O fim do R.E.M. como banda

Mike Mills, Michael Stipe e Peter Buck

É com atraso que escrevo esse texto, mas não poderia deixar de falar sobre o fim do R.E.M, já que ela é até hoje minha banda predileta. O grupo anunciou seu término nesta quarta-feira (21), em seu site oficial, depois de 31 anos de existência. Até onde eu li não se sabe se os músicos continuarão com algum tipo de trabalho ligado à música. Bill Berry, o baterista original, que saiu em 1997, vive tranquilo com sua família e não mais se envolveu com algum tipo de atividade musical, além de uma participação em um show da sua ex-banda.

Achei algumas declarações dos integrantes sobre a despedida do grupo. Segundo o baixista Mike Mills, “tomamos a decisão juntos, amigavelmente e com os melhores interesses no coração de cada um. Parece ser a hora certa.” O vocalista Michael Stipe escreveu: “Eu espero que os fãs entendam que não foi uma decisão fácil. Tudo, no entanto, tem seu fim. Um homem sábio já disse que o talento de frequentar festas é saber a hora de ir embora.”

Bom, esse texto é uma homenagem à banda, onde revelo a importância do R.E.M. em minha vida e para o mundo da música, seus melhores discos e músicas boas em discos que eu considero regulares. No entanto, não há um disco do R.E.M. que eu diga que seja ruim (ou melhor, há um, e falo sobre ele quando comento a discografia da banda). Não é porque sou um grande fã, mas porque eu ouvi e tenho todos os discos do R.E.M e na minha concepção a banda sempre manteve uma digna regularidade e só lançava material quando seus integrantes estavam certos de que era algo decente (a não ser por esse deslize que comento lá embaixo).

O início para mim

Quem ama música e tem uma banda (ou mais) como referência sabe da importância desse

Berry, Mills, Stipe e Buck recebendo o Grammy em 1992

artista para sua vida. A primeira música que ouvi do R.E.M. foi ‘Losing My Religion’: foi paixão à primeira audição. Mas somente quatro anos depois, em 1995, fui ver o excelente clipe e ouvir os dois álbuns da banda: ‘Out of Time’ (1991) (onde se encontra ‘Losing My Religion’) e ‘Automatic for The People’ (1992). Nesta época a paixão (aquela que um dia todo mundo sente e pode dilacerar) rondava minha mente e ‘Automatic For The People’ se tornou por alguns anos a trilha sonora de minha vida., especialmente a 4ª faixa, ‘Everybody Hurts’.

Então, embora eu tenha me apaixonado por ‘Losing My Religion’ em 1991, foi somente em 1995, com a audição desses dois discos, que o R.E.M. se tornou oficialmente a minha banda predileta.

A influência do R.E.M. e sua importância

No início das bandas de rock alternativo, como Violent Femmes, por exemplo, o R.E.M. se destacou porque seu primeiro álbum, ‘Murmur’ (1983), entrou no Top 40 da Billboard e inspirou muitas bandas. Entre as músicas de ‘Murmur’ está a primeira faixa, ‘Radio Free Europe’, que é de fundamental importância para o cenário indie, já que esta canção foi executado pela primeira vez em uma rádio universitária em 1981 e conseguiu grande êxito a despeito da má vontade das grandes rádios. E isso acontece até hoje, em qualquer parte do mundo, com o jabá e a repetição enfadonha de artistas pouco talentosos.

O R.E.M. furou esse bloqueio e inspirou muitas bandas da época por romper o obstáculo entre o rock mais comercial e o rock alternativo. Mas não só bandas dos anos 80 foram inspiradas pelo grupo. Artistas dos anos 90 foram tocados pela maneira como o grupo construía sua carreira sem se vender, mesmo que possamos notar, com o passar dos anos, certa repetição na maneira de construir algumas canções. Mas afirmo aqui que não é fácil lançar muitos discos sem se repetir de alguma forma, o que não significa baixa qualidade das músicas.

No início da carreira, ainda com Bill Berry na bateria

É fato que pelo menos duas das mais importantes bandas nascidas nos anos 90 foram influenciadas pelo R.E.M.: Radiohead e Nirvana. Tom Yorke, líder do Radiohead, disse uma vez que o EP ‘Chronic Twon’, lançado pelo R.E.M em 1982, foi um de seus discos de cabeceira. Kurt Cobain, líder do Nirvana, admirava a forma como o R.E.M. fazia boas canções, que eram ao mesmo tempo comerciais e inteligentes. Cobain e Michael Stipe se tornaram amigos mais tarde. E é sabido que o cenário grunge talvez não fosse o mesmo caso o R.E.M. não tivesse surgido. Mais recentemente, em março desse ano, Julian Casablancas, vocalista dos Strokes disse que a música ‘You’re So Right’ tem influência do R.E.M.

Resumindo: O R.E.M. influenciou diversas gerações, muitas bandas e continua influenciando até hoje. O lema punk ‘faça você mesmo’ misturado com músicas boas e letras inteligentes foram fundamentais para sedimentar um cenário pop-rock alternativo que não ficasse restrito ao ambiente underground. O chamado pós-punk agora podia ser chamado de rock alternativo. A música ‘Radio Free Europe’ deu o empurrão.

Discografia comentada

Aqui vou fazer um breve comentário sobre cada disco da banda. Os melhores discos, de acordo com meu julgamento, estão em laranja.

