Guerra ao Terror ou Avatar?

lockerTalvez seja consenso afirmar que apesar da beleza plástica de Avatar, é Guerra ao Terror o melhor filme do ano. Dos dez indicados, até agora, vi três: Distrito 9, que achei excelente, Avatar e Guerra ao Terror. E posso dizer seguramente, que não há comparação entre os dois principais indicados: Guerra ao Terror, que recebeu nove indicações, assim como Avatar, é um filme muito melhor. Estou falando da construção dos personagens, da direção, do roteiro, enfim, do que realmente importa na hora de julgar uma produção.

Quem viu Avatar no cinema, como eu, certamente ficou impressionado com os efeitos visuais do longa. James Cameron nos deu entretenimento de primeira, fascinante, mágico. Construiu Pandora, a cidade dos gigantes Na’vi, com se ela realmente existisse. Foi de tamanha maestria, que é quase impossível dizer que aquela floresta não é real, com sua vegetação e fauna digitais. Deu um passo a frente do Senhor dos Anéis e seu Golum. Os Na’vi são muito mais fluidos em seus movimentos, muito mais reais. Mas a história não passa de uma frágil camada para dar suporte ao atrativo principal do filme: os efeitos visuais! E com certeza Avatar merece ganhar todos os Oscar nos quesitos técnicos.

Mas, ao contrário do que acontece com o longa do diretor do laureado Titanic, Guerra ao Terror, de Kathryn Bigelow, nos traz um filme com personagens profundos, com dramas que nos fazem refletir muito além de um romance banhado em mel. A diretora, que foi ex-mulher de Cameron, dirigiu um filme de guerra, mas uma guerra interna, psicológica, que tem como pano de fundo a inutilidade dos conflitos que cercam o mundo.

Kathryn segura a estatueta do Bafta. Guerra ao Terror vence na categoria Melhor Filme. Avatar também concorreu com 8 indiações.

Kathryn segura a estatueta do Bafta. Guerra ao Terror vence na categoria Melhor Filme. Avatar também concorreu com 8 indiações.

O longa-metragem conta a história de um grupo de soldados dos Estados Unidos que são especialistas em desativar bombas deixadas por revoltosos em diversos pontos do Iraque, durante a guerra neste país. Guerra esta arquitetada pelo governo norte-americano. O roteiro é do estreante ( e que estreia!) Mark Boal.

No centro das ações está o sargento William James, interpretado pelo ótimo Jeremy Renner. O papel desenvolvido por Jeremy na trama nos mostra que apesar da crueza e da falta de sentido da guerra, o que poderia torná-lo insensível, faz dele uma pessoa preocupada com tudo e todos. Vemos ele sofrer, vemos o quanto está sensível a todo aquele horror, embora seja um tanto imprudente durante a execução de suas tarefas. Difícil não ficar tenso ao vê-lo desarmar uma bomba, que o mataria instantaneamente, sem nenhum tipo de proteção.

Diante daquele conflito é fácil perder o controle e fica difícil julgar os saldados quando estes hostilizam um taxista, pensando se tratar de um terrorista. Creio que não é correto julgar tão facilmente as ações de homens que são colocados no meio do inferno, tendo que tomar decisões para salvar suas vidas e de inocentes. Ao mesmo tempo sabemos que determinadas ações são absolutamente condenáveis. Em uma cena, o coronel interpretado pelo excelente David Morse olha para um iraquiano ferido e a despeito do soldado que diz que o homem ficará bem se levado para um hospital, manda matá-lo sumariamente.

Interessante também é notar, que apesar de todo o sofrimento suscitado pela guerra e pela destruição que ela deixa, o sargento William James nada mais sabe fazer do que vestir sua roupa de desarmador de bombas e entrar em ação. É comovente quando o vemos deslocado em seu lar, depois de ter voltado para casa. Mesmo a mulher e o filho não o fazem se desligar da sua verdadeira vocação e talento. Pouco tempo depois ele está de volta ao seu verdadeiro habitat.

Cada um fará uma leitura política do filme. O que ficou para mim foi a inutilidade das guerras, a destruição em vão de vidas, o esfacelamento psicológico e uma sensação de vazio e incapacidade. Para quê?

