Entrevista: Malu Fontes

Sempre leio com atenção o que Malu escreve. Independente de se concordar ou não com as suas ideias, gosto da maneira como ela desenvolve seus argumentos, sempre de forma apaixonada, o que me lembra outra mulher que admiro: Camille Paglia. Nesta entrevista, um pouco de artes, política, televisão, jornalismo, Internet, Deus e Carnaval.

 

maluJornalista, mestre e doutora em comunicação e cultura contemporâneas pela Faculdade de Comunicação da UFBA; professora adjunta da Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia. 44 anos, dois filhos. Foi repórter de política do Jornal da Bahia e do jornal A Tarde, assessora de imprensa da Rede Sarah de Hospitais em Salvador, Assessora de Imprensa da Reitoria da UFBA, professora das faculdades Jorge Amado, FTC e FIB. É ainda comentarista free lancer de cultura noticiosa da Rádio Metrópole e colunista free lancer do jornal A Tarde. É pesquisadora associada em direitos humanos e gênero do Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero/Anis, sediada em Brasília.

 

1 – Quero começar a entrevista com uma análise sua sobre o ensino de Jornalismo em Salvador. Suas deficiências, seus triunfos, seus vícios, o que pode ser melhorado etc.

 

Em virtude da explosão das redes de ensino privado em todo o país nos últimos anos, vários cursos de jornalismo foram abertos e é fato que não havia professores de excelência em número suficiente para dar conta dessa demanda de professores que surgiu. Do mesmo modo, muitos dos alunos que acorreram para esses cursos não o fizeram movidos exatamente pelo talento, pelo interesse em ser jornalista, sob o ponto de vista do desejo de traduzir o mundo, de transformar fatos em notícia. Muitos o fizeram movidos pelo glamour que o cinema, os meios de comunicação, a literatura, de certo modo sempre associaram ao jornalismo e aos jornalistas. Os profissionais de imprensa da televisão, apresentadores famosos, jornalistas que vivem na fronteira entre a carreira e aparições como celebridades, como ocorre com Ana Paula Padrão, o casal Fátima Bernardes e William Bonner, Glória Maria, entre outros… Muita gente escolheu e escolhe fazer jornalismo pensando em se tornar famoso, celebridade, em ser apresentador de TV, viver em festas de gente famosa, quando, na realidade, sobretudo no Nordeste, em Salvador mais ainda, a realidade dos profissionais de imprensa, com raras exceções, não tem nada de glamour. O mercado é exíguo, os salários são péssimos. Depois do boom de cursos, o que se vê hoje é a maioria deles em processo de decadência, com muitas faculdades há vários semestres não recebendo o número mínimo de alunos para uma turma sequer. É difícil apontar os vícios e virtudes de instituições que a gente conhece só de nome, mas acho que a principal dificuldade é o número insuficiente de professores de fato competentes e bem formados para dar conta do número imenso de cursos que foram abertos. Tudo sempre pode ser melhorado, mas agora que o Supremo decretou o fim da obrigatoriedade do diploma, qual faculdade particular vai se dispor a investir ainda mais para tornar seus cursos, já esvaziados antes mesmo dessa mudança, mais qualificados? O que deve acontecer é que apenas pouquíssimos cursos, além do da UFBA, devem sobreviver. Ficarão os melhores, mais estruturados e esses não mais terão turmas grandes.

 

2 – E, por falar no ensino de Jornalismo, não posso deixar de citar a decisão do Supremo Tribunal Federal, que no dia 17 de junho deste ano, derrubou a exigência do diploma. Você acha que o canudo é fundamental ou é apenas um resquício da ditadura militar? O que pensa da afirmação do ministro Carlos Ayres Britto, que disse que bastam “olho clínico” e “intimidade com a palavra” para ser um jornalista? Que importância tem a formação acadêmica?

