Brincando de seduzir (Beautiful girls)

Existem filmes que você toma conhecimento de forma casual e que ao vê-lo pergunta-se: como não assisti a esse filme antes? Fazendo minhas buscas sobre a carreira de Natalie Portman descobri que aos 15 anos, em 1996, ela fez o papel de Marty, uma garota de 13 anos, nesse delicioso ‘Brincando de seduzir’ (Beautiful Girls). Embora eu ache que dentro dos meus valores o filme ainda é arcaico em alguns temas, ainda assim é uma produção bonita, com boas atuações e uma direção feliz de Ted Demme. E porque eu digo arcaico? Porque insiste em afirmar que devemos encontrar um único amor para a vida toda. Claro que isso faz parte da nossa existência e muitas pessoas encontram, mas essa aspiração, que faz parte do dogma do amor romântico, não é verdade para a maioria das pessoas. Consequência: frustração. Apesar disso, gostei do filme como já afirmado.

O longa conta a história de Willie Conway (Timothy Hutton), um músico que decide voltar para a pequena cidade de Knight Ridge para reencontrar os amigos e repensar sua vida profissional, já que tocar piano não dá dinheiro – e ele está próximo a aceitar um emprego como vendedor -, e decidir se continua com sua atual namorada Tracy Stover (Annabeth Gish).

Quando chega à sua casa, onde moram seu pai e seu irmão Bobby Conway (David Arquette), ele encontra sua vizinha de 13 anos, Marty (Portman). São suas conversas com a inteligente Marty que fazem Willie se reencontrar, perceber que ainda há algo belo para se viver e que é somente isso que quer da vida: encontrar algo belo, como ele mesmo diz. Percebemos que a relação entre os dois tem uma tensão sexual e Marty chega a sugerir que Willie espere mais cinco anos para os dois poderem viver como um casal. Vemos que ele tem interesse pela garota, mas em um tipo de filme como esse, o personagem de Timothy (um trintão) não poderia ficar com uma pré-adolescente. Então é Marty e sua perspicácia sobre a vida, apesar de sua juventude, quem basicamente desperta Willie para o essencial.

Mas não é só Marty quem ajuda Willie a se (re) encontrar. Andera (Uma Thurman), prima do dono do bar onde os amigos se reúnem, serve como a voz mais madura a alertar que amar é ter alguém para ler o jornal aos domingos, ouvir boa música juntos etc etc. Para ganhá-la, o homem precisa apenas dizer: “boa noite, querida”. Ou seja, a mulher em busca do seu eterno príncipe encantado. Outra coisa que, para mim, soa bem boba e ultrapassada. Andera e Marty, portanto, são as belas garotas que são a voz da consciência adormecida de Willie.

Timothy Hutton e Natalie Portman: Não é à toa que Lolita, de Nabokov, é citado no filme

Dessa forma, Willie destoa da cidade, dos seus amigos que continuam retirando a neve das estradas, do seu pai que ainda sente a morte de sua esposa, da imutabilidade desse lugar. Willie quer mais e para isso teve que voltar para sua cidade natal e repensar a vida. Tomou suas decisões, mas tenho certeza que ele sabe que tudo que ele pode ser e já conquistou não seria possível se ele não fosse parte de Knight Ridge. Podemos ganhar o mundo, mas é impossível arrancar as raízes. A mãe dele já não está mais aqui para dar conselhos, mas a cidade (útero) continua no mesmo lugar.

O bom elenco ainda conta com Matt Dillon, Noah Emmerich, Michael Rapaport, Lauren Holly, Mira Sorvino e Rosie O’Donnell.

Informação de pouca relevância: AGORA FALTAM APENAS DOIS FILMES PARA EU VER TODOS DE NATALIE PORTMAN

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