Tudo Pode Dar Certo

tudoOntem terminei “Conversas com Woody Allen”, livro de Eric Lax que traz entrevistas com o diretor e por meio destas tenta nos mostrar um pouco da personalidade de Woody, sua forma de trabalhar, como pintam as ideias, como desenvolve os roteiros, a escolha dos atores, a trilha sonora etc. E claro, quando lemos sobre o artista, lemos o ser humano, para mim não há dissociação.

Hoje vi “Tudo Pode Dar Certo”, seu mais recente trabalho, e confesso que a leitura do livro de Eric Lax fez com que eu enxergasse o longa de forma diferente, como se eu estivesse escutando mais claramente a forma como Woody Allen enxerga a vida. E adianto que gostei do filme, sim, mas ainda prefiro alguns da safra mais recente, como “Vicky Cristina Barcelona” e “Match Point”.

“Tudo Pode Dar Certo” conta a história de Boris Yellnikoff (Larry David – para quem não sabe, Larry é um dos criadores da famosa e cultuada série Seinfeld), que enxerga a vida de forma pessimista e possui a pretensão de compreendê-la melhor por se achar um gênio. Boris não crê em Deus, acha a vida um acaso sem sentido e considera que a melhor maneira de viver é sempre ser gentil com as pessoas, praticar o bem; para ele, esse é o sentido, é com essas atitudes que tudo pode dar certo.

Quando volta de um encontro com os amigos, encontra na porta de sua casa a linda Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), que lhe pede abrigo, já que fugiu de casa e não quer voltar. Eles iniciam uma amizade, que logo se transforma em uma estranha união conjugal. Aos poucos, a mãe e o pai de Melodie encontram a filha e também têm suas vidas mudadas: a mãe passa de uma fútil senhora de classe média para uma artista plástica prestigiada e o pai, que trocou a mãe de Melodie pela melhor amiga dela, descobre que é gay e termina com um simpático sujeito que encontra em um bar, depois de uma conversa na qual desabafam sobre suas vidas desastrosas.

Como disse anteriormente, ler o livro de Eric Lax me fez enxergar com mais força os gostos de Woody. Não é somente os personagens que se expressam, é Woody dizendo que não gosta do pop contemporâneo, que não crê no sentido da vida, que somos uma espécie fracassada e pronta para destruir tudo que encontrar pela frente e seu amor eterno pelo jazz, pelos músicas dos anos 30 ao 50.

O filme tem excelentes atuações, tanto de Larry David, como de Evan Wood e da mãe de Melodie, interpretada por Patricia Clarkson. Outra coisa que noto com mais ênfase agora são os planos-sequencia (que é filmar a ação contínua, sem cortes) muito utilizados pelo cineasta nos seus filmes: como ele disse, por pura preguiça, já que não é preciso muitos movimentos de câmera etc.

 

Woody conversa com Evan Wood

Woody conversa com Evan Wood

“Tudo Pode Dar Certo” é uma obra interessante, divertida, com piadas inteligentes e referências que por vezes a minha mente não captou. É Woody Allen mostrando o que sabe fazer há décadas, nos dando diálogos e situações que nos fazem pensar, mas não é um filme maior dentro da obra dele. Como já disse, “Match Point” é melhor, mais audacioso, mais atraente, mais consistente. Claro, visão deste que vos escreve.

E se me permitem discordar do mestre em um assunto específico, Woody ainda não foi tão profundo em sua argumentação sobre Deus. Claro, crer ou não é algo pessoal e penso que ele não pretende forçar ninguém a aceitar a idéia de que somos serem flutuando em um espaço frio e sem sentido. A minha visão é diametralmente oposta. Pelo que li esses últimos tempos sobre astronomia, as descobertas científicas do século XX, as teorias físicas etc, não acredito no acaso como Woody expõem.

 Pode, sim, existir certo nível de caos e acaso no universo, mas tudo que já foi descoberto leva a crer que existe uma organização muito precisa, que existe a certeza (pelo menos para um grande número – senão para todos – de respeitados cientistas) de que a existência da vida só foi possível porque o universo é milimetricamente ajustado para isso, desde a massa dos prótons e elétrons até o tamanho gigantesco dele (indico o livro do jornalista científico Fred Heeren, “Mostre-me Deus”, já comentado neste blog). Woody não me convence com sua argumentação de ateu. E olha que durante muito tempo tive sérias dúvidas sobre a existência de Deus.

