Rainha das baixezas

 

E o Kikito vai para...?

E o Kikito vai para...?

Quem lê esse blog deve ter notado que tenho escrito muito pouco sobre cinema, é só clicar no link ao lado e notar que há pouquíssimos textos sobre filmes. Fato este que não exclui minha paixão, já que é impossível eu não ver filmes, mesmo que minha média este ano seja vergonhosa de mencionar. E claro, não estou por fora das notícias sobre esta arte, além de sempre ler as críticas dos longas.

 

Por ser amante de cinema, arte que me fascina desde muito pequeno, não podia deixar de falar sobre o fato que ocorreu no dia 13 de agosto, no 37º Festival de Gramado. Não conheço a fundo a história do Festival, mas pelo o que tenho lido, deve ter sido a pior edição da festa. Por qual motivo? A cúpula do evento resolveu homenagear uma pessoa, que nas palavras dos organizadores é nada menos que a “Rainha do cinema”. E mais, no Diário do Festival, a manchete foi: Kikito especial homenageia a rainha do cinema, da música e da televisão. O conjunto da obra cinematográfica desse artista vale um Kikito? Seu nome é Maria das Graças Meneguel, mais conhecida como Xuxa, a rainha dos baixinhos.  

 

Como bem disse Celso Sabadin, do cineclik, crítico que acompanho desde o extinto programa Dia-a-Dia, da Badeirantes: “No país de Fernanda Montenegro, de Aneci Rocha, de Laura Cardoso, de Helena Ignez, de Tônia Carreiro, de sei lá… Hebe Camargo, caramba… O Festival de Gramado, pateticamente, tenta vender ao público a mentira que Xuxa é a rainha do cinema. Tudo por um punhado de mídia. Como se vendem barato os organizadores do Festival de Gramado que decidem quais serão os homenageados!”. Podia citar outras atrizes de uma geração mais recente, como Dira Paes e Cláudia Abreu, que poderiam ser facilmente homenageadas no lugar dela.

 

A presença de Xuxa no Festival não passou em branco, deixou sua marca de futilidade e pouca inteligência, com um discurso brega, populista, clichê: “Eu não me arrependo de nada. Eu não tenho vergonha de ser povo, de ser loira e vencedora”. Um “povo” que precisou de seguranças e chegou até a usar de truculência com um dos fãs, já que existe um limite para a proximidade. Ultrapassada essa linha, entram em ação guarda-costas que afastam a celebridade dos perigos e lepras da ralé. Falo de um fã que logo após pedir um beijo à loira, foi prontamente atendido, mas em seguida puxado para trás com uma chave de braço. Tudo para garantir que o “povo” seja afastado do povo.

 

Xuxa não tem e nunca teve aspirações artísticas, mas comerciais. O cinema, para ela, é apenas um meio para conseguir dinheiro, publicidade, seja isso para o bem (A Fundação Xuxa Meneghel, por exemplo) ou para o mal (puro merchandising para seus produtos). O fato é que os filmes de Xuxa são péssimos! Não falo isso apenas porque fiquei decepcionado com o Festival, mas porque vi alguns de seus filmes na TV. O único que assisti no cinema foi “Lua de Cristal”, de 1990. Mas perdoem-me, eu tinha 13 ou 14 anos.

 

Talvez a melhor produção de Xuxa, seja a que causa mais vergonha a ela: “Amor Estranho Amor”, de Walter Hugo Khouri. Mas a gaúcha resolveu, por meio judicial, apagá-lo da história, talvez por conta da nudez e da polêmica cena de sexo com o garoto. Aí é demais para a imagem de alguém que é considerada modelo para as crianças, deve ter pensado! Esse e outros dois filmes foram retirados da filmografia oficial dela e regurgitado pelo Festival: “Fuscão Preto” e “Gaúcho Negro”. Ou seja, três filmes que “mancham” sua reputação foram sumariamente deletados.

 

Entendo a decisão do Festival de Gramado como uma rendição ao culto vazio às celebridades, uma maneira fácil de conseguir atenção da mídia. Um festival como este não tinha a menor necessidade de recorrer a um expediente tão torpe, que só borra seu prestígio, já meio abalado. Xuxa pode ter tido sua importância nos remotos anos 80, mas daí premiá-la como “Rainha do cinema” é ultrapassar qualquer bom senso, deitando-se na lama para ela passar por cima. Conta Celso Sabadin:

 

“Porém, o pior estava por vir: ao descer do palco e voltar para os corredores do Palácio, Xuxa percebeu a presença do jornalista Luiz Carlos Merten, que por sinal estava sentado praticamente ao meu lado. Deu-lhe um amplo sorriso, abraçou o jornalista e sussurrou ao ouvido dele: “Eles tiveram de me engolir”. Fiquei pasmo. Eles quem? Os organizadores de Gramado? Os críticos de cinema? O povo? Teria o espírito de Mário Jorge Lobo Zagallo incorporado provisoriamente na Rainha?”.

Minha filha, de 1 ano de 2 meses, curte os DVDs “Xuxa Só Para Baixinhos”. Eu ouço pelo menos duas vezes por dia: ela acorda pedindo e à noite dorme ao som deles. Xuxa ainda tem uma força muito grande no imaginário das crianças. Suas músicas são tocadas em todas as festas infantis que vou (tocou na de minha filha). Desde que me entendo por gente eu ouço Xuxa nessas festinhas. Ela tem uma legião de fãs imensa, e não só no Brasil. Foi por ser essa personalidade gigantesca e que certamente chama a atenção da mídia, que o Festival resolveu se rebaixar a esse ponto, creio. Não precisava!!!

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4 pensamentos sobre “Rainha das baixezas

  1. eu tambem fiquei de queixo no chao com essa homenagem a xuxa,nada a ve esse premio para ela, o fato de ter atuado em dez ou treze filmes foi o que contou(ou realmente foi o desespero para atrair a atencao da midia para o festival?)e a dira paes que tem uma lista quilometrica e fazia cinema nacional mesmo quando nao estava nesse auge que esta agora mereceria quantos?
    rainha do cinema,cof,cof,se ainda fosse rainha do cinema infantil brasileiro va lá,a gente entenderia.
    abracao.

  2. Eu ia até fazer um post sobre o Festival de Gramado, mas desisti. É ridículo o que foi feito!! Simplesmente um fato lamentável para o povo de Gramado. Perderam totalmenta noção e já estão, automaticamente, fora dos grandes circuitos de cinema nacional.

  3. Grande Sander…

    Rapaz, a homenagem foi vergonhosa. Só discordo do seu texto no seguinte aspecto: “O cinema, para ela, é apenas um meio para conseguir dinheiro, publicidade”… o cinema para TODO MUNDO é isso! (até para aqueles filmes intelectualóides do sudeste iraniano ou noroeste marroquino).

    Abração!

  4. Concordo, Brunão! Para todo mundo cinema é um meio para conseguir dinheiro, afinal é o ganha-pão de muita gente. Mas, repare que disse a palavra APENAS! Para muita gente o cinema é mais do que dinheiro: é uma boa história, boas interpretações etc!

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