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O despertar de uma paixão

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Os atores Pierre Baitelli e Malu Rodrigues

Posso contar nos dedos das mãos o número de vezes que fui ao teatro. Não que eu não goste, pelo contrário, mas a facilidade em ver filmes e ouvir discos é muito maior para mim, principalmente com o advento da internet, que possibilita o contato com milhares de opções e de forma gratuita. E claro, tanto a música quanto o cinema são as formas de arte pelas quais sou apaixonado.

O Submarino, A Bofetada (2 vezes), Novíssimo Recital da Poesia Baiana (2 vezes), Suburbano Coração, Casas de Cazuza e Quem Matou Maria Helena foram os espetáculos que vi até hoje.

Ontem, 21, antes de dormir, resolvi passar alguns canais e me deparei com o programa da TVE chamado “Arte”, apresentado pelo ator Sérgio Britto. Deixei rolar e simplesmente adorei o que vi: O Despertar da Primavera. Foi a primeira vez que tive vontade de viajar para ver um espetáculo teatral. Tenho esperança da peça aportar por aqui..estou rezando para isso! Temos o Teatro Castro Alves, oras!

Charles Möeller no lançamento do seu livro Os Reis dos Musicais

Charles Möeller no lançamento do seu livro "Os Reis dos Musicais"

A peça é dirigida por Charles Möeller com supervisão musical de Cláudio Botelho, dois veteranos dos musicais, com 22 encenações no currículo…e os caras são novos! Graças a Deus e a eles o mercado de musicais no Brasil cresceu e pode ser considerado algo respeitável, a ponto da Broadway liberar os direitos da peça para que os dois brasileiros fizessem as modificações que achassem cabíveis.

Letícia Colin é Ilse

Letícia Colin é Ilse

Eu sempre fui fascinado pelo universo dos jovens, dos adolescentes em particular, porque é uma fase muito estranha, de modificações extremas, que provocam maremotos internos, tornados de hormônios. E durante esses anos vi a maioria dos textos sobre este universo descambar para o clichê vergonhoso.

Imagine a repressão da Alemanha do final do século XIX? Pois é, nesse cenário onde questionar era obsceno vem o excelente escritor Frank Wedekind e coloca em seu texto, de forma crua e genial, questionamentos a respeito do incesto, da masturbação, da virgindade, do estupro, do aborto, da homossexualidade etc etc. Por conta disso a peça só pôde ser encenada de forma profissional 83 anos após ser escrita!

Rodrigo Pandolfo (Moritz), Pierre Baitelli (Melchior) e Malu Rodrigues (Wendla)

Rodrigo Pandolfo (Moritz), Pierre Baitelli (Melchior) e Malu Rodrigues (Wendla)

Eu fui atrás de tudo a respeito dos atores, dos diretores, das músicas, e de fato tudo que ouvi e li só me fez ficar mais apaixonado pela montagem brasileira da peça de Wedekind. Saí hoje para comprar o livro, mas não achei em lugar nenhum. Nem na Estante Virtual, que costumo encontrar tudo, o livro estava disponível! Decepção!

Bom, abaixo retirei um texto do site do diretor, que explicar melhor a peça, seu contexto histórico etc. Clicando aqui você pode ver o site completo, com muitas fotos, ficha técnica e outras histórias sobre a montagem. Clicando aqui você pode fazer de forma gratuita o download das músicas que fazem parte do espetáculo.

O Despertar Original e seu autor

Frank Wedekind

Frank Wedekind

‘O Despertar da Primavera’ se passa na Alemanha no final do século XIX e conta a história de Melchior Gabor e Wendla. Ele, um jovem brilhante e rebelde que ousa questionar os dogmas vigentes. Ela, integrante de uma família de classe média alta, educada por uma mãe com rígidos princípios morais e religiosos. O encontro dos dois irá provocar a explosão do desejo, da vontade de conhecer o sexo e o amor. A história deles se cruza com a de vários outros jovens, como o oprimido e trágico Moritz ou a bela Ilse, que tem a coragem de usufruir de sua liberdade e se aventurar pelo mundo. Todos têm que enfrentar o peso da repressão e do conservadorismo, nos mais diversos estágios da sociedade. Questões como abuso sexual, violência doméstica, gravidez na adolescência, prostituição e suicídio e homossexualismo, entre outros, vêm à tona na vida desses jovens.

