Os homens que não amavam as mulheres

m1Mikael Blomkvist é um jornalista econômico e um dos criadores da prestigiada revista Millenium. Acaba de ser condenado a três meses de prisão por difamar um poderoso empresário. Poucos dias depois é contratado por Henrik Vanger, outro grande empresário, que o incumbe de descobrir o paradeiro de Harriet Vanger, sua sobrinha desaparecida há 40 anos.  Este é resumo, em poucas linhas, do primeiro livro da trilogia Millenium, Os homens que não amavam as mulheres, de Stieg Larsson. Tragicamente o autor faleceu aos 50 anos, vítima de um ataque cardíaco, logo após entregar os livros para a editora. 

As 522 páginas fluem depressa, porque somos apresentados a uma história envolvente, com personagens cativantes, reviravoltas, revelações surpreedentes e enigmas indecifráveis. Claro, trata-se de um romance policial bem construído, embora tenha ficado em mim a sensação de que o livro podia ser menor sem comprometer o enredo. Gosto de detalhes e percebi a satisfação do autor em criar um história tão recheada de pormenores. Mas talvez seja excessivo descrever com tamanha filigrana os hábitos dos personagens.

Lisbeth Salander, a hacker punk que ajuda Mikael a resolver o mistério, caiu no meu gosto imediatamente. É uma dessas criaturas que repelem os costumes sociais convencionais e é fechada aos relacionamentos afetivos, embora também seja afetuosa ao modo dela e possa até amar. No fundo, é uma alma boa e prestativa, que usa sua inteligência para o bem. Feminista furiosa, mas sem deixar de amar os homens, Lisbeth pode ser violenta quando encontra um canalha. Bissexual, apenas realiza seus desejos sem mesuras. Lisbeth foi feita para agradar ou ser odiada, depende do leitor. 

Não vou contar como o mistério foi desvendado ou as grandes revelações que aparecem no decorrer da leitura. O fato é que a série Millenium é uma obra que merece atenção, mesmo que caia vez por outra nos clichês.

Smallville – 8ª temporada

s81Não sei por quais motivos acabei não prestando muita atenção em seriados como Família Soprano e Lost, ambos fenômenos de púlbico e crítica. Se bem que Lost eu cheguei a ver muitos episódios e me considero fã da série. Já Família Soprano mal sei como é a abertura. De qualquer forma, juro que ainda vou ver essas séries de forma mais profunda.  

Mas a série sobre a qual falarei é Smallville. Para quem não sabe, ela reconta a história do Super-Homem, mostrando sua evolução até se tornar o grande super-herói que todos conhecemos e desenvolve como o último homem de Krypton foi descobrindo seus poderes e como aprendeu a controlá-los.

Depois de 22 episódios desta 8ª temporada, ficou a impressão de que já deu o que tinha que dar e mesmo sendo um fã da série, reconheço que seu texto muitas vezes é fraco ou mesmo bem inconsistente. Clichês rolam a toda hora, apenas para justificar uma idéia. Um exemplo: quando Lois e Clark fingem ser um casal para tentar desvendar um caso. Dessa maneira, os roteiristas “criaram” um motivo para juntar o casal e  revelar a tensão sexual que obviamente deve existir entre os dois. Todo mundo sabe que isso é mais do que batido e demonstra falta de criatividade.

O que mais me interessou nesta temporada, apesar desse exemplo que citei, foi justamente a tensão sexual existente ente Lois e Clark. Já estava na hora de fazer surgir a ligação entre eles e confesso que a atriz que faz Lois, Erika Durance, conseguiu apagar Lana Lang da minha memória.

Fazendo uma análise geral, gosto das atuações de todos, talvez menos um pouco do personagem de Justin Hartley, o Arqueiro Verde. Mas considero que ela tenha a importante função de fazer com que Clark ponha para fora seu verdadeiro “ego” de super-herói. Outra que ganhou destaque foi a atriz Cassidy Freeman, com a personagem Tess Mercer. Ela conseguiu substituir, com personalidade, o vilão principal, Lex Lutor, interpretado pelo excelente Michael Rosenbaum (que volta na próxima temporada, acho). O resto dos personagens continuam iguais, sem muitas grandes mutações ou descobertas. Tom Welling, o Clark Kent, aos meus olhos, já consegue atuar de forma mais interessante.

