Guerra ao Terror ou Avatar?

lockerTalvez seja consenso afirmar que apesar da beleza plástica de Avatar, é Guerra ao Terror o melhor filme do ano. Dos dez indicados, até agora, vi três: Distrito 9, que achei excelente, Avatar e Guerra ao Terror. E posso dizer seguramente, que não há comparação entre os dois principais indicados: Guerra ao Terror, que recebeu nove indicações, assim como Avatar, é um filme muito melhor. Estou falando da construção dos personagens, da direção, do roteiro, enfim, do que realmente importa na hora de julgar uma produção.

Quem viu Avatar no cinema, como eu, certamente ficou impressionado com os efeitos visuais do longa. James Cameron nos deu entretenimento de primeira, fascinante, mágico. Construiu Pandora, a cidade dos gigantes Na’vi, com se ela realmente existisse. Foi de tamanha maestria, que é quase impossível dizer que aquela floresta não é real, com sua vegetação e fauna digitais. Deu um passo a frente do Senhor dos Anéis e seu Golum. Os Na’vi são muito mais fluidos em seus movimentos, muito mais reais. Mas a história não passa de uma frágil camada para dar suporte ao atrativo principal do filme: os efeitos visuais! E com certeza Avatar merece ganhar todos os Oscar nos quesitos técnicos.

Mas, ao contrário do que acontece com o longa do diretor do laureado Titanic, Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow, nos traz um filme com personagens profundos, com dramas que nos fazem refletir muito além de um romance banhado em mel. A diretora, que foi ex-mulher de Cameron, dirigiu um filme de guerra, mas uma guerra interna, psicológica, que tem como pano de fundo a inutilidade dos conflitos que cercam o mundo.

Kathryn segura a estatueta do Bafta. Guerra ao Terror vence na categoria Melhor Filme. Avatar também concorreu com 8 indiações.

Kathryn segura a estatueta do Bafta. Guerra ao Terror vence na categoria Melhor Filme. Avatar também concorreu com 8 indiações.

O longa-metragem conta a história de um grupo de soldados dos Estados Unidos que são especialistas em desativar bombas deixadas por revoltosos em diversos pontos do Iraque, durante a guerra neste país. Guerra esta arquitetada pelo governo norte-americano. O roteiro é do estreante ( e que estreia!) Mark Boal.

No centro das ações está o sargento William James, interpretado pelo ótimo Jeremy Renner. O papel desenvolvido por Jeremy na trama nos mostra que apesar da crueza e da falta de sentido da guerra, o que poderia torná-lo insensível, faz dele uma pessoa preocupada com tudo e todos. Vemos ele sofrer, vemos o quanto está sensível a todo aquele horror, embora seja um tanto imprudente durante a execução de suas tarefas. Difícil não ficar tenso ao vê-lo desarmar uma bomba, que o mataria instantaneamente, sem nenhum tipo de proteção.

Diante daquele conflito é fácil perder o controle e fica difícil julgar os saldados quando estes hostilizam um taxista, pensando se tratar de um terrorista. Creio que não é correto julgar tão facilmente as ações de homens que são colocados no meio do inferno, tendo que tomar decisões para salvar suas vidas e de inocentes. Ao mesmo tempo sabemos que determinadas ações são absolutamente condenáveis. Em uma cena, o coronel interpretado pelo excelente David Morse olha para um iraquiano ferido e a despeito do soldado que diz que o homem ficará bem se levado para um hospital, manda matá-lo sumariamente.

Interessante também é notar, que apesar de todo o sofrimento suscitado pela guerra e pela destruição que ela deixa, o sargento William James nada mais sabe fazer do que vestir sua roupa de desarmador de bombas e entrar em ação. É comovente quando o vemos deslocado em seu lar, depois de ter voltado para casa. Mesmo a mulher e o filho não o fazem se desligar da sua verdadeira vocação e talento. Pouco tempo depois ele está de volta ao seu verdadeiro habitat.

Cada um fará uma leitura política do filme. O que ficou para mim foi a inutilidade das guerras, a destruição em vão de vidas, o esfacelamento psicológico e uma sensação de vazio e incapacidade. Para quê?

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7 pensamentos sobre “Guerra ao Terror ou Avatar?

  1. Bruno é muito precipitado. Relaxe, meu caro eheh
    Fazer entretinimento e passatempo cinematográfico de qualidade é muito difícil. A maioria dos blockbusters de Hollywood são uma bosta, mas Avatar é acima da média.
    Claro, como cinema Guerra ao Terror é muito melhor, é mais filme, é mais história.

  2. Ótima análise. Comentário fundamentado. Guerra ao Terror levou seis estatuetas merecidas. No entanto, Avatar e Bastardos Inglórios não serão esquecidos facilmente. Entretenimento de primeira.

    Abraços,

    Ari

  3. Sinceramente, assisti Guerra ao terror ontem, e não gostei nenhum pouco. Muito sensacionalismo americano, roteiro ruim, o filme não tem início, meio e fim, os enquadramentos de camera são forçados d+. A única coisa que eu gostei foi da fotografia e do som. O resto é lixo. É mais um documentário do que um filme que deveria lhe proporcionar entreterimento.

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