‘The Brown Bunny’ e o sexo oral de Chloë Sevigny

Sim, por vezes eu cheguei a achar ‘The Brown Bunny’ (2003) chato, mas fui percebendo algo de interessante neste filme escrito, dirigido e estrelado por Vincent Gallo e que conta com a participação (digamos, muito especial) de Chloë Sevigny, que foi indicada ao Oscar como atriz coadjuvante em ‘Meninos não choram’ (1999). Enfatizei a participação dela, na época com 28 anos, porque neste filme ela protagoniza uma cena de sexo oral explícito. Inclusive, a tal cena, andei pesquisando, fez com que a agência Philip Morris resolvesse não representar mais a atriz. E não vou mentir para vocês que a princípio o motivo que me levou a ver o longa foi esta polêmica cena. A cena seria feita por Kirsten Dunst, que abandonou o projeto.

O filme conta a história de Bud Clay, um piloto de motocicletas que resolve fazer uma viagem de New Hampshire até a Califórnia para ver sua namorada, Daisy (Sevigny). Notamos desde o princípio da projeção que a angústia cerca a face de Bud e ele vive quase como um robô, fazendo apenas o necessário para manter-se como um ser humano que come, toma banho e trabalha, mas falta-lhe o ar, a sua respiração é curta e sôfrega.

Aos poucos vamos percebendo que Bud busca algo que já não o pertence e que sua angústia se deve ao sentimento de culpa. Uma das cenas mais marcantes do filme é quando ele vai a uma pet shop e pergunta quanto tempo de vida tem o coelho marrom, animal de estimação de Daisy. Outra cena que parece gratuita, mas não é, e a cena de sexo oral. Ela ilustra porque Bud carrega tanta culpa. Não posso dizer mais, senão pode distorcer a percepção de cada um sobre o filme e sobre esta cena em particular. Sim, outra cena (que eu achei linda, por sinal) é quando ele beija uma loira solitária sentada em uma mesa na rua. Outro momento bastante significativo do estado de sua alma e poético.

A cena protagonizada por Sevigny, que na época era namorada de Gallo

O diretor escolheu desfocar algumas cenas e utilizar uma fotografia granulada, além de planos solitários das estradas vistos de dentro do furgão que Bud dirige. As escolhas do diretor é que me fizeram, a princípio, também me sentir angustiado. Aos poucos fui percebendo isso e me aproximando do filme e do sofrimento do protagonista.

É aquele tipo de filme que nem todos vão gostar ou mesmo vão odiar (mas acho que isso acontece com qualquer filme, não é?). E é por isso que admiro tanto Chloë Sevigny. Uma atriz que é conhecida por fazer papéis nos quais realmente acredita e não apenas pela visibilidade ou dinheiro. Se você já viu ‘Dogville’, ‘Kids’, ‘Alma gêmeas’, ‘Zodíaco’ ou ‘Melinda e Melinda’, para citar uns bem conhecidos, deve ter esbarrado com esta linda e talentosa atriz. Uma das minhas prediletas, sem dúvida!

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s