Claro que nem todos gostam de Smallville, eu mesmo não considero uma excelente série. Mas acho interessante ter bolado uma evolução para o Super-Homem, retratando sua juventude. Espero que a 9ª temporada que vem por aí seja a última e a melhor de todas.

Eu gosto, eu gosto.

Em uma galáxia muito distante…

lcmOntem de madrugada li uma entrevista da “atriz”, “escritora” e “diretora de teatro”, Maria Mariana, 36 anos, filha de Domingos Oliveira. Maria se tornou conhecida por um livro que quase todos conhecem ou já ouviram falar e que logo virou série de  TV: Confissões de Adolescente.

Passados muitos anos, a atual mãe de 4 filhos resolve lançar “Confissões de Mãe” (caça-níquel óbvio? quem sabe!). Fuçando pela internet, encontrei um link para a entrevista que a moça deu parta a revista Época. E a cada linha que lia, me perguntava se Maria Mariana não aprendeu nada com seu pai, este que até namorou Leila Diniz. Acho que o cineasta deve estar muito chateado com as idéias retrógradas da filha.

Para que vocês entendam do que estou falando, abaixo segue a entrevista. Em qual galáxia essa menina esteve para aprender e ter coragem de  falar tanta bobagem?

Maria Mariana – “Deus quer o homem no leme”
A escritora carioca que foi ícone da juventude nos anos 90 volta a polemizar com “Confissões de mãe”

Martha Mendonça 

ÉPOCA – O que a adolescente dos anos 90 e a mãe de quatro filhos têm em comum?
Maria Mariana –
Mudei muito, mas algumas coisas ficaram. Acredito que uma delas seja a criatividade no dia a dia. Eu sei fazer de um limão uma limonada. Tenho sempre um coelho na cartola, um assunto engraçado numa hora chata, uma forma de tornar aconchegante um ambiente ou uma situação difícil. Isso vem também do fato de eu adorar ser mãe. Mas a maternidade está em baixa.

 

ÉPOCA – Por que você diz isso?
Maria –
O valor de ser mãe não está sendo levado em conta. Sinto isso há quase dez anos, desde que eu decidi parar todas as minhas atividades para ter filhos e cuidar deles. A pressão foi inimaginável e veio de todos os lados. Da família, dos amigos, de quem mal me conhecia. Muita gente me perguntou se eu estava deprimida ou tinha síndrome de pânico. Meu pai também custou a entender. Eu era bem-sucedida, e largar a fama é um absurdo para as pessoas. Se alguém saiu da mídia por vontade própria, é porque tem algum problema grave. A verdade é que eu só descobri o que é trabalhar depois de ser mãe! Ser mãe é um trabalho social, o maior deles. É um esforço para garantir a criação de indivíduos de valor, mentalmente sadios, que contribuam para o bem geral. Pessoas equilibradas, educadas, que consigam se manter. Quando pequeno, o filho precisa de atenção especial e exclusiva. É nesse período que se formam a base do que ele será, o caráter, os valores. Depois, é difícil consertar.

 

ÉPOCA – Como foi sair de uma vida badalada no Rio para uma cidade pequena?
Maria –
Eu trabalhava como roteirista, sempre amparada pela sombra do sucesso de Confissões de adolescente, mas alguma coisa não estava fechando. Tive um primeiro casamento, dos 20 aos 23 anos, que não deu certo. Depois fui morar sozinha e tinha a impressão de que a vida se movia em círculos. Ao mesmo tempo, sempre tive a obsessão de ter filhos. Quando meus pais se separaram, eu estava com 7 anos e passei a viver com meu pai. Era filha única, muito madura, lia Dostoiévski e estava sempre cercada por amigos intelectuais dele. Mas eu sonhava com uma enorme mesa de família com aquela macarronada no domingo. Eu queria mudar de degrau, mudar de história. No meio disso tudo, conheci o André, meu marido. Um mês depois, estava grávida. Todos os meus filhos foram planejados. A primeira, Clara, foi de cesariana, o que foi uma decepção para mim. Os outros foram de parto normal.