‘Chronic Town’ (1982). Este EP com 5 músicas já traz uma das marcas sonoras da banda: a mistura de garage rock e folk. Sim, é este o disco que esteve presente na cabeceira de Tom Yorke.

 

Murmur (1983). Tá tudo aqui: as boas letras, as boas melodias, a interpretação marcante de Stipe, as linhas de baixo e as vocalizações de Mike Mills, os riffs belos de Peter Buck. Um excelente disco de estreia.

 

Reckoning (1984). A música ‘So. Central Rain’ foi um grande hit nas rádios universitárias e sem dúvida essa é a faixa de destaque do álbum.

 

Fables of Reconstruction (1985). Este disco vendeu 300.000 cópias, fruto do crescente prestígio do R.E.M. No entanto, a banda ainda não tocava nas rádios comerciais e nem na MTV. A velha desculpa débil do som não convencional. E precisar ser convencional para ser bom? Diziam também que as letras de Stipe eram pouco compreensíveis! Enfim, acho que os destaques desse disco ficam por conta de ‘Driver 8’ e ‘Green Grow The Rushes’.

Life’s Rich Pageant (1986). Esse disco marca uma mudança na sonoridade do R.E.M., que até então era considerada uma banda difícil de ser ouvida. A mão do produtor Don Gehman trouxe o vocal de Stipe para frente e limpou um pouco o som da banda, tornando-o mais acessível e mais vendido que o seu antecessor. Embora contenha a bela ‘Fall On Me’, as rádios ainda não deram chance ao grupo.

Dead Letter Office (1987). Essa coletânea traz lados B, raridades e o EP ‘Chronic Town’.

 

 

Document (1987). Eu gosto muito desse disco, mesmo que não o ame por inteiro. O R.E.M. vinha se consolidando disco após disco e Michael Stipe disse em entrevista que agora a banda “tinha letras”, já que antes a melodia estava à frente das mensagens. É o disco que traz ‘It’s The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)’ e ‘The One I Love’.

Green (1989). Esse disco foi gravado com a banda já em outra gravadora, a Warner Bros. Foi a fase onde ela começou a fazer shows em estádios. Para mim, os destaques são ‘Orange Crush’ e ‘Pop Song 89’.

 

Out Of Time (1991). Acho que esse é o disco que levou o R.E.M. a outros ouvidos. É nitidamente diferente dos outros álbuns. O som está mais limpo, a banda está mais madura. É o disco que traz a excepcional ‘Losing My Religion’ com um clipe arrasador, um dos meus preferidos. Com certeza foi essa a música principal do álbum e que elevou a banda a outro patamar dentro da indústria. ‘Shiny Happy People’ traz a participação de Kate Pierson, do B-52’s.

Automatic For The People (1992). É o disco que mais gosto da banda. Tem um acento mais reflexivo, com excelentes melodias, letras e arranjos e uma sonoridade mais acústica. Alguns arranjos orquestrados foram conduzidos por John Paul Jones, do Led Zeppelin. Um disco lindo que traz, entre outros clássicos, ‘Everybody Hurts’.

Monster (1994).  A banda volta ao rock e com muita distorção.  Foi uma época complicada para o grupo, na qual os integrantes sofreram problemas de saúde. Bill Berry sofreu um aneurisma, Mike Mills retirou um tumor no intestino e Stipe foi operado para retirar uma hérnia. Antes disso, Kurt Cobain, comete suicídio. Ele e Stipe eram amigos e estavam planejando gravar juntos, mas Kurt decidiu tirar a própria vida. Courtney Love entregou ao grupo uma guitarra desenhada por Cobain e fabricada pela Fender sob medida. Com ela foi gravada a música ‘Let Me In’, escrita em homenagem ao músico. Gosto de baladas e em Monster podemos ouvir a bela ‘Strange Currencies’.

New Adventures in Hi-Fi (1996). Esse álbum foi gerido durante a turnê de Monster. Nesse período, o R.E.M. renovou com a Warner por 80 milhões de dólares. Um disco bom, mas que vendeu 1 milhão de cópias. Pouco, em relação aos outros três que chegaram a 4 milhões cada. Uma das músicas que mais gosto é ‘Bittersweet Me’, mas tem ‘Be Mine’, ‘The Wake-Up Bomb’ etc.

Up (1998). Bill Berry anuncia sua saída do R.E.M. e em ‘Up’ ele já não faz parte da banda. Um disco muito bom, com um R.E.M. que resolve utilizar experimentações eletrônicas. Infelizmente o álbum vendeu pouco, apenas 500 mil cópias, mas sem dúvida é muito bom. Tem ‘Lotus’, ‘Walk Unafraid’, ‘Suspicion’ e a linda ‘At My Most Beautiful’.

Reveal (2001). A banda resolve misturar tudo o que já fez: experimentações eletrônicas, acústicas etc. O resultado é um disco que traz o bom pop, com a qualidade de sempre do R.E.M. Sem dúvida o destaque é ‘Imitation Of Life’, mas o disco é bem mais: “The Lifting’, ‘All The Way To Reno’ e ‘I’ll Take The Rain’ são outras excelentes músicas.

In Time: The Best Of R.E.M 1988-2003 (2003). Uma ótima coletânea, que traz duas novas músicas: ‘Bad Day’ e ‘Animal’. O disco também possui um encarte com 40 páginas de texto de Peter Buck. Durante a turnê do álbum, Bill Berry foi convidado especial em uma das apresentações, onde tocou bateria em ‘Permanent Vacation’ e atuou como backing vocal em ‘Radio Free Europe’.

