Garota Fantástica, de Drew Barrymore

Garota Fantástica (Whip It! – 2009) marca a estreia na direção da atriz e produtora Drew Barrymore, na época com 35 anos. Como atriz, Drew é um dos rostos que mais tenho prazer em ver atuar, embora não seja uma das atrizes que mais me encham os olhos quanto ao talento dramático. Acho que ela se saiu bem atrás das câmeras, contando uma história simples que gira em torno da velha bifurcação: seguimos as imposições dos outros, da família, para agradá-los ou somos nós mesmos e pagamos pelas consequências de nossas escolhas e futura felicidade?

Ellen Page (adoro!) faz o papel de Bliss Cavendar, uma garota texana de 17 anos que, por imposição da mãe, vai disputar um concurso de beleza na pequena cidade onde vive. No entanto, este concurso acontecerá no mesmo dia da final do campeonato de “roller derby”, esporte no qual a moça descobre ter talento e se transforma na estrela do time, além de modificar sua vida e interação com o mundo, como acontece quando renascemos.

É um filme simpático, amigável, sem pretensões. Mas como é o primeiro filme de Drew Barrymore talvez você note certo esquematismo, como se ela não quisesse arriscar. Normal. E não sei se todo mundo vai perceber isso. Eu gostei, me diverti, e não me senti enganado. Recomendo!

Drew no papel de diretora

A trilha sonora é muito boa e traz, como vocês podem ver abaixo, de Ramones a Dolly Parton! E uma curiosidade. Apesar de não se encontrar na trilha final, que foi às lojas, podemos ouvir, em um momento do filme, a música ‘Domingo no Parque’, em gravação original de Gilberto Gil. Bem legal!

1. Pot Kettle Black
2. Sheena Is a Punk Rocker – Ramones
3. What´s the Attitude
4. Bang on – The Breeders
5. Dead Sound – The Raveonettes
6. Blue Turning Grey – Clap Your Hands Say Yeah
7. Your Arms Around Me
8. Learnalilgivinanlovin
9. Boys Wanna Be Her – Peaches
10. Jolene – Dolly Parton
11. Caught Up in You – 38 SPECIAL
12. Never My Love – Har Mar Superstar
13. Black Gloves
14. Crown of Age
15. High Times
16. Unattainable – Little Joy
17. Lollipop
18. Doing It Right – The Go! Team
19. Breeze – Apollo Sunshine

O pessimismo feliz de ‘Melancolia’

Lars von Trier é um cineasta pessimista, mas por trás dessa capa cinzenta reside um pessimismo feliz. Ou seja, apesar das tristezas dos personagens e insatisfações com a vida, o belo filme ‘Melancolia’ nos traz um recado simples, direto, e que se coaduna, sob meu ponto de visa, com o filme ‘A árvore da vida’, de Terrence Malick: o mais importante em nossa existência é amar.

O início do filme é uma sucessão de imagens significativas para os personagens, seus derradeiros momentos na Terra. Mas não são imagens aleatórias, mas fatos importantes que definem suas personalidades. Essas imagens nos são apresentadas por uma câmera extremamente lenta, que transforma esses momentos vistos em belíssimos quadros, tristes quadros. Inclusive a fatal colisão do nosso planeta com o planeta que dá nome ao filme.

Logo após esse início, ou prólogo, surge uma direção nervosa, com a câmera em movimentos que denunciam as tensões presentes no longa que é dividido em duas partes que levam os nomes das irmãs: Justine (Kirsten Dunst) e Claire (Charlotte Gainsbourg).

Justine nos é mostrada como uma mulher inicialmente alegre, mas seu verdadeiro estado de espírito é descortinado aos poucos durante a festa de casamento com Michael (Alexander Skarsgård), que é oferecida pelo rico marido de Claire, John (Kiefer Sutherland). O clima tenso e pessimista rodeia a todos, como se aquele matrimônio fosse apenas uma tentativa para que a felicidade de Justine surgisse à força. Mas vemos sua comovente tentativa em aceitar aquela situação, seu desespero por saber que não será feliz. E é brilhante o desempenho de Dunst, a riqueza de sua atuação.

