Um vinho bom. Um filme bom. Um livro ruim.

Resolvi juntar um vinho, um filme e um livro porque os três têm em comum o sexo nesse texto. Especificamente, apenas o vinho não é parte direta de um fato envolvendo o tema. Mas como todos sabem e como afirma o ditado espanhol: “Vinho e amor, nus têm mais sabor”. Então, vamos direto ao ponto.

Foto: Sandro Caldas

Eu nunca tinha experimentado a uva shiraz e faz tempo que esse desejo ronda o meu paladar. Eis que fui convidado por minha prima, que trouxe do Chile o ‘Trio’, um vinho de corte que mistura as uvas cabernet sauvignon, cabernet franc e shiraz. Olha, esse ménage à trois caiu muito bem em minha boca. O vinho é bem estruturado, como se diz, concentrado, encorpado, macio, e sua fusão com penne com camarão foi interessante. Um vinho que me deixou feliz. Recomendo, sem dúvida! A estreia com a shiraz não podia ter sido melhor.

 

 

Nas buscas por filmes que acabam não chegando no mercado brasileiro, como acho que é o caso aqui, encontrei o ótimo ‘Shortbus’ (2006), do diretor e roteirista John Cameron Mitchell. O filme conta a história da terapeuta sexual Sofia, vivida pela música e atriz Sook-Yin Lee, que torna-se amiga de uma casal de homossexuais masculinos logo após confessar para os dois, durante uma sessão na qual ela deveria ser a conselheira, que nunca teve um orgasmo.

Jamie (PJ DeBoy) e James (Paul Dawson) resolvem levar a mais nova amiga a um local chamado Shortbus. Lá, ela encontra de tudo. O sexo no ambiente não é proibido e existe uma sala onde as pessoas fazem sexo, como em um clube de swing (lá podem entrar solteiros). Sofia conhece novas pessoas, também com problemas sexuais, que aos poucos vão ajudá-la a descobrir do que ela realmente precisa se libertar para chegar ao orgasmo que sempre fingiu.

Uma terapeuta sexual que nunca atingiu o orgasmo!

O filme é muito bem dirigido e escrito e possui uma abordagem sem frescuras sobre o sexo, aliás, como deve ser. Por isso mesmo, as cenas de sexo explícito no filme não soam forçadas ou apelativas. Sim, o longa possui diversas cenas de sexo explícito. Mitchell disse que as colocou porque considera o sexo algo natural (e é mesmo!). Acho que o próprio filme não seria tão bom se essas cenas não fossem inclusas. Mitchell fez um filme maduro e ousado. Eu adorei!

‘Três’ é o terceiro romance da italiana Melissa Panarello e conta a história de um triângulo amoroso formado por Larissa, Gunther e George. No livro, Melissa tenta nos mostrar que o amor é mais do que apenas o encontro entre duas pessoas e que é possível amar mais de um ser humano ao mesmo tempo. Sim, pelo menos ela contribui de alguma forma para acabarmos com o pensamento antiquado de que só é possível amar e desejar uma pessoa de cada vez.

Porém, Panarello ainda não me convenceu como escritora. Eu não consegui me aproximar dos personagens e me envolver com a trama. Achei os protagonistas chatos, sem consistência, sem profundidade, a despeito das digressões sobre o caráter dos três, que vez ou outra Panarello enxerta no livro. O erotismo contido no romance também é pouco envolvente ou bem descrito e me soou muitas vezes forçado. Sempre me interessei por romances onde o erotismo é forte. Não é uma questão de tentar se excitar com a obra, mas de ter um autor que escreva bem sobre o assunto e que nos enriqueça com uma narrativa bem construída. Não encontrei isso em ‘Três’.

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