Um mês, 31 filmes. Dia 7

Dia 7 – Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios


Eu fui atrás de filmes com Emma Stone depois que vi ‘A Mentira’, um filme muito divertido que eu comentei aqui no blog. Então achei ‘Zumbilândia’ (2009). É ele minha comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios. Muito pelo contrário, o filme é uma bobajada, mas das boas, muito bem feita, o que nunca faz mal ao cérebro.

Como eu vou ter que escrever sobre o que é o filme, coloco abaixo meu resumo da produção já feito aqui no Vinil, apenas levemente editado.

Columbus (Jesse Eisenberg, de ‘A rede social’) vive em um mundo repleto de zumbis, onde poucos humanos sobreviveram. Ele cria suas próprias regras para sobreviver nesse ambiente. Essas regras nos são apresentadas de forma criativa por meio de caracteres que surgem em meio à ação do longa.

Um dia, Columbus encontra o bruto e dócil Tallahassee, vivido de forma carismática por Woody Harrelson (tipo que ele faz sempre bem). Assim, nasce uma improvável amizade e afeto entre os dois. Na caminhada da dupla, eles se deparam com Wichita (Emma Stone) e Little Rock (Abigail Breslin). Lembram da garotinha de ‘Pequena Miss Sunshine’? Ela é agora a Little Rock. As duas garotas armam pra cima dos marmanjos e conseguem roubar seu veículo e armas. Mais tarde, encontram-se novamente e acabam formando um quarteto que tem como objetivo não ser comido pelos insaciáveis comedores de cérebros.

Stone, Harrelson, Eisenberg e Breslin

Se você me perguntar o sentido de ‘Zumbilândia’, eu vou dizer que não passa de um filme idiota, o que é de fato. Mas essa constatação não tira os méritos do filme de estreia de James L. Frachon. Repare nas cenas de abertura, enquanto o letreiro é mostrado. Repare também na fabulosa participação de Bill Murray  e como ele ironiza sua própria carreira e sucessos como Os Caça-Fantasmas. Além disso, Frachon é inteligente o suficiente para saber que ‘Zumbilândia’ não pode ser levado a sério e por isso mesmo se torna tão divertido.

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Um mês, 31 filmes. Dia 6

Dia 6:  Com o coração na boca (melhor suspense/terror).

Quando li esse item, apesar de ter visto muitos filmes de suspense e terror arrepiantes, a imagem de Linda Blair me veio à mente de imediato. Na época do relançamento do filme nos cinemas há alguns anos, eu fiquei entusiasmado. Queria saber se a produção conseguiria, depois de tantos anos, ser tão assustador. Sim, bastante! ‘O Exorcista’ (1973), de William Friedkin, ainda continuava forte, denso, e me fez suspender a respiração muitas vezes. No cinema tudo pareceu mais horripilante.

Linda Blair faz o papel de Regan McNeil, a garota de 12 anos que é possuída pelo demônio. Apesar de ser um filme de 1973 – ou talvez por isso mesmo – os efeitos especiais são muito bons e engenhosos; os realizadores tiveram que ser muito criativos. Tudo numa época onde os efeitos digitais não existiam. E mesmo com toda a parafernália tecnológica, se você não tem um bom roteiro, um bom diretor e boas atuações, nenhum computador vai salvar seu filme.

Os padres Damien Karras (Jason Miller) e Lankester Merrin (Max von Sydow) fazem exorcismo em Regan

Com certeza ‘O Exorcista’ me deixou com o coração na boca muitas vezes! É um clássico indiscutível do gênero.

Um mês, 31 filmes. Dia 5

Dia 5: Ator e atriz preferidos.

Nessa categoria eu poderia recorrer fácil aos grandes atores e atrizes que são referência mundial e amplamente laureados e dos quais eu tenho profunda admiração. No entanto, eu escolhi dois atores que são experientes, mas ao mesmo tempo fazem parte de uma geração mais recente e que pelos quais eu também possuo admiração (Sim, eles também receberam muitos prêmios). São dois grandes intérpretes, que conseguem diversificar seus papéis porque são inteligentes em suas escolhas. Estou falando da israelense Natalie Portman, que nasceu em 1981, e do baiano Wagner Moura, que veio ao mundo em 1976.

