A banda mais falada da cidade

Foto: divulgação

Eu esperei um pouquinho para comentar sobre a febre que se tornou o vídeo da música ‘Oração’, do grupo curitibano ‘A banda mais bonita da cidade’. O clipe já foi acessado por mais de dois milhões de pessoas no You Tube desde que foi postado no dia 17 de maio. A canção foi composta pelo amigo da banda, Leo Fressato, que aparece no clipe segurando um gravador.

Ao ouvir a canção, pensei apenas tratar-se de uma música pop legal, que gruda, em um clipe de atmosfera meio hippie-bossa nova, onde todos cantam felizes dentro de um casarão em Rio Negro (PR). De fato contagia, mas apenas é o começo. A sequência lógica de tanta atenção por parte dos internautas é a atenção da mídia. Que já está acontecendo, com entrevistas e apresentações em programas.

O grupo, até o lançamento do clipe, tinha feito apenas cinco apresentações. Depois do sucesso já possuem shows agendados em São Paulo e Curitiba. Ainda não possuem disco gravado, mas algumas pessoas (eu, ainda não) já baixaram uma coletânea pirata com dez músicas. No You Tube é fácil achar outros clipes do quinteto, como ‘Boa Pessoa’ e “Canção pra não voltar’. A banda é isso: pop-rock-MPB. Ainda não fez minha cabeça, mas torço para que um bom disco venha, porque sempre quero ouvir bons álbuns.

Foto: reprodução

Explosões como ‘Oração’ refletem o momento viral no qual vivemos, onde a pressa faz parte do pacote. Uma banda muito acessada na web garante seu espaço na mídia tradicional, começa a fazer mais shows, grava disco e talvez seja indicada a algum prêmio de Banda Revelação.

O bom desse momento é a possiblidade de conhecer um número enorme de bandas nacionais e internacionais, sem o aval das gravadoras, além da liberdade que o artista possui para mostrar sua produção. E como em qualquer momento da história da música, nos deparamos com muita bobagem. Mas, sem querer ser cínico ou chato, aprendi a ter cautela. O melhor de ‘A banda mais bonita da cidade’ ainda estar por vir, se vier. Eu espero que sim. Espero que sobreviva à febre para ter força para se firmar no mercado e contribua para a já grandiosa música brasileira.

A Banda Mais Bonita da Cidade
Vinícius Nisi, 27 anos – teclado e diretor do clipe ‘Oração’
Uyara Torrente, 24 – vocalista
Luís Bourscheidt, 29 – baterista
Rodrigo Lemos, 28 – guitarrista
Diego Plaça, 24 – baixista

Curiosidades:

O nome da banda foi tirado do livro do escritor Charles Bukowski, ‘A mulher mais linda da cidade’.

Os integrantes são assumidamente fãs da banda dos Estados Unidos, ‘Beirut’. Confesso que também sou. Notem a semelhança entre os clipes ‘Oração’ e ‘Nantes’ (2007).

‘The Ringer’, com Sarah Michelle Gellar

Em 2003, minha série predileta chagava ao fim. Acompanhei ‘Buffy, a caça-vampiros’ durante sete anos. Uma série que eu ainda acho uma das melhores já feitas e onde conheci a atriz Sarah Michelle Gellar. Me apaixonei pela atriz e pela excelência do texto do programa. Sarah ganhou Emmys, prêmio máximo da televisão americana, por sua atuação como Buffy Summers.

No entanto, depois do término da série, Sarah não emplacou como boa atriz que é, fazendo filmes de medianos a péssimos, como ‘Simplesmente Irresistível’, ‘Scooby Doo’ 1 e 2, ‘O retorno’, ‘Harvard Man’, entre outras bombas que nem chegaram ao Brasil. Para mim, o melhor filme dela até agora foi ‘Segundas Intenções’, com Reese Witherspoon. Filme a filme fui me decepcionando com as escolhas profissionais de Sarah.

Foto: Eric Liebowitz/The CW

Há muito tempo já passava pela minha cabeça a vontade de vê-la novamente em uma série boa, que a deixe em evidência, mas por conta de um produto de qualidade. Foi aí que me deparei com a notícia de que Sarah vai estrelar ‘The Ringer’, seriado que será exibido pelo canal americano CW, e que tem previsão de estreia para outubro nos Estados Unidos.

De acordo com divulgação feita, o programa narra a história de uma mulher que testemunha um assassinato e decide esconder-se na identidade de sua irmã gêmea. O que ela não sabia é que a irmã – que julga ser perfeita – não é nada do que parece.

Agora, pelo menos para mim, é torcer para que a série seja boa e que desperte em mim o desejo de continuar vendo.