A peça original denunciava os preconceitos e o conservadorismo das três principais instituições que regem a educação do homem: a família, a igreja e a escola. É considerada um dos precursores do expressionismo, movimento artístico que se caracterizou por uma oposição ao naturalismo. O teatro expressionista é anti-realista, utilizando-se, quase sempre, de uma dramaturgia combativa com ênfase nos conflitos sociais e de um estilo de cenografia que optava pela fantasia, com espaços que não são mero fundo para a ação teatral, mas interagem e atuam como um novo personagem.

O original de Wedekind causou imensa polêmica na época de seu lançamento por tocar em tabus e levantar a bandeira da liberdade, questionando a repressão tanto no seio da família quanto no sistema de ensino alemão. Sem encontrar editores que bancassem o projeto, o próprio autor financiou a publicação, em edição limitada. A primeira montagem foi apenas em 1906, tendo o jovem Peter Lorre no papel de Moritz e Lotte Lenya como Ilse, mas logo o espetáculo foi proibido, e em 1908 foi vetada qualquer manifestação sobre ‘O Despertar’, com punições que poderiam levar os infratores para a prisão.

Em 1912, Wedekind conseguiu novamente montar o texto na Inglaterra, mas somente em alemão e com portas fechadas.  Nos Estados Unidos, a autorização para uma versão em inglês foi obtida apenas em 1917, mas um dia antes da estreia, em Nova York, o espetáculo foi novamente vetado. Com a mobilização da classe artística local, foi possível uma única apresentação. No ano seguinte, Wedekind faleceu e não pôde assistir ao renascimento da sua peça, que, com o apogeu do nazismo, ficou esquecida durante anos.

A filha de Wedekind, Kadidja, se exilou na América e conseguiu montar o espetáculo na Universidade de Chicago, em 1958. Logo, ‘O Despertar da Primavera’ se tornou obrigatório nas escolas norte-americanas e virou um hino entre os jovens, com uma série de encenações ao redor do mundo.

A primeira montagem profissional e não adulterada de ‘O Despertar da Primavera’ se deu apenas em 1974 na Inglaterra, 83 anos após o texto ter sido escrito. A produção foi extremamente incensada e reverenciada pela crítica, e muito de sua força vinha da brilhante tradução de Edward Bond, “escrupulosamente fiel à poesia e ironia de Wedekind”, segundo o London Times. Esta versão inglesa foi a base de todo o trabalho de adaptação para o musical.

Wedekind foi, sobretudo, um feroz inimigo da hipocrisia social e combateu dogmas da sociedade, especialmente na sua negação dos instintos sexuais. Escreveu espetáculos polêmicos como ‘O Espírito da Terra’, ‘A Caixa de Pandora’, e ‘A Morte e o Demônio’, que compunham a trilogia ‘Lulu’. “Ele pagou um alto preço por ter coragem de desmistificar os tabus e celebrar a vida. A cultura ocidental reverencia a morte, mas recusa o ponto de partida, que é o sexo. Ele sabia que a informação era uma arma poderosa. A ignorância leva ao extermínio”, finaliza Charles.

Entrevista: Valdeck Almeida de Jesus

capa3Valdeck Almeida de Jesus, 43 anos, é jornalista, funcionário público, editor de livros e palestrante. Membro correspondente da Academia de Letras de Jequié e efetivo da União Brasileira de Escritores. Embaixador Universal da Paz. Publicou os livros “Memorial do Inferno: a saga da família Almeida no Jardim do Éden”, “Feitiço contra o feiticeiro”, “Valdeck é Prosa e Vanise é Poesia”, “30 Anos de Poesia”, “Heartache Poems”, dentre outros, e participou de mais de 60 antologias. Organiza e patrocina o Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia, desde 2005, o qual já lançou mais de 600 poetas.

Nesta entrevista ele fala da poesia baiana, de suas influências, do mercado editorial brasileiro e muito mais.

Você pode conhecer mais sobre Valdeck, além de textos do autor pelo site: www.galinhapulando.com.

Se quiser entrar em contato com Valdeck, seu e-mail é valdeck2007@gmail.com.


1 – O concurso Valdeck Almeida revela muitos autores de poesia no Brasil. Algum desses autores já obteve alguma repercussão que ultrapassou as páginas da colêtanea organizada por você?


Sim… São muitos os participantes, cerca de 200 todo ano. Poderia citar, por exemplo, Leandro de Assis, que participou de uma oficina de poesias, em 2005, quando coloquei um estande na Bienal do Livro da Bahia. Ele foi um dos selecionados para o livro “Poemas que falam”, lançado naquele ano.


