Federal: entre tiros e trepadas!

Ouvi e li comentários que afirmavam que o filme ‘Federal’, “dirigido” por Erik de Castro e “escrito” por Erico Beduschi, Heber Trigueiro e Erik de Castro (sim, aspas nas duas palavras) era ruim se comparado com o excelente ‘Tropa de Elite 2’, do diretor José Padilha. Vamos com calma. Primeiro, é claro que se compararmos os dois longas, será impossível dizer que ‘Federal’ tem alguma qualidade. Isso se eu quiser fazer uma comparação entre as temáticas, que são parecidas: tráfico de drogas e corrupção envolvendo o governo, por exemplo. Mas esse argumento não tem sentido. ‘Tropa de Elite 2’ é um filme e ‘Federal’ é outro. Quer dizer que se ‘Tropa’ não existisse, ‘Federal’ seria bom? NÃO, NEM AQUI NEM EM BRASÍLIA!!!

‘Federal’ conta a história de Dani, vivido por Selton Mello, um agente especial da Polícia Federal que faz parte de um grupo de elite do Comando de Operações Táticas da Polícia Federal. Quem comanda o grupo é ‘O Boto’, ou melhor, Vital (Carlos Alberto Riccelli). A missão do quarteto é prender o traficante Carlos Beque Batista Federal, interpretado pelo cantor e compositor Eduardo Dusek (sim, o nome do cara também é Federal!!). Beque e sua gangue pretendem colocar a cidade de Brasília na rota internacional do tráfico de drogas.

‘Federal’ levou quatro anos para ser concluído e custou parcos R$ 5 milhões. É aquele tipo de filme que se apoia em xingamentos e trepadas para enxertar os buracos da trama. E claro, como estamos falando de polícia e traficante, muitos tiros e mortes. Mas não são os elementos ‘morte’, ‘sexo’ e ‘tiros’ que fazem dele algo péssimo, até porque muitos filmes bons têm. ‘Federal’ é simplesmente uma maçaroca incompreensível de fatos isolados.

Erik de Castro "dirigindo"

Receita:

Dani é um policial bonzinho, mas que adora cocaína, é meio rebelde também, meio insubordinado. Conhece uma diplomata vagabunda em uma festa. Transam duas vezes, acho.

Vital é um cinquentão, cuja esposa está grávida. Transam duas vezes, acho. Uma das transas é tão visivelmente enxertada no filme, que eu ri durante o ato.

Os outros policiais são vividos por Christovam Neto e Cesário Augusto, que a princípio destoam da forma como Dani e Vital trabalham, mas no fundo são iguais. Eles xingam, correm e dão tiros.

Christovam Neto (sinceramente esqueci o nome do personagem dele, mas podem chamá-lo de Mastro de Ébano – apelido do seu pênis!), protagoniza uma cena de sexo digna da pior pornochanchada.

O ator norte-americano Michael Madsen, de ‘Kill Bill 1 e 2’, também faz uma ponta como o policial corrupto Sam. A participação dele é uma tentativa de deixar a produção mais”sofisticada”. Claro que não adianta.

Eduardo Dusek fica melhor cantando ‘troque seu cachorro por uma criança pobre’. Acho que os palhaços Patati e Patatá me dão mais medo.

Junte os ingredientes acima a uma fotografia horrível, escura, com enquadramentos toscos, roteiro que não discute o próprio tema do filme (como ‘Tropa’ fez) nem conduz a quem assiste a um entendimento de quem são aqueles personagens, suas fraquezas, suas análises do contexto onde vivem etc etc etc! Você sai do cinema e não sabe quem são Vital e Dani, por exemplo! Você sai cinema e tem a certeza de que a Polícia Federal falhou na sua tentativa de desarticular o bando do traficante Beque. Você sai do cinema e pensa que se drogou antes de assisti-lo. E olha que esses são apenas os pontos que me vieram à mente imediatamente! Tem muito mais!

Leia abaixo se quiser!

O único sobrevivente do quarteto é Dani. O diretor deve ter pensado: vamos matar todo mundo, é menos explicação para dar. No final Dani persegue Beque pelas vielas de uma favela. Encontra-o. Ele se rende; pede calma. Dani não o mata, mas começa a esmurrá-lo, numa sequência de socos feios, mal feitos mesmo. Selton Mello soca o rosto do bandido como se tivesse medo de tocar a pele do adversário. É hilário!!! Em determinado momento, a câmera congela o rosto do ator, a imagem fica granulada e…FIM!

Pergunta da década: Como Selton Mello, bom ator, com bons filmes na carreira, iniciando uma promissora carreira como diretor, envolve-se em um projeto epilético desse jeito?

Saí do cinema e comecei a rir durante uns 40 minutos.