‘Wasting Light’, do Foo Fighters

Em 1994, depois de contribuir com a história do rock com discos excelentes como ‘In Utero’ (1993) e um dos melhores acústicos que já vi e ouvi, o ‘MTV Unplugged in New York’ (1994), e de deixar um clássico indiscutível, o ‘Nevermind’ (1991), Kurt Cobain comete suicídio. O líder, letrista e principal compositor do trio, desfaz o grupo com sua morte. O que seria dos outros dois integrantes, o baterista Dave Grohl e do baixista Krist Novoselic? Este último fundou as bandas Eyes Adrift, Sweet 75 e é o atual baixista do grupo punk Flipper. Conheci apenas a Sweet 75 e não gostei.

No entanto, Dave Grohl, um ano após a morte de Cobain, montou o Foo Fighters em 1995 e lançou o primeiro disco da banda, de mesmo nome. Pelo menos três de seus álbuns, ‘There Is Nothing Left to Lose’ (1999), ‘One by One’ (2002) e ‘Echoes, Silence, Patience & Grace’ (2007) ganharam o Grammy por “melhor álbum de rock”. Sou um fã desde o primeiro álbum e adoro muitas músicas, como ‘Everlong’, Big Me’, ‘My Hero’, ‘Learn To Fly’…etc, etc!

Eis que depois de quatro anos, eles lançam o excelente ‘Wasting Light’ (2011). Adorei todas as faixas e até agora foi o melhor disco de rock que ouvi este ano. Grohl canta bem, toca bem e é um excelente banda leader. As músicas têm peso, mas são muito melodiosas, completamente assobiáveis, assim como eram as músicas do Nirvana. Grohl disse certa vez que aprendeu a tocar guitarra com Cobain. Aprendeu e se transformou em um ótimo compositor. Todos da banda são excelentes, por sinal: Chris Shiflett (guitarra), Nate Mendel (baixo), Taylor Hawkins (bateria) e Pat Smear (guitarra).

Bom, abaixo vocês conferem o vídeo da banda tocando todas as faixas do disco em estúdio e podem concordar ou não comigo a respeito desse novo trabalho. São elas: 1-“Bridge Burning”, 2-“Rope”, 3-“Dear Rosemary”, 4-“White Limo”, 5-“Arlandria”, 6-“These Days”, 7-“Back Forth”, 8-“A Matter Of Time”, 9-“Miss The Misery”, 10-“I Should Have Known”, 11-“Walk”.

O julgamento de Paris

Ver um filme delicioso, divertido, e ainda ser sobre vinhos, sempre é bom. Juntam-se duas das minhas paixões. Foi o que aconteceu com ‘O julgamento de Paris'(2008). Para vocês entenderem melhor essa história, selecionei o trecho abaixo do texto de Marcos Pivetta, do Jornal do Vinho.

Quem se interessa por vinho certamente já ouviu falar ou leu algo sobre o Julgamento de Paris, aquela degustação às cegas organizada em 24 de maio de 1976 na capital francesa pelo crítico inglês (e então comerciante de vinhos) Steven Spurrier que deu fama e reconhecimento internacional aos tintos e brancos da Califórnia. O resultado genérico da prova é bem conhecido: os tintos e brancos americanos, elaborados respectivamente com as castas Cabernet Sauvignon e Chardonnay, bateram os melhores Bordeaux tintos (em geral um blend de Cabernet Sauvignon e Merlot e, às vezes, algum Cabernet Franc) e os melhores Borgonhas brancos (feitos apenas de Chardonnay). O evento entrou para a história como a primeira grande evidência de que países do Novo Mundo podiam fazer vinhos tão bons ou melhores do que os franceses, os reis do Velho Mundo vínico.

Quem faz o papel de Steven Spurrier é o excelente Alan Rickman, que dá ao personagem um tom pernóstico, mas simpático. Uma atuação muito divertida. Aliás, o elenco está muito bom. Até Bill Pullman, no papel de Jim Barret, que é um ator que não acho grande coisa, consegue se sair bem no papel do cara que não é muito bom em expressar suas emoções, mas no fundo é amável.

Meu novo, e caro, sonho de consumo

Mas o protagonista do filme não é ninguém de carne e osso, mas uma garrafa que dentro possui um líquido precioso que, como foi exposto acima, conseguiu bater os, até então, imbatíveis vinhos franceses.

Quem gosta de vinho, da história dessa bebida apaixonante, e ainda quer ver um filme leve e simpático, eu recomendo. Por causa desse longa, meu mais novo sonho de consumo é provar um Chateau Montelena Chardonnay. Pena que a garrafa custe, em média, R$ 230.

A corrosão do ciúme

Adoro estudar sobre a sexualidade humana e durante esses últimos anos tenho lido muito sobre esse assunto tão vasto, tão importante para a humanidade, e que ainda é tabu apesar da facilidade de encontrarmos o sexo nos meios de comunicação, principalmente na internet. Sexo não é somente um ato entre duas ou mais pessoas, mas é também política, religião, filosofia, antropologia, sociologia, psicologia etc. Ele permeia diversas áreas do conhecimento humano e para mim, aceitando uma ideia de Doutora Regina Navarro Lins, sexo é uma questão de saúde pública. Por conta de tantos entraves impostos à sexualidade humana, somos reprimidos e disso surgem diversos problemas, como agressão à mulher e as disfunções sexuais.