Após a publicação da antologia, Leandro me procurou para perguntar como se publica um livro. Dei várias dicas e meses depois ele me apareceu com poemas originais que mantinha guardados em gavetas. Fiz sugestão de correções ortográficas, prontamente aceitas. O sonho dele, de publicar um livro próprio, estava a apenas alguns passos. A insistência com que o poeta me escrevia me chamou muito a atenção. Ele me pediu para prefaciar o livro e encaminhar para editoração. Fiz e, algum tempinho depois, ele me apareceu, todo faceiro, com um exemplar produzido de forma independente por uma editora carioca. Foi o primeiro passo desse poeta.


Na época ele cursava História e não tinha muito tempo para dedicar à literatura. Após a conclusão do curso, sua sede de escrever e de promover arte o fez fundar o projeto Fala Escritor, que acolhe poetas inéditos e publicados. Todo segundo sábado de cada mês essa galera se reúne em um grande shopping da cidade pra recitar, declamar, lançar livros, cantar e encantar uma plateia cada vez mais heterogênea. A última edição do Fala Escritor foi durante o Fórum Social Mundial Temático, em Salvador, com lançamentos de vários livros e o encontro de poetas e cordelistas de vários estados.


Acho que este é o principal exemplo, mas tenho notícias de outros escritores que realizam concursos, lançam livros e elaboram projetos pelo país a fora, incentivados pela participação no Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus de Poesia.


2 – Falando no prêmio, que vai publicar este ano 133 autores na sua coletânea, é muito difícil fazer a seleção? Dói deixar algumas pessoas de fora? Somente você escolhe ou tem uma equipe que avalia? Conte um pouco desse processo, Valdeck.


Doer, dói. Este prêmio não tem taxa de inscrição nem os participantes são obrigados a comprar exemplares do livro pronto, como ocorre em vários projetos de antologia que existem por aí.


Eu iniciei este prêmio para dar oportunidade a tantos poetas sonhadores que, como eu, ficam imaginando que um dia alguém dará chance à poesia e aos inéditos. Penei por mais de 20 anos, acreditando em promessas vãs, até que resolvi botar o pé na estrada e fazer acontecer.


Muita gente fica de fora, pois eu não tenho condições de bancar um projeto maior. Eu pago tudo, eu recebo os trabalhos via e-mail ou pelos correios, vou catalogando durante o ano inteiro. Em dezembro eu envio os textos para uma equipe composta por escritores, professores de língua portuguesa e literatura, um jornalista, um relações públicas e leitores. Depois da seleção, vem a pior parte: anunciar os vencedores e avisar àqueles que não puderam entrar no livro. Uma vez recebi uma mensagem de um poeta mineiro, que mais parecia um recurso para um evento grandioso. Ele implorava que o seu texto fosse revisto e que entrasse no livro. Infelizmente, por causa de espaço, não pude atendê-lo e chorei muito, em silêncio, no meu quarto, pois sabia que aquela poderia ser uma chance única para aquele poeta. Resolvi, então, fazer um livro separado, somente com os poetas que não tinham sido selecionados. Publiquei-o virtualmente, num desses sites da internet. Não somente ele ficou muito feliz e me agradeceu muito, como recebi um montão de mensagens me endeusando, me dizendo palavras belas, lindas e maravilhosas que me incentivaram a manter o projeto, apesar da falta de apoio.

Este ano resolvi continuar publicando o livro principal, com os textos escolhidos e um outro, secundário, onde entram todos os inscritos. O livro principal é lançado nas Bienais do Livro de São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. Os dez primeiros colocados no livro principal, recebem um exemplar da coletânea. Os demais, infelizmente, caso desejem obter o livro, devem comprá-lo, a preço de custo, pois o projeto não visa lucros. Até 2007 eu enviava exemplares gratuitos a todos os participantes, mas, a partir de então, não pude mais bancar isso, pois no ano seguinte foram 242 selecionados e uma edição grande como essa custa uma fortuna, o que não possuo.


3 – Valdeck, você saberia responder por que o mercado editorial para poesias é tão fraco no Brasil? Claro, podemos pensar em falta de estímulo nas escolas, etc. Você tem alguma teoria? As pessoas realmente se interessam pouco por poesia? Ou será que há poucos poetas de qualidade? Qual sua avaliação?


