faz parte do jogo manipulatório das religiões e de uma moral que paira sobre nossas cabeças. Uma sociedade patriarcal na qual o poder e o dinheiro estão na frente da criatividade e da liberdade de escolha. Dessa forma sufocamos quem nós somos e atendemos uma expectativa criada pela sociedade, por nossos pais. Será que gostamos do que gostamos mesmo ou somos fruto dessa arquitetura que nos faz crer que ter casa, carro e uma boa aposentadoria é garantia de felicidade? Somos programados, antes mesmo de escolhermos nossa profissão, a pensar sobre as vantagens de uma área de atuação e nossa futura e já citada aposentadoria! Merda, mal começamos a viver e já estamos preocupados com a velhice!

Mas o que a sexualidade tem a ver com tudo isso?

Na fase edipiana o menino e a menina, como já foi dito, sente desejo sexual pelo pai ou pela mãe. Isso é normal, pessoal, faz parte do desenvolvimento sexual do ser humano! O fato é que, repressores como somos, acusamos a criança de estar fazendo algo feio quando esta manifesta sua expressão erótica. A sexualidade nesta fase, entre 3 e 7 anos, não tem a pretensão de realizar o sexo, de ir para a cama. A criança sente tudo isso como natural. Mas não, temos que reprimir, temos que dizer que é feio, temos que castrar (termo freudiano). Enquanto a criança vive naturalmente esta fase, o adulto (pai e mãe) entra com suas neurores, devidamente transmitidas por seus pais, e coloca a criança em um jogo de poder que pode envolver ciúme, ameaças, etc. A criança, como não quer perder o amor dos pais, entra no jogo para se defender e não perder esse amor, aí ocorre a corrupção. Corrupção esta que define quem esta pessoa será pelo resto da vida, como se envolverá com seus futuros parceiros, que tensões musculares terá pelo corpo (couraça muscular do caráter, ideia desenvolvida por Reich). Se nos chamam atenção quando tocamos em nosso órgão genital, tendemos a retrair o soalho pélvico e dessa forma criamos uma tensão no local que futuramente não nos permitirá ter um orgasmo verdadeiro, um orgasmo como sinônimo de vida, de liberdade! Para nos livrarmos disso é necessário, muitas vezes, forte terapia.

Como disse a autora Regina Navarro Lins, que tenho o orgulho de manter contato, sexo é questão de saúde pública! A sexualidade começa na infância e determina o que seremos no futuro! A sexualidade não está em apenas ir para a cama, ela é a base de nossa vida e mexe com todas as áreas de nossa existência. Se deixassem a criança viver sua sexualidade sem repressões, a fase edipiana ia passar e ela logo em seguida, um pouco mais velha, voltaria seus interesses para o sexo oposto (ou não) da sua idade. E esta fase apenas seria uma fase, como deveria ser. Ter desejo sexual pelo pai ou pela mãe é normal na infância, faz parte da saúde física e emocional do ser. A castração, a repressão, os “valores morais”, afetam de forma definitiva nosso corpo e nossa mente. E não existe humano bem resolvido se sua sexualidade está trancafiada. Nascem as neuroses e neuroses são o puro medo da vida.

Controlar a sexualidade das pessoas faz parte de nossa sociedade, porque faz parte do jogo do poder, dos papéis definidos, da falta de criatividade, do fazer muito mais do que SER! Não neguemos a importância do dinheiro, do que ele pode proporcionar, mas ele não pode ser o objetivo de ninguém. Quem vive buscando poder e dinheiro, mesmo que consiga um dia, jamais se sentirá satisfeito. O vazio interior é imenso.

Menos metas e objetivos e mais toques e trocas entre as pessoas. Menos dinheiro e mais orgasmos. Por favor!

 

Caixas em MDF

Já escrevi um texto onde falo da pintura e do artesanato, por isso não vou me alongar descrevendo a importância do artesanato para mim. Esse post é para mostrar as peças que tenho feito em MDF, um material muito versátil, com possibilidades infinitas. Por enquanto, produzi apenas caixas, cinco no total. Tenho mais cinco esperando para serem decoradas.

Vejam e me digam o que acharam!

Uma caixinha feita para o meu pai, que dei de presente no Dia dos Pais. Fiz para ele guardar porta-copos.

Nesta caixa usei um verniz vitral na tampa que, como o nome sugere, simula o vidro.

Deixei o craquelê simples, sem pintar, apenas em volta do papel de decoupage. Na bordas aproveitei o mesmo papel.