Com Jean Reno, em 'O Profissional'

Eu não passei a gostar de Portman porque ela ganhou o Oscar de Melhor Atriz por ‘Cisne Negro’. Minha admiração por ela já vem de longe, desde a primeira vez que vi seu primeiro filme, ‘O Profissional’ (1994), onde ela faz a esperta Mathilda. Daí para frente fui acompanhando sua carreira e adorando suas performances.

Eis uma lista de alguns filmes dela que gosto muito: ‘Fogo Contra Fogo’ (1995), ‘Brincando de Seduzir’ (1996), ‘Onde Mora o Coração’ (2000), ‘Zoolander’ (2001), ‘Hora de Voltar’ (2004), ‘Closer – Perto de Mais (2004), ‘Free Zone’ (2005), ‘Star Wars: Episódio III – A Vingança dos Sith’ (2005), ‘V de Vingança’ (2006), ‘A Outra’ (2008), ‘As Coisas Impossíveis do Amor’ (2009), ‘Cisne Negro’ (2010) e ‘Hesher’ (2011).

Como Alice Ayres / Jane Jones, em Closer

Quando a gente pensa nos atores brasileiros é mais fácil ligá-los à teledramaturgia, isto porque o cinema nacional não é bem o que podemos chamar indústria, mesmo com sua evolução (melhor distribuição, qualidade técnica etc), e pelo fato das telenovelas serem uma paixão nacional e produto de exportação. No entanto, há muitos atores que estão fazendo carreira no cinema e já podem ser identificados com a sétima arte quando tocamos em seu nome. Eu acho que Wagner Moura é um deles. O baiano estreou no curta ‘Pop Killer’ (1998), que eu não vi.

Como o anti-herói Capitão Nascimento, em Tropa de Elite

Para mim, Moura surgiu em ‘Abril Despedaçado’ (2001), de Walter Salles. Mas somente na TV comecei a admirar seu trabalho. ‘Sexo Frágil’ (2003) e a série ‘JK’ (2006) mostravam a versatilidade do ator. Ao mesmo tempo ele fazia filmes interessantes no cinema e dava vida à personas distintas, sem repetir fórmulas. Listo abaixo os filmes de Wagner que me fizeram carimbá-lo como um dos meus atores prediletos.

‘O Caminho das Nuvens’ (2003), ‘O Homem do Ano’ (2003), ‘Carandiru’ (2003), ‘Deus é Brasileiro’ (2003), ‘Nina’ (2004), ‘A Máquina’ (2005), ‘Cidade Baixa’ (2005), ‘Tropa de Elite ‘ (2007), ‘Saneamento Básico – O Filme’ (2007), ‘Ó Paí, Ó’ (2007), ‘Tropa de Elite 2 – O Inimigo Agora é Outro’ (2010) e ‘O Homem do Futuro’ (2011).

Moura e Alinne Moraes no ótimo 'O Homem do Futuro'

Um mês, 31 filmes. Dia 4

Dia 4: Melhor Diretor.

Outra tarefa ingrata! Como escolher o melhor diretor, pessoal? Quem ama cinema com certeza admira alguns diretores e tem no coração alguns prediletos. Eu não sou diferente. Quando me vi de frente para essa questão, dois diretores surgiram em minha cabeça: o americano Woody Allen e o espanhol Pedro Almodóvar. São os meus dois diretores queridos. Por isso resolvi me rebelar e citar os dois acima escritos.

Eu não sei qual foi o primeiro filme que vi de cada um e nem quando começou minha paixão pela obra desses dois cineastas maravilhosos. Os filmes de Almodóvar sempre me chamaram atenção pelas suas cores, seus personagens passionais e marginais, seu universo por vezes kitsch, e obviamente pela habilidade de Almodóvar em conduzir seus atores e escrever suas histórias. Dentre aqueles que eu vi, eu destaco os seguintes: ‘A Lei do Desejo’ (1987), ‘Mulheres à Beira de Um Ataque de Nervos’ (1988), ‘Ata-me’ (1990), ‘Carne Trêmula’ (1997), ‘Tudo Sobre Minha Mãe’ (1999), ‘Fale Com Ela’ (2002) e ‘Abraços Partidos’. Ainda não vi sua mais recente produção, ‘A Pele Que Habito’.

Podem falar o que quiser de Woody Allen e é possível que ele concorde com algumas coisas: neurótico, antissocial, hipocondríaco, ateu, etc. E é justamente essas características que moldam  seus personagens e as reflexões que ele expõe em seus roteiros e que por vezes flertam com o absurdo. Woody, para mim, é fabuloso. Produz um filme por ano e, mesmo que escorregue aqui ou ali, sempre faz um cinema honesto e criativo.

