Quem quer ser um milionário?

milion1Ontem fui assistir ao vencedor do Oscar de melhor filme, “Quem quer ser um milionário?”, de Danny Boyle. Estava com uma expectativa imensa, embora as premiações da academia já não sirvam para mim como carimbo oficial de qualidade. Mesmo assim, para adiantar logo, gostei do filme…apenas gostei.

Ele tem seus méritos, mas peca também.

 

Achei interessante a coragem de mostrar que a Índia é um país de desigualdades abissais, na qual a maioria da sua imensa população sofre com a miséria. E mesmo sofrendo com a extrema pobreza, conseguem levar sua vida com alegria. Tenho dúvidas quanto a essa boa intenção. E é aí que talvez muitos espectadores enxerguem a “cosmética da fome”, já criticada por pesquisadores e criada por Glauber Rocha nos anos 60 – mesmo que o cineasta baiano tenha pensando algo completamente diferente do que vemos hoje. Mas essa é uma discussão acadêmica demais para o momento.

 

O filme começa com a tortura do jovem Jamal, protagonista do longa. Isso ocorre porque pensam que ele trapaceou no jogo – uma espécie de Show do Milhão. Mesmo que essa violência seja injustificada. É crime saber as respostas? A polícia foi conivente demais com uma tolice dessas, armada pelo apresentador.

Mas no decorrer da sua defesa, ele mostra que acertou as respostas porque vivenciou as perguntas que o apresentador os fazia. Isso dá sentido aos acertos de Jamal, já que ele não é nenhum erudito, apenas um trabalhador comum, que serve chá em um Call Center. E no desenrolar da história conhecemos a infância e a adolescência de Jamal, seu irmão Salim e Latika, a garota por quem Jamal se apaixona.

 

As muitas situações vividas por Jamal caem como uma luva para cada pergunta do cínico apresentador e é aí que achei meio forçado. Cada vivência de Jamal é uma resposta exata para a pergunta, não há profundidade nessas descobertas. Apenas ele acha pelo caminho o que tem que achar, como se tudo aquilo fosse obra do acaso e estivesse ali para presenteá-lo futuramente com 20 milhões de rúpias. Forçado demais, esquemático demais.

 

O roteiro peca por transformar a vida de Jamal em uma cruzada contra os maus, na qual a sorte está sempre ao seu lado, como o destino: está escrito! E foi com esse desprendimento e acreditando no “destino”, que Jamal acerta a última pergunta. Resposta esta que ele não sabe, mas que resolve chutar como se soubesse que Aramis era o terceiro mosqueteiro do livro que ele estudou na escola. E o que dizer da cena final? Um beijo Hollywoodiano e somos felizes para sempre. O velho romantismo processado nas cores da Índia, mesmo que o filme não seja um produto original de Bollywood (a indústria cinematográfica indiana).

 

Por fim, considerei “Quem quer ser um milionário?” um bom filme, mas longe de ser o melhor do ano. É um filme pop, colorido e que nos faz ficar ao lado daquele que entrou no show apenas por amor, não pelo dinheiro. Prefiro muito mais “Batman – O cavaleiro das Trevas”. Enfim…

 

Mas parece que a academia quer, a cada Oscar, mostrar que está mais “descolada”, menos preconceituosa.

Ainda assim, vale conferir o filme.

 

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2 pensamentos sobre “Quem quer ser um milionário?

  1. É um filme bem razoável.

    Esse negócio de estética/cosmética da fome é uma extrema babaquice, de um pessoal que acha que só por mostrar miséria há uma intenção de explorá-la comercialmente. Porra nenhuma. Cidade de Deus (que impulsionou a criação desse termo) tem méritos infinitos por mostrar a história de um local e contextualizar com o crescimento da violência de uma das maiores cidades da América Latina. E ainda mistura romance e ação. Assim seria “Quem quer ser…” se não esbarrasse nesses problemas que você citou.

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