Around The Sun (2004). Como muitos artistas, o R.E.M foi influenciado pelo momento político delicado vivido pelos Estados Unidos após o ataque terrorista às Torres Gêmeas. O disco soa reflexivo e sombrio, porém é, para mim, o pior disco da banda. Peter Buck concordou comigo e disse que a banda não estava satisfeita com o material. Eu gosto da balada ‘Make It All Ok’ e só (ou talvez de uma outra que nem me lembre).

Accelerate (2008). Depois do fraco álbum anterior, a banda vem com um disco de rock básico, curto, com belas melodias e uma energia de começo de carreira. Para mim, um novo clássico do R.E.M. Um poderoso trio.

 

Collapse Into Now (2011). Queria que o último disco do R.E.M. também fosse mais um clássico. Claro, isso não acontece toda hora, e fiquei muito satisfeito quando ouvi o novo trabalho da banda e achei bom. Sinceramente eu gosto de todas as faixas, mas senti um ‘eu já ouvi isso’ em algumas músicas. É normal uma banda se repetir depois de muitas composições e isso não tirou a competência do álbum. ‘Oh My Heart’, ‘Alligator Aviator Autopilot Animatter’ e ‘Blue’ são músicas que adoro.

R.E.M. significa Rapid Eye Moviment (movimento rápido do olho), que é o estágio do sono no qual sonhamos. Como tudo na vida, o sonho também acaba, mas ele faz parte da realidade da pessoa e pode ser lembrado. O R.E.M. acabou como banda, como um meio desses artistas ganharem a vida, mas suas músicas poderão ser ouvidas a qualquer momento, estejamos acordados ou sonhando.

Um vinho bom. Um filme bom. Um livro ruim.

Resolvi juntar um vinho, um filme e um livro porque os três têm em comum o sexo nesse texto. Especificamente, apenas o vinho não é parte direta de um fato envolvendo o tema. Mas como todos sabem e como afirma o ditado espanhol: “Vinho e amor, nus têm mais sabor”. Então, vamos direto ao ponto.

Foto: Sandro Caldas

Eu nunca tinha experimentado a uva shiraz e faz tempo que esse desejo ronda o meu paladar. Eis que fui convidado por minha prima, que trouxe do Chile o ‘Trio’, um vinho de corte que mistura as uvas cabernet sauvignon, cabernet franc e shiraz. Olha, esse ménage à trois caiu muito bem em minha boca. O vinho é bem estruturado, como se diz, concentrado, encorpado, macio, e sua fusão com penne com camarão foi interessante. Um vinho que me deixou feliz. Recomendo, sem dúvida! A estreia com a shiraz não podia ter sido melhor.

 

 

Nas buscas por filmes que acabam não chegando no mercado brasileiro, como acho que é o caso aqui, encontrei o ótimo ‘Shortbus’ (2006), do diretor e roteirista John Cameron Mitchell. O filme conta a história da terapeuta sexual Sofia, vivida pela música e atriz Sook-Yin Lee, que torna-se amiga de uma casal de homossexuais masculinos logo após confessar para os dois, durante uma sessão na qual ela deveria ser a conselheira, que nunca teve um orgasmo.

Jamie (PJ DeBoy) e James (Paul Dawson) resolvem levar a mais nova amiga a um local chamado Shortbus. Lá, ela encontra de tudo. O sexo no ambiente não é proibido e existe uma sala onde as pessoas fazem sexo, como em um clube de swing (lá podem entrar solteiros). Sofia conhece novas pessoas, também com problemas sexuais, que aos poucos vão ajudá-la a descobrir do que ela realmente precisa se libertar para chegar ao orgasmo que sempre fingiu.

Uma terapeuta sexual que nunca atingiu o orgasmo!

O filme é muito bem dirigido e escrito e possui uma abordagem sem frescuras sobre o sexo, aliás, como deve ser. Por isso mesmo, as cenas de sexo explícito no filme não soam forçadas ou apelativas. Sim, o longa possui diversas cenas de sexo explícito. Mitchell disse que as colocou porque considera o sexo algo natural (e é mesmo!). Acho que o próprio filme não seria tão bom se essas cenas não fossem inclusas. Mitchell fez um filme maduro e ousado. Eu adorei!

‘Três’ é o terceiro romance da italiana Melissa Panarello e conta a história de um triângulo amoroso formado por Larissa, Gunther e George. No livro, Melissa tenta nos mostrar que o amor é mais do que apenas o encontro entre duas pessoas e que é possível amar mais de um ser humano ao mesmo tempo. Sim, pelo menos ela contribui de alguma forma para acabarmos com o pensamento antiquado de que só é possível amar e desejar uma pessoa de cada vez.

Porém, Panarello ainda não me convenceu como escritora. Eu não consegui me aproximar dos personagens e me envolver com a trama. Achei os protagonistas chatos, sem consistência, sem profundidade, a despeito das digressões sobre o caráter dos três, que vez ou outra Panarello enxerta no livro. O erotismo contido no romance também é pouco envolvente ou bem descrito e me soou muitas vezes forçado. Sempre me interessei por romances onde o erotismo é forte. Não é uma questão de tentar se excitar com a obra, mas de ter um autor que escreva bem sobre o assunto e que nos enriqueça com uma narrativa bem construída. Não encontrei isso em ‘Três’.

