Jazz Band a óleo

Eu sou um apaixonado por música desde muito pequeno. Até agora não tinha pintado um quadro que representasse esta arte que tanto amo. Fiz um busca por imagens e acabei encontrando uma obra do artista Leonid Afremov. Resolvi dar minha versão à bela tela dele, utilizando uma técnica na qual é mestre: a espátula. Não foi nada fácil, como sempre. A gente só sente a dificuldade quando está fazendo.

Obviamente, como foi minha primeira tela com esta técnica, me bati em alguns momentos, pensando como deveria usar a espátula para pintar determinada parte, obter determinado movimento, etc. Mas é isso, pessoal, ‘Jazz Band’ saiu. Espero que agrade.

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Baianas no Pelô

Esperei a segunda tela ficar pronta para poder postar as duas. ‘Baianas no Pelô’ é um trabalho em acrílica e PVA que foi inspirado em pinturas da artista plástica mineira, Vanessa Lima. Aliás, nessa minha fase estou me inspirando em muitos artistas talentosos do mundo todo. A partir das telas deles, crio em cima, dou minha versão. É importante eu dizer, porque criei pouca coisa própria até agora.

Estou numa fase de pesquisa, de encontrar meu estilo, de testar o que posso fazer. Por isso pesquiso muito, busco trabalhos que me agradam e tento reproduzi-los colocando meu toque, minhas cores. Eu criei em cima da proposta Vanessa, mas muito do original está aí.

Neil Gaiman e Robert Crumb

Definitivamente, esse é o ano dos quadrinhos para mim. Tenho lido coisas muito interessantes. Falei no post anterior sobre ‘Daytripper’, dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, uma HQ linda, muito bem escrita e de traços muito expressivos. Só para citar uma que já considero clássica (eu e o mundo), entre tantas outras lidas, como ‘Maus’ e ‘Persépolis’, ambas maravilhosas. Ainda vou fazer um post somente sobre as HQs lidas.

Como não poderia deixar de ser, neste texto falo de outras duas ótimas graphic novels: ‘Os caçadores de sonhos’, de Neil Gaiman e P. Craig Russel, e ‘Blues’, de Robert Crumb. Graças a dois canais literários que sigo, resolvi embarcar nessas duas dicas e não me arrependi.

Eu sempre que passava em alguma livraria me deparava com ‘Sandman’, mas sempre tinha outra prioridade. Dessa vez não houve escapatória. Era o momento de experimentar o texto de Gaiman e os excelentes desenhos de Craig Russel que acompanham ‘Os caçadores de sonhos’. Gaiman conseguiu criar uma história mitológica sobre a impossibilidade do amor entre um monge e uma raposa (uma linda jovem). Quando lemos parece que o autor apenas recontou uma lenda japonesa antiga, algo que sempre fez parte do imaginário daquela cultura. Mas não, Gaiman criou tudo e com tanta maestria que não nos damos conta que a história é totalmente inventada.

‘Blues’ foi escrito e desenhado por Robert Crumb, um apaixonado pela música que formou a cultura americana, a música negra. Nesse livro ele conta a história de algumas das lendas do blues, além de fazer uma crítica à indústria da música e seu rolo compressor, que tenta apagar de forma cruel o esse passado musical tão rico. Os traços de Crumb são crus, sujos, com bastante movimento e expressividade, trabalhados em branco e preto, luz e sombra. A obra também traz capas de discos desenhados por Crumb, além de cartazes e outros materiais produzidos pelo desenhista ao longo de muitos anos.

Quem quiser adquirir as obras, acho que valem muito a pena. ‘Os caçadores de sonhos’ está com um preço ótimo. Eu já vi até por R$ 17,90 pela web. Na Cultura aqui do Salvador Shopping (onde eu li sentado em uma poltrona), eu vi por R$ 25. Já ‘Blues’, eu não vi por menos de R$ 50. Comprei o livro de Crumb por R$ 9,90 em uma promoção no Submarino, mas acho que não é mais possível comprar por esse preço lá.

Os contrastes do desenho de Crumb criam esse efeito lindo!

Cotoco e Daytripper

Quero indicar dois livros ótimos. O primeiro é ‘Cotoco – O diário perversamente engraçado de um garoto e 13 anos’, do autor sul-africano John van de Ruit lançado pela Intrínseca em 2010. Nas minhas “andanças” atuais pelos canais literários, vejo muitas pessoas ótimas falando sobre livros e outras péssimas, que mal sabem falar. Um dos canais que frequento é de Patrícia Pirota, uma professora muito simpática que dá boas dicas de livros. Um deles foi Cotoco. Na verdade eu já tinha visto vídeos em outros canais falando muito bem do livro, mas bati o martelo com o depoimento de Patrícia. E não me arrependi.

