O grão da voz

Não é sempre que encontro biografias tão reveladoras quanto ‘Come As You Are – A História do Nirvana’. Claro, eu já li biografias excelentes, mas quase sempre de personagens que não falaram diretamente com o entrevistador, seja porque já estavam mortos ou porque eram biografias não autorizados ou mesmo porque o próprio personagem resolveu não responder ele mesmo determinadas questões.

Neste livro do jornalista Michael Azerrad, que foi lançado em 1994, temos o próprio Kurt Cobain abrindo sua alma para um dos poucos profissionais da área no qual ele tinha confiança. E ao longo da leitura percebemos os motivos que fizeram Kurt odiar a imprensa. Na época que o Nirvana estava no auge eu já gostava da banda, mas não tinha noção de muito mais do que saber da existência de algumas canções. Eu não sabia das drogas, da sua dor de estômago, da sua infância na cidade madeireira de Aberdeen, estado de Washigton etc etc. Todos os cenários que compuseram o homem Kurt Cobain e que o levaram a criar o Nirvana.

Com depoimentos também muito reveladores de Chris Novoselic (baixo) e Dave Grohl (bateria), além de empresários, produtores, pai e mãe de Kurt Cobain e uma infinidade de personagens, ‘Come As You Are’ sem dúvida foi uma das biografias mais tocantes e profundas que li.

Azerrad nos conta não somente a formação do Nirvana e do homem / artista Kurt Cobain, mas faz uma análise da indústria musical e da própria mídia, que por sinal mostrou-se preconceituosa, mentirosa e burra, como muitas vezes é. Gigantes como a Vanity Fair fizeram muito feio e quem ler a biografia saberá o motivo.

Após a leitura, eu que já era um grande fã da banda, me tornei um admirador maior do homem e do artista Kurt Cobain, porque apesar de não ser um anjo, era realmente uma pessoa boa e que não suportava o mal que as pessoas infligiam às outras sem razão. Kurt sofria com isso, sofria com sua dor excruciante de estômago e sofria por ter atingido um estrelato que não queria, apesar de obviamente fazer uma música que pretendia ser ouvida por muitos. Com esse texto tão sincero podemos entender os motivos que levaram Kurt a se drogar e no final das contas…cometer suicídio, no dia 8 de abril de 1994.

‘O grão da voz’ do título refere-se a uma expressão utilizada pelo semiólogo Roland Barthes que é encontrada em poucos seres humanos. Nos fala sobre uma voz que revela a alma humana, sentimentos que não conseguimos exprimir e que nos tocam profundamente. Acho que Cobain tinha esse dom.

O som do livro

A obra de Azerrad vale também pelas preciosas dicas de álbuns. Até agora escutei dois, como a coletânea do selo Sub Pop, o ‘Sub Pop 200’. No disco você encontra as bandas que começaram a história do grunge, como Soudgarden e Mudhoney, além do próprio Nirvana, é claro.

 

Outro disco excelente citado na biografia é ‘The Winding Sheet’, primeiro disco solo de Mark Lanegan, ex-vocalista do Screaming Trees. Neste álbum podemos encontrar as participações de Kurt Cobain e Chris Novoselic. Este é o álbum da linda ‘Where Did You Sleep Last Night’, que o Nirvana tocou em seu acústico, em 1994.

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