 

ÉPOCA – No livro, você diz que mulheres que não conseguem o parto normal estão “envolvidas com pequenas questões de ego”. Explique.
Maria –
Respeito a história da maternidade de cada mulher. Mas, depois que tive o parto normal, vi que é uma vivência fundamental. Se a mulher parir naturalmente, será uma mãe melhor. Todos falam do nascimento do bebê, mas esquecem que a mãe também nasce naquela hora. A mulher também tem de estar focada na amamentação.

 

“Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão
é um aprendizado de paciência e dedicação “

 

ÉPOCA – A maioria das mulheres não está preocupada em amamentar?
Maria –
Muitas não estão. Amamentar não é um detalhe, é para a mãe que merece. É importante e simplifica a vida. Vejo muitas mulheres com preocupações estéticas, se o peito vai cair, se vai ficar alguma cicatriz se o peito rachar. Aí o leite não vem. Amamento há nove anos seguidos. Só desmamo um quando engravido do outro. Minha caçula, de 2 anos, ainda mama. Existe a realidade de cada um, mas é preciso elevar a consciência sobre o que fazemos. Há mulheres que passam nove meses no shopping, comprando roupinhas, aí depois marcam a cesárea e pronto. Acabou o processo. Aí sabe o que acontece? Elas têm depressão pós-parto.

 

ÉPOCA – Você não teme ser repreendida pelas feministas?
Maria –
Não acredito na igualdade entre homens e mulheres. Todos merecem respeito, espaço. Mas o homem tem uma função no mundo e a mulher tem outra. São habilidades diferentes. Penso nesta imagem: homem e mulher estão no mesmo barco, no mesmo mar. Há ondas, tempestades, maremotos. Alguém precisa estar com o leme na mão. Os dois, não dá. Deus preparou o homem para estar com o leme na mão. Porque ele é mais forte, tem raciocínio mais frio. A mulher tem mais capacidade de olhar em volta, ver o todo e desenvolver a sensibilidade para aconselhar. A mulher pode dirigir tudo, mas o lugar dela não é com o leme.

 

ÉPOCA – Mas você não valoriza a emancipação da mulher?
Maria –
Valorizo. Teve seu momento, foi fundamental para abrir espaços, possibilidades. Mas as necessidades hoje são outras. Precisamos unir a geração de nossas avós com a de nossas mães para chegar a um equilíbrio feminino. Eu não sou dona da verdade. Não à toa, fiz meu livro como um diálogo entre mim e minha filha. Quero dizer às jovens do mundo de hoje que existe uma pressão para que elas sejam autossuficientes profissionalmente, sejam mulher e homem ao mesmo tempo, como se fosse a única forma de realização. Para isso, elas têm de desenvolver agressividade, frieza – sentimentos que não têm a ver com o que é ser mãe. O valor básico da maternidade é cuidar do outro, doar, servir. Nada a ver com o mundo competitivo. Maternidade é tirar seu ego do centro.

 

ÉPOCA – O que pensa sobre o casamento?
Maria –
Casamento é um degrau que a pessoa tem para caminhar para a frente. Quem opta por ficar sozinho não desenvolve aprendizados que o casamento dá. Apanhar cueca suja que o marido deixa no chão é um aprendizado de paciência e dedicação. As pessoas pensam em união apenas como o espaço da alegria, do conforto. Casamento é embate, negociação e paciência. É preciso insistir e vencer. Saber que não se muda o outro. É preciso mudar a nós mesmos.
Comentários:

É de chorar. Tudo bem que ela fala que a maternidade é algo maravilhoso, que ser mão é o máximo etc. Até aí tudo bem. Mas depois da revolução sexual, da emancipação da mulher e de outras evoluções e revoluções nos costumes mundanos, será que ainda há espaço para dizer que é o homem e apenas ele que deve comandar o barco? Ou que a mulher que não tem filhos de parto normal não será tão boa mãe em comparação com aquela que teve normal? Ou que o casamento é a única forma de ser feliz dentro das relações homem-mulher? Pelo amor dos deuses!!!

