O Filho da Revolução

Quase um mês sem escrever no blog. O tempo quando me dava folga, também já tinha me deixado sem a mínima vontade de escrever. A única coisa que eu pensava era descansar, mesmo que eu não conseguisse da forma que eu queria.

Enquanto o Vinil esperava por um texto novo, eu vi uns filmes, entre eles “Alice no País das Maravilhas”, de Tim Burton. Gostei muito. Eu adoro a estética gótica de Burton. Ele nos trouxe uma Alice mais madura, em busca da própria felicidade. Ouvi alguns discos, entre eles o “Volume Two”, da dupla She & Him, da maravilhosa e linda atriz Zooey Deschanel e do produtor Matt Ward. Recomendo o primeiro álbum, como já escrevi aqui, e também este segundo, que segue a mesma linha de melodias doces, sonhadoras e inspiradas. E li alguns livros, entre eles a biografia de Renato Russo escrita pelo jornalista Carlos Marcelo, “Renato Russo – O Filho da Revolução”. E é sobre ela que vou falar.

livroQuando passei pela livraria, há alguns meses, e me deparei com este livro, aquela força, que só quem ama os livros sabe, me puxou para esta obra.

Eu sempre gostei de Legião Urbana, fez parte da minha pré-adolescência e adolescência de forma muito forte. O primeiro disco deles que ouvi foi o “Quatro Estações”, ainda em vinil. As músicas do grupo sempre mexeram comigo. O mais legal é que até hoje descubro coisas muito bonitas nas letras de Renato Manfredini Júnior, que hoje considero o maior da geração 80. Não, minha admiração por Cazuza continua, simplesmente adoro. Mas confesso que Renato – apesar de “Brasil”, “O Tempo Não Para” e “Pro Dia Nascer Feliz” (que se tornou um hino da redemocratização do Brasil) – criou uma obra que radiografa de forma mais contundente o fim da ditadura e o início da abertura para a democracia. Renato foi mais sensível, atacou as filigranas dos sentimentos, dos anseios de uma geração. E olha que, repito, sou um grande fã de Cazuza!

O jornalista Carlos Marcelo – que nasceu em João Pessoa (PB), mas vive em Brasília desde 1985 – fez uma pesquisa monumental, trouxe muitos detalhes que talvez um fã de Legião e Renato não conheça. O livro é recheado de belas fotos da turma, além das imagens de parte das anotações dos cadernos de Renato.

Não me considero um especialista no assunto, mas já li muita coisa sobre a geração 80 e o rock de Brasília. Mesmo assim, me foram reveladas minúcias que desconhecia completamente. Não vou contar tudo, obviamente, mas quem sabe que Renato Russo foi colega de classe no 2º grau do nosso Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional? Pior, que Renato vetou a participação dele num trabalho em grupo? E quem desconfiava que Renato foi ator com participação em algumas peças teatrais e um filme-curta-metragem? Melhor, era reconhecidamente bom ator.

renatoAs melhores descobertas que fiz lendo o livro ficam por conta do processo criativo de Renato, do seu talento em escrever letras simples, mas muito profundas, fruto de uma época que as mensagens já não precisavam ser tão cifradas (mais ainda assim, algumas letras foram censuradas), como em décadas anteriores. Renato foi filho do punk, adorava Sid Viciuos, do Sex Pistols; Renato escrevia como quem dava um soco, nada mais contundente.

Ler sobre a transformação de Renato Manfredini Júnior em Renato Russo foi emocionante: a banda imaginária que tomou cadernos e mais cadernos do jovem Renato; sua primeira banda oficial, o Aborto Elétrico; os livros que lia; os discos que ouvia; o Renato professor de inglês; o Renato ídolo.

O mérito do livro, no entanto, é justamente não focar o tempo todo no seu personagem principal, como se ele vivesse fora do seu tempo e do espaço, pairando sobre as cabeças dos que viveram aquele período. Pelo contrário, Carlos Marcelo fala dos pormenores da vida naquela época, dos fatos que marcaram as pessoas que viveram aquele momento histórico. Dessa forma, o biógrafo nos mostra o ambiente no qual a mente de Renato foi criada.

“Renato Russo – O Filho da Revolução” é a tentativa bem-sucedida de revelar a sensibilidade de um homem que foi capaz de catalisar o que se passava (se passa) nos corações de milhões de brasileiros.

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