Ringer – Episódio Piloto

Desde que ‘Buffy – A Caça-Vampiros’ terminou em 2003, eu espero um grande filme estrelado por Sarah Michelle Gellar. Eu gosto muito dela e sempre torci para que, terminada a série criada por Joss Whedon, ela pudesse se destacar, já que a considero uma boa atriz. Infelizmente isso não aconteceu e o melhor filme que ela fez, na minha opinião, foi ‘Segunda Intenções’ (1999), quando ainda estava na pele de Buffy Summers.

Fiquei muito contente quando ‘Ringer’, série na qual Gellar protagoniza, estreou nos Estados Unidos no dia 13 de setembro. Como não há previsão de estreia no Brasil, impossível não recorrer à web para conferir logo. Foi o que fiz e suspirei aliviado, já que gostei do roteiro e achei esse episódio piloto interessante.

O show foi criado por Eric Charmelo e Nicole Snyder e de acordo com os realizadores foi concebido como um produto noir que explora as nuances da moralidade por meio da rivalidade entre duas irmãs gêmeas e utilizará o recurso de flashbacks para revelar o passado das duas personagens sob o ponto de vista de cada uma.

Sarah Michelle Gellar interpreta as irmãs Bridget e Siobhan. A primeira vive em um submundo no qual é stripper em um clube pertencente à máfia local, além de ser alcoólatra. Após presenciar um assassinato, Bridget se torna a principal testemunha contra um dos chefões. No entanto, por medo de ser assassinada, no dia do julgamento ela foge. Dessa forma o agente do FBI Victor Machado (Nestor Carbonell, de “Lost”), responsável pelo caso, começa sua busca para localizá-la. Bridget vai para a casa de sua irmã, Siobhan, que é casada com Andrew (Ioan Gruffudd, o doutor elástico de ‘O Quarteto Fantástico’). Porém, afastada da irmã por quase seis anos, Siobhan não conta a ninguém, nem mesmo ao marido, que possui uma irmã gêmea.

Parte do elenco de 'Ringer'

Convidada para um passeio de barco, Bridget adormece e quando acorda conclui, ao ver um frasco de remédios no chão da lancha, que Siobhan cometeu suicídio. Assim, assume a identidade da irmã, o que temporariamente pode salvá-la. De posse da nova identidade, Bridget vive algumas situações que a fazem perceber que a irmã tem mais segredos do que ela imagina e que a vida de Shiobhan está longe de ter sido um mar de rosas.

Li que a série ganhou o Critcs’ Choice Television Award, como uma as produções mais promissoras da nova temporada de séries dos Estados Unidos. No entanto, alguns críticos já afirmam que ‘Ringer’ não conseguirá manter o interesse do público por muito tempo. Acho que é cedo para falar qualquer coisa, mas gostei da trama e do episódio piloto. É esperar os próximos capítulos e torcer para que os roteiristas e diretores do programa consigam manter o público interessado nas duas irmãs. Eu torço por muitas temporadas e quero ver Sarah voltar ao topo.

 

 

A Serbian Film – Terror sem Limites

Impossível não se chocar com as inúmeras cenas grotescas de ‘A Serbian Filme – Terror sem Limites’. E aviso que não pode ser visto por qualquer um, mesmo! Se eu tiver que achar um motivo para falar bem do filme do diretor sérvio Srdjan Spasojevic, 35 anos, seria a intenção em denunciar a maldade humana e suas atrocidades, além de obviamente condenar e punir sem apelações essas ações ensandecidas e cruéis. Sob esse ponto e vista, ‘A Serbian Film’ pode funcionar, mas tenho certeza que muitos acharão exageradas as imagens filmadas por Spasojevic para passar sua mensagem.

Spasojevic disse que o filme possui um caráter “alegórico e político”. De acordo com o diretor, em entrevista ao site Último Segundo, ele e o roteirista Aleksandar Radivojevic pretendiam “fazer apenas uma crítica à sociedade e às atrocidades enfrentadas pela Sérvia em sua história recente”.

Srdjan Spasojevic

Acredito no diretor, acredito em sua proposta em fazer a crítica, que afinal de contas pode servir a qualquer sociedade, mas o excesso de violência em algumas cenas me embrulhou o estômago (mas EU decidi assistir ao filme!). Quando vi a cena que simula um estupro de um recém-nascido, me perguntei o que o diretor queria com isso. Na mesma entrevista, ele afirmou: “Considero muito, muito importante. É quase como dar um testemunho do que aconteceu comigo. Não fisicamente, mas do quão profundamente os sentimentos humanos podem ser violados – e colocar o público nesses lugares”.

Concordo que somos violados, até estuprados moralmente, e que a sociedade é hipócrita e violenta de muitas formas. Muitas vezes a violência psicológica é mais agressiva que a física. Tirando o fato de nos chocarmos em ver um recém-nascido ser violado, o horror que sentimos ao assistir esta cena (e outras) pode estar ligado ao fato de reconhecermos nossa própria violência e ao massacre que sabemos que acontece em todo o mundo, todos os dias.