Em sua filmografia eu destaco: ‘Noivo Neurótico, Noiva Nervosa’ (1977) (aliás, péssimo título. O filme chama-se Annie Hall), ‘Interiores’ (1978) (talvez seu filme mais denso), ‘Manhattan (1979), ‘Zelig’ (1983), ‘A Rosa Púrpura do Cairo (1985), ‘Hannah e Suas Irmãs (1986), ‘Tiros na Broadway (1994), Poderosa Afrodite (1995), ‘Desconstruindo Harry (1997), ‘Match Point’ (2005), ‘Vicky Cristina Barcelona (2008) e Meia-Noite em Paris (2011). Coloquei apenas os que me vieram à mente e eu adoro!

Um mês, 31 filmes. Dia 3

Dia 3: Sessão da Tarde Inesquecível.

Quase impossível! Como escolher apenas uma Sessão da Tarde Inesquecível? Tive que me concentrar, procurar justificativas para escolher apenas um filme. E depois de muita briga o eleito foi ‘Footloose’ (1984), dirigido por Herbert Ross e estrelado por Kevin Bacon. E o critério foi: eu amo música e não suportaria viver em uma cidade onde ela fosse proibida. O critério é bobo, mas se eu não inventasse algo, teria que listar uns 20 filmes inesquecíveis. Outa coisa que lembrei foi que toda vez que eu assistia ‘Footloose’ não via a hora da cena do baile chegar. Porque? Agora é hora de confissão!!!! Leia abaixo e não imagine a cena!!!

Obviamente eu fazia isso sozinho e longe dos olhos da civilização. Quando o baile começava e Kenny Loggins começava a cantar a música-título, eu imitava os passos de Kevin Bacon como se estivesse no filme. Um vexame que só eu presenciava, mas era bom, liberava endorfina.

Eu bem que tentei dançar como Kevin Bacon!

Não posso deixar de citar alguns filmes que rivalizaram com ‘Footloose’ de forma valente! São eles: ‘Curtindo a Vida Adoidado’, ‘Os Goonies’, ‘Karatê Kid 1 e 2’, ‘De Volta Para o Futuro 1, 2 e 3’, ‘Top Gun’, ‘Te Pego Lá Fora’, ‘Os Caça-Fantasmas’, ‘Admiradora Secreta’, ‘Edward Mãos de Tesoura’, ‘Superman – O Filme’ e por aí vai…Nem todos eu acho grandes filmes, mas são todos inesquecíveis!

Um mês, 31 filmes. Dia 2

Dia 2: Melhor Sequência Inicial e Melhor Sequência Final.

Com essa categoria teremos dois filmes, na verdade. Escolhi como melhor sequência inicial uma ficção científica do cineasta americano Stanley Kubrick: ‘2001: Uma Odisseia no Espaço’ (1968).  Tudo começa com nossos ancestrais macacos no deserto africano. Tribos rivais lutam por comida. Um dos grupos encontra um monolito negro e logo em seguida um dos pré-humanos descobre que ossos podem se transformar em armas. Com a descoberta eles matam um dos rivais que guarda um poço de água. Com o triunfo, um dos macacos joga um osso para cima, que gira no ar até se transformar em uma nave espacial. A música ‘Also Sprach Zarathustra, de Richard Strauss, confere grandiloquência às cenas. 

Acho essa sequência inicial muito bonita, forte, mostrando de forma brilhante nossa evolução e ligação com nosso passado primitivo. Creio que aquele monolito misterioso no deserto seja a ligação entre o que fomos e no que nos transformamos.

Descobrindo o osso como arma

Eu não achei a sequência integral em um vídeo, por isso resolvi colocar um que mostra parte do que foi descrito acima.

Para melhor sequência final escolhi um filme lindo, que homenageia o cinema. A sequência final de ‘Cinema Paradiso’ (1988), do cineasta italiano Giuseppe Tornatore, sempre me arrepia e faz brotar aquilo que chamamos lágrima. Aliás, muitas passagens do filme conseguem fazer isso comigo. Confesso que a música ‘Tema de Amor’, de Ennio Morricone, é culpada por boa parte dessas lágrimas.

