O futuro da internet e um curta como exemplo

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Professor André Lemos

Nesta terça, 15, às 22h, assiti ao TVE Debate, que trazia o tema “O Futuro da internet”. Na mesa, os professores André Lemos e Nelson Pretto, da Universidade Federal da Bahia (UFBA) e um terceiro convidado que, me desculpem a falha, não me recordo o nome, embora o conheça.

Não consegui o programa no you tube, mas creio que em breve ele estará disponível. Caso algúem queira ver a reprise pela televisão, vai ao ar aos sábados, às 21:30 e aos domingos, às 21h.

Questões como direito autoral, novas tecnologias da informação, convergência das mídias, produção de conteúdo, segurança na rede, entre outros temas, foram discutidos com inteligência e clareza pelos convidados. Um tópico que me chama sempre atenção é do direito autoral.

Vemos muitos artistas reclamarem do download, da ilegalidade desse tipo de ação. Mas eles (logo eles!) e o senador Eduardo Azeredo (autor do Projeto de Lei da Câmara dos Deputados nº 84 de 1999, a chamada Lei Azeredo, que “dispõe sobre os crimes cometidos na área de informática e suas penalidades”) ainda não comprenderam que temos que nos livrar das anitgas formas de mercantilização.

Sim, mas como os artistas vão sobreviver? O Mercado, com letra maiúscula, sempre encontra um meio. O artista precisa sobreviver, assim como qualquer outro ser humano, mas seria um retrocesso pensar que a internet é a vilã do ganha-pão do artista. Ela dissemina sua obra com uma velocidade e permite que milhares e milhares, quando não milhões, tenham acesso à sua produção.

O pensamento já não deve ser comercial, mas artístico de fato: fazer arte para ser vista, ouvida, lida e não como um mero produto vendável. O artista tem de ter hoje menos a preocupação de vender, e sim de mostrar.

Não há na internet espaço para coibições desse tipo. É de sua natureza a troca de informação, a não triagem das grandes corporações do que devemos consumir.

Penso que devemos ter meios legais para impedir e punir os crimes digitais, mas a sociedade e quem faz as leis devem estar atentos para que as possibilidades que a internet nos oferece não acabem nos mesmos moldes do passado. A arte, dentro do universo cibercultural, está sendo democratizada, levada a um número cada vez maior de pessoas.  Claro, não devemos esquecer a exclusão digital, que é um outro problema que deve ser combatido para que cada vez mais cidadãos tenham acesso ao que está disponível na web.

Dentro desse contexto de troca de informações, de twittadas, de downloads e uploads, ofereço a vocês o curta “Ziriguidum de amor”,  de um rapaz chamado Fábio Uchôa, que estuda Cinema e Animação (ele não disse onde estuda nem de onde é) e que colocou seu filme no youtube. Eu mesmo fiz um curta chamado “Casados, mas infelizes”, que está em VHS e ainda não tive como passar para o meio digital. Mas assim que o fizer, postarei meu curta no youtube, sem dúvida.

Seria muito difícel para Fábio fazer com que seu trabalho fosse visto de forma tão ampla e de forma rápida se não existissem sites como este. Quando vi o filme de Fábio, as visualizações já estavam próximas de 800!

Este exemplo remete ao que o professor André Lemos falou no TVE Debate. Hoje a questão não é tanto a produção do conteúdo em si, porque mesmo dentro de um ônibus você pode escrever um poema ou criar uma canção com seu violão, em um banco de praça. O que é fantástico na internet é poder espalhar sua obra pela rede, sem que executivos de gravadoras ou editoras, por exemplo, não gravem ou publiquem e divulguem seu trabalho.

Independente da qualidade, o fato é que a internet possibilita a disseminação da cultura sem fronteiras e sem cortes. Sabemos que ações estão sendo tomadas para restringir o uso da internet, inclusive com servidores que dificultam a navegação por um site que julgam não ser “apropriado” para o internauta, ou seja, um site que não é economicamente interessante para esse mesmo servidor.

Abaixo, “Ziriguidum de amor”, de Fábio Uchôa.

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4 pensamentos sobre “O futuro da internet e um curta como exemplo

  1. Está mais do que comprovado que artista não perde dinheiro com o download. Quem perde dinheiro é a gravadora…
    Tem artistas que não têm gravadora, mas disponibilizam as músicas no myspace ou outros sites, e isso chama a atenção, os fazendo aparecer em programas de televisão, marcando shows (Independente da qualidade)…

  2. Eu fico indignado com artistas que não se jogam logo na rede e ficam com “medinho”. No modelo anterior, o único lado que ganhava dinheiro era a gravadora, levando mais de 90% do valor de cada CD vendido. Um disparate. Jogando tudo na rede, a perda é quase zero e transforma-se em ganho se a gente levar em consideração a visibilidade. Obviamente, nem todo mundo que se jogar na rede torna-se visível a todos, mas a chance é muito maior. Sem intermediários, sem “mercadores” da cultura. Muito melhor!

  3. Oi Sandro, tudo bem?
    Após um bom tempo afastado da rede, gostaria de agradecer o post (agradecimento um tanto atrasado) sobre o Ziriguidum, complementando que para divulgação e visibilidade, a rede é um grande negócio.
    O desafio agora, é como transformar isto em recursos para quem trabalha.

    Um grande abraço e mais uma vez, obrigado.

    Fábio Ochôa

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