Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

Eu li os dois primeiros romances da trilogia ‘Millenium’ e adorei. Escrevi sobre o primeiro no Vinil e citei como falha do livro o excesso de descrições, que por vezes parecia preciosismo do autor, ou em outras palavras ‘encheção de linguiça’. Ainda assim os livros, de mais ou menos 600 páginas cada um, são uma leitura agradável e inteligente. Então quando soube que os filmes foram rodados na Suécia, país de origem do autor Stieg Larsson, fiquei louco para ver. Vi e gostei. Algum tempo depois fiquei sabendo que o ótimo David Fincher (Clube da Luta, Se7en, A Rede Social, Zodíaco) ia ser o responsável por dirigir a trilogia na versão Hollywoodiana e fiquei muito feliz.

O pior é alguns críticos já malharam o filmes antes mesmo do lançamento, porque de acordo com eles, a versão de Hollywood ia estragar tudo. Veja essa:

“É um filme que vale a pena ser visto, antes que Hollywood o estrague”, diz Alysson Oliveira, do Estadão, em uma crítica publicada dia 13 de maio de 2011. A afirmação dele refere-se ao fato de que David Fincher talvez faça a sua versão da trama.

Não concordei com Alysson, que nem sabia que era crítico de cinema. Como pode antecipar uma avaliação assim? Ainda mais quando se trata de um diretor como David Fincher? Enfim, o fato é que esta versão Hollywoodiana é melhor ainda do que a sueca, mais instigante, e a Lisbeth Salander de Rooney Mara, para mim, consegue superar a de Noomi Rapace. Também gostei muito mais do Mikael Blomkvist de Daniel Craig. Na versão sueca foi o ator Michael Nyqvist quem fez.

Achei a versão de Fincher mais bem elaborada cinematograficamente do que a sueca. Fincher consegue dar textura diferenciada a diversos momentos, graças a uma ótima fotografia. O filme também é mais dinâmico do que o sueco, o que faz com que o interesse pela trama se torne maior. Também consegue contar de forma bem encaixada as tramas paralelas presentes no filme até que elas se encaixem, sem nunca cansar o espectador. Outra coisa inteligente de Fincher foi a escolha por manter as locações na Suécia, já que as paisagens são fundamentais para a história. Não consigo ver esse filme em Los Angeles ou Nova Iorque sem que ele perca atmosfera.

Lisbeth Salander (Rooney Mara) e Daniel Craig (Mikael Blomkvist)

Me alonguei demais, mas acho que crítica bem feita tem que ser elaborada depois do produto ser consumido, não antes! Acabei não falando sobre o que o filme trata. Em resumo rápido: o filme conta a história de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um jornalista econômico e um dos criadores da prestigiada revista Millenium. Ele acaba de ser condenado a três meses de prisão por supostamente ter difamado um poderoso empresário. Poucos dias depois é contratado por Henrik Vanger, outro grande empresário, que o incumbe de descobrir o paradeiro de Harriet Vanger, sua sobrinha desaparecida há 40 anos. Mikael acaba sendo ajudado pela hacker Lisbeth Salander, uma mulher de 23 anos com um passado sombrio.

Lisbeth Salander é a principal personagem dos livros, e sem dúvida a mais interessante, com sua aparência frágil e ao mesmo agressiva debaixo daquelas roupas de couro preto e piercings. Rooney Mara consegue compor uma Lisbeth perfeita e sempre (eu, pelo menos) torcia para que ela aparecesse novamente em cena. Desde os gestos corporais, com os ombros curvados como quem está fechada para a sociedade, até sua aparência, Mara faz um trabalho ótimo. E por essa personagem foi indicada ao Oscar de Melhor Atriz. Depois da versão de Fincher me tornei um grande fã do trabalho de Rooney Mara, que também fez ‘A Rede Social’. E como disse antes, achei o Mikael de Craig superior ao do ator sueco. O elenco é muito bom e conta com atores como Christopher Plummer (Henrik Vanger) e Stellan Skarsgård (Martin Vanger).

Uma última coisa que achei linda no filme: os créditos iniciais! Lindos!

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4 pensamentos sobre “Os Homens Que Não Amavam As Mulheres

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