Watchmen – o filme

espectralAntes de assistir a Watchmen, o filme, resolvi encarar as 12 revistas que fazem parte da obra escrita por Alan Moore e desenhada por Dave Gibbons. Como já disse em um texto aqui no blog, adorei a trama e me tornei fã.

                                               

Acabo de ver Watchmen, o longa, que foi dirigido por Zack Snyder (que realizou, também, o visualmente belo 300) e roteirizado por Alex Tse e David Hayter. É desnecessário dizer que sendo linguagens diferentes e pelo pouco tempo que dispõe para contar esse tipo de história (mesmo com 2h30m de duração), houve uma redução na complexidade de elementos expostos (O senhor dos anéis é outro exemplo – excelente, por sinal). Ainda assim, sem comprometer o entendimento daqueles que experimentaram a trama apenas pelo cinema.

 

Tudo começa com o assassinato de um dos heróis, o Comediante (Jeffrey Dean Morgan). A partir daí se desenrola a investigação do crime tanto pelos policiais quanto pelos outros super-heróis. A suspeita de um complô para destruir os últimos heróis (já que uma lei proibiu a existência deles) é levada em consideração pelo instável Roscharc, vivido por Jackie Earle Haley. Estamos no ano de 1985, no terceiro mandato de Richard Nixon e sob a constante ameaça de uma guerra nuclear envolvendo os Estados Unidos e a União Soviética. Leia-se Guerra Fria. É nesse cenário conturbado que vemos pessoas comuns com um instinto heróico se transformarem nos defensores dos fracos, já que o Estado é incapaz de resolver as questões de segurança pública.  

 

Mas, ao contrário dos super-heróis que conhecemos, que possuem poderes sobre-humanos (Homem-aranha, Super-homem etc), estes heróis são pessoas que enxergam o combate ao crime como um ideal filosófico de vida, mesmo sendo, por vezes, pessoas inescrupulosas, como o próprio Comediante – que não hesitou em matar uma vietnamita grávida, apenas porque esta reclamava desesperadamente a paternidade por ele negada. São pessoas de carne e osso, que sentem dores, que têm problemas pessoais complexos. Vida privada não é dissociada do heroísmo, mesmo que usem máscaras e roupas ridículas.

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Aos poucos, o caminhar da história nos descortina a verdadeira ameaça aos heróis: Ozymandias ou seu nome real, Adrian Veidt, vivido pelo ator Matthew Goode. Também herói e considerado o homem mais inteligente do mundo, Adrian construiu um império explorando sua imagem como defensor público, criando bonecos e todo tipo de produtos ligados aos heróis. Como muito tempo se passou depois do filme, não há motivo para esconder que Veidt arquitetou a morte de milhões de pessoas apenas para promover a paz: União Soviética e Estados Unidos resolvem se tornar aliados depois da catástrofe.

 

Para que seu plano surta efeito, Veidt usa o Dr. Manhattan (Billy Crudup – de Quase Famosos). Depois de um acidente, Jon Osterman adquire poderes de manipular a matéria e ganha nova consciência sobre a humanidade e sobre questões filosóficas sobre o tempo. Valendo-se dos poderes do Dr. Manhattan, Veidt arquiteta seu plano para que pareça que ele foi o responsável pela morte dos inocentes cidadãos. A essa altura sabemos que Veidt matou o Comediante, já que este descobre as intenções de Ozymandias.

 

A intenção de Veidt pode ser questionada. Matar milhões de pessoas por uma paz que pode não durar, vale a pena? Vale matar milhões para salvar milhões? Quem garante que essa paz será duradoura? Pode apenas durar o tempo necessário para que novas mediocridades políticas e interesses pessoais subam à tona. Infelizmente Roscharc foi morto por Manhattan por querer denunciar Veidt. Sim, no final ele deu razão a Ozymandias e se mandou para um planeta distante.

 

Pulando para os aspectos técnicos do longa, adorei sua fotografia densa, que nos diz que estamos em um mundo em conflito. A trilha sonora, apesar de conter clássicos de Bob Dylan, Janes Joplin, Jimi Hendrix e Simon and Garfunkel, por vezes me parece deslocada. A abertura do filme, com passagens da história ao som de Bob Dylan cantando The Times They Are A-Changin, é muito forte e bonita.

 

As atuações são boas também, apenas acho que o Coruja, vivido por Patrick Wilson (que fez Menina má.com) está novo demais para um homem de mais de 40 anos. Enfim, nada demais. Mas uma presença, que não posso deixar de citar e que por isso mesmo escolhi a imagem para ilustrar este post, é da voluptuosa Malin Akerman, que vive Espectral em sua roupa de vinil colante amarela e preta. Respiremos! A atriz, que é sueca e loiríssima e tem apenas 21 anos, não tem uma filmografia muito empolgante, mas é linda de esfacelar. Eu achei. Mulheres e sua energia sexual cósmica e pagã, que nos desvia e nos atormenta. Divagações!

 

Watchmen figura entre os filmes de super-heróis que fazem refletir sobre questões importantes e que possuem bom texto. Há quem prefira os mais divertidos e não tão sérios, mas o fato é que é um grande filme, como Batman – O Cavaleiro das Trevas e Homem de Ferro.

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