O filme conta a história do ex-ator pornô, Milos, que já aposentado recebe a proposta de um diretor que pretende pagar muito dinheiro ao ator por considerá-lo um gênio e por afirmar que sua produção será revolucionária, uma verdadeira obra de arte. O ator aceita porque está prestes a ficar sem dinheiro e possui mulher e filho. No entanto, Milos se depara com tortura, pedofilia, necrofilia, mutilação, suicídio, etc, um verdadeiro show de horrores que muda a sua vida e a de sua família. O final do filme é trágico e nos faz pensar na quanto o ser humano pode ser hediondo. O nazismo, fato recente da nossa história, é uma prova da loucura humana.

O filme foi proibido na Espanha, Noruega e sofreu cortes da censura britânica. Acho que o longa não pode, sob qualquer tipo de alegação moral, familiar, por mais que choque determinado espectador, sofrer censura ou ser banido de um país. A Petrini Filmes, distribuidora do longa-metragem aqui no Brasil, anunciou que sua estreia está agendada para 16 de setembro, sem cortes. Para quem não sabe, o filme continua proibido de ser exibido no Rio de Janeiro e a distribuidora não comentou a ação cautelar do Ministério Público Federal em Belo Horizonte, que proibia a exibição do longa-metragem em todo o país. No entanto, o Ministério da Justiça concedeu classificação indicativa que permite a exibição da produção.

Srdjan Todorovic (Milos) e Jelena Gavrilovic (Marija, esposa de Milos)

O espectador é quem deve decidir se quer ver o filme ou não, e se vê-lo, emitir sua opinião favorável ou não à obra. Apesar das alegações de juízes, políticos e outros grupos, ‘A Serbian Filme’ é cultura e não deve ser massacrada sem antes ser vista. Muitas pessoas estão fazendo isso. O ex-prefeito do Rio de Janeiro, César Maia, disse: “Não se viu o filme e nem precisava”. Acho esse tipo de atitude estúpida.

Particularmente, me abalei com determinadas cenas (a do recém-nascido é a mais forte para mim. Robôs assumiram o lugar dos humanos em diversas cenas), parei o filme, respirei, continuei, e acho que podemos tirar a lição de que não devemos permitir atos como os vistos no longa, como já disse no início. Mas censurar, jamais! Se é um filme agora, pode ser um livro, um disco, uma peça de teatro, etc. Leiam sobre o filme, a intenção do diretor, vejam o trailer no you tube, cerquem-se de informação e decidam. Em nome da moral e bons costumes muitas pessoas foram assassinadas ao longo da história. Tenho medo de censura, sem dúvida!

O Homem do Futuro

Qual homem ou mulher neste planeta, caso fosse dada a oportunidade, não gostaria de voltar ao passado e consertar algum fato de sua vida? Talvez a simples palavra ‘desculpe’ mudasse toda a realidade subsequente de quem a pronunciasse. Porém, a realidade afetada não seria apenas a de uma pessoa, mas do mundo todo. ‘O Homem do Futuro’ fala de alguém que percebe que pode transformar a sua realidade voltando ao passado acidentalmente, mas descobre que há um preço a pagar.

A história escrita e dirigida por Cláudio Torres, filho de Fernanda Montenegro, tem como personagem central o brilhante físico João (Wagner Moura), que recebe o apelido de “Zero” após sofrer uma humilhante brincadeira durante uma festa da faculdade, em 1991. Uma das protagonistas dessa brincadeira, e grande amor de sua vida, é Helena (Alinne Moraes), uma estudante do segundo ano de Física. Passados 20 anos, João inventa uma nova forma de energia benéfica para o planeta. Ao entrar em sua máquina para testá-la, percebe que foi jogado de volta ao passado, exatamente no dia 22 de novembro de 1991, dia da humilhação. Então, ele se dá conta de que pode mudar o rumo das coisas e ficar com o grande amor da sua vida.

De volta a 2011 é um homem poderoso, milionário, dono de uma grande empresa. No entanto, todos a sua volta estão bem diferentes e sua interferência no passado criou um João muito menos digno do que aquele cientista infeliz: um professor universitário amargurado, sem mulher, sem filhos, e com apenas um único amigo, Panda (Fernando Ceylão).

Moura e Moraes na "época da faculdade"

O filme consegue concatenar de forma muito eficaz, divertida e emocionante, a intricada história que nos faz viajar no tempo algumas vezes, a ponto de termos três Joões e três belas interpretações de Moura (aliás, qual filme ele se sai mal?). Também temos um Ceylão eficiente e uma Alinne Moraes, além de linda, muito bem em seu papel. Entendemos com o desenrolar da história o motivo dela ter participado da humilhação contra “Zero” e também seu interesse romântico pelo estudante. Então, para quem pensa que aquela beldade jamais poderia se apaixonar por alguém gago e deslocado, fica a esperança para os simples mortais.

Outra coisa que adorei no filme foi sua trilha. ‘Its The End Of The World As We Know It (And I Feel Fine)’, do disco Document (1987), do R.E.M.; ‘Creep’, do disco Pablo Honey (1993), do Radiohead e ‘Tempo Perdido’, do disco Dois (1986), da Legião Urbana, são algumas das músicas que não estão ali à toa, têm tudo a ver com o personagem e a trama. Quem canta ‘Creep’ é o próprio Moura, que é vocalista da banda Sua Mãe. O ator também interpreta com Vanessa da Mata a música-título ‘O Homem do Futuro’.

Um ótimo filme!