“Tudo Pode Dar Certo” é legal, divertido, inteligente, tem boas piadas. É Woody Allen, menor, mas ainda muito melhor que qualquer “Transformers”, com Megan Fox ou não.

tudopodedarcerto_thumbOntem terminei “Conversas com Woody Allen”, livro de Eric Lax que traz entrevistas com o diretor e por meio destas tenta nos mostrar um pouco da personalidade de Woody, sua forma de trabalhar, como pintam as ideias, como desenvolve os roteiros, a escolha dos atores, a trilha sonora etc. E claro, quando lemos sobre o artista, lemos o ser humano, para mim não há dissociação.
Hoje vi “Tudo Pode Dar Certo”, seu mais recente trabalho, e confesso que a leitura do livro de Eric Lax fez com que eu enxergasse o longa de forma diferente, como se eu estivesse escutando mais claramente a forma como Woody Allen enxerga a vida. E adianto que gostei do filme, sim, mas ainda prefiro alguns da safra mais recente, como “Vicky Cristina Barcelona” e “Match Point”.
“Tudo Pode Dar Certo” conta a história de Boris Yellnikoff (Larry David – para quem não sabe, Larry é um dos criadores da famosa e cultuada série Seinfeld), que enxerga a vida de forma pessimista e possui a pretensão de compreendê-la melhor por se achar um gênio. Boris não crê em Deus, acha a vida um acaso sem sentido e considera que a melhor maneira de viver é sempre ser gentil com as pessoas, praticar o bem; para ele, esse é o sentido, é com essas atitudes que tudo pode dar certo.
Quando volta de um encontro com os amigos, encontra na porta de sua casa a linda Melodie St. Ann Celestine (Evan Rachel Wood), que lhe pede abrigo, já que fugiu de casa e não quer voltar. Eles iniciam uma amizade, que logo se transforma em uma estranha união conjugal. Aos poucos, a mãe e o pai de Melodie encontram a filha e também têm suas vidas mudadas: a mãe passa de uma fútil senhora de classe média para uma artista plástica prestigiada e o pai, que trocou a mãe de Melodie pela melhor amiga dela, descobre que é gay e termina com um simpático sujeito que encontra em um bar, depois de uma conversa na qual desabafam sobre suas vidas desastrosas.
Como disse anteriormente, ler o livro de Eric Lax me fez enxergar com mais força os gostos de Woody. Não é somente os personagens que se expressam, é Woody dizendo que não gosta do pop contemporâneo, que não crê no sentido da vida, que somos uma espécie fracassada e pronta para destruir tudo que encontrar pela frente e seu amor eterno pelo jazz, pelos músicas dos anos 30 ao 50.
O filme tem excelentes atuações, tanto de Larry David, como de Evan Wood e da mãe de Melodie, interpretada por Patricia Clarkson. Outra coisa que noto com mais ênfase agora são os planos-sequencia (que é filmar a ação contínua, sem cortes) muito utilizados pelo cineasta nos seus filmes: como ele disse, por pura preguiça, já que não é preciso muitos movimentos de câmera etc.
Woody conversa com Evan Rachel Wood

Woody conversa com Evan Rachel Wood

“Tudo Pode Dar Certo” é uma obra interessante, divertida, com piadas inteligentes e referências que por vezes a minha mente não captou. É Woody Allen mostrando o que sabe fazer há décadas, nos dando diálogos e situações que nos fazem pensar, mas não é um filme maior dentro da obra dele. Como já disse, “Match Point” é melhor, mais audacioso, mais atraente, mais consistente. Claro, visão deste que vos escreve.
E se me permitem discordar do mestre, em um assunto específico, Woody ainda não foi tão profundo em sua argumentação sobre Deus. Claro, crer ou não é algo pessoal e penso que ele não pretende forçar ninguém a aceitar a idéia de que somos serem flutuando em um espaço frio e sem sentido.
A minha visão é diametralmente oposta. Pelo que li esses últimos tempos sobre astronomia, as descobertas científicas do século XX, as teorias físicas etc, não acredito no acaso como Woody expõem. Pode, sim, existir certo nível de caos e acaso no universo, mas tudo que já foi descoberto leva a crer que existe uma organização muito precisa, que existe a certeza (pelo menos para um grande número – senão para todos – de respeitados cientistas) de que a existência da vida só foi possível porque o universo é milimetricamente ajustado para isso, desde a massa dos prótons e elétrons até o tamanho gigantesco dele (indico o livro do jornalista científico Fred Heeren, “Mostre-me Deus”, já comentado neste blog). Woody não me convence com sua argumentação de ateu. E olha que durante muito tempo tive sérias dúvidas sobre a existência de Deus.
“Tudo Pode Dar Certo” é legal, divertido, inteligente, tem boas piadas. É Woody Allen, menor, mas ainda muito melhor que qualquer “Transformers”, com Megan Fox ou não!
Assista ao trailer abaixo:




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2 pensamentos sobre “Tudo Pode Dar Certo

  1. Aaaahhhh, Sandro! Como é que você foi dizer isso no final? No finalziiinho?? Comparou Woody com Transformers??! Não acredito! Pecado! Mortal!

    Vou tentar esquecer isso! (hahha, que drama) Olha, eu adoro Whatever Works, justamente porque é despretensioso. Ao contrário de Match Point, que é bem mais. Acho que as pessoas gostaram demais de Match Point, que é muito bom, mas eu acho bem semelhante a Crimes e Pecados, e deste eu gosto mais. Mas os que eu amo são “A última noite de Boris Grushenko”, “Trapaceiros”, “Todos dizem eu te amo”, “Vicky Cristina Barcelona”, ihhh, a lista vai ficar grande, let it go…rs

    Beijo!

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