O personagem Totó é uma criança que, como muitas, é coroinha. Depois que terminava a missa ele ia para o cinema espiar os filmes por causa das cenas de beijos que eram censuradas pelo padre. Ele via os filmes com o simpático projecionista Alfredo (o excelente Philippe Noiret). Com o tempo, o que era molequeira vira amor ao cinema. Um dia ele vai embora para Roma e se transforma no importante cineasta Salvatore Di Vita. Trinta anos depois, ao saber da morte de Alfredo, Totó volta à cidade e descobre que o Cinema Paradiso fora demolido. De volta a Roma, assiste a um presente deixado para ele por Alfredo: uma fita com as imagens de beijo que um dia foram censuradas pelo padre.

Alfredo e Totó: amizade e amor ao cinema

Meu péssimo resumo do filme chega a ser uma ofensa ao trabalho de Tornatore. Apenas peço a vocês que assistam esse filme.

Um mês, 31 filmes

Achei esse meme muito legal! Não poderia deixar de ser, pois é sobre cinema! Escolher um filme para cada dia de um mês, supondo que esse mês tenha 31 dias, é uma tarefa fácil e difícil ao mesmo tempo. Já no primeiro dia é possível entender porque a empreitada é complicada. A lista dos dias encontra-se abaixo com as respectivas categorias.  Abaixo da lista, meu primeiro filme. Só espero poder seguir direitinho. Vamos lá!

Dia 1 – Filme da Minha Vida
Dia 2 – Melhor sequência inicial e melhor sequência final
Dia 3 – Sessão da tarde Inesquecível
Dia 4 – Melhor diretor
Dia 5 – Atriz e ator preferidos
Dia 6 – Com o coração na boca (melhor suspense/terror)
Dia 7 – Comédia-tonta-que-não-prejudica-os-neurônios
Dia 8 – Filme Cebola (mais triste de todos)
Dia 9 – Filme mais romântico
Dia 10 – Melhor Filme de Guerra
Dia 11 – Melhor drama
Dia 12 – Melhor Ano da História do Cinema
Dia 13 – Maior roubada cinematográfica
Dia 14 – Batendo Papo (melhor diálogo)
Dia 15 – Melhor Horizonte (Fotografia inesquecível)
Dia 16 – Melhor-Durão-Que-No-Fundo-É-Coração-Mole
Dia 17 – Brasileirão
Dia 18 – Melhor Animação
Dia 19 – O melhor Faroeste
Dia 20 – Melhor comédia romântica
Dia 21 – Preto no Branco (Melhor Noir)
Dia 22 – So you think you can dance (melhor musical)
Dia 23 – Melhor DR
Dia 24 – Melhor par romântico
Dia 25 – Meu Vilão Favorito nos Filmes
Dia 26 – Unha e Carne (Melhor Amizade)
Dia 27 – Porrada (melhor cena de violência)
Dia 28 – Quente e Úmido (melhor sequência de sexo)
Dia 29 – Saída pela Esquerda (melhor sequência de perseguição)
Dia 30 – Nunca mais (filme mais traumático)
Dia 31 – Minha Vida em 3 sequências

Dia 1: Filme da minha vida.

Eu vi muitos filmes fabulosos e que eu poderia considerar como o filme da minha vida, mas essa escolha tem a ver com a importância desse longa para mim. Foi o primeiro filme que vi em videocassete (o que é isso?), em 1984, se bem me lembro. Meu pai e minha mãe estavam assistindo e eu acordei com o som. Fui até o quarto deles e sentei na cama. Amei aquela aventura, amei a música de John Williams, amei o personagem principal. ‘Indiana Jones e Os Caçadores da Arca Perdida’ (1981), de Steven Spielberg, me marcou profundamente. A partir daí comecei a colecionar revistas de cinema e o resto é história. Sim, até hoje Harrison Ford é um dos meus atores prediletos. Ele é o filme da minha vida porque deu início a tudo! E é um ótimo filme!

Meia-Noite em Paris

Depois de ‘Vicky Cristina Barcelona’, de 2008, que eu gostei muito, o cineasta Woody Allen fez mais dois longas que achei fracos: ‘Tudo Pode Dar Certo’ (2009) e ‘Você Vai Conhecer O Homem dos Seus Sonhos’ (2010). Mas com este ‘Meia-Noite em Paris’ (2011), Woody voltou, para mim, com um grande filme.