Há milhões de poetas no país. A maioria engavetada, por medo, vergonha ou falta de incentivo. Falta estímulo nas escolas, pois a educação atual é voltada para preparar pessoas para o mercado de trabalho, que é mecânico, mercantilista e que só visa a produção em larga escala.


Poesia é algo sublime. Arte é sensibilidade e precisa de tempo e espaço, o que hoje em dia custa caro. As pessoas querem resultado financeiro, querem comprar carro, morar em bairros “nobres” e isso toma o tempo todo, do trabalho para casa e vice-versa. Competir no mundo atual é algo insano. Você precisa matar uma manada de animais gigantes todos os dias, para juntar umas moedas. E o preço das mercadorias sobem vertiginosamente, obrigando aos operários a trabalharem cada vez mais para garantir, no máximo, a ração diária de comida… Não sobra tempo para reflexão, para pensar e criticar o processo de sobrevivência.


As pessoas que pensam, que revolucionam, precisam ser freadas pelo sistema. Então, a solução é não incentivar leitura, não incentivar a escrita, não incentivar pensadores, pois isso tudo é prejudicial ao sistema. Não publicar poesias ou literatura que abale os alicerces do sistema é benéfico para quem tem o poder. Fica mais fácil governar um estado com milhões de analfabetos funcionais do que abrir as portas para o debate… Então, eis a resposta…


4 – Gostaria que você citasse poetas baianos ou não que influenciaram sua escrita, se houver tais autores. Também gostaria que citasse alguns poetas ou escritores de romance da nova geração que você identifica como grandes talentos.


Eu leio de tudo, desde criança… De rótulos de shampoos a bulas de remédio, literalmente. Eu não tive condições para comprar livros, ter acesso a uma educação tradicional e de boa qualidade. Sempre frequentei escolas públicas e lia revistas e livros achados no lixo. Dentre os escritores que me influenciaram posso citar Augusto dos Anjos, Castro Alves, Gregório de Matos, Jean Wyllys, Domingos Ailton (Academia de Letras de Jequié), Jorge Amado, Guimarães Rosa, Machado de Assis, dentre outros. Não sei como classificar um escritor. Cada um tem um talento, uma forma peculiar de escrever e de enxergar o mundo, todas válidas… Cada um tem uma dimensão, um valor único.


Da nova geração de escritores que conheço de perto, posso citar:

Léo Dragone, um romancista que tem linguagem cinematográfica. O primero livro dele, “Diário de Rafinha: as duas faces de um amor”, é um sucesso entre os leitores. Quem pega não consegue largar até o final. Dragone prende o leitor, faz a pessoa ficar curiosa e instigada. Sua escrita encanta a jovens e adultos. Ele é uma das grandes promessas da Bahia nos últimos anos.


Renata Rimet, poeta também iniciante, que fala do cotidiano, das coisas simples e do dia a dia com um toque de magia. A poesia dela já invade o mundo literário via internet e faz sucesso também.

Leandro de Assism, poeta e cronista. Os textos dele falam do social. Ele é um observador crítico, que esquadrinha uma praça ou um feijão na rua com um escâner particular, ou seja, a visão de um homem sensato e sensível. Já está no segundo livro de poesias.


Carlos Conrado, natural de Jacobina-BA, que reside em Aracaju. Homem de letras, de pincéis e de eventos. Genial nas poesias críticas, muito bom em recitar. Promove a cultura em Sergipe e já invade a Bahia com seus textos ácidos e bem escritos.


Domingos Ailton, professor de duas universidades, membro da Academia de Letras de Jequié, jornalista, homem de mil talentos. A escrita dele varia de ensaios a poemas.


Grigório Rocha, poeta e sindicalista. Uma arte não inviabiliza a outra. Pelo contrário: Grigório consegue mesclar o melhor de seus dois dons, produzindo poemas de grande profundidade e sensibilidade marcante.

Carlos Alberto Barreto, tradicional na promoção de cultura e arte em Salvador, está à frente da revista Art Poesia, que comemora 11 anos em 2010. Produz antologias de poesias, escreve contos e crônicas. É membro da Academia de Letras do Recôncavo.


Carlos Souza, jornalista e poeta. Escreve artigos para jornais e incentiva a literetura baiana através do apoio na divulgação em jornais, revistas e sites de jornalismo.


Sandra Stabile, poeta e promotora de antologias de poesias. Seus temas preferidos são o amor e a paz.


