Haja criatividade!

luiz_caldas1Dos músicos daqui de Salvador, entre cantores e bandas, tenho as minhas preferências. Acho Carlinhos Brown fantástico e gosto muito de Daniela Mercury. Cantora poderosa, repertório coeso e energia fascinante, que fez delirar e encantar uma das maiores intelectuais da atualidade, a norte-americana Camile Paglia – esta, aliás, um das mentes que mais admiro. Inclusive, na revista Bravo! deste mês a escritora produziu um ensaio sobre o carnaval de Salvador.

 

Voltando aos artistas soteropolitanos, estava citando os que mais admiro e com certeza não podia faltar Luiz Caldas, o precursor do que se convencionou chamar Axé Music (a música que lançou o axé para o mundo foi Oxumalá). 

 

Seria impossível não comentar sobre Luiz Caldas, já que neste mês ele vai lançar de uma só tacada 10 álbuns de gêneros diferentes. São 130 músicas inéditas!!! No Brasil, pelo que eu saiba, nunca houve empreitada tão ambiciosa. E não é só! No ano de 2010, o pai do Axé vai lançar mais 12 discos, cada um em um mês. As músicas já estão sendo gravadas. Haja fôlego e criatividade.

 

Hoje, Luiz César Pereira Caldas está com 46 anos e diz que o Axé vai acabar quando o Carnaval acabar. Concordo, já que o Axé depende da indústria do Carnaval para sobreviver. E caso o Carnaval acabe, o que acho bem remoto, o Axé terá que se modificar e criar novas estruturas. Mas se Axé é sinônimo de artistas como Luiz Caldas, então nunca vai terminar, já que no Axé há mistura de ritmos e estilos, assim como em outros gêneros.

 

Os dez CDs têm nove ritmos diferentes: samba, frevo, axé, rock, instrumental, forró, MPB (dois discos), “superpopular” (brega rebatizado por Luiz e seu parceiro César Resec) e tupi. Sim, tupi. Luiz fez um disco inteiramente cantado em tupi, com sonoridade de galhos e folhas e que se chama Heengara Recé Taba, que em português quer dizer cantor de aldeia.

 

Luiz diz que não se importa com as críticas, pois sabe da dificuldade do projeto. Conhecedor profundo de harmonia, melodia, além de tocar violão clássico, ser solista e “arranhar” em outros instrumentos, Luiz fala: “Minha preocupação é fazer. Pelo meu conhecimento musical, sei da complexidade do projeto e como ele pode ser classificado. Não vai ser a opinião de um leigo que vai mudar minha forma de ver, de compor ou de agir”.

 

Quem acha que a obra de Luiz se resume à música Fricote ou como ficou mais conhecida, Nega do Cabelo Duro, precisa pesquisar. Vai descobrir 19 álbuns, alguns deles coletâneas, e faixas como Ajayô, É Tão Bom, Haja Amor, Lá Vem o Guarda e muitas outras. São músicas simples, diretas e honestas. Bem feitas e populares, qual o problema? Luiz sabe disso, pois poderia fazer música clássica se quisesse.

 

Estou com Luiz Caldas e sei do seu valor para a música popular.

 

Estou louco para ouvir esses 10 álbuns e os próximos 12.

 

*Parte das informações deste texto foi retirada da revista Muito, do jornal A Tarde.

 

** A foto acima está desatualizada, já que Luiz cortou os cabelos.

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