Kurt Cobain : Retrato de uma Ausência

Ouvi o Nirvana pela primeira vez em 1991. A música ‘Come as you are’ passava na rádio Transamérica e me apresentou a uma das mais importantes bandas de rock que já surgiram. Me apresentou, também, a um dos mais importantes letristas daquela geração, embora eu não soubesse disso ainda. A partir dessa audição me tornei um fã da banda e com o passar do tempo fui escutando tudo do Nirvana e há alguns anos li a excelente biografia de Cobain, ‘Mais pesado que o céu’, do jornalista Charles R. Cross. Não tinha visto nenhum filme sobre a vida de Kurt ainda, apenas um documentário ruim do qual nem lembro o nome.

Isso mudou quando tive o deleite de ver ‘Kurt Cobain : Retrato de uma Ausência’ (Kurt Cobain : About a Son – 2006), dirigido por AJ Schnack e roteirizado por Wyatt Troll, a partir do livro do jornalista Michael Azerrad, ‘Come as you are: A históra do Nirvana’, considerado o melhor livro sobre a banda e o movimento grunge.

Michael Azerrad – que é o único jornalista que Kurt confiava – conversou com o líder do Nirvana durante cerca de um ano, entre 92 e 93, o que resultou em 25 horas de gravações. O documentário exibe imagens da cidade onde Kurt nasceu, Aberdeen, além de mostrar outros locais pelos quais ele passou, como Olympia, até a chegada em Seattle. Sempre com a voz de fundo de Cobain contando desde sua infância feliz até os oito anos de idade, suas influências musicais (artistas como David Bowie, Iggy Pop, R.E.M. e Queen fazem parte da trilha), como conheceu os colegas de banda, Krist Novoselic (baixista) e Dave Grohl (baterista), até os problemas com o estrelato e a imprensa (que ele odiava).

Considerado o melhor relato sobre a era grunge

Acho que este filme, justamente porque Michael foi o único jornalista que Kurt confiou (e isso ele deixa claro no início da produção), torna o documentário tão especial, tão confessional. Ouvir Kurt falar de sua vida, suas influências culturais, seus pais desajustados, sua preocupações como ser humano, me fez ainda mais admirar esse jovem que se suicidou em 1994, aos 27 anos, em sua própria casa.

O cineasta AJ Schnack e o jornalista Michael Azerrad, que já trabalhou nas revistas Rolling Stones e Spin

Ouso dizer que seu suicídio foi um assassinato simbólico, já que o mundo o empurrou para o abismo. Será que estou tirando sua culpa pelo fato? Estou tirando a responsabilidade que tinha sobre sua vida, ele que já tinha Frances, sua filha, e não queria repetir a relação que tinha com os pais? Talvez, é difícil dizer. Mas, por mais triste que possa parecer, era ele o único dono de seu templo e podia fazer o que quisesse com ele. Fez e nunca prejudicou ninguém.

‘Kurt Cobain – Retrato de uma Ausência’ merece ser visto mesmo por aqueles que não gostavam da banda. É um ser humano muito inteligente, sensível, falando sobre o mundo que o rodeou e o mundo no qual todos vivemos. Um dos melhores documentários que vi sobre um músico, sem dúvida.

Neste link do you tube você pode ver o documentário na íntegra, mas apenas para quem tem fluência em inglês, já que não possui legenda. De qualquer forma, o filme não é difícil de encontrar.

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2 pensamentos sobre “Kurt Cobain : Retrato de uma Ausência

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