São tantos que eu relutei muito em citar alguns, para não ser injusto com os que minha memória não me ajuda a recordar.


5 – O que representa em sua vida o ato de escrever? O que este ato significa para seu organismo? Clarice Lispector disse que seria impossível a vida sem a escrita. Para você é assim?


A escrita para mim já é um vício, um vício bom. Eu não consigo colocar os pensamentos em uma tela, fazer um quadro. Meus dedos, uma caneta, as teclas de um computador são como que parte de meu corpo. Escrever é uma válvula de escape, pois eu explodiria se não pudesse derramar no papel ou na tela de um PC tudo o que produzo mentalmente. Sou muito dinâmico e ansioso, produzo o tempo todo. Fico com tiques nervosos se não tenho uma caneta e um papel onde anotar ideias. Às vezes digito mensagens no meu celular e envio para mim mesmo, para não esquecer de algo. É uma verdadeira compulsão. Mas sempre preciso de um tempinho, entre uma produção e outra, para descansar, recarregar as baterias. Às vezes produzo um livro inteiro em um mês, ou fico anos tentando terminar um outro. Muitas vezes eu desligo o celular e o telefone fixo, saio pela cidade, andando, dirigindo ou de ônibus, apenas dando um rolé, olhando o movimento, e daixando a mente descansar… Acho que todo mundo precisa de descanso. Mas logo em seguida retomo o vício de produzir, produzir, produzir…


6 – Em minha opinião, a internet veio para ajudar muitas pessoas que sempre quiseram ver seus textos lidos por outras pessoas. O Recanto das Letras é um exemplo disso. O que você acha da internet para a atividade do escritor? Ela realmente ajuda? E no que diz respeito à qualidade dos textos, você encontra mais ou menos textos bons? Qual a sua avaliação do meio?


A internet é apenas mais um suporte. Não vai fazer ninguém ter fama ou cair no ostracismo, somente por ser um veículo novo, de muitas possibilidades. Há muita coisa boa na rede, mas também há muito lixo e coisas que não merecem publicação. Mas é um direito de todos expressarem suas ideias, dizerem o que pensam. Nesse sentido, a internet veio preencher uma lacuna, dar vez àqueles que jamais terão chance nos jornais impressos, na televisão ou no rádio. A principal qualidade que percebo, além da democratização da informação, é que a rede de computadores, quando bem utilizada, pode, sim, ajudar de forma positiva qualquer profissional, seja ele da linguagem da imagem, do áudio ou da escrita.


7 – O que te inspira, Valdeck? Existem temas mais recorrentes em seus textos ou você escreve sobre tudo? Realmente é um processo de escultor das palavras, com muito suor, ou vem com facilidade? Ou acontecem as duas coisas?


Comigo não tem aquela de “faz um poema pra mim”, pois só faço aquilo que me comove, que me faz sair do lugar comum. Eu jamais escreveria um livro por encomenda, mesmo que ganhasse milhões para isso. O que me incomoda em jornalismo, curso que estou fazendo, são os limites de letras para um título, ter que falar dessa ou daquela forma, seguir padrões e se encaixar num modelo preestabelecido.

Minha literatura é solta. Escrevo tudo o que me emociona, tanto positiva quanto negativamente. Eu não seria um bom assessor de imprensa, por exemplo, pois no dia que o patrão pedisse para fazer um release falando bem de uma ação dele ou inventando algo para “florear” um acontecimento, eu pediria demissão ou seria demitido sumariamente. Sou muito resistente a fórmulas.


Quando escrevo um poema, não faço rascunhos. O texto vem inteiro. E eu devo escrevê-lo assim que ele me vem à mente, caso contrário, se eu deixar para escrever mais tarde, não consigo mais lembrar de nada, não consigo mais rimar “casa” com “asa”.


8 – Uma pergunta que sempre faço: o que representa Deus pra você?


Deus é a natureza, sou eu, é cada um dos viventes, sejam os chamados “animais irracionais” ou os homens. Deus é tudo, é o comando, o leme, o horizonte, é a luz no fim do túnel e além do túnel. Sem Ele eu não seria nada.


9 – Fale um pouco das suas preferências musicais, cinematográficas, artistas plásticos etc. Estas outras formas de arte lhe ajudam a escrever?