Kiefer Sutherland, Lars von Trier, Kirsten Dunst e Charlotte Gainsbourg

Na segunda parte somos imersos na vida de Claire, que vive em sua mansão com John e seu filho. Claire preocupa-se com a passagem de Melancolia, que segundo alguns cientistas não atingirá a Terra, e ao mesmo tempo cuida de Justine, hospedada em sua casa. Mesmo com as tranquilizadoras palavras de seu marido, Claire continua pesquisando sobre o assunto. Vemos, também, que sua vida não é das mais felizes mesmo desfrutando de todo conforto material e que, aparentemente, sua existência seja oposta a da sua irmã. No entanto, ao olharmos para Claire sabemos que é insatisfeita e que vive oprimida.

Nas palavras de Justine a Terra é má e não vale a pena viver nesse planeta. Melancolia, que obviamente também é o estado psicológico dos personagens, se aproxima cada vez mais e o fim da humanidade é certo. O que observei é que Lars von Trier – que também escreveu o roteiro – nos fala da frágil condição dos humanos, que cientes da vulnerabilidade e da impotência, não podem senão reunir as pessoas que mais amam e esperar a extinção. Como disse no primeiro parágrafo, a mensagem é que amemos, que sejamos mais tolerantes, que mudemos nossa forma de viver nesse planeta frágil, mas belo. Para um pessimista, a mensagem conforta.

‘Chico’, o novo disco

Demorei muito para emitir uma opinião sobre o novo disco de Chico Buarque porque parece que é quase impossível escrever uma opinião desfavorável sobre um artista que ainda contribui de forma consistente para essa arte que tanto amo. Obviamente isto é um erro, já que ninguém é infalível ou tem que ser genial o tempo todo. Mas o fato é que considero Chico um dos letristas e músicos mais brilhantes do mundo. Então, preferi ir com calma.

Ouvi ‘Chico’ (nome do álbum) umas oito vezes. Como disse para alguns amigos, o disco não me arrebatou, mas à medida que fui ouvindo suas dez canções meu interesse e apreço cresceram. Chico é mestre da palavra e a cada audição percebia nuanças diferentes nas letras. Outro aspecto inquestionável do disco é sua sofisticação harmônica e as execuções belíssimas dos excelentes músicos. Ou seja, apesar do disco não ter nenhuma música que tenha me deixado excitado, esse é o termo, o novo trabalho de Chico é bom.

Eu destacaria a belíssima ‘Sinhá’, um samba feito em parceria com João Bosco, que conta a história do escravo que é acusado de ver a sinhá nua. A canção e a letra são lindas. Outra faixa que me pegou foi o blues (ou quase blues) “Essa pequena”, na qual Chico narra um amor entre uma jovem de cabelos cor de abóbora e um senhor já grisalho (ele mesmo?). O disco conta com as participações do sambista Wilson das Neves na música “Sou eu” (parceria de Chico com Ivan Lins em 2009) e de Thaís Gulin na valsa “Se eu soubesse”. Chico participou, em abril, do segundo trabalho de Gulin, com quem namora.

Não queiramos um Chico dos anos 70 porque essa época já passou. ‘Apesar de você’, ‘Olhos nos olhos’, ‘Todo sentimento’, ‘Meu caro amigo’, ‘O que será (À flor da pele), ‘Construção’, Samba de Orly’ são, entre tantas outras, músicas que me arrebataram quando as ouvi. Não há nesse novo disco nada tão forte, pelo menos para mim, mas Chico Buarque continua construindo belas canções.

Músicas:

1. Querido Diário
2. Rubato
3. Essa pequena
4. Tipo um baião
5. Se eu soubesse (Participação especial: Thais Gulin)
6. Sem você nº 2
7. Sou eu (Participação especial: Wilson das Neves)
8. Nina
9. Barafunda
10. Sinhá (Participação especial: João Bosco)

Quem quiser ouvir as músicas sendo executadas em estúdio, além de um documentário, fotos e algumas coisas mais, acesse chicobastidores.com.br.

A importância da Vida

Há alguns dias eu coloquei esse pequeno texto no facebook:

Eu balizo minha vida pelo Sol. Eu vejo as vaidades tolas, as guerras inúteis e tantas outras idiotices humanas. Bom, em um 1 bilhão de anos o Sol vai aumentar sua massa em 10%, elevando a temperatura da Terra em mais 38 graus. Em mais alguns bilhões de anos, ele se tornará uma Gigante Vermelha (aumentando seu tamanho em mais de 100 vezes), engolindo planetas como Vênus e Mercúrio e a própria Terra (mas não há consenso entre os cientistas sobre a “deglutição” do nosso planeta). Tudo isso vai acontecer em 5 bilhões de anos. O fato é que devemos aproveitar as maravilhas da nossa vida olhando para o essencial, porque a Terra será inabitável de qualquer maneira, mesmo que sobreviva à morte do Sol. Espero que encontremos um jeito, mas o ser humano precisa mudar seus valores!

