Clandestinos

Adelaide de Castro em cena de 'Clandestinos'

Amo televisão, cresci vendo TV, absorvi muito da TV e continuo a utlizando para me informar. Intelectuais ou talvez falsos pensadores, muitos deles, apedrejam a televisão. Eu discordo de forma veemente quando dizem de boca cheia que a televisão não serve pra nada, que aliena o povo. Penso que não há veículo de comunicação ou qualquer tecnologia criada pelo homem que não sirva para os dois fins: bem ou mal!

Adoro quando assisto algo que me entusiasma e de forma imediata me transporta para a pele das situações, das pessoas que vivem e sonham. Neste caso, sonham em ser atores e atrizes. Saem dos mais longíquos cantos do país, de interiores desconhecidos, para se apesentar durante 90 segundos na esperança de ser escolhido e participar da peça “Clandestinos” (depois virou a série de TV), escrito e dirigido pelo excelente pernambucano João Falcão, que admiro profundamente. Sua mulher, Adriana Falcão, que não fica atrás diante de minha admiração, ajudou o marido no projeto.

Tudo começou quando João Falcao, em maio de 2008, abriu inscrições no site http://www.clandestinos.art.br convocando jovens do Brasil inteiro a partiparem de oficinas gratuitas de dramaturgia no Rio de Janeiro. O objetivo era formar um elenco para a encenar a futura peça teatral “Clandestinos”, que se tornaria a primeira montagem da Companhia Instável de Teatro. Após teste com três mil candidatos, 14 foram selecionados.

A encenação obteve grande sucesso e atraiu os olhares da Rede Globo, que convidou o diretor para transformar o espetéculo em série de TV: “Clandestinos – O Sonho Começou”. Ela foi adaptada para a telinha, mas não mudou em nada, inclusive o elenco é o mesmo, com as mesmas histórias.

Em “Clandestinos” o diretor Fábio Enriquez (todos os personagens têm seus nomes originais) quer recrutar novos talentos para encenar um texto baseado nas vidas dessas pessoas. Sem nenhuma frase no papel, Fábio abre as inscrições e começa os testes. Dessa forma, ouve os peculiares, emocionantes, engraçados relatos das vidas desses futuros atores. Foi o que João Falcão fez.

"Clandestinos" no teatro

Vi o primeiro episódio de “Clandestinos” pelo “faça você mesmo sua programação”, ou seja, o You Tube;  o segundo, pela TV. Me paixonei em especial por Adelaide de Castro, 19 anos, que saiu de Três Corações, terra de Pelé e próxima ao ET de Varginha, como ela mesma diz. Adelaide vem de um família pobre, como milhões de famílias brasileiras. Vida difícil, teve dias que não tinha o que comer. Tocava saxofone em uma bandinha da cidade, animando velórios e outras ocasiões sociais. Quando soube do teste pata “Clandestinos”, não pensou duas vezes: arrumou sua mala, pegou seu sax, pouco dinheiro no bolso e partiu para o Rio sem nem ter onde dormir.

Eu sempre me comovo com esse tipo de história, justamente porque gostaria de ter ser um dos escolhidos daquele teste; porque é o tipo de sonho que carrego em mim. Um sonho artístico, de viver da arte. Acho lindo um menina luminosa, talentosa, simpática, simples e linda como Adelaide correr atrás do seu objetivo de forma destemida e por fim, conseguir. Eu torço sinceramente para que ela se tranforme numa grande atriz, numa grande música.

“Clandestinos” não é bom apenas porque deu oportunidade à joves talentos; outros projetos também o fizeram, como a peça “O despertar da primavera”, igualmente bem-sucedido. A série é bem dirigida, bem escrita, bem interpretada. Televisão de qualidade.

Abaixo vocês conferem o minidocumentário de João Falcão sobre a série e no outro vídeo, o teste de Adelaide para o programa.

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4 pensamentos sobre “Clandestinos

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