Eliza e Christina

Ouvi recentemente dois álbuns de estreia de duas cantoras e resolvi comentar. A primeira é Eliza Doolittle, uma cantora de 23 anos, que nasceu em Londres, Inglaterra. E a segunda é Christna Perri, de 25 anos, da Filadélfia, Estados Unidos.

O meu coração balançou mais por Eliza. O disco tem ótimas músicas, boas letras (pesquisei, porque não sou fluente em inglês) e uma sonoridade pop-soul, que chegou até a me fazer lembrar Amy Winehouse. Engraçado é que há em uma música até o velho chiado do vinil. Obviamente isso não é novo, mas é só para lembrarmos que tem muita gente por aí que considera que os vinis reproduzem as músicas de maneira muito mais orgânica e que o seu indefectível chiado é utilizado nas músicas para dar um ar cult, digamos. Como vocês podem ver, a capa de Eliza remete até a algo mais pop, como katy Perry, mas não tem absolutamente nada a ver. Eu adorei ‘Rollerblades’ quando vi o clipe na TV e fui atrás do disco. Não me arrependi.

Faixas de ‘Eliza Doolittle’ (2010): 1 – Moneybox , 2 – Rollerblades, 3 – Go Home, 4 – Skinny Genes, 4 – Mr. Medicine, 5 – Missing, 6 – Back to Front, 6 – A Smokey Room, 7 – So High, 8 – Nobody, 9 – Pack Up 10 – Police Car e 11 – Empty Hand

Clipe de ‘Rollerblades’:

Já o álbum da cantora, compositora e ex-garçonete Christina Perri não me deixou tão feliz, embora não seja ruim. Até gostei de ‘Jar of Hearts’ e ‘Arms’, mas as minhas prediletas são ‘Bang Bang Bang’ e ‘Mine’. O problema do disco é que ele excita em momentos como ‘Bang Bang Bang’ e ‘Mine’, mas o álbum, no geral, é basicamente cordas e piano, o que o deixa pouco estusiasmante ou mesmo insosso. Além disso, as letras das baladas não são tão boas. Velho lenga-lenga amoroso sem muita novidade e vivacidade.

Faixas de ‘Lovestrong’ (2010): 1. Bluebird, 2. Arms, 3. Bang Bang Bang, 4. Distance, 5. Jar of Hearts, 6. Mine, 7. Interlude, 8. Penguin, 9. Miles, 10. The Lonely, 11. Sad Song e 12. Tragedy

Clipe de ‘Jar of Hearts’:

Não é fácil você ouvir um disco e gostar de todas as músicas. Isso não acontece com frequência. Com Eliza eu gostei de todas, e adoro quando isso acontece. Com Christina, infelizmente, a excitação durou duas ou três músicas. Mas o que não me arrebatou pode te levar ao céu e o que me empolgou pode te entediar. Ouçam, se houver oportunidade, e me digam.

Kurt Cobain : Retrato de uma Ausência

Ouvi o Nirvana pela primeira vez em 1991. A música ‘Come as you are’ passava na rádio Transamérica e me apresentou a uma das mais importantes bandas de rock que já surgiram. Me apresentou, também, a um dos mais importantes letristas daquela geração, embora eu não soubesse disso ainda. A partir dessa audição me tornei um fã da banda e com o passar do tempo fui escutando tudo do Nirvana e há alguns anos li a excelente biografia de Cobain, ‘Mais pesado que o céu’, do jornalista Charles R. Cross. Não tinha visto nenhum filme sobre a vida de Kurt ainda, apenas um documentário ruim do qual nem lembro o nome.

Isso mudou quando tive o deleite de ver ‘Kurt Cobain : Retrato de uma Ausência’ (Kurt Cobain : About a Son – 2006), dirigido por AJ Schnack e roteirizado por Wyatt Troll, a partir do livro do jornalista Michael Azerrad, ‘Come as you are: A históra do Nirvana’, considerado o melhor livro sobre a banda e o movimento grunge.

Michael Azerrad – que é o único jornalista que Kurt confiava – conversou com o líder do Nirvana durante cerca de um ano, entre 92 e 93, o que resultou em 25 horas de gravações. O documentário exibe imagens da cidade onde Kurt nasceu, Aberdeen, além de mostrar outros locais pelos quais ele passou, como Olympia, até a chegada em Seattle. Sempre com a voz de fundo de Cobain contando desde sua infância feliz até os oito anos de idade, suas influências musicais (artistas como David Bowie, Iggy Pop, R.E.M. e Queen fazem parte da trilha), como conheceu os colegas de banda, Krist Novoselic (baixista) e Dave Grohl (baterista), até os problemas com o estrelato e a imprensa (que ele odiava).

Considerado o melhor relato sobre a era grunge

Acho que este filme, justamente porque Michael foi o único jornalista que Kurt confiou (e isso ele deixa claro no início da produção), torna o documentário tão especial, tão confessional. Ouvir Kurt falar de sua vida, suas influências culturais, seus pais desajustados, sua preocupações como ser humano, me fez ainda mais admirar esse jovem que se suicidou em 1994, aos 27 anos, em sua própria casa.

O cineasta AJ Schnack e o jornalista Michael Azerrad, que já trabalhou nas revistas Rolling Stones e Spin

Ouso dizer que seu suicídio foi um assassinato simbólico, já que o mundo o empurrou para o abismo. Será que estou tirando sua culpa pelo fato? Estou tirando a responsabilidade que tinha sobre sua vida, ele que já tinha Frances, sua filha, e não queria repetir a relação que tinha com os pais? Talvez, é difícil dizer. Mas, por mais triste que possa parecer, era ele o único dono de seu templo e podia fazer o que quisesse com ele. Fez e nunca prejudicou ninguém.