Um programa de TV me deu a ideia e eu resolvi fazer algo na linha. Disseram que era uma caixa simulando algo vintage. Essa mistura ficou equilibrada?

Esta foi feita para o Dia das Mães e foi a primeira que fiz.

Bom, essas foram as cinco primeiras. Espero que tenham gostado! Mandem ideias também. E lembrem que aceito encomendas do Brasil e do mundo!

Minha Primeira Exposição

Quase um mês longe do blog. O post da volta tinha que ser sobre a primeira exposição que fiz e a experiência que vivi. E, claro, foi justamente por causa dela que me afastei do blog e outras coisas. Precisei me concentrar na organização da exposição, que envolvia, principalmente, a pintura das telas.

Então foi isso. De 17 a 3 de agosto, de 8 às 18h, eu fiquei concentrado no Tribunal Regional do Trabalho, no Comércio (quem é de Salvador, sabe). Fui com a expectativa alta, já que tenho o hábito de postar minhas telas no facebook e observei que as pessoas estavam gostando dos trabalhos. Claro, comprar é outra história, mas mesmo assim eu estava muito confiante nas pinturas. E acho que não poderia usar outra palavra para o resultado dessa exposição: sucesso.

Eu e Vânia no TRT do Comércio

Tive ajuda de amigos da imprensa que publicaram notas em sites e em jornais (obrigado Maíra Cortês, Gabriel Serravalle e Milene Rios). O próprio TRT foi muito generoso colocando duas matérias em seu site. A assessoria de comunicação da instituição foi muito solícita, prestativa. Agradeço muito à Vânia e Andréia Pereira, pessoas que travei contato direto. Mas, claro, toda a equipe está no meu coração. Edmar Cruz, que trabalha na administração do Fórum, foi outro que não mediu esforços para me deixar confortável lá, sempre me deixando à vontade para pedir o que eu achasse necessário. Me senti como se fizesse parte do TRT enquanto estive lá. E não posso deixar de agradecer o apoio de funcionários como Adailton, Jorge, seu Edson, entre outros, que no meio do corre-corre me deram força, seja espalhando a notícia pelo prédio, trazendo um cafezinho ou simplesmente me passando energia positiva. Eu sei (acho) que ninguém conhece estas pessoas, mas é importante citar que não somos nada sem a ajuda dos outros. Beijos, também, para dona Elizabete (não tinha um dia que ela não fosse me dar um abraço e desejar sorte), Cláudia, Nilma e Zenita, pessoas que formei uma excelente relação lá. E, sim, eu com certeza não coloquei todos os nomes de pessoas legais que conheci.

Cartaz elaborado pela Ascom do TRT

Dei o nome de ‘Versões’ para esta exposição. Explico. Nesta minha primeira fase, que durou sete meses, eu pesquisei muito, li livros, assisti a inúmeras vídeo-aulas, para aprender a pincelar corretamente, a limpar os pincéis, a misturar as cores e, claro, escolher telas que eu pudesse reproduzir e dar meu toque em cima delas, de acordo com minha pouca experiência. Felizmente, a cada trabalho fui percebendo que houve interesse por parte das pessoas, elogios, dicas de como melhorar, etc. Artistas como Wilson Bickford, Bill Alexander e Leonid Afremov foram os nomes fora do Brasil que me inspiraram. Os nomes nacionais foram Vanessa Oliveira, Mauro Martins e Augusto Aguirras. O site dos Pincéis Condor também me ajudou a ter ideias, como a ‘Série Africanas’. Aliás, os dois últimos nomes nacionais citados são artistas que trabalham na Condor.

Durante os 15 dias úteis que a exposição ficou por lá consegui vender 14 das 20 telas apresentadas, além de uma encomenda (breve colocarei a foto por aqui e no facebook). O saldo foi ótimo e consegui provar – e isso era algo que eu precisava – que posso viver um dia da pintura, das artes plásticas. O mundo das artes não é feito do artista somente. Não existe ninguém que prescinda da ajuda dos outros para crescer. Seja de artistas que te inspiram até a mais humilde pessoa que elogie uma tela sua, todos fazem parte daquilo que você se transforma e do futuro sucesso que obtém. Não fui ao TRT como artista, juro por tudo que me é sagrado. Nem gosto muito de ser chamado de artista. Fui lá, e isso é muito sério para mim, para vender um objeto que fizesse parte da vida de alguém, que desse um pouco mais de beleza a um canto escolhido por quem comprasse. E isso não é diminuir o trabalho que tive. A beleza, a alegria, a emoção (seja até a tristeza) que uma tela desperta é o que interessa. Podemos chamar de arte ou não.