 

Uma coisa é o papel burocrático do diploma, ao qual sou favorável, mas sempre admiti flexibilidade, sem fundamentalismos, como é a tese daqueles que queriam impedir que até mesmo um fotógrafo que não tivesse diploma trabalhasse em redações, que profissionais de outras áreas não pudessem ser articulistas, colunistas, comentaristas. Outra coisa é a importância da formação, do investimento intelectual em uma carreira construída a partir de uma grade curricular específica de uma graduação. Não se deve confundir o diploma com talento e garantia de boa formação. Mas a boa formação e a construção da carreira numa faculdade eu considero fundamental para um jornalista que vai atuar nos veículos de imprensa, fazer a cobertura da vida da cidade, do país. A formação acadêmica é essencial, pois produzir informação é uma atividade específica. Sempre digo aos meus alunos que a vida não produz notícias, produz fatos, fenômenos, acontecimentos e que transformá-los em notícia exige uma técnica específica, um talento para a construção de uma narrativa que não é literária nem linear, descritiva. O discurso jornalístico não é uma mera descrição do mundo, é um modo específico de narrar os fatos. Nesse aspecto, considero as pessoas que passam por um curso de jornalismo as mais habilitadas para produzir informação. Canudo, para mim, é um papel, apenas. A questão mais importante não é o canudo, mas o simbolismo que ele pode conter. Digo pode porque há quem saia de um curso de jornalismo com um canudo na mão, mas é completamente desprovido de capacidade de narrar bem o mundo. Costumo dizer que há gente que passa pela faculdade, mas não consegue fazer com que a faculdade passe por si.

 

3 – Quem faz o melhor webjornalismo no Brasil? Gostaria que você citasse quem, na sua visão, produz bom webjornalismo. Aqui em Salvador, no geral, ainda somos vítimas da mera transposição do papel para os bits ou há alguma menção honrosa? Ainda restarão jornais e revistas táteis? Como deve ser um bom jornalismo on-line?

 

Acho que os bons profissionais da TV, do impresso, de jornais e revistas ou vindos desse universo, são os melhores da web. Se você me perguntar quem eu admiro, jornalista, que despontou diretamente na web, que não veio de outros suportes, não sei, não conheço nenhum. Leio com prazer na web as mesmas pessoas que já respeitava antes. É difícil citar nomes, sob pena de ser injusta. Adoro Bob Fernandes, Ricardo Noblat e muitos jornalistas do impresso, como os da Folha, do Globo, que mantêm blogs.

 

4 – Barack Obama tem Facebook e você tem Twitter. Para quem pode desfrutar da Internet, ela abre muitos caminhos para informações que antes estavam pouco acessíveis. Um oceano de cultura a poucos cliques. Quero uma análise sobre esse fenômeno e um exercício de futurologia: o que ainda podemos esperar da Internet?

 

Impossível apontar expectativas para a Internet, pois é da natureza do fenômeno não ter limites. Os jovens viciados em tecnologia a cada dia surpreendem com fenômenos que se tornam avalanches no mundo. Literalmente há tudo a esperar da Internet e dos usos que se fará dela. Certamente nossos modos de sociabilidade vão ser cada vez mais radicalmente alterados, e não digo isso com nenhuma melancolia. Não tenho nenhuma resistência a mudanças, acho que tenho um nível praticamente ilimitado de adaptação ao que é novo e tenho alergia de conservadorismo, estagnação. A Internet faz parte da minha vida tanto como almoçar, ter amigos, dormir, ler jornal, livros, revistas. Não vivo sem e não me considero uma dependente tecnológica. Apenas gosto muito de informação e das possibilidades que encontro na Internet. Paradoxalmente, tenho desprezo pelas pessoas que parecem viver em função dela. Conheço pessoas que não têm vida social, redes de relacionamento afetivo reais e vivem brincando de serem felizes e descoladas na Internet, com nenhum equilíbrio emocional, do ponto de vista afetivo, sem uma rede de apoio formada por gente de carne e osso que possa ser encontrada pra um café, um cinema. Há pessoas que parecem viver como se o Orkut, o Facebook, o Twitter fossem uma dimensão da vida, e a mais importante. É como se dá também com muita gente em relação à televisão. Gosto de quem vê a vida na TV, mas acho doentio quem vê a vida pela TV.