Gil Pender (Owen Wilson, que obviamente adquire os tons interpretativos de Allen e se sai muito bem) vai com sua bela noiva, Inez (Rachel McAdams), para Paris acompanhando os pais da jovem que estão ali para uma viagem de negócios. Gil é um roteirista insatisfeito com sua profissão e está escrevendo seu primeiro romance. Apaixonado pela cidade-luz dos anos 20, romântico e nostálgico, Gil propõe à moça que vivam em Paris após se casarem. Porém, Inez é o oposto do romântico Gil e não concorda com a ideia do futuro marido.

Um dia, após jantarem com um casal de amigos que também está em Paris, Gil decide caminhar pelas ruas da cidade. Durante a caminhada, após parar em um esquina, Pender vê um carro parar e os passageiros o oferecem carona. Instantes depois Gil está em uma festa acompanhado por Elza e Scott Fitzgerald. E quem está ao piano? Cole Porter! Minutos depois, é Ernest Hemingway quem está dando conselhos sobre o desenvolvimento do seu livro. E durante os próximos dias Gil encontrará, além de seus ídolos literários (T.S. Eliot e Gertrude Stein são outros que ele mantém contato), grandes artistas como Picasso, Salvador Dali, Buñuel, Degas, Gauguin, entre outros ilustres.

Adriana (Cotillard) e Gil (Wilson) caminham na nostalgia de Paris

Durante uma visita à casa de Gertrude Stein, que está revisando seu romance, Gil conhece a encantadora Adriana (Marion Cotillard), que é amante de Picasso. Devido à sua incerteza em relação ao casamento e principalmente porque Pender vê-se diante de uma mulher incrivelmente atraente e que adora o pouco que ouviu do livro de Gil, o escritor apaixona-se por sua mais nova musa.

E é justamente a personagem de Marion que revela a Gil a importância de estar feliz com o presente e não sonhar com um passado supostamente melhor. Durante um encontro com Degas e Gauguin, em 1890 (os dois foram transportados para esse período porque Adriana ama a Belle Époque), Gil percebe que os artistas sonham com a Renascença e a própria Adriana não pretende voltar para os anos 20.

Dessa forma Gil entende que a nostalgia e o passado são importantes, mas nunca melhores que o momento atual que vivemos. Simplesmente o passado pode ser absorvido pelas obras de arte, livros, deixados pelos grandes artistas, mas não significa que seja sempre glorioso. O passado também faz parte de nossa formação, mas é inútil tentar repeti-lo.

Fragmentos de Kurt Cobain

Com este ‘Kurt Cobain: Fragmentos de Uma Autobiografia’, eu fecho a minha trilogia sobre o músico líder do Nirvana. Já tinha lido ‘Mais Pesado Que o Céu’, do jornalista americano Charles Cross e recentemente li e escrevi aqui no blogo sobre ‘Come As You Are – A Biografia do Nirvana’, de outro jornalista americano, Michael Azerrad. Existem outros livros sobre a banda e o músico, mas foram esses livros que sempre quis ler.

‘Fragmentos’ é do jornalista brasileiro Marcelo Orozco e foi lançada em 2002. O livro é interessante porque propõe revelar , por meio das letras, melodias e forma de interpretação de Cobain, os passos do músico até o fatídico 5 de abril de 1994, data do suicídio de Kurt. Obviamente que essa visão não é apenas de Marcelo, porque os outros autores também perceberam as pistas deixadas por Cobain, mas o jornalista não se limita a reescrever o que já foi dito e tece seus comentários sobre a obra de Cobain. E faz isso com lucidez e inteligência.

Cada capítulo do livro é um disco, no qual Orozco apresenta as circunstâncias da gravação do álbum, algumas curiosidades, para logo depois esmiuçar letra por letra do disco. O legal é que ele coloca a letra em inglês e depois sua tradução, analisando a alma de Cobain por meio dos versos. Legal também, pelo menos para mim, porque eu adoro ler letras e agora tenho todas da banda. No capítulo chamado ‘Extras’, o leitor vai encontrar as letras de faixas que saíram apenas em compactos ou em gravações mais obscuras, além de letras de músicas de compositores que Cobain era fã e que o Nirvana fez covers. Essas escolhas também refletem a personalidade de Cobain e seus ideais artísticos.

Acho que o nome do livro já dá a ideia de que não é completamente possível revelar tudo sobre o homem e artista Kurt Cobain, ainda mais um homem tão conturbado e muitas vezes paradoxal. O que se pode fazer é reunir esses fragmentos (sua arte) para tentar montar um perfil psicológico mais próximo da verdade, digamos. Marcelo Orozco se mostrou capaz de acrescentar informação sem a pretensão de dar a última palavra.