‘Kurt Cobain – Retrato de uma Ausência’ merece ser visto mesmo por aqueles que não gostavam da banda. É um ser humano muito inteligente, sensível, falando sobre o mundo que o rodeou e o mundo no qual todos vivemos. Um dos melhores documentários que vi sobre um músico, sem dúvida.

Neste link do you tube você pode ver o documentário na íntegra, mas apenas para quem tem fluência em inglês, já que não possui legenda. De qualquer forma, o filme não é difícil de encontrar.

‘The Brown Bunny’ e o sexo oral de Chloë Sevigny

Sim, por vezes eu cheguei a achar ‘The Brown Bunny’ (2003) chato, mas fui percebendo algo de interessante neste filme escrito, dirigido e estrelado por Vincent Gallo e que conta com a participação (digamos, muito especial) de Chloë Sevigny, que foi indicada ao Oscar como atriz coadjuvante em ‘Meninos não choram’ (1999). Enfatizei a participação dela, na época com 28 anos, porque neste filme ela protagoniza uma cena de sexo oral explícito. Inclusive, a tal cena, andei pesquisando, fez com que a agência Philip Morris resolvesse não representar mais a atriz. E não vou mentir para vocês que a princípio o motivo que me levou a ver o longa foi esta polêmica cena. A cena seria feita por Kirsten Dunst, que abandonou o projeto.

O filme conta a história de Bud Clay, um piloto de motocicletas que resolve fazer uma viagem de New Hampshire até a Califórnia para ver sua namorada, Daisy (Sevigny). Notamos desde o princípio da projeção que a angústia cerca a face de Bud e ele vive quase como um robô, fazendo apenas o necessário para manter-se como um ser humano que come, toma banho e trabalha, mas falta-lhe o ar, a sua respiração é curta e sôfrega.

Aos poucos vamos percebendo que Bud busca algo que já não o pertence e que sua angústia se deve ao sentimento de culpa. Uma das cenas mais marcantes do filme é quando ele vai a uma pet shop e pergunta quanto tempo de vida tem o coelho marrom, animal de estimação de Daisy. Outra cena que parece gratuita, mas não é, e a cena de sexo oral. Ela ilustra porque Bud carrega tanta culpa. Não posso dizer mais, senão pode distorcer a percepção de cada um sobre o filme e sobre esta cena em particular. Sim, outra cena (que eu achei linda, por sinal) é quando ele beija uma loira solitária sentada em uma mesa na rua. Outro momento bastante significativo do estado de sua alma e poético.

A cena protagonizada por Sevigny, que na época era namorada de Gallo

O diretor escolheu desfocar algumas cenas e utilizar uma fotografia granulada, além de planos solitários das estradas vistos de dentro do furgão que Bud dirige. As escolhas do diretor é que me fizeram, a princípio, também me sentir angustiado. Aos poucos fui percebendo isso e me aproximando do filme e do sofrimento do protagonista.

É aquele tipo de filme que nem todos vão gostar ou mesmo vão odiar (mas acho que isso acontece com qualquer filme, não é?). E é por isso que admiro tanto Chloë Sevigny. Uma atriz que é conhecida por fazer papéis nos quais realmente acredita e não apenas pela visibilidade ou dinheiro. Se você já viu ‘Dogville’, ‘Kids’, ‘Alma gêmeas’, ‘Zodíaco’ ou ‘Melinda e Melinda’, para citar uns bem conhecidos, deve ter esbarrado com esta linda e talentosa atriz. Uma das minhas prediletas, sem dúvida!

Cem escovadas antes de dormir

Quem leu o relato autobiográfico (embora a impressão é de que houve floreamentos) da escritora Melissa Panarello, na época com 18 anos, quando escreveu ‘Cem escovadas antes de ir pra cama” (2003), vai achar esta produção hispano-italiana bem contida, ou melhor, bem católica.

Melissa, que nasceu na Catânia no dia 3 de dezembro de 1985, conta as suas aventuras sexuais entre os 15 e 16 anos de idade. As descrições envolvem orgias, envolvimento com outras mulheres e experiências sadomasoquistas. No entanto, a culpa sempre envolvia a autora, talvez porque tenha nascido na Itália com todos os seus valores conservadores. Aliás, grande parte da população mundial possui a mente recheada de moralismo judaico-cristã.

No filme ‘Cem escovadas antes de dormir’ (Melissa P. – 2005), dirigido por Luca Guadagnino, nos deparamos com uma adolescente que decide torna-se senhora dos seus desejos na tentativa de vingar-se de Daniele, rapaz da escola onde estuda e pelo qual é apaixonada. Ele a humilha, a faz sofrer, tira sua virgindade de forma nada gentil. Dessa forma, numa atitude feminista rala e contra o que o sexo deve proporcionar (prazer, felicidade), Melissa resolve seduzir os homens e embarcar em aventuras sexuais até arriscadas. Facilmente garotas são estupradas e mortas ao ir a encontros com homens desconhecidos ou mesmo aqueles com quem possui certa convivência. No entanto, Melissa decide nunca mais sofrer, mas acaba vítima de sua própria vingança: sofre. Suas atitudes, embora confiram certo prazer sexual, sempre acabam em culpa, em lágrimas. O longa omite muitas passagens mais intensas contidas no relato literário de Melissa P., além de ser interpretado por Maria Valverde de forma insossa, mesmo ela sendo linda.