Só mais uma coisa. Eu sei que fazer cinema no Brasil é difícil. Dificuldade para captar recursos, dificuldade para distribuir, muitos profissionais envolvidos, etc, etc. Respeito muito essa arte. Sempre quando assisto a um filme, torço para não perder meu tempo e tirar algo de bom dele, mesmo que eu não o adore. Porém, ‘Federal’ não tem nada de bom. Infelizmente.

Vamos falar de sexo

Nesta quinta-feira fiz um entrevista com Dra. Regina Navarro Lins para o Portal da Rádio Metrópole. Abaixo vocês conferem a matéria, que também pode ser lida aqui, no Portal da Metrópole.

Por mais que se fale de sexo, e que exista um certo ar de liberdade sexual, o fato é que o tema ainda é um tabu. ”Ainda há muito preconceito a respeito de sexo e das relações amorosas em geral”, afirma a psicanalista e escritora Regina Navarro Lins. Ela lança dia 25 de novembro, quinta-feira, seus dois novos livros em todo o Brasil: ‘A cama na rede – o que os brasileiros pensam sobre amor e sexo’ e ‘Se eu fosse você…- uma reflexão sobre as experiências amorosas’. O lançamento será na Livraria da Travessa, no Rio de Janeiro.

Ela defende que estamos em um processo de profunda mudança das mentalidades, que começou na década de 1960 com a pílula anticoncepcional. ”Houve grandes avanços, e ainda haverá muito mais. Os modelos tradicionais não estão dando respostas e, com isso, se abre um espaço para as pessoas poderem escolher a sua forma de viver sem ter que se enquadrar em modelos como sempre foi”, disse.

Seu site, ”Cama na Rede”, que esteve no ar de 2000 a 2009, só tratava de amor e sexo e havia várias seções interativas. ”Os internautas participavam bastante com um material muito rico. Resolvi então transformar as duas principais seções em livros”, disse. Daí nasceram os dois livros. Abaixo, a autora explica como cada um foi concebido.

No primeiro, ‘A Cama na Rede – o que os brasileiros pensam sobre amor e sexo’, há 50 perguntas que os internautas respondem. Exemplos: ‘Você já foi infiel? Por quê?’; ‘Existe algo no sexo que você gostaria de experimentar? O quê?’; ‘Você já foi trocado (a) por outro (a)? Como foi?’; ‘A mulher se frustra quando o homem broxa? O que ela sente?’; ‘Você gostaria de fazer sexo a três? Por quê?’;’Existe alguma coisa que lhe desagrada no sexo? O quê?’; ‘Você já amou duas pessoas ao mesmo tempo? Como foi?’. Há um placar com o percentual de SIM e NÃO, e as pessoas explicam as suas respostas. No final de cada uma, eu digo o que penso’.

”O segundo, ‘Se eu fosse você…– uma reflexão sobre as experiências amorosas’, é dividido em duas partes. Na primeira, Se eu fosse você…, os internautas relatavam um problema amoroso que estavam vivendo e os outros participantes diziam o que fariam se estivessem no lugar deles. No final de cada questão eu digo o que penso. Na segunda parte, Polêmica, são 12 artigos meus comentados pelos internautas”, explica.

Regina Navarro Lins também publicou ‘A cama na varanda: arejando nossas ideias a respeito de amor e sexo’ e ‘Conversas na varanda’. Com seu marido, o também escritor Flávio Braga, publicou ‘Separação’, ‘O sexo no casamento’, ‘Fidelidade obrigatória e outras deslealdades’, ‘Amor a três’ e ‘O livro de ouro do sexo’.

Clandestinos

Adelaide de Castro em cena de 'Clandestinos'

Amo televisão, cresci vendo TV, absorvi muito da TV e continuo a utlizando para me informar. Intelectuais ou talvez falsos pensadores, muitos deles, apedrejam a televisão. Eu discordo de forma veemente quando dizem de boca cheia que a televisão não serve pra nada, que aliena o povo. Penso que não há veículo de comunicação ou qualquer tecnologia criada pelo homem que não sirva para os dois fins: bem ou mal!

Adoro quando assisto algo que me entusiasma e de forma imediata me transporta para a pele das situações, das pessoas que vivem e sonham. Neste caso, sonham em ser atores e atrizes. Saem dos mais longíquos cantos do país, de interiores desconhecidos, para se apesentar durante 90 segundos na esperança de ser escolhido e participar da peça “Clandestinos” (depois virou a série de TV), escrito e dirigido pelo excelente pernambucano João Falcão, que admiro profundamente. Sua mulher, Adriana Falcão, que não fica atrás diante de minha admiração, ajudou o marido no projeto.

