Crítica: A rede social

Qual o motivo ou os motivos de se criar uma conta no site de relacionamentos Facebook? Sempre me questionei a respeito da importância de ter seus gostos, fotos ou se você está solteiro, casado ou em um relacionamento enrolado, expostos em uma página virtual. No fim das contas, ter arrolado parte de quem você é serve apenas para satisfazer o vouyerismo de quem fuça seu perfil.

Ter conta no Facebook, ou em qualquer outro site de relacinamentos, não faz de você alguém mais bem relacionado por ter 312, 99 ou 5 mil amigos na sua lista. Mais uma vez, apenas aqueles quem você realmente conhece e convive com certa regularidade (os amigos, por assim dizer) podem dizer algo mais íntimo sobre você, como aquele dia que você levou um fora de alguém que você amava.

Eu tenho o Facebook, tenho twitter e já tive o jurássico Orkut. A excitação inicial se transforma em uma gélida paisagem, na qual poucas coisas são interessantes. Nesses sites de relacionamento, eu aproveito parte das dicas que meus “amigos” e amigos colocam como links: um bom site de música ou um vídeo interessante no you tube. Porém, para mim, não passa muito disso.

Embora eu seja fã da internet e de suas possibilidades, como quem lê este blog sabe, confesso que o Facebook é quase inútil.

Falemos, então, de ‘A rede social’, novo filme de David Fincher, que conta a história da criação do Facebook e de seu criador Mark Zuckerberg, interpretado de forma consistente pelo competente Jesse Eisenberg. O filme é baseado no livro ‘Bilionários por acaso: a fundação do Facebook – uma história de sexo, dinheiro, genialidade e traição’, escrito por Ben Mezrich.

No ano de 2003, em um dormitório de Harvard, Mark resolve criar um site que vira sucesso entre os jovens da universidade. Sucesso pelo menos entre os homens, já que o site traz as garotas da universidade para que elas sejam classificadas por sua aparência física. Este site repugnado entre as mulheres torna-se o embrião do futuro Facebook, que hoje vale a modesta quantia de 33 bilhões de dólares.

Mas a criação do Facebook em si não seria um tema tão interesante para ser roteirizado se não fosse a persona do seu criador, que se mostra excessivamente lógico, antisocial, sem nenhum talento para a convivência entre as pessoas. Não é à toa que sua namorada, interpretada por Rooney Mara, o larga, depois do excelente diálogo que abre o filme. Aliás, os diálogos rápidos, precisos e inteligente são uma marca desse roteiro de Aaron Sorkin.

E é justamente por conta do término do namoro que Mark despeja sua dor de cotovelo em seu blog e acaba criando o tal site que vira alvo de ódio de todas as mulheres de Harvard. Um coração partido deu o impulso para que o site de relacionamento mais valioso do mundo fosse criado.

Eduardo e Mark

O seu talento como programador acaba chamando a atenção dos irmãos gêmeos Cameron e Tyler Winklevoss (Armie Hammer), em uma ótima interpretação. Os irmãos Winklevoss o chamam para trabalhar em um projeto de rede social que inclui apenas alunos de Harvard. Apesar de aceitar, Mark dá sucessivas desculpas e acaba abandonado o projeto para criar a sua própria rede social: o Facebook, claro. Para a criação do site, Mark se junta a seu amigo brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield), também muito bem no papel do simpático amigo de Mark.

O filme é construído em torno do processos movidos pelos irmãos gêmeos, que acusam Zuckerberg de roubar a ideia e criar o Facebook, e por seu ex-melhor amigo Eduardo, que acaba sendo excluído do Facebook de forma gélida e sem a menor consideração por parte de Mark. Por conta da falta de habilidade como executivo e muito influenciado por Sean Parker (criador do Napster, que modificou de forma definitiva a indústria musical), vivido com energia por Justin Timberlake, Mark aos poucos afasta Eduardo do Facebook.

É interessante notar que apesar de até conseguirmos dizer que Mark Zuckerberg é frio, quase um autista social, que sacaneia com o amigo e é incapaz de ser caloroso com as pessoas, quase uma placa de silício, sentimos também empatia por ele. Acho que isso se deve à sua genialidade, digamos assim, sua capacidade em criar e sua aparência frágil, talvez. Uma aspecto que concordei, e que li em uma crítica sobre o filme, é que apesar de Mark ter criado um site que possui 500 milhões de usuários e que trata basicamente de”unir pessoas”, ele não foi capaz de manter a amizade do seu único verdadeiro amigo. Extremamente irônico.

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