John van de Ruit

‘Cotoco’ conta a história de John Milton, um garoto que vive na África do Sul dos anos 90, quando Nelson Mandela foi libertado e existia as discussões sobre o fim do apartheid. John recebe uma bolsa para estudar em um famoso colégio interno. Lá, vai viver momentos inesquecíveis, que no final das contas são momentos pelos quais todos passamos e que é quase impossível não se identificar: a descoberta da sexualidade, a falta de tato para lidar com as meninas, a descoberta das verdadeiras amizades, a necessidade de afirmação, vergonha dos pais (quando se é adolescente) etc etc. É lá também que recebe seu apelido, cotoco. Mas isso só lendo para descobrir. Não darei conta da beleza e da graça do livro, que é muito bem escrito em forma de diário, como diz o título.

O segundo não foi uma dica de algum canal, mas de um recém-descoberto blog de literatura que eu achei muito legal e cujo link encontra-se abaixo (Lua Limaverde). ‘Daytripper’, dos brasileiros Fábio Moon e Gabriel Bá, é uma HQ (graphic novel se você quiser algo mais pomposo) excelente, que para mim já virou um clássico. O livro foi escrito em inglês e foi lançado inicialmente fora do Brasil, recebendo elogios dos mais diversos países, como Estados Unidos e França. Basta dizer que ‘Daytripper’ recebeu o prêmio Eisner, a premiação mais importante do mundo no universo dos quadrinhos. Em 2011 a Panini lançou o livro dos irmãos gêmeos aqui no Brasil. Eu sabia da existência da obra, mas apenas virei algumas páginas as vezes que entrei em contato. Quantas coisas boas passam pelas nossas mãos e não percebemos?

‘Daytripper’ conta a história de Brás de Oliva Domingos, um jornalista que escreve obituários e que tem sua vida mudada em cada uma das dez histórias escritas por Moon e Bá. Cada história nos apresenta aspectos da outra, formando um caleidoscópio de dez possíveis vidas para o protagonista. O livro trata do poder exercido por nossas escolhas e como elas interferem em nossa existência. Um mínimo gesto pode mudar tudo.

Bá e Moon

Bá e Moon são ótimos desenhistas, muito expressivos, com um visual dinâmico, além de escolherem muito bem as cores para ilustrar os diversos momentos e sentimentos presentes no livro. Eu adorei. Sou um fã tardio de HQs, mas cada vez mais descubro um universo de autores maravilhosos, inclusive brasileiros.

PS: Enquanto escrevo este texto descubro que Cotoco virou filme em 2010! É claro que vou atrás ver. Se puder, hoje mesmo (14 de maio). Site oficial do filme: http://spudthemovie.com/

Alex Varenne e Giovanna Casotto

Entrei rapidamente na livraria Cultura só para pegar a revista gratuita que eles editam mensalmente. No entanto, como sempre, perguntei por um autor chamado Georges Pichard, um quadrinista erótico maravilhoso. Queria ler algo dele, mas não tinha. O vendedor me indicou dois livros, que eu acabei lendo ali mesmo. Os dois autores são novos para mim. E digo, os dois livros valem a pena.

O primeiro que li foi todas as histórias reunidas de Erma Jaguar, personagem criado pelo francês Alex Varenne, nascido em 1939. Gostei do traço de Varenne e do roteiro criado, talvez junto com seu irmão Daniel. Mas o livro não traz essa informação. Acho que as histórias eróticas não devem apenas servir como um objeto de excitação, mas trazer uma boa trama também. Eu acho que esse livro nos dá os dois.

 

 

Uma das páginas de ‘Erma Jaguar’

O segundo que li foi o livro da italiana Giovanna Casotto. Na capa apenas o nome da autora. As ilustração são lindas. Casotto ilustra dez histórias criadas por diversos autores. Os desenhos são muito realistas e suas mulheres têm o recheio e o gestual das pin-ups dos anos 50. Casotto tira fotos dela mesma em diversas posições que mais tarde servirão de base para os seus desenhos. Eu já li muitas HQs eróticas e as personagens de Casotto talvez sejam as mais bonitas que vi até agora. Neste caso, na minha opinião, a arte é a força do livro. Tem uma história que não possui palavras e mal notamos a sua necessidade. As imagens falam por si.

Uma das belas de Giovanna Casotto

Africana

Adorei ter feito essa africana. Cores quentes, alegres, muito africana, mas muito brasileira, não é? Nossas raízes: música, comida, cor, a cultura brasileira é a África também. Essa tela foi feita em acrílica, 40 cm x 50 cm.