Relacionamentos instantâneos


Conversando ontem com minha mais nova amiga, Flávia Britto, uma blogueira que admiro muito e que é do Pará (amo açaí e cupuaçu) comecei a pensar sobre a facilidade em se relacionar com as pessoas via programas de mensagens instantâneas. É tão simples iniciar uma conversa e mais fácil ainda falar sobre você mesmo: suas músicas favoritas, seus relacionamentos passados, suas fantasias e sonhos. Tudo se torna mais fácil com a tela como proteção. Sua personalidade pode ser exposta sem medo. Os interlocutores se abrem com estranhos numa rapidez e fluidez que seriam mais difíceis em uma conversa face a face.

Mas isso é bom?

Para mim, há dois lados. Por esses programas, e o MSN é o que mais utilizo, pude conversar com pessoas da Turquia, Alemanha, Austrália e cidades do Brasil nas quais nunca pisei os pés, como Porto de Galinhas, em Recife. Com elas, troquei informações sobre os costumes locais, recebi músicas, fotos e indicação de lugares que deveria visitar. Esse é o lado bom e instigante, a meu ver.

O fato é que alguns meses depois das freqüentes conversas acabamos não nos falando mais. Esse é o lado ruim. A frieza desse tipo de contato acaba transformando a relação em algo mais distante do que já é. Como a pessoa não participa do seu cotidiano, acaba perdendo o interesse, seja porque já conheceu outras pessoas ou porque prefere dividir sua vida com seus amigos próximos e de “carne e osso”. Assim, penso que não devemos cobrar de nossos amigos feitos de bits o mesmo tipo de atenção dos amigos “reais” – chamemos assim.

Pode-se ganhar nessas relações à distância o conforto e a conveniência de só desfrutar o melhor do outro, deixando os problemas e suas chatices e falhas humanas para quando desligamos o computador. Mas até nisso não vejo tanta vantagem. Se é justamente conhecendo os defeitos e as idéias que escolhemos quem queremos preservar do nosso lado. Seria ótimo puxar para a nossa vida alguns desses seres que conhecemos pela web.

Por outro lado, sabemos que manter um relacionamento afetivo nunca é fácil: seja com amigos (as) ou namorados (as). Então, qual a vantagem dos relacionamentos táteis? Digo-lhes que são os abraços, a companhia em um filme ou em um barzinho. A visita em um fim de semana e ver de perto as suas reações humanas. O calor da sua existência.

Colocando na balança, acho que posso fazer uma comparação. Os relacionamentos via programas de mensagens instantâneas são bons e podem até ser proveitosos e prazerosos, como ficar uma noite ou uma semana com alguém, podendo ser essa experiência algo fantástico para quem a viveu. Mas os relacionamentos presenciais e mais extensos possuem o aprofundamento, a descoberta do outro, os seus detalhes, que nenhuma webcam pode prover.

Prefiro o livro ao e-livro.

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7 pensamentos sobre “Relacionamentos instantâneos

  1. Por mais que os relacionamentos virtuais sejam bons e pareçam, por alguns instantes, suprir alguma lacuna, nada substitui o contato real. Nada substitui o toque, o cheiro, o som da voz, da risada, o calor que a proximidade física proporciona… no fim das contas, o virtual que não sai do virtual acaba deixando um vazio maior, uma sensação de ausência multiplicada por dez, cem, mil. Apesar disso, se mesmo uma fria tela com imagens pixelizadas possibilita tanto assim a aproximação entre duas pessoas que nunca se viram ou se tocaram, isso mostra que nossa capacidade de gostar, de nos aproximar, é muito maior do que a gente supõe. E que a gente talvez só precise se permitir um pouco mais – porque, afinal de contas, sentimentos não são virtuais, são?

    Beijocas!

  2. Bom, para falar com totais estranhos eu usei mIRC, comigo, o msn rola diferente. Usualmente, conheço a pessoa ao vivo e a cores e passo meu contato (mesmo assmi, metade dos meus contatos é bloqueado). É porque (além das firulas que você já sabe que odeio) toda vez que eu leio “oi, idade/sexo/local? ” eu morro um pouquinho. Assim como conhecer alguém na balada e ele perguntar “e aê gata, como é qui cê si chama? quié que cê faz?” é um convite para ver eu dar as minhas costas e vê-las cada vez menores, porque estou saindo dali, quando queria bloquea-las na vida real.

    MAS

    nesse lance de blog que você conhece cada vez mais as pessoas e você as deixa te conhecer, a partida para o MSN parece óbvia.

    beijas

  3. Eu conheci pessoalmente várias pessoas com quem conversei por um tempo pelo msn. Com alguns conservo uma amizade duradoura – a mais longa começou em 2003, por comentários de blog, e ano passado nos conhecemos; somos amigas e saímos várias vezes juntas. Eu acho legal esse tipo de comunicação como pontapé inicial para a amizade, mas quando começa a esfriar é meio triste, não? Fica uma impressão de efemeridade, de carência (vc precisava falar com alguém para desabafar, daí escolhe um desconhecido. Satisfez, acabou.)

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