Tudo começou quando João Falcao, em maio de 2008, abriu inscrições no site http://www.clandestinos.art.br convocando jovens do Brasil inteiro a partiparem de oficinas gratuitas de dramaturgia no Rio de Janeiro. O objetivo era formar um elenco para a encenar a futura peça teatral “Clandestinos”, que se tornaria a primeira montagem da Companhia Instável de Teatro. Após teste com três mil candidatos, 14 foram selecionados.

A encenação obteve grande sucesso e atraiu os olhares da Rede Globo, que convidou o diretor para transformar o espetéculo em série de TV: “Clandestinos – O Sonho Começou”. Ela foi adaptada para a telinha, mas não mudou em nada, inclusive o elenco é o mesmo, com as mesmas histórias.

Em “Clandestinos” o diretor Fábio Enriquez (todos os personagens têm seus nomes originais) quer recrutar novos talentos para encenar um texto baseado nas vidas dessas pessoas. Sem nenhuma frase no papel, Fábio abre as inscrições e começa os testes. Dessa forma, ouve os peculiares, emocionantes, engraçados relatos das vidas desses futuros atores. Foi o que João Falcão fez.

"Clandestinos" no teatro

Vi o primeiro episódio de “Clandestinos” pelo “faça você mesmo sua programação”, ou seja, o You Tube;  o segundo, pela TV. Me paixonei em especial por Adelaide de Castro, 19 anos, que saiu de Três Corações, terra de Pelé e próxima ao ET de Varginha, como ela mesma diz. Adelaide vem de um família pobre, como milhões de famílias brasileiras. Vida difícil, teve dias que não tinha o que comer. Tocava saxofone em uma bandinha da cidade, animando velórios e outras ocasiões sociais. Quando soube do teste pata “Clandestinos”, não pensou duas vezes: arrumou sua mala, pegou seu sax, pouco dinheiro no bolso e partiu para o Rio sem nem ter onde dormir.

Eu sempre me comovo com esse tipo de história, justamente porque gostaria de ter ser um dos escolhidos daquele teste; porque é o tipo de sonho que carrego em mim. Um sonho artístico, de viver da arte. Acho lindo um menina luminosa, talentosa, simpática, simples e linda como Adelaide correr atrás do seu objetivo de forma destemida e por fim, conseguir. Eu torço sinceramente para que ela se tranforme numa grande atriz, numa grande música.

“Clandestinos” não é bom apenas porque deu oportunidade à joves talentos; outros projetos também o fizeram, como a peça “O despertar da primavera”, igualmente bem-sucedido. A série é bem dirigida, bem escrita, bem interpretada. Televisão de qualidade.

Abaixo vocês conferem o minidocumentário de João Falcão sobre a série e no outro vídeo, o teste de Adelaide para o programa.

Jornalista e escritor

Existem três jornalistas que são escritores que estão entre os meus prediletos. São eles: Ruy Castro, Fernando Morais e Nelson Motta. Dos três eu li livros, pena que poucos. De Nelson Motta li o ótimo “Noites Tropicais”, por sinal seu primeiro livro, escrito quando o jornalista já tinha 50 anos! De Ruy Castro degustei “Chega de Saudade”, que conta a história e as histórias da Bossa Nova. E de Fernando Morais devorei “Chatô – O Rei do Brasil”, que conta de forma magistral a vida de Assis Chateaubriand e “O Mago”, não menos maravilhoso, que conta a tumultuada vida do escritor Paulo Coelho.

Ruy Castro

Como profissional do jornalismo que sou, esses três jornalistas e escritores me inspiram. Ruy Castro e Fernando Morais são dois dos melhores biógrafos do Brasil, estilo de leitura que adoro ler. Além disso, Ruy é um apaixonado por cinema e música, também minhas paixões. É dele a elogiada biografia de uma personagem pouco reconhecida no Brasil, mas tão importante para a nossa cultura: Carmem Miranda. “Carmem, uma biografia” está na minha lista! De Fernando, “Olga” é um livro que não sai de minha cabeça.

Fernando Morais

Em uma recente entrevista concedida à Rádio Metrópole, veículo no qual trabalho, Fernando Morais afirmou que seu próximo projeto será a biografia de Antônio Carlos Magalhães, figura odiada e amada na mesma proporção. É um livro que aguardo com ansiedade. Não amava ACM nem o odiava, mas não aprovava sua política coronelista, por mais que dissesse que amava a Bahia. Enfim…

Nelson Motta

E Nelson Motta? Essa figura simpática, letrista de sucesso, que já produziu dezenas de artistas, dormiu com Elis Regina e sabe tantas histórias do mundo da música? Adoro Nelson Motta, outro que me inspira, já que um dos motivos de eu ter me formado em jornalismo foi porque sempre quis ser um músico reconhecido e como (ainda) não consegui, escrever sobre música era um passo para me aprofundar na área, entrevistando artistas e fazendo contatos. Foi assim, ainda durante a faculdade, que tive a oportunidade de bater papo com Chico César, Nando Reis, Fernanda Porto entre outros nomes que admiro. Nessa digressão esqueci de dizer que de Nelson Motta “Vale Tudo – O Som e a Fúria de Tim Maia” é um livro que ainda vou ler!