Maria Valverde

Penso que Melissa até queria se libertar das amarras morais e viver sua sexualidade de forma mais livre. Mas o motivo pela qual decide viver suas aventuras é pueril, iniciada por vingança contra ‘os homens que fazem as mulheres sofrerem’. Melissa também é fruto dos valores incutidos há milênios. O filme mostra essa adolescente revoltada contra as atitudes masculinas e utiliza o sexo para se libertar, mas o sexo mais parece um autoflagelo. Não devia ser (dessa forma, eu gostaria muito mais do livro e do filme). Assim como o livro, achei a produção cinematográfica muito fraca. O diretor podia transformar o longa, mesmo baseado na frágil obra da escritora, em algo mais interessante, se não fosse fiel ao livro, mas apenas o utilizasse como base somente.

Capa de 'Três'

Oito anos após o lançamento de “Cem Escovadas”, Melissa P. lança o livro “Três”, que conta a história de um amor a três. Espero que a autora, já com 25 anos, se saia melhor nesta ficção. Talvez ela tenha entendido mais a repressão imposta à sexualidade e tenha mais coragem, digamos, em dizer o que realmente quer e sente, sem a justificativa da vingança e da culpa. A minha opinião é que o livro será um sucesso, porque estamos lidando com sexo escrito por uma linda jovem italiana, assim como foi o outro. Sexo, juventude e beleza sempre atraem.

Assista abaixo ao trailer de “Cem escovadas antes de dormir”:

Marina de La Riva e Pitty

A primeira vez que ouvi Marina de La Riva foi quando escutei o disco de Lulu Santos ‘Acústico MTV 2’, onde eles interpretam a música ‘Adivinha o quê’. Achei a voz dela bonita e a imagem que fiz da cantora quase correspondeu à persona real quando vi o clipe extraído da apresentação. Achei Marina linda. Tirando este fato genético fui atrás da carreira para saber quantos discos tinha gravado, ver entrevistas etc. Marina, que é uma carioca de 38 anos, só gravou este disco homônimo, em 2007.

A cantora interpreta músicas cubanas e brasileiras com um acento que imprime personalidade e sua voz é boa, mas não a considero uma grande intérprete ainda. Obviamente ela é corajosa, mas achei o álbum sem calor, sem a sensualidade que ouvi na interpretação com Lulu Santos. Pedro Alexandre Sanches, da revista Carta Capital, um dos críticos mais temidos pelos músicos, disse que o disco foi um dos melhores de 2007.

Os avós paternos e o pai, cubanos, fugiram para Miami durante a revolução, em 1959

Considerei o disco bom, com excelentes músicos, e merecedor dos ouvidos de quem ama música, mas, para mim, ainda falta pegada (talvez essa palavra seja mais adequada ao rock, mas é dessa forma que sinto).

Faixas:

01 – Tin tin Deo, 02 – Central Constancia, 03 – Ta-hi! (Pra Você Gostar de Mim), 04 – Drume Negrita, 05 – Ojos Malignos, 06 – Sonho Meu, 07 – Mariposa, 08 – La Caminadora, 09 – Adeus, Maria Fulô/La Mulata Chancletera, 10 – Tengo un Nuevo Amor, 11 – Juramento, 12 – Pensamiento, 13 – Si Llego a Besarte e 14 – Te Amaré y Después

E por falar em pegada, ouvi recentemente o registro ao vivo de Pitty, ‘Trupe Delirante No Circo Voador’ (2011), e achei bom. O álbum foi gravado em show feito no Circo Voador, no Rio de Janeiro, em 18 de dezembro de 2010. O repertório de 17 faixas inclui a inédita ‘Comum de Dois’ e um cover de ‘Se você pensa’ (1968), de Erasmo e Roberto Carlos. Acho que a cantora baiana consegue imprimir energia às suas interpretações, além de possuir uma boa banda. Neste registro, Pitty não inclui nenhuma música do segundo disco, ‘Anacrônico’ (2005), deixando o repertório basicamente por conta de ‘Admirável Chip Novo’ (2003) e ‘Chiaroscuro’ (2009).

Eu gosto de Pitty como cantora e acho que ela segura muito bem a onda no palco, como visto no clipe ‘Se você pensa’. Tenho certeza, também, que ela se tornou uma espécie de porta-voz da sua geração justamente porque critica os problemas sociais de forma direta, crua, em suas letras. No entanto, para mim, muitas vezes o discurso da cantora é ralo, como nos versos da música ‘Desconstruindo Amélia’.

Sem dúvida, a baiana é boa de palco!

O que posso dizer é que o disco é bom e sempre ouço os trabalhos dela, mas a artista não figura entre minhas referências ou artistas prediletos do rock, infelizmente.

Faixas:

01 – 8 Ou 80
02 – Fracasso
03 – Dsconstruindo Amélia
04 – Água Contida
05 – Emboscada
06 – Trapézio
07 – Rato Na Roda
08 – Só Agora
09 – Medo
10 – Comum De Dois
11 – Só De Passagem
12 – Pra Onde Ir
13 – Senhor Das Moscas
14 – O Lobo
15 – Se Você Pensa
16 – Todos Estão Mudos
17 – Me Adora