Eu não tenho talento para outra coisa senão a escrita. Já tentei canto por seis meses, mas sempre me perdia nos compassos, tempos, essas coisas. No teatro eu sou um bom expectador (risos). No palco talvez eu servisse como comediante, ou num tipo de stand up improvisado. Não gosto de me esforçar para memorizar textos, recitar etc. Não tenho sequer um poema de memória. Frequentei um curso de teatro por um ano e meio e o máximo que consegui foi descobrir que a minha era literatura… Não posso lidar com tintas, por causa de uma alergia… Só me resta escrever.


Gosto de todo tipo de arte:

Músicas: da clássica ao pagode de péssima categoria, como alguns da nova geração; do axé ao rock, do arrocha ao bolero, do tango à lambada. Depende da ocasião e da companhia…

Cinema e TV: novelas, comédia, documentários, fimes de ação e aventura, policiais, ficção científica etc.

10 – E por último, quero que me diga o que um bom escritor deve possuir? Talento basta?


Talento é um dom. Muita gente tem talento e não desenvolve, não pratica. A solução seria escolas, treinamento. Escrever é uma arte que exige leitura, paciência, codificar e decodificar símbolos, ler textos e ler a vida, imagens e sons. E para tudo isso é preciso paciência, como já disse e muita dedicação. O sucesso e o reconhecimento virão com o tempo.

Prêmio literário

bienalPessoal, sei que este blog não tem um número de leitores muito grande. Se tem, não tenho acesso a esta estatística. No entanto, resolvi publicar e dividir com vocês o que para mim é uma conquista.

Acho que a maioria sabe que ser publicado no Brasil por uma editora é muito complicado. Os “nãos” são parte constante dessa luta.  Em um determinado concurso tive a boa notícia de que uma editora publicaria um livro meu, mas eu teria que pagar parte da quantia, dinheiro que não tinha para dispor no momento. Desisti. Mais tarde, por intermédio de uma amiga chamada Carla Martins, mandei meus textos para outro concurso, o de Valdeck Almeida (jornalista e poeta nascido em Jequié).

Para a minha felicidade um soneto meu foi selecionado para entrar na coletânea que será publicada. Mais 132 autores também terão seus textos inseridos na obra.

O livro será lançado na Bienal de São Paulo, que ocorre em agosto deste ano. O livro sai em julho.

O primeiro passo foi dado!

Abaixo, o texto de divulgação:

O livro “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – 2009” é o resultado de um concurso realizado em 2009. Foi mais de 600 poetas inscritos e 133 selecionados para participarem da publicação. O livro será lançado durante a 21ª edição da Bienal Internacional do Livro de São Paulo, no Pavilhão de Feiras do Anhembi. Dentre os poetas estão 27 baianos, além de portugueses e um americano.

Valdeck Almeida acalentou a ideia do concurso desde seus 12 anos de idade, quando teve o primeiro contato com a poesia de Drummond, Castro Alves, Augusto dos Anjos e os cordéis escritos por vários gênios da literatura popular nordestina. Há 32 anos Valdeck compõe poemas e se aventura pelo mundo dos contos e crônicas.

O primeiro livro-filho de poesias, “Feitiço Contra o Feiticeiro”, no entanto, só veio à luz após vinte anos de gestação. Foi parido, parto normal, e caminha até hoje por este Brasil a fora.

Valdeck Almeida de Jesus sabe o que correr atrás de editoras e receber não como resposta. Não queria que outros poetas tivessem a mesma falta de sorte. Por isso, criou o “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus”, que dá oportunidade a gente do mundo inteiro.

Sobre o Organizador

Valdeck Almeida de Jesus é um poeta e sonhador. Lançou os seguintes livros: “Heartache Poems. A Brazilian Gay Man Coming Out from the Closet”, iUniverse, New York, USA, 2004; “Feitiço Contra o Feiticeiro”, Scortecci, São Paulo, 2005; 20% da renda doada às Obras Sociais de Irmã Dulce; “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Scortecci, São Paulo, 2005; 1ª edição – 100% da renda doada às Obras Sociais de Irmã Dulce; “Jamais Esquecerei do Brother Jean Wyllys”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006; “1ª Antologia Poética Valdeck Almeida de Jesus”, Casa do Novo Autor, São Paulo, 2006; “Memorial do Inferno. A Saga da Família Almeida no Jardim do Éden”, Giz Editorial, São Paulo, 2007 – 2ª edição; Participa de mais de vinte antologias de poesias. Por seus trabalhos em prol da literatura e da paz, foi nomeado Embaixador Universal da Paz em janeiro de 2010, pelo Círculo dos Embaixadores da Paz da Suíça e França. A entidade é ligada à Organização das Nações Unidas (ONU).