Dito isto, ‘A árvore da vida’, de Terrence Malick, é um dos filmes mais importantes que já vi. Ele reuniu em imagens e texto o que há muito faz parte das minhas reflexões. Ou seja, seremos extintos em algum momento da história, seja por nossa sede de consumo que destruirá a Terra (Gaiarsa alertou sobre isso), seja por alguma catástrofe natural. O que nos resta, então? Penso que a resposta está no amor. Nada mais. E a mensagem do filme é ecumênica, não pertence a nenhuma doutrina religiosa específica porque pertence a todas: ser bom, praticar a bondade, amar as pessoas, dar valor às pequenas coisas da vida como um raio de Sol, como o próprio Malick, que também escreveu o roteiro, fala.

O filme nos apresenta uma típica família dos anos 50 que vive em uma pequena cidade do Texas. Brad Pitt faz o pai trabalhador, austero, autoritário, embora carinhoso em muitos momentos, dedicado à família. E Jessica Chastain faz a mãe protetora e exclusivamente devotada ao marido e aos filhos. Hunter McCracken (Jack O’Brien), Laramie Eppler (R.L) e Tye Sheridan (Steve) são os filhos do casal. Em um determinado momento da projeção, R.L, aos 19 anos, morre, o que promove o turbilhão de reflexões do filme.

O longa não possui uma história com começo, meio e fim, mas uma sucessão sem ordem de lembranças dos personagens, principalmente o de Jack (Sean Penn faz o personagem adulto), cuja ligação com R.L me emocionou, pois lembrei das brincadeiras com meu próprio irmão. Aliás, a dinâmica familiar, suas alegrias e dificuldades, brigas, são mostradas de forma muito sensível, com uma câmera que é quase sempre o olhar de Jack quando adolescente.

Para mim, o filme pode ou não ter a presença de Deus. Apesar dos personagens questionarem sua existência e obviamente nunca serem respondidos, acho que as belíssimas imagens do espaço, como planetas e gigantescas massas gasosas, além da própria natureza do planeta Terra (rochedos, oceanos), podem sugerir, para quem acredita, a presença de um ser superior. Ao mesmo tempo, a indiferença da natureza, que devora a tudo, também pode sugerir que não há Deus, mas apenas somos criaturas sortudas, vivendo em um minúsculo ponto no espaço à merce de um meteoro, por exemplo. Por isso, a morte de R.L. no fim das contas, talvez não signifique nada para a natureza, embora seja de uma dor excruciante para os pais. Onde está Deus neste momento? Ninguém sabe. Clamamos por um ser que não existe ou nos ouve e tem seus motivos para não responder? Ou responde e não somos capazes de entender?

McCracken, Pitt, Sheridan, Chastain e Eppler

O filme me tocou profundamente porque sou uma pessoa extremamente preocupada com a família, com sua segurança e também com o destino da humanidade. Me coloquei no lugar dos pais que perdem um filho porque tenho uma filha linda. Vi as imagens do Sol e suas explosões de milhões de graus e pensei nas sociedades humanas, nos caminhos tortos pelos quais andamos. O ser humano não pode ser medido pelo valor material que possui, mas pela sua capacidade de amar, de ser amigo, de ser verdadeiramente altruísta. Em um livro que li (e que citei aqui no Vinil), Frei Beto disse que o importante não é ter fé em Jesus Cristo (e eu digo até mesmo em Deus), mas a fé Dele. Ou seja, devemos cultivar e praticar todos os valores essenciais para que se viva em um mundo identificado muito mais com um abraço sincero do que com um novo celular ou um carro. Sob esse ponto de vista um ateu confesso pode ser uma pessoa extremamente espiritualizada.

Malick sabe disso e mostra em diálogos e imagens que a beleza da vida está justamente em amar e apreciar o que está a nossa volta, o que já é um milgre, para usar uma palavra ligada às religiões. Um dos personagens fala: “Ame os outros”, ou algo assim. Existe sentimento mais importante? Eu confesso que chorei uns trinta minutos ou mais durante a projeção. Não me lembro de ter chorado tanto em um filme no cinema. Lágrimas pelo futuro da humanidade, lágrimas pela cegueira (como Saramago também alertou) das pessoas, das sociedades, dos governantes bélicos…Mudemos!

A importância da Vida, com letra maiúscula mesmo, reside no óbvio!