Cito Camille Paglia, intelectual que admiro muito, que afirmou que a maternidade é algo maravilhoso e que admira as mulheres que decidem largar tudo para cuidar dos filhos. Inteligente, Camille sabe que isso não tem nada a ver com não ser sexualmente ativa, sentir desejos e ser a quem segura o leme. A mulher pode e já mostrou que guia o barco muito bem.

Mulheres e homens não são iguais biologicamente e é claro que existem diferenças que devem ser respeitadas, mas essa moça está aquém de produzir um discurso inteligente sobre qualquer assunto relacionado à essas diferenças e sobre o papel de ser mãe. Ela está muito mal informada e parou no tempo. Acho que Maria Mariana perdeu tempo demais catando as cuecas sujas do marido.

 Simone de Beauvoir deve estar muito triste.

Zonas úmidas

zuAcabo de ler o primeiro romance da jornalista Alemanhã, Charlotte Roche, 31 anos. Zonas Úmidas é mais um livro que retrata a sexualidade de um jovem, neste caso, a de Helen Memel. E como me interesso pelo tema, já que escrever sobre sexo não é das coisas mais fáceis que existem, resolvi investir no livro.

Helen, 18 anos, é internada no hospital para realizar cirurgia das hemorróidas. Enquanto espera receber alta, relembra suas aventuras sexuais e seus fetiches pessoais, que digam-se de passagem são, creio que para muitos leitores, escatológicos. Será que comer esperma grudado debaixo das unhas é uma iguaria? Helen é avessa à higiene.

Em meio a suas lembranças, a personagem faz uma análise da sua família e da imporância que ela tem em sua vida. E por conta disso, resolve promover o encontro de seus pais, que são divorciados. A moça decide que vai uni-los novamente. Será que vai conseguir?

A autora

O romance é escrito de forma visceral, ágil, e faz com que o leitor queira seguir em frente para saber qual será o próximo pensamento ou plano de Helen. Mas mesmo assim, acho que faltou algo, ou melhor, sobrou algo. A autora descreve muitas paisagens que, para mim, são puro excesso.

Outra coisa que fico chateado é com os textos elogiosos que encontramos nas contra-capas. Neste caso específico, Zonas Úmidas é vendido como um livro sem paralelos. Poxa, quem leu “Secreções, Excreções e Desatinos”, de Rubem Fonseca, sabe que a escatologia foi utilizada como forma de se alcançar o prazer. E muito melhor escrito, diga-se. 

Sim, Helen gosta e sente prazer em comer sua própria meleca e seu pus. Não é pra todo mundo! Fato: a autora disse que o livro é uma espécie de autobiografia.

O Tigre Branco

Demorei em postar algo novo, porque mudança sempre dá trabalho. 

tigrebrancoVou falar, de forma breve, de um livro muito interessante que se chama O Tigre Branco, do jornalista indiano Aravind Adiga. O romance foi vencedor do Man Booker Prize de 2008, este que é um dos maiores prêmios literários do mundo.

O Tigre Branco é escrito como se fosse uma longa carta endereçada ao primeiro-ministro chinês, que está prestes a visitar a Índia. Esta carta é escrita por Balram Halwai, um sujeito que veio de um mundo pobre, imundo, de crimes, a Escuridão da Índia, como ele mesmo chama. Balram, ex-motorista, muda de vida e passa a ser um grande empresário depois de assassinar seu patrão.

Na longa missiva, o Tigre Branco (apelido recebido quando ainda estava na escola e que se refere àquelas pessoas que são raras), revela a sociedade indiana de forma irônica, ácida, retratando as diferenças entre ricos e pobres, entre a Luz e a Escuridão.

Se vocês ainda não conhecem o livro, sugiro fortemente sua leitura. E desculpem a pressa!!!