 

5 – Como este blog trata basicamente de assuntos ligados às artes e sendo um jornalista que sonha em ter uma revista sobre cultura (no papel ou on-line), quero saber: existe bom jornalismo cultural em nossa terra? Qual sua visão sobre o conteúdo crítico feito sobre arte em Salvador?

 

Como pode haver bom jornalismo cultural se vivemos numa cidade, hoje, com uma monocultura, um axé/pagode de uma nota só, com um dos piores sistemas educacionais do país? Sem um leitor com alguma formação cultural, sem a formação de público, de platéia, quem faz jornalismo cultural em profundidade vai falar para meia dúzia de pessoas. O que predomina no cenário cultural de Salvador é a cultura do apelo sexual, a musicalidade que remete aos instintos mais primitivos, com todo um conjunto de artistas que fazem diferente sendo condenado praticamente a guetos, a públicos reduzidos. Aqui se vive uma cultura cotidiana do carnaval. O nosso cenário cultural é o pior possível. O que predomina é uma cobertura cultural ligeira, realiseira, oca, descartável, de consumo imediato.

 

6 – Ainda na seara das artes, o que você consome? Quais suas preferências nas artes plásticas, na música, na literatura e no cinema? Qual o significado da arte, caso haja, para você?

 

Sou eclética, gosto de muita coisa e costumo dizer que meu gosto é meio vira lata, meio verso do Kid Abelha: eu tenho pressa, tanta coisa me interessa, mas nada tanto assim. Minhas listas são infindáveis. Tenho um pouco de preguiça com grande parte do que se produz hoje em nome das artes plásticas contemporâneas. Essa coisa pós-moderna de dizer que tudo é arte pode ser muito bacana sob o ponto de vista multiculturalista e antropológico. Do ponto de vista artístico, é uma desgraça. Sou metida a besta em meus sonhos de consumo artísticos. Daria um rim para ter em casa qualquer coisa de Fernando Botero. Em Salvador, adoro Bel Borba, as esculturas de Tati Moreno, as gordinhas de Eliana Kérstesz e as cores de Maria Adair. E, óbvio, acho um deslumbre o traço de Carybé, as fotografias de Mário Cravo Jr. Em cinema, tenho náuseas do cinemão hollywoodiano mainstream, ágil demais e tão barulhento que não se deixa ver. Sou fascinada por Almodóvar, Tarantino, Lars Von Trier, Gus Van Sant, Iñárritu, além dos classicões, como Bergman, Fellini, Visconti, Scolla, entre outros. Gosto muito do cinema asiático e de filmes de arte de um modo quase geral. Gosto muito de documentários nacionais e do novo cinema argentino. Na literatura, de muita coisa. Bernardo Carvalho, Daniel Galera, Milton Hatoum, Pedro Juan Gutierrez, Guilermo Arriaga, Rubem Fonseca, Inês Pedrosa, Antônio Lobo Antunes, Saramago, Eduardo Agualusa, Efraim Medina Reiz, Mia Couto, Rosa Montero e de mais uma arca de Noé de gente. Hors concours são Clarice Lispector, Virgínia Woolf e Jorge Luis Borges.  Música? Outra arca de Noé. Costumo brincar que não moro numa casa, mas num depósito de CDs, DVDs, revistas e livros, pois minha casa é pequenininha e não tarda faltará lugar para mim, ocupado por objetos de desejo cultural. Hoje, agora, os primeiros que me vêm à cabeça são Maria Gadú, John Mayer, Moby, Nouvelle Vague, Vanessa da Mata, Trash Pour 4, Fernanda Takai, Lenine, Jorge Drexler. Odeio axé, samba, pagode, sertanejo, arrocha e companhia. Dos novíssimos baianos, gosto apenas e imensamente de Daniela e Carlinhos Brown. E para a trilha sonora da vida, Caetano. Não concebo a vida sem música e informação. Arte? Para mim, é tudo aquilo que alguém faz, mostra e diz que emociona, desperta pulsões e fala por muitos.

