A corrosão do ciúme

Adoro estudar sobre a sexualidade humana e durante esses últimos anos tenho lido muito sobre esse assunto tão vasto, tão importante para a humanidade, e que ainda é tabu apesar da facilidade de encontrarmos o sexo nos meios de comunicação, principalmente na internet. Sexo não é somente um ato entre duas ou mais pessoas, mas é também política, religião, filosofia, antropologia, sociologia, psicologia etc. Ele permeia diversas áreas do conhecimento humano e para mim, aceitando uma ideia de Doutora Regina Navarro Lins, sexo é uma questão de saúde pública. Por conta de tantos entraves impostos à sexualidade humana, somos reprimidos e disso surgem diversos problemas, como agressão à mulher e as disfunções sexuais.

Bom, escolhi falar sobre o ciúme. Ele, ao contrário do que muitos pensam, não reflete amor, mas uma forma ditarorial de controlar o outro. Desde o menor ciúme ao patológico, ele, na minha opinião, nunca é bom. E de onde vem o ciúme?

Já ouvi e li muita gente dizer que o ciúme faz parte do ser humano, que quem não sente ciúme não pode dizer que gosta ‘de verdade’ da pessoa. Como algo baseado no medo da perda e no egoísmo pode ser bom e refletir afeto sincero? Não pode.

O ciúme, acredito nisso, nasce em nós quando, ainda crianças, não temos ningúem além de nossa mãe para nos proteger. A criança sente-se desamparada sem sua proteção e o ciúme aparece como instinto de sobrevivência. No entando, quando crescemos não abandonamos o ciúme infantil e levamos esse sentimento para os nossos relacionamentos. O medo da perda do parceiro faz com que nos tornemos possessivos, como um carcereiro vigiando seu prisioneiro para que ele não fuja. Temos medo da pessoa amada se interessar por outra, receio de ser abandonado por aquele que – acreditamos nisso – é o único capaz de nos fazer feliz. Caso nos deixe, nosso mundo desabará e nada mais fará sentido. Impotentes, achamos que nunca mais encontraremos ninguém capaz de nos alegrar a vida. Depositamos nossa felicidadade em um ser que não tem obrigação de suprir nossas expectativas, mas cobramos isso o tempo todo.

Cara feia

Quando, seja homem ou mulher, nosso companheiro (namorado (a), marido, esposa, ficante, sei lá) faz uma cara feia por ciúme, não nos dá uma tristeza imediata que pode até estragar o resto do nosso dia? É como se nós estivéssemos cometendo um erro por vestir uma roupa mais atraente ou ligar para uma ex-namorada que não deixou de ser uma amiga. Já paramos para pensar porque achamos essas atitudes corretas e parte ‘normal’ de um relacionamento? Para mim, não há nada normal nisso, apenas nossa insegurança gritando.

Se cada um tivesse a certeza que é interessante o suficiente para não ser trocado facilmente, as coisas seriam mais fáceis. O seu companheiro ou companheira está com você por livre e espontâneo tesão e não por uma lei imposta pelo Estado. E se, hipoteticamente, o seu amor trocar você por outra ou outro, não ache que é incapaz de continuar sem esta pessoa e não repita o mantra ‘não posso viver sem fulano (a)’. Claro que pode. E muitas pessoas se supreendem em saber que podem. O massacre cultural que afirma que temos obrigatoriamente de ter alguém para sermos felizes destroi a possibilidade de vivermos bem de forma solitária, o que não quer dizer que deixaremos de viver experiências amorosas satisfatórias.

Longe do ciúme

Eu tenho certeza que todos já sentiram ciúme, em menor ou maior grau e que, talvez, alguns dos seus relacionamentos terminaram por conta desse sentimento. É muito mais fácil tecer análises tentando desvendar as origens do ciúme e os seus malefícios do que não senti-lo.

No entanto, eu acredito que o primeiro passo para deixarmos de sentir ciúme ou mesmo sentir de forma menos destrututiva é refletir sobre o tema. É pensar que não dependemos de ninguém para nos sentirmos felizes. Isso não é autossuficiência exagerada ou desprezo pelas pessoas, mas nossa saudável individualidade, no melhor sentido da palavra. O ciúme é ditatorial e faz mal para quem sente e para quem é alvo dele. Ciúme e amor não combinam. Cada pessoa precisa ter a liberdade para ser quem é e o outro precisa entender que propriedade privada combina com questões agrárias e não com afetividade humana. É um processo de aprendizagem e reflexão constante onde avaliamos nossa dependência em relação ao outro, mas creio que é possível pra qualquer um elevar sua autoestima e viver longe do ciúme.

Algumas frases sobre o ciúme:

“Se o ciúme é sinal de amor, como querem alguns, é o mesmo que a febre no enfermo. Ela é sinal de que ele vive, porém uma vida enfermica, maldisposta. ”
(Miguel de Cervantes)

“Para o ciumento, é verdade a mentira que ele vê. ” (Calderón de la Barca)

“Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce. ”
(William Shakespeare)

“O ciumento passa a vida tentando descobrir o segredo que irá destruir a sua felicidade. ” (Oxenstien)

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2 pensamentos sobre “A corrosão do ciúme

  1. Sem dúvida, Guibi! Estraga qualquer relação, seja com namorado (a), pai, irmã, amigo, etc. Ciúme é sinônimo de baixa autoestima e dependência do outro.
    Visitarei o blog, sim!!!!
    Beijão!

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