Saindo do cinema

No livro “Como a geração sexo-drogas-e-rock’n’roll salvou Hollywood”, Martin Scorsese disse que filmes como Star Wars prejudicaram o cinema que pretende promover algum tipo de reflexão, já que graças ao filme de George Lucas (e alguns outros como ‘Tubarão’), o cinema atual em Hollywood é feito de cortes rápidos e ação o tempo todo, sem muito o que dizer. Obviamente surgiram cineastas maravilhosos como Tarantino e mesmo filmes como Harry Potter, com sua narrativa fantástica e cheia de ação, nos apresentam momentos cinematográficos lindos (falo de texto também, claro).

Para mim, Terrence Malick fez um dos filmes mais sensíveis que já vi

Mas o fato é que filmes como o de Malick ainda não são engolidos com facilidade pela maioria das pessoas que frequenta os multiplexes. Filmes mais contemplativos são tidos como chatos. Óbvio que existem filmes chatíssimos, mas eu percebo que o público foge do raciocínio porque prefere algo já digerido.

Um casal que estava ao meu lado soltou um sonoro “filme chato” com vinte minutos de projeção e desceu as escadas bufando. Meu ponto de vista é que eles perderam um dos melhores filmes do ano.

Elton John: A Biografia

Desde adolescente gosto muito das músicas de Reginald Dwight. ‘Nikita’ e ‘Sacrifice’ estão presas em minha memória afetiva. Sim, Reg Dwight é ninguém menos que Elton John, um dos compositores que mais adoro. E essa sua biografia, embora não seja oficial (Elton leu e gostou), é escrita com excelência por David Buckley que, entre outras atividades, é colaborador da respeitável revista musical Mojo. O livro tem 336 páginas e é dividido em três partes e 16 capítulos: O Nascimento de um Superstar 1947-1974, O Colapso de um Superstar 1974-1987 e Encontrando Elton John 1987-2006.

É óbvio que em um livro sobre um artista com Elton, o leitor vai encontrar a alma conturbada de um ser humano, que, nesse caso, teve dificuldade em assumir que era homossexual, que foi dependente de cocaína e alcoólatra, que é bom cantor e compositor mas não acreditava nisso e que possui baixa automestima até os dias de hoje. Ou seja, altos e baixo de uma personalidade altamente criativa que foi engolida pela fama e ressurgiu algumas vezes para provar que ainda era excelente no que fazia.

Eu tenho a impressão de que há poucos que não gostem de pelo menos uma música de Elton John, mesmo que ele não seja um dos seus artisas prediletos. É claro que durante essa viagem pela vida de Elton, eu ouvi novamente alguns de seus discos. São muitas músicas clássicas, melodias memoráveis, prova de seu talento. Talento este que ganhou tônus com as belas letras de seu parceiro de 35 anos trabalho, Bernie Taupin. Sem dúvida uma das duplas mais prolíficas do pop.

Elton John e Bernie Taupin: dupla genial!

Não vou depurar cada parte do livro, apenas indicar esta obra para quem ama música e admira o trabalho de Elton John. Há muitas curiosidades no livro relacionadas a outros grandes nomes da música, como David Bowie e John Lennon.

Gary Osborne, um dos letristas de Elton, escreveu o prólogo e afirmou que este foi o melhor livro já escrito sobre o músico.

Prediletos:

Se eu tivesse que escolher cinco álbuns de EJ, ficaria com ‘Elton John’ (1970), ‘Goodbye Yellow Brick Road’ (1973), ‘Captain Fantastic And The Brown Dirt Cowboy’ (1975), ‘Songs From The West Coast’ (2001) e ‘Peachtree Road’ (2004) + a música ‘The One’, do álbum  ‘The One’ (1992) e ‘Tiny Dancer’, do disco Madman Across the Water’ (1971).

Escuta Só: Do Clássico ao Pop

Geralmente eu leio primeiro o livro e depois comento aqui. Mas fiquei muito entusiasmado com esse ‘Escuta Só: Do Clássico ao Pop’, do crítico musical Alex Ross. Ele já trabalhou no New York Times e atualmente atua na New Yorker. É um cara que admiro muito. Por isso, quando me deparei com este livro, não tive escolha: era levar ou levar. E ótimo que ele não estava caro.

Ross avisa: “Esqueceram de definir a música como algo que vale a pena amar”. Confesso que não vivo sem música. Ela sempre esteve presente em minha vida, servindo como uma paleta de cores que transforma minhas experiências pessoais em algo muito mais intenso. Gosto também da ideia dele de que “sempre quis falar de música clássica como se fosse popular e de música popular como se fosse clássica”.