 

7 – A televisão é um aparelho eletrônico desprezado por muitos pseudo-intelectuais, que a julgam como um brinquedo das massas. Claro que há muita bobagem sendo transmitida, mas há muita coisa boa também. Sou um amante da televisão e fico ao lado de Arlindo Machado. E você, o que acha desse meio? Vivemos o Império do Grotesco, como disse Muniz Sodré? O que tem de pior e de melhor na nossa televisão?

 

Adoro televisão. E quando digo televisão não digo o conteúdo da televisão, mas o veículo em si como elemento de ressonância, formação ou deformação de gostos. Sou movida pela curiosidade e acho a televisão brasileira, para o bem o para o mal, uma espécie de aleph da sociedade. Há coisas abomináveis, mediocridade a dar com o pau, coisas deliciosas de ver, enfim, tudo o que se tem na realidade do país. Acho, sim, que o país tem a televisão que merece e, para mim, a TV é uma janela privilegiada, entre muitas outras, claro, para se observar a realidade brasileira. Acho de um pedantismo que dá dó esse povo que empina o nariz, fede a bolor e arrota que não vê TV. Não ver TV não deixa ninguém mais inteligente. Do mesmo modo que quem a vê não é sinônimo automático de alienado ou aculturado. Há quem pense que vejo TV por obrigação, porque escrevo sobre. Ao contrário, escrevo sobre porque vejo. Não sou crítica de TV, não vivo de escrever sobre TV. Minha profissão é professora de jornalistas. Escrevo sobre TV porque tenho prazer em vê-la e mais ainda em tentar descrever alguns dos seus conteúdos, sobretudo os mais nonsense. E que fique claro, conteúdos muitas vezes produzidos pelo mundo das ruas e não nos estúdios. Vejo TV com o mesmo interesse com o qual leio revistas, livros, ouço música ou vejo filmes. Sou um ser do meu tempo, me relaciono criticamente com tudo o que consumo e não gosto de nada incondicionalmente nem tampouco acriticamente. Gostar incondicionalmente, só da Mafalda, a personagem dos quadrinhos.

 

8 – Política nacional. Você acha que o Congresso Nacional ainda pode ser chamado de “A Casa do Povo”? Depois de tantos episódios lamentáveis, podemos confiar nesses homens? O Presidencialismo ainda serve para o Brasil? Não seria a hora de tentarmos o Parlamentarismo, por exemplo?

 

Acho a cena política brasileira deplorável, mas ao contrário do que diz o senso comum, acho que essa cachorrada toda representa, sim, a média do comportamento hipócrita do brasileiro. O brasileiro médio é corrupto e corruptor, quer se dar bem sem esforço e escolhe gente muito parecida com ele. Ninguém surge no Congresso de geração espontânea. O Brasil inteiro manda para Brasília, para as Assembléias Legislativas, para as Câmaras de Vereadores, um monte de representantes culturalmente estúpidos, descomprometidos e que, nas eleições, dizem meia dúzia de frases feitas que a claque adora ouvir. O problema da representação política não é o sistema de governo, é o caráter do povo, das classes dominantes e de seus representantes. Não acredito nessa tese do povo bom e honesto que elege, enganado, monstros corruptos. Povo e representantes são farinha do mesmo saco de falta de caráter, educação, formação.

 

9 – Algo que eu sempre quis saber de você: o que é o Carnaval de Salvador? É uma vitrine para as celebridades? É a mais fabulosa festa de rua do mundo? O Carnaval é do povo mesmo ou dos camarotes? Camille Paglia esteve aqui e adorou. Para ela, Madonna já era, só dá Daniela Mercury.

