O Som do Pasquim

pasquimEu sou um jornalista que não defendo muito assessorias de imprensa. Poderia ser mais um ganha-pão para mim, como é, mas o fato é que acho a assessoria de imprensa o lado menos nobre do fazer jornalístico. Simplesmente por um motivo: NÃO CONSIDERO ASSESSORIA DE IMPRENSA JORNALISMO!

 

Tive duas experiências que me dão provas sobre a frase acima. Mas esta é uma discussão que rende mais de um texto. O assunto aqui é outro.

 

Abri este post falando de assessorias de imprensa porque estou começando a ler um livro muito interessante: O Som do Pasquim, organizado por Tárik de Souza. Nele, a turma do Pasquim, que inclui mestres da nossa cultura, como Ziraldo, entrevista personalidades da música nos anos 1970. São nomes fundamentais como Tom Jobim, Luiz Gonzaga e Caetano Veloso.

 

É fato notar, fazendo uma comparação com as entrevistas lidas, como essa prática se tornou burocrática, esquematizada, gélida. Um mundo muito politicamente correto, cercado por agentes, assessores de imprensa, marqueteiros e todo tipo de profissional que cuida com esmero da imagem do artista, como se este fosse incapaz de conceder uma entrevista sem destruir sua imagem – obviamente, já que a imagem é tudo em um mundo politicamente correto. Então, pisar em ovos faz parte do jogo.

 

Será que o trecho abaixo, retirado da entrevista com Chico Buarque, seria possível hoje? Difícil, muito difícil!

 

***

 

Ivan – “Você só se politiza depois que for acordado às três da manhã com a polícia batendo na sua porta”. Bertold Brecht.

 

Chico – Brecht falou por mim. (para o garçom). Traz uma caipirinha de vodca, pouco açúcar.

 

Jaguar – Duas! Pouco açúcar!

 

Ziraldo – Registro: o Chico já tomou Fernet Branca, chope e agora vai de vodca.

 

Chico – O chope é para quebrar o Fernet, que, sozinho dá dor de barriga. Tem que tomar os dois.

 

***

 

Vocês imaginariam este bate-papo hoje? Não, porque hoje não existe papo. É tudo muito rápido, cronometrado. E quando Chico confessa que pegava “emprestado” carros dos outros para dar uma volta? Ele fazia ligação direta e se mandava!!! Dessa, eu não sabia.

 

O que relatei para vocês é apenas um aperitivo. Indico fortemente este livro para quem é ou pensa se tornar jornalista, para aqueles que acham que para fazer entrevistas basta um microfone ou um gravador ou simplesmente adoram ler entrevistas com personalidades que admira.

 

FELIZ PÁSCOA A TODOS!!!

 

 

 

 

 

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