O livro é uma coletânea de 20 artigos, a maioria nasceu na seção que ele escreve para a New Yorker desde 1996. Ross e sua escrita refinada e palatável passeia de Kurt Cobain a Bach, de Scubert a Bob Dylan.

Alex Ross (Foto: divulgação)

Tenho certeza que não estou sendo leviano em indicar este livro sem mesmo antes lê-lo e quando terminar essa viagem, sem dúvida alguma, sairei mais rico musicalmente. Outra coisa interessante da obra é que ela traz o endereço de um site onde os leitores têm acesso às músicas discutidas no livro, além de um glossário de termos musicais.

Quem ama música e quiser dar uma “conversada” com o livro em alguma livraria, tenho a impressão que é pouco provável não levá-lo para casa.

Capitão América, Fé e Ciência

Dos últimos filmes de super-heróis que vi, este Capitão América: O Primeiro Vingador foi o mais fraco. No entanto, é um bom filme. Não sou um grande fã de Chris Evans (Capitão América), mas achei que ele segurou bem o papel do patriótico Steve Rogers, que futuramente se transformará no supersoldado.

Achei as cenas de ação dirigidas por Joe Johnston muito previsíveis e sem emoção, além da motivação do vilão Caveira Vermelha (Red Skull), interpretado por Hugo Weaving, ser chata. O Caveira pretende destruir grandes metrópoles e transformar o mundo em um planeta sem fronteiras. O que me veio à mente se isso é exatamente ruim vindo de um vilão nazista. No entanto, é o Capitão América que não quer um planeta sem bandeiras. Juro que isso me soou meio estranho, mas dentro de um personagem que é fruto do ufanismo americano, tem lá seu sentido. Outra coisa que não gostei foi o final do longa. Não vou contar, mas é bobo e broxante, para ser chulo.

O que mais gostei em Capitão América foram seus efeitos visuais (parte deles, diga-se). A transformação de Chris Evans em um sujeito esquálido, com o corpo do Salsicha do Scooby Doo, é primorosa. Sabemos que o cara é fortão e quase acreditamos que ele emagreceu para encarnar o herói em sua fase asmática. Outra coisa que adorei foram os cenários que reproduzem os anos 40, mesmo que não represetem fielmente o período, afinal estamos em uma história em quadrinhos. Ver Howard Stark, o bilhante cientista e pai do futuro Homem de Ferro, projetar a roupa do Capitão América é outra coisa legal. E foi emocionante, pelo menos para mim que sou um fã de Indiana Jones, ver uma referência ao Caçadores da Arca Perdida logo no início da projeção.

Capitão América tropeça em vários pontos, mas ainda assim não é um filme ruim. Acerta em outros. É um bom filme e só.

Agora quero indicar pra vocês um livro muito interessante que me fez aprender sobre religião e ciência, além de me dar dicas de outros livros que me interessei bastante. Falo de ‘Conversa sobre a fé e a ciência’, um bate-papo entre Frei Betto, que também é conhecido por seu ativismo político (um de seus livros, ‘Batismo de Sangue’, inspirou um filme homônimo), e Marcelo Gleiser, um físico, que apesar de morar e lecionar nos Estados Unidos, é muito conhecido no Brasil, tanto pelos seus livros ou porque vez ou outra aparece em programas explicando algum fato relacionado ao universo. A conversa é mediada por Waldemar Falcão, que além de astrólogo é escritor e músico.

Já deu pra sentir que o livro só poderia dar em um papo inteligente. E o que mais me deixou alegre, posso usar essa palavra, é que houve muito mais concordâncias entre os principais personagens (Betto e Gleiser), apesar de suas diferentes formações intelectuais. O que pra mim ficou claro é que ciência e fé não são exatamente antagônicas e que nenhuma religião ou teoria científica pode responder, ainda, os principais mistérios que rondam o universo e os principais questionamentos e inquietações humanas.

Frei Betto e Marcelo Gleiser

Eu fico com uma das frases ditas por Frei Betto, que não me recordo se é dele ou se foi apenas uma citação: “O importante não é ter fé em Jesus, mas ter a fé de Jesus”. O mais importante é seguir os principais preceitos religiosos, indepentende de religião. Mesmo o ateu convicto pode ser altamente espiritualizado porque a bondade, a solidariedade, a compaixão, são valores que transcendem qualquer instituição.