 

É uma festa popular onde o povo é mero coadjuvante para dar consistência ao mercado do axé, movido por engrenagens poderosas e muito bem azeitadas por interesses políticos privados em consonância com os poderosos políticos de plantão. A visão do estrangeiro não pode ser lida fora do contexto do estranho que desembarca no cenário exótico. Quanto a Daniela, para além e aquém de Camille, acho-a uma artista extraordinária entre tantos medíocres.

 

10 – Por fim, quero saber sua relação com Deus. Ele existe, não existe ou tanto faz? Se existe, que imagem tem dele? Deus é o mais fantástico mito produzido pelo homem?

 

Deus é uma invenção humana, para lidar com o medo da morte. Quando o assunto é Deus, meu oráculo é Nietzsche. Mas percebo cada vez mais que minha sinceridade sobre a religião é insultante diante da média das pessoas. Em respeito à sensibilidade muitas vezes hipócrita dos religiosos, e por preguiça de lidar com isso, nunca discuto religião. Acho idiotizante o modo como as pessoas lidam com a existência de Deus e me espanta o quanto dizem coisas que estão há anos-luz do que praticam. Odeio essa ideia nefasta e maniqueísta de pecado/perdão divino, do erro e do acerto.

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11 pensamentos sobre “Entrevista: Malu Fontes

  1. Bela entrevista, Sander!
    Não sou (era) muito fã de Malu… mas depois desta entrevista, passei a ser. Tenho o ponto de vista bem parecido com ela em relação a diversos assuntos abordados aí…

    Parabéns pela entrevista!
    abraço!

  2. Sandro, que bela entrevista! Sou admirador de Malu, pelo jeito como trata as coisas. É sempre bom ouvir/ler pessoas com cultura e embasamento para falar de assuntos que lhe interessam, mesmo que não concorde com eles. E é o caso em dois pontos que ela tratou que eu não concordo. Eis:
    – não vejo nossa terra, hoje, com um “aculturamento” como ela diz, ou seja, como se estivéssemos na mono-cutural do sexual-pagodiano-axezístico. Não creio nisso porque vejo muitas manifestações culturais diversas em nossa cidade (falo de ssa porque conheço no dia a dia), cada com espaços diferentes, é verdade, mas com espaços. Dá pra se ver de tudo. Além do que, não há como ignorar a importância social de movimentos populares, como o pagodão (falo assim no aumentativo para poder diferenciar de outros “pagodes”) e o arrocha. Esse último, a meu ver, um legítimo filho da terra que, mesmo que não agrade a maioria, é o único som HOJE que é feito pelo povão e para o povão. É um produto nosso, por “pior” que seja, e eu admiro esse fato, e não o som deles em si.
    – sobre o carnaval, não vejo essa ideia separatista. É óbvio que num mundo capitalista, nessas manifestações, alguém vai ganhar MUITO dinheiro. Vivemos num mundo de desigualdades e o carnaval apenas reflete isso, só que AINDA é possível curtir a festa sem gastar 1 centavo. Eu sou prova viva disso, pois há anos saio na rua, não gasto nada e curto igual as outras pessoas. Carnaval é modelo de negócio, assim como a música, artes plásticas, cinema etc. Encontra-se um modelo lucrativo e vai atrás. O povo tem é que se manter firme e não abrir mão de certos espaços, como acontece no carnaval, embora essa linha tênue esteja, nos últimos anos, diminuindo ainda mais.

  3. Penso que mesmo que não gostemos de uma expressão cultural, como o pagodão, por exemplo, é fato que existe mais do que a simples música de baixa qualidade. E mesmo dentro do pagodão existem diferenças. Acho Fantasmão muito melhor do quê Pagodart, por exemplo!
    Enfim, mesmo que o traço dominante ou o traço mais vendável seja o mais aparente, não podemos dizer que só exista pagodão/arrocha/axé.
    Embora conheça Salvador muito menos do que gostaria, sei que existem muitas manisfestações além das já citadas!
    Abraços e valeu!!!!!

