À flor da pele

meninaTerminei no início da manhã o livro “Menina dos olhos de ouro”, de Balzac. Sim, mais uma vez um texto baseado na obra dele. Um livro fininho, que muitos devem terminar em um dia de leitura, mas que faz a gente pensar em muita coisa. E é sobre elas, ou no que compreendi lendo este livro, que vou falar.

Antes, quero dizer que este livro foi uma sugestão retirada da obra “Personas Sexuais”, de Camille Paglia (autora que uma pessoa chamada Nardele Gomes teve a honra de entrevistar em Porto Alegre, para a minha inveja, rs).

Bom, o sexo é tabu em todas as sociedades, por mais avançadas intelectualmente. Não é fácil falar sobre incesto ou assuntos que hoje discutimos com certa facilidade, como o homossexualismo. Neste livro de Balzac encontramos estes dois assuntos, entre outros, descritos com maestria.

Tudo começa quando Henri de Marsay, um almofadinha culto que encontramos aos montes por aí e que se gabam de conquistar qualquer mulher que seus olhos alcancem (e às vezes conseguem mesmo), vê uma garota que mais parece ter saído de uma pintura, a fabulosa Paquita Valdès. De Marsay enlouquece e jura que aquele ser será dele. A partir daí, monta seu plano de conquista.

Consegue o encontro com ela e mais outro e outro. Em um dos encontros, Paquita pede para que De Marsay use um vestido. Ele usa e os dois se amam. Travestismo é mais um assunto que encontramos. Paquita pede a Henri para se travesti, não apenas por mera fantasia, mas porque ama outra mulher e vê nele, moço de beleza feminina, alguém que possa saciá-la e que a faz lembrar do seu amor pela outra mulher, já que ela não pode concretizá-lo. Henri é apenas um instrumento que ela manipula. Paquita é:

A estranha união do misterioso e do real, da sombra e da luz, do horrível e do belo, do prazer e do perigo, do paraíso e do inferno.

O incesto fica por conta das cenas finais, quando a irmã de Henri de Marsay mata Paquita com um punhal. A morte de Paquita é a felicidade dos dois, já que a bela mulher poderia devorar Henri. Irmãos se beijam e o pacto de silêncio é feito. A irmã de De Marsay mata por ciúme.

Penso que ainda não sabemos nada sobre sexo e é por isso que este tema sempre me fascina. A energia mais poderosa que existe e tantos tabus em volta, tantos preconceitos. Fidelidade, estupro, incesto, pedofilia, bissexualidade, travestismo etc etc. O melhor que podemos fazer é ler, pensar, refletir, e se for o caso, experimentar. Claro, cada um na sua, com seus limites.

Acho que há instituições demais interferindo na sexualidade das pessoas, da Igreja até a escola – que é outro local que muitas vezes deseduca e incute preconceitos.

Sou a favor da pornografia (existe sim, boa pornografia) porque a acho um canal de liberação e aprendizagem muito grande, tanto para homens quanto para mulheres. Da arte clássica até a considerada arte popular de massa estão impregnadas de sexo, de pornografia, de erotismo (aqui indico “Personas Sexuais” e “Vampes e Vadias”, de Camille Paglia). Música, pintura, literatura, cinema e quadrinhos. O tempo todo estas artes nos mostram sexo, erotismo, pornografia.

Não se iludam – e essa é uma das verdades que carrego comigo – achando que o contrato de fidelidade firmado entre duas pessoas, exclui sua mente de pensar e seu corpo de sentir. Podem ter certeza, isto não é pecado. Por mais monogâmico que sejamos, temos algo de primitivo que nos queima.

Balzac contribuiu muito para que pudéssemos aprender um pouco mais sobre o sexo, suas armadilhas e a força do poder feminino, além de tantos outros temas.

Chico Buarque tem uma música chamada “O que será (à flor da pele)”, acho que todo mundo conhece. Sexo, sexo, sexo, é o tema dessa música. Chico é outro que sabia do que estava falando, quando escreveu estes versos. Ouçam abaixo essa maravilha, na interpretação dele e Milton Nascimento:


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6 pensamentos sobre “À flor da pele

  1. ‘O melhor que podemos fazer…” é fazer! Eu acho, rsrs…Brincadeira.

    E Chico para falar de relações humanas e sexo, é imbatível.

    Também adoro ‘Joana Francesa’. Até já postei essa música lá, uma vez.

    Um beijo.

  2. Elga :
    ‘O melhor que podemos fazer…” é fazer! Eu acho, rsrs…Brincadeira.
    E Chico, para falar de relações humanas e sexo, é imbatível.
    Também adoro ‘Joana Francesa’. Até já postei essa música lá, uma vez.
    Um beijo.

  3. Pra mim a música mais genial de Chico é Construção. É exatamente uma construção perfeita. Quanto ao livro, não li ainda. Estou travando uma batalha com um que sempre quis ler e resolvi encarar, O Mundo de Sofia. O problema são as 547 páginas, né! hahaha Eu vou vencê-lo!

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