Bom, escolhi falar sobre o ciúme. Ele, ao contrário do que muitos pensam, não reflete amor, mas uma forma ditarorial de controlar o outro. Desde o menor ciúme ao patológico, ele, na minha opinião, nunca é bom. E de onde vem o ciúme?

Já ouvi e li muita gente dizer que o ciúme faz parte do ser humano, que quem não sente ciúme não pode dizer que gosta ‘de verdade’ da pessoa. Como algo baseado no medo da perda e no egoísmo pode ser bom e refletir afeto sincero? Não pode.

O ciúme, acredito nisso, nasce em nós quando, ainda crianças, não temos ningúem além de nossa mãe para nos proteger. A criança sente-se desamparada sem sua proteção e o ciúme aparece como instinto de sobrevivência. No entando, quando crescemos não abandonamos o ciúme infantil e levamos esse sentimento para os nossos relacionamentos. O medo da perda do parceiro faz com que nos tornemos possessivos, como um carcereiro vigiando seu prisioneiro para que ele não fuja. Temos medo da pessoa amada se interessar por outra, receio de ser abandonado por aquele que – acreditamos nisso – é o único capaz de nos fazer feliz. Caso nos deixe, nosso mundo desabará e nada mais fará sentido. Impotentes, achamos que nunca mais encontraremos ninguém capaz de nos alegrar a vida. Depositamos nossa felicidadade em um ser que não tem obrigação de suprir nossas expectativas, mas cobramos isso o tempo todo.

Cara feia

Quando, seja homem ou mulher, nosso companheiro (namorado (a), marido, esposa, ficante, sei lá) faz uma cara feia por ciúme, não nos dá uma tristeza imediata que pode até estragar o resto do nosso dia? É como se nós estivéssemos cometendo um erro por vestir uma roupa mais atraente ou ligar para uma ex-namorada que não deixou de ser uma amiga. Já paramos para pensar porque achamos essas atitudes corretas e parte ‘normal’ de um relacionamento? Para mim, não há nada normal nisso, apenas nossa insegurança gritando.

Se cada um tivesse a certeza que é interessante o suficiente para não ser trocado facilmente, as coisas seriam mais fáceis. O seu companheiro ou companheira está com você por livre e espontâneo tesão e não por uma lei imposta pelo Estado. E se, hipoteticamente, o seu amor trocar você por outra ou outro, não ache que é incapaz de continuar sem esta pessoa e não repita o mantra ‘não posso viver sem fulano (a)’. Claro que pode. E muitas pessoas se supreendem em saber que podem. O massacre cultural que afirma que temos obrigatoriamente de ter alguém para sermos felizes destroi a possibilidade de vivermos bem de forma solitária, o que não quer dizer que deixaremos de viver experiências amorosas satisfatórias.

Longe do ciúme

Eu tenho certeza que todos já sentiram ciúme, em menor ou maior grau e que, talvez, alguns dos seus relacionamentos terminaram por conta desse sentimento. É muito mais fácil tecer análises tentando desvendar as origens do ciúme e os seus malefícios do que não senti-lo.

No entanto, eu acredito que o primeiro passo para deixarmos de sentir ciúme ou mesmo sentir de forma menos destrututiva é refletir sobre o tema. É pensar que não dependemos de ninguém para nos sentirmos felizes. Isso não é autossuficiência exagerada ou desprezo pelas pessoas, mas nossa saudável individualidade, no melhor sentido da palavra. O ciúme é ditatorial e faz mal para quem sente e para quem é alvo dele. Ciúme e amor não combinam. Cada pessoa precisa ter a liberdade para ser quem é e o outro precisa entender que propriedade privada combina com questões agrárias e não com afetividade humana. É um processo de aprendizagem e reflexão constante onde avaliamos nossa dependência em relação ao outro, mas creio que é possível pra qualquer um elevar sua autoestima e viver longe do ciúme.

Algumas frases sobre o ciúme:

“Se o ciúme é sinal de amor, como querem alguns, é o mesmo que a febre no enfermo. Ela é sinal de que ele vive, porém uma vida enfermica, maldisposta. ”
(Miguel de Cervantes)

“Para o ciumento, é verdade a mentira que ele vê. ” (Calderón de la Barca)

“Os ciumentos não precisam de motivo para ter ciúme. São ciumentos porque são. O ciúme é um monstro que a si mesmo se gera e de si mesmo nasce. ”
(William Shakespeare)

“O ciumento passa a vida tentando descobrir o segredo que irá destruir a sua felicidade. ” (Oxenstien)