Meia-Noite em Paris

Depois de ‘Vicky Cristina Barcelona’, de 2008, que eu gostei muito, o cineasta Woody Allen fez mais dois longas que achei fracos: ‘Tudo Pode Dar Certo’ (2009) e ‘Você Vai Conhecer O Homem dos Seus Sonhos’ (2010). Mas com este ‘Meia-Noite em Paris’ (2011), Woody voltou, para mim, com um grande filme.

Gil Pender (Owen Wilson, que obviamente adquire os tons interpretativos de Allen e se sai muito bem) vai com sua bela noiva, Inez (Rachel McAdams), para Paris acompanhando os pais da jovem que estão ali para uma viagem de negócios. Gil é um roteirista insatisfeito com sua profissão e está escrevendo seu primeiro romance. Apaixonado pela cidade-luz dos anos 20, romântico e nostálgico, Gil propõe à moça que vivam em Paris após se casarem. Porém, Inez é o oposto do romântico Gil e não concorda com a ideia do futuro marido.

Um dia, após jantarem com um casal de amigos que também está em Paris, Gil decide caminhar pelas ruas da cidade. Durante a caminhada, após parar em um esquina, Pender vê um carro parar e os passageiros o oferecem carona. Instantes depois Gil está em uma festa acompanhado por Elza e Scott Fitzgerald. E quem está ao piano? Cole Porter! Minutos depois, é Ernest Hemingway quem está dando conselhos sobre o desenvolvimento do seu livro. E durante os próximos dias Gil encontrará, além de seus ídolos literários (T.S. Eliot e Gertrude Stein são outros que ele mantém contato), grandes artistas como Picasso, Salvador Dali, Buñuel, Degas, Gauguin, entre outros ilustres.

Adriana (Cotillard) e Gil (Wilson) caminham na nostalgia de Paris

Durante uma visita à casa de Gertrude Stein, que está revisando seu romance, Gil conhece a encantadora Adriana (Marion Cotillard), que é amante de Picasso. Devido à sua incerteza em relação ao casamento e principalmente porque Pender vê-se diante de uma mulher incrivelmente atraente e que adora o pouco que ouviu do livro de Gil, o escritor apaixona-se por sua mais nova musa.

E é justamente a personagem de Marion que revela a Gil a importância de estar feliz com o presente e não sonhar com um passado supostamente melhor. Durante um encontro com Degas e Gauguin, em 1890 (os dois foram transportados para esse período porque Adriana ama a Belle Époque), Gil percebe que os artistas sonham com a Renascença e a própria Adriana não pretende voltar para os anos 20.

Dessa forma Gil entende que a nostalgia e o passado são importantes, mas nunca melhores que o momento atual que vivemos. Simplesmente o passado pode ser absorvido pelas obras de arte, livros, deixados pelos grandes artistas, mas não significa que seja sempre glorioso. O passado também faz parte de nossa formação, mas é inútil tentar repeti-lo.

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8 pensamentos sobre “Meia-Noite em Paris

      • Hahahaha! Olha, eu achei o outro um elogio! Mas tudo bem, se você quer me chamar de intelectual…Ainda bem que para você ‘intelectual’ não é sinônimo de metido ou coisa parecida!
        Beijos, minha flora!

  1. Obrigado, Ana! É, eu tento escrever sem pedantismos! Não sou um crítico, mas alguém que ama cinema e consegue passar o que viu para, nesse caso, a tela do computador!
    Beijos, linda!!!!!!!

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