  4. Oi,

    Não conhecia Malu, nem moro em Salvador. O que sei do carnaval daí é o que ouço dos amigos que já foram curtir a festa, rs. Mas entendo que quando ela fala de monocultura não está falando de absolutismo. Ela diz: “O que predomina no cenário cultural de Salvador é a cultura do apelo sexual, a musicalidade que remete aos instintos mais primitivos, com todo um conjunto de artistas que fazem diferente sendo condenado praticamente a guetos, a públicos reduzidos. “. Ela diz do predomínio massacrante de uma coisa sobre a outra. E, isso, parece ser verdade. É o que vemos, do lado de cá, sabe? Ela não diz que não existe espaço para os outros, mas que os espaços são restritos.

    Ela não fala da inexistência de cultura, não li a palavra aculturamento, ela fala do monopólio de uma corrente, de uma cultura. Ela diz que não gosta de axe, samba, pagode, sertanejo, quando perguntada sobre suas preferências musicais. Mas não diz que não é cultura. Prova disso é quando usa o termo “cultura cotidiana do carnaval” para falar dessa predominância.

    Gostei muito da entrevista. Tantos das respostas, quanto das perguntas. Aliás, o entrevistador merecia ser citado, rs! Se foi e eu não percebi, me perdoe. Gostei da forma corajosa como ela se expôs, expondo suas opiniões. Gostei da sua atitude divulgando um conteúdo tão bacana.

    Gostei!

  5. Oi, Elga. Bom, no post tem escrito quem publicou a entrevista, ou seja: eu, Sandro Caldas! rs. Todos os posts são escritios por mim, o dono do blog. Existem algumas exceções, mas eu cito o autor quando isso acontece.
    Bjão e muito obrigado pelo seu comentário inteligente! Realmente Malu, culta como é, jamais ia dizer que axé e pagodão não são cultura. E sim, ela cita como predominância e não como uma cultura que seja apenas isso.

  6. Nao conseguia acessar o seu blog,dava erro na pagina direto!
    mais depois de tantas tentativas finalmente consegui e como sempre me surpreendi com a materia,adorei a entrevista,as respostas inteligentes onde a Malu diz o que pensa mais sem impor a sua opiniao nem desprezar os outros tipos de arte,
    infelizmente a boa arte de uma maneira geral é resumido para um publico bem pequeno,um exemplo tipico é a bossa nova que foi um movimento forte e super significativo sem falar de qualidade,mais a massa nao teve ou nao quis ter acesso,ouco mais aqui no japao nas lojas de departamento e restaurantes do que quando morava ai,claro que tem algumas estacoes feito a antena 1 que so tocam musicas bacanas,mais a maioria…
    abracaooo.

  7. Sandro,

    Desculpe a gafe e parabéns pela entrevista, então, rsrsrs. Muito boa, mesmo.

    Eu? Escrever para seu blog? Quanta honra. Não sei se poderia. Sobre o que seria? É que sou meio covarde. E vaidosa. Por vezes, deixei de tentar com medo de falhar. (como me custa essa franqueza, talvez, desnecessária e, certamente, prejudicial)…

    Sobre eu parecer 20 aninhos, penso: pela foto, ou pelo texto? Tomara que pela foto… rs!

    Obrigada pela visita, de verdade. Gosto muito da ‘sua casa’. E das coisas que leio lá.

    Um beijo

  8. bela entrevista. A Malu Fontes expressa e transpira aquilo que a maioria do pacifico povo brasileiro carece : indignação. Concordo 100% com ela. Estamos num processo avançado de vulgarização e emburrecimento (se é que esta palavra existe). Sobre o carnaval ela não poderia ser mais feliz. Não passa de um desfile de mediocridades “axés”, numa fogueira de vaidades onde não se sabe quem é pior, se a rainha tal ou qual…
    A ela, minha admiração e a vocês…bom trabalho !

  9. Só pra tirar um pouco de onda! Ano passado fui a uma coletiva com Camille Paglia em Porto Aegre com mais uns 8 jornalistas! Vi uma palestra dela e ainda peguei autógrafo, troquei umas palavrinhas e tudo! Ela é maravilhosa. Pronto, tirei minha onda.

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