O choro do blues

115garymoore2gg6Vez ou outra eu me pego imitando o choro da guitarra de Gary Moore em “Still Got The Blues”, música de 1990.
Me lembro que ao ouvir esta música eu sempre me emocionava e em situações de paixão (em 1990 era Veruska…divagações), onde a alma fica sensível ao toque, eu chorava.

Sem mais delongas, deixo vocês com o vídeo desta linda balada.

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Os homens que não amavam as mulheres, o filme

“É um filme que vale a pena ser visto, antes que Hollywood o estrague”, diz Alysson Oliveira, do Estadão, em uma crítica publicada dia 13 de maio. A afirmação dele refere-se ao fato de que David Fincher (Clube da Luta, Se7en) talvez faça a sua versão da trama. Não concordo com a afirmação. Hollywood faz muita bobagem, sim, mas muita coisa boa, instigante e inteligente. Dito isto, vamos lá.

capa1Vi “Os homens que não amavam as mulheres” e gostei muito. O filme é uma co-produção entre Suécia, Dinamarca e Alemanha e foi dirigido pelo dinamarquês Niels Arden Oplev.

Para quem ainda não conhece, “Os homens que não amavam as mulheres” é a primeira parte da trilogia escrita pelo jornalista sueco Stieg Larsson (1954-2004). Infelizmente, Stieg não pode aproveitar o sucesso que seus livros estão fazendo. Em seu país natal, a trilogia já foi adaptada para o cinema.

O filme conta a história de Mikael Blomkvist (Michael Nyqvist), um jornalista econômico e um dos criadores da prestigiada revista Millenium. Ele acaba de ser condenado a três meses de prisão por supostamente ter difamado um poderoso empresário. Poucos dias depois é contratado por Henrik Vanger, outro grande empresário, que o incumbe de descobrir o paradeiro de Harriet Vanger, sua sobrinha desaparecida há 40 anos. Essas poucas linhas resumem a história e foi exatamente isso que eu escrevi quando fiz a resenha do livro.

O fato, agora, é que estamos lidando com outra linguagem: o cinema. E se eu achei o livro por vezes excessivamente descritivo, exagerado até, na tela isso some. Apesar de ter 2 horas e 30 minutos de duração, o filme não cansa. A estimulante trama desenvolvida por Stieg foi bem adaptada para o cinema nas mãos dos roteiristas Nikolaj Arcel e Rasmus Heisterberg.

Lisbeth e Mikael

Lisbeth e Mikael

E claro, quem ajuda Mikael Blomkvist a certa altura da trama? Ela, a hacker antissocial Lisbeth Salander, interpretada por Noomi Rapace, que mergulhou na personagem e fez um trabalho muito bom. A interação improvável (relacionamento sexual, inclusive) entre um quarentão e a jovem problemática é um dos pontos interessantes do longa.

O diretor consegue conduzir bem a grande quantidade de personagens existentes na obra, além de suprimir fatos desnecessários para o entendimento da história, como alguns relacionamentos amorosos de Blomkvist. Senti isso, porque mesmo tendo lido o livro e sabendo quem é o assassino desde o começo, por exemplo, consegui me surpreender com as descobertas da dupla.

Outro fato importantíssimo da obra e que não foi deixado de lado ou amenizado é a questão da perversão sexual. Fundamental para entendermos porque estes homens não amavam as mulheres.

“Os homens que não amavam as mulheres” merece ser visto simplesmente porque é um thriller muito bem feito.

Confira o trailer abaixo:

Crítica de disco: Manuscrito

capaForam 17 anos de carreira junto ao irmão Júnior. Este, antes de Sandy, lançou um disco em 2008 com sua banda de rock 9 Mil Anjos (9MA), que infelizmente não foi bem-sucedido. O disco não é bom.


O tão esperado 1° álbum solo de Sandy Leah, que chama-se Manuscrito, e que chegou às lojas nesta sexta-feira (7), parece a continuação dos discos que a cantora fazia com o irmão, especialmente os álbuns que se diziam mais amadurecidos, como o último da dupla. E para fazer um parêntese, este comentário não deprecia a dupla, já que, apesar de nunca ter sido um grande fã, gosto muito de algumas canções.


Manuscrito tem 13 faixas de um pop que não traz acréscimo à carreira de Sandy. Tanto melodicamente quanto liricamente. As letras confessionais de Sandy não revelam nada de muito…revelador e desfilam clichês como “a vida não tem manual”!. “Discutível Perfeição”, do último disco de Sandy como dupla, tem uma letra muito mais confessional. As músicas tem arranjos pouco inventivos, opacos, sem graça.


Este tempo que Sandy ficou de molho, fazendo pequenos shows, nos quais cantava basicamente músicas da MPB tradicional e clássicos do Jazz, em minha cabeça indicava um caminho diferente para a artista, que explorasse sua bela voz, inclusive com letras mais bem compostas, dela ou não. Com esse disco ficou claro, como ela mesma afirmou, que enveredar por esse tipo de canção ainda está longe de sua capacidade como artista, embora cante bem determinados temas.


Mas, sinceramente, esperava muito mais das músicas, do canto, das letras de Manuscrito. Achei que Sandy pudesse fazer um pop mais consistente.


Todas essas minhas observações talvez sejam fruto de alguns fatos que giram este disco. Dois deles têm os nomes de Lucas Lima e Júnior Lima, produtores do trabalho. Quase todas as faixas são dela juntamente com o irmão e o marido. Para mim, o disco tem cara de Sandy e Júnior, com muito menos força pop e com alguma chatice musical da Família Lima.

A melhor música do disco, para mim, é “O que faltou ser”, justamente um das duas canções que ela fez sozinha. Sim, “Pés Cansados” é outra faixa bonitinha. Mas talvez Sandy devesse esperar mais tempo e tentasse compor o álbum inteiro ou procurasse parceiros que lhe dessem outras perspectivas, outras cores musicais. Saiu insosso.


Eu torcia para que este disco batesse em mim como uma Juliana Khel ou Céu: boas letras, bons arranjos, boas melodias. Não aconteceu, embora seja nitidamente um disco bem produzido pela dupla citada acima e que soe (ponto para ela) como se Sandy não quisesse impressionar a crítica, que ainda torce o nariz para a sua trajetória.


Músicas:
1.  Pés cansados (Sandy Leah / Lucas Lima)
2.  Quem eu sou (Sandy Leah / Lucas Lima)
3.  Tempo (Sandy Leah / Lucas Lima)
4.  Ela / Ele (Sandy Leah / Lucas Lima)
5.  Dedilhada (Sandy Leah / Junior Lima / Lucas Lima)
6.  Sem jeito (Sandy Leah / Lucas Lima)
7.  Duras pedras (Sandy Leah / Lucas Lima)
8.  O que faltou ser (Sandy Leah)
9.  Perdida e salva (Sandy Leah / Lucas Lima)
10. Dias iguais (Sandy Leah / Nerina Pallot)
11. Mais um rosto (Sandy Leah / Lucas Lima / Junior Lima)
12. Tão comum (Sandy Leah / Junior Lima / Lucas Lima)
13. Esconderijo (Sandy Leah)

Você pode ouvir Manuscrito aqui