Estudantes de jornalismo ou não, amantes de um bom texto, leiam essas três grandes personalidades das nossas letras.

Eu sei escrever, ler e votar…e sou NORDESTINO!

Será que essa pessoa possui massa cinzenta?

O post de hoje seria sobre a vitória de Dilma Rousseff. Minha opinião modesta sobre a 1ª mulher presidente do Brasil. Ainda vou escrever sobre isso, mas depois que um amigo jornalista botou um link no twitter sobre a ignorância e o preconceito de pessoas que possuem fezes no lugar do cérebro e coliformes fecais fazendo suas sinapses, resolvi escrever este texto.

Morei em São Paulo por dois anos e posso garantir: existem, claro, pessoas maravilhosas lá. Fiz amigos que me comunico até hoje e vivi experiências de simpatia e bondade que me comoveram. São Paulo é concreto e calor humano, isso eu garanto. Depois de Salvador, minha maltratada Salvador, é São Paulo minha cidade predileta. Deixo claro que minha revolta é dirigida a uma estudante paulista, que cursa Direito. Ela resolveu externar seu hitlerismo publicamente via twitter. Arrependida, tentou excluir sua conta, mas já era tarde. Muitos tuiteiros fizeram print da imagem abaixo. O pior de tudo é que existem mais exemplos de debilidade mental e extrema ignorância cultural por parte desses seres superiores!

Como vocês leram acima, Mayara Petruso ficou revoltada por uma razão: os nordestinos votaram em Dilma. Tem uma usuária que chega a sugerir que nordestino não sabe ler nem escrever! Realmente estou estufetato com tanta ignorância cultural, tanta nulidade mental. Os deuses do Olimpo são, além de Mayara: Daniella Lindner, Tayane Monteiro, Suhelen Hernaski, Gioavana Varella e Maxi Franzol.

Eles culpam os nordestinos pela mazelas do País. Acham que o Bolsa Família retira dinheiro de seus cofres sulistas. Pode-se e deve criticar as ações governistas. Eu mesmo tenho restrições ao Bolsa Família, mas não se pode culpar uma região e seu povo pelos problemas do País. Sugerir assassinato, como Mayara fez, revela o nível mental desses estorvos.

O Nordeste não tem culpa da desorganização política do Brasil. Não inventou a corrupção nem a pobreza. Será que políticos do Sul e Sudeste não roubam, não destroem a vida dos outros com suas ações que visam apenas ao benefício próprio? Será que Paulo Maluf faz mais bem ao Brasil do que um nordestino que depende do Bolsa Família? Será que estes jovens e até seus pais, não são corruptos em suas vidas socias, contribuindo para o estado de segregação social e econômica da nossa nação? Cidadãos do Sul e Sudeste são exemplos para o resto dos infelizes brasileiros? O inferno são os outros, dizia o filósofo Jean-Paul Sarte; neste caso, o inferno é o Nordeste e os nordestinos!

Suhelen sugere que nordestinos não sabem ler! Será que ela e seus companheiros de extrema-direita já ouviram falar de João Cabral de Melo Neto, Ariano Suassuna, Glauber Rocha, João Gilberto, Djavan, Caetano Veloso, Gilberto Gil, João Ubaldo Ribeiro, Sivuca, Alceu Valença, Chico Anísio, Raul Seixas, Milton Santos e tantos outros nordestinos fantásticos que mudaram o pensamento e a cultura brasileiras? Não, com certeza, não! Será que ela e os demais já pararam pra pensar nas condições infernais que vivem milhões de nordestinos igualmente fantásticos que enfrentam a seca, por exemplo?

O que me preocupa é que com certeza existem mais jovens e não tão jovens que pensam dessa mesma forma ignóbil. Sugiro que eles sejam isolados por alguns anos e recebam aulas de história, português, cultura geral (musical, cinematográfica, literária etc), façam mais sexo e tenham consultas com um excelente psiquiatra. Essa raiva é o raio-x de suas infelicidades, suas frustrações burguesas, suas repressões familiares e sexuais.

Clique aqui veja todos os exemplos da debilidade dos nossos compatriotas

Neste link aqui você pode denunciá-los! Eu denunciei!!!