Crítica: Jogo de Poder

Já se passaram dez anos desde os ataques de 11 de setembro contra os Estados Unidos. E cada ano que passa descobrimos novos fatos ligados a essa horrenda tragédia. Mais um deles é exposto no ótimo ‘Jogo de Poder’, dirigido por Doug Liman e estrelado por Naomi Watts e Sean Penn. O longa é baseado nas memórias de Valerie Plame, papel de Watts.

O filme se passa logo após aos atentados de 2001 e a consequente reação do governo comandado pelo patético George W. Bush. Numa reação ao ‘terror’ e ao o que ele e seu séquito de abutres chamaram de ‘eixo do mal’, inicia-se um contra-ataque. E o escolhido como demônio da vez foi o ditador Saddam Hussein.

Embora saibamos que Hussein jamais foi santo, a afirmação de que o Iraque estava enriquecendo urânio para produzir armas nucleares nunca foi confirmada. Mesmo assim, e contra todas as evidências expostas por uma equipe da inteligência americana, o Iraque foi invadido. O resto é história.

Naomi Watts (Plame) é uma agente secreta ligada à equipe que descobre a armação do governo. Seu marido, o ex-embaixador Joe Wilson, indignado com as mentiras da Casa Branca, inicia um campanha para desmascarar as mentiras vomitadas por Bush e seus comparsas. Dessa forma, publica no New York Times um artigo revelando a verdade. A partir daí a vida do casal não será mais a mesma, já que a White House contra-ataca de forma mais vil para desmentir o casal e manter sua farsa bélica.

O roteiro é muito habilidoso na construção da trama política e na maneira como mostra a interferência dos fatos na vida emocional do casal interpretado pelos dois ótimos atores. O clima de tensão é constante; é como se uma bomba fosse explodir a qualquer momento.
Mas o clima de paranoia instalado nos EUA não seria nada sem o apoio da mídia, que contribuiu decisivamente para validar os atos de Bush e fazer com que a população, ou parte dela, acreditasse que os EUA estavam lutando contra um verdadeiro inimigo que precisava ser combatido agressivamente. E claro, o casal Plame e Wilson recebeu o castigo da mídia por ter ‘inventado’ tantas mentiras sobre o salvador da América: Bush.

‘Jogo de Poder’ é um filme que merece ser visto porque revela a torpeza do governo desse cara que um dia foi chamado de presidente. E para que lá nos Estados Unidos ou aqui, ou qualquer parte do mundo, reflitamos sobre as ações dos nossos governantes e da própria mídia, que muitas vezes defende a podridão.

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