Crítica: Você vai conhecer o homem dos seus sonhos

Sempre aguardo um novo filme de Woody Allen com grande expectativa. A ironia com que discute as relações humanas e seus valores, sem cair no óbvio, faz com que Woody seja um dos meus diretores prediletos. Porém, infelizmente, terei que dizer que ‘Você vai conhecer o homem dos seus sonhos’ é o pior filme do cineasta desde o ótimo ‘Desconstruindo Harry’, de 1997. Woody Allen, durante esses 13 anos, fez um filme por ano, alguns muito bons, como ‘Vicky Cristina Barcelona’ e ‘Match Point’, o melhor de todos para mim. No entanto, a maioria não me convenceu.

Neste novo filme encontramos um Woody Allen em modo automático. Ou seja, reconhemos que é um filme de Woody: longos planos nos quais os personagens dialogam, por exemplo. Tecnicamente podemos dizer que é um filme bem feito, no entanto os personagens não são bem desenvolvidos. Não conseguem ir além de um rabisco de personalidade, sem nunca compreendermos quem realmente são eles ou o que discutem. Excelentes atores como Naomi Watts e Anthony Hopkins não se destacam.

‘Voce vai conhecer o homem dos seus sonhos’ fala de Roy (Josh Brolin), um escritor decadente, insatisfeito com o casamento. Ele é casado com Sally (Naomi Watts), também insatisfeita com o casamento, que sonha em ter sua própria galeria de arte; trabalha numa das mais prestigiadas de Londres e se apaixona pelo seu chefe, Greg (Antonio Banderas). Na outra ponta temos o pai de Sally, Alfie (Anthony Hopkins), que se separa da sua esposa de décadas para viver uma vida de “jovem” solteiro. Alfie acaba propondo à prostituta Charmaine (Lucy Punch) que abandone a atual vida para casar com ele, ela aceita. Também temos a mãe de Sally, Helena (Gemma Jones), que não aceita a separação e passa a consultar uma “vidente” e a seguir seus conselhos. Voltemos a Roy. Na crise na qual vive, acaba se interessando pela bela vizinha Dia (Freida Pinto), que é noiva e está prestes a se casar…ufa!!!

Hopkins e Watts

Se bem eu entendi, o roteiro tenta nos dizer que as relações humanas são frágeis, instáveis, e em algum momento da vida podemos perder o interesse pelo parceiro e tentar novas possibilidades de existência. Porém, só para citar um falha, por qual razão Roy sai de um casamento e entra rapidamente em outro, com Dia (a vizinha). Sim, a vizinha abandona o noivo e fica com Roy. Não há discussão inteligente (e estamos falando de Woody Allen!) sobre, por exemplo, como o vivemos a instituição casamento hoje em dia ou a fidelidade, sei lá! O casamento de Greg também vai mal e para a decepção de Sally, ele caba tendo um caso com uma artista plástica, amiga de Sally.

Por conta dessa insatisfação humana e da fragilidade das relações, Woody afirma: é melhor a ilusão que a crua e chata realidade. E é com essa mensagem, por meio do diálogo de dois personagens, que termina o filme. Mensagem esta que não faz sentido para mim, talvez porque, penso eu agora, a ilusão pode se tornar um dia a realidade chata e desgastante. Vamos utilizar a ilusão para deixar a vida mais colorida e criativa, sendo ela parte da nossa realidade. Enfim, metafísico demais?

Ficaria mais feliz se Woody fizesse um filme a cada 5 anos, quem sabe, e nos presenteasse com uma obra-prima. Espero pelo próximo.

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