Site pessoal: http://www.galinhapulando.com

Título: “Prêmio Literário Valdeck Almeida de Jesus – 2009” – poesias

Org. Valdeck Almeida de Jesus

Editora: Giz Editorial

Páginas: 215

Onde comprar: Giz Editorial (on-line) ou direto com o organizador.

21ª BIENAL INTERNACIONAL DO LIVRO DE SÃO PAULO 2010

http://www.bienaldolivrosp.com.br/

12 a 22 de agosto de 2010, das 10 às 22 horas

Parque de Exposições Anhembi

Avenida Olavo Fontoura, 1209

Bairro Santana – São Paulo–SP

Juliana Kehl

capaEla é paulistana e tem 32 anos. É formada em artes plásticas pela FAAP, de São Paulo. Lançou seu primeiro álbum em novembro de 2009, que leva seu nome e contém 12 músicas, das quais 10 são de sua autoria. Desde ontem se tornou meu novo entusiasmo. Ela se chama Juliana Kehl, cantora e compositora de primeira.


Foi no meu habitual giro pelos sites de jornais e revistas nacionais, que descobri essa linda cantora.

Uma coisa que notei, e pode parecer tardia essa minha observação, é que em tempos onde compomos, produzimos e lançamos nosso próprio material, sem aval de grandes corporações, tenho visto alguns artistas lançando seus trabalhos “tardiamente”. Não há mais “seu tempo já passou”! Qualquer hora é hora e sempre encontro coisas muito boas!


kehlJuliana Kehl começou sua carreira de forma engraçada até. Foi assistindo ao filme “The Girl Can’t Help It”, no qual Julie London aparece como fantasma dentro de uma cena cantando “Cry me a River”, que Juliana pensou: “Eu podia ser cantora”. Mais simples impossível, mas foi dessa forma que ela resolveu soltar sua voz. Que bom!

Sua música é uma mistura bem feita entre MPB tradicional e música eletrônica. Claro, não fica por aí, já que podemos encontrar samba nessa salada. Podemos pensar: isso não é bem novidade, já que Fernanda Porto também faz essa mistura muito bem feita. Mas mesmo sabendo que originalidade genuína é algo muito difícil, quando ouvi Juliana, apenas ouvi Juliana. Gostei muito das músicas.

Quero compartilhar com vocês duas delas. Espero que gostem.

Se quiserem conhecer mais a cantora, visitem sua página http://www.myspace.com/julianakehl

Vejam aqui essa entrevista feita por Sérgio Martins, crítico musical da revista Veja.

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garotaAssisti ao filme “Confissões de uma garota de programa”, de Steven Soderbergh – aquele mesmo que fez o clássico cult “Sexo, Mentiras e Videotapes” (1989). O filme traz como protoganista a atriz pornográfica Sasha Grey, que vive a garota de programa do título.

O que posso concluir do filme é o seguinte: ?????????????????????????????????????????????????????????????????????????????

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Sei da importância de Steven Soderbergh para o cinema independente norte americano dos anos 90 e seu talento como cineasta, mas… o que o diretor quis nos dizer com esta experiência?

O longa só não é mais chato porque é relativamente curto, tem 1h15 minutos aproximadamente. Sorderbergh não nos traz nenhum tipo de reflexão sobre o universo das garotas de programa de luxo, nada sobre o porque alguém decide viver de sexo, suas consequências para a vida pessoal etc. É tudo muito diluído em cenas insossas, sem substância.

Não significa falar para dizer algo,nem ter cenas picantes de sexo apenas por se tratar de um filme que gira em torno de uma prostituta. Falo da capacidade do roteiro e do diretor em nos transmitir, mesmo com o silêncio, algum tipo de mensagem. O que não acontece, pelo menos para mim!!!

garotimaChelsea é uma garota de programa de luxo, que possui um relacionamento estável e como qualquer profissional tem de lidar com as dificuldades de sua escolha profissional. OK, esse é o mundo! E daí, Sorderbergh?

O que se salva no filme é justamente a maneira como ele é filmado, a forma como o diretor dirige as cenas, brinca com o tempo, indo e voltando de forma hábil dentro da vida de Chelsea, sem fazer melodramas. E só!