Blogando a vida

Logo quando comecei a ter acesso ilimitado à internet, descobri um mundo de possibilidades: músicas, livros, cinema, artigos, possíveis namoradas, paqueras etc. Com o tempo e já com mais percepção do que é a web, meu encanto, embora não tivesse diminuído, ficou mais maduro. Sei que a internet é fabulosa em suas possibilidades, mas tem muita coisa ruim em termos de conteúdo – acho que a maioria, talvez. Por isso, o senso crítico na hora de absorver esse conteúdo em qualquer outro meio de informação, é fundamental.

Alguns anos depois da minha entrada na Matrix, resolvi escrever meu primeiro blog. Isso foi em 2004. O MuCiLi (Música Cinema e Literatura), com era chamado, tratava basicamente desses três assuntos, mas não deixava de meter o bedelho em temas como comportamento, política e amenidades mil.

De lá pra cá, conheci muitos outros. Fui fuçando, lendo as histórias, pegando dicas, entrando em contato com os blogueiros, trocando informações com outros países e cidades, daqui e do mundo. Posso dizer que, talvez, 30% do que vejo e leio é interessante. Um deles foi o Síndrome de Estocolmo, de Denise Arcoverde – blog que continuo lendo. Foi por meio dele que fiz meu primeiro amigo secreto pela web e ganhei o livro Cidade do Sol, de Kaled Hosseini. Tudo funcionou via sedex. Foi muito legal!

Querem outros blogs legais? Cliquem no “recomendados” desse blog.

Até durante a faculdade, o tema “blog” fez parte da minha vida acadêmica. Fiz um trabalho que tentava provar que os blogs são uma espécie de divã contemporâneo, nos quais as pessoas, revelando suas identidades ou criando pseudônimos, expressam seus desejos, seus problemas, suas queixas, suas fantasias, enfim, suas opiniões, sem cortes ou censuras, a não ser delas mesmas. E talvez seja isso mesmo que os blogs representem: a tara, o voyeurismo, o exibicionismo, a vontade do outro ser compreendido, ser lido, ser aceito pelas suas idéias, conhecer pessoas com personalidades parecidas.

Hoje tenho o Vinil Digital e a idéia é basicamente a mesma do antigo: falar de todos os assuntos, talvez com um enfoque mais musical. As diferenças ficam por conta dos poemas que coloco, dos textos que peço para que leitores mandem – blogueiros ou não. Minha visão sobre os blogs também vai além da mera questão psicológica. Os blogs servem para que qualquer um possa publicar seu livro, exibir sua música, postar seu curta metragem. Nesses casos, vocês também podem contar com a ajuda do My Space e do You Tube e de tantos outros sites de propostas similares.

PS: Nunca consegui uma namorada pela internet. O máximo foi um encontro que me deu de suvenir um moletom acinzentado. Isso foi em São Paulo.

PS2: A Revista Época dessa semana trouxe em sua matériade capa uma selação do que ela chama de “80 blogs que você não pode perder”. Quem tiver oportunidade de ler essa matéria, pode conhcer algo interessante. Eu ainda não li…Tempo Rei, ó Tempo Rei!

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6 pensamentos sobre “Blogando a vida

  1. Esse texto está uma delícia, tanto que fiquei bastante lisonjeada de estar na seleta lista ao lado.

    Engraçado como a internet é esse monstro que sempre que a gente pensa em enjoar se metamorfa para uma coisa atraente novamente. Já usei o mIRC, MSN e agora, como interação, escrevo o blog que não tem função nenhuma cultural.

    Vou te falar porque pensei em escrever um blog, primeiro, escrevo mentalmente o tempo todo e, decidi colocar na tela. Segundo, porque eu tenho pavor do Orkut. Tenho medo de morrer e as pessoas fazerem do meu perfil um santuário e irem lá deixar recados e construirem uma pessoa mistificada que eu não fui. No meu blog sou eu, são as minhas palavras, sei que as interpretações podem ser diferentes, mas são as MINHAS palavras.

    MAS

    Ainda tenho vergonha de dizer que tenho um blog, sabia? sei lá, me parece tao nerd. Não sei, também tenho vergonha de dizer que leio diversos autores, do tipo que os intelectualóides lêem, é que eu detesto os estigmas de intelectual e cult. Prefiro ser chamada de putinha arrogante, tem mais presença, impões mais respeito.

    beijas

  2. Obrigado, Sun.
    Sabe o que eu acho? Que ter um blog já nem é mais coisa de nerd..qualquer um escreve em blogs e tem cada bosta! Outra coisa, livros não são objetos apenas de intelectuais e os intelectualóides geralmente são burróides.
    E putinha arrogante soa bem sujo, deliciosamente sujo…como Nelson Rodrigues.
    Bjão!!!

  3. Lembro-me muito bem do nosso primeiro blog, no primeiro semestre da faculdade. Visões de mundo era o nome e a gente escrevia tanta coisa legal… Pena que se perdeu. E lá se vão 6 anos!!! É muito tempo. Queria poder ler de novo.
    E depois tentamos fazer o Vinil Digital, não como blog, mas como um site de música. O que mais sinto saudade era nossas reuniões na casa de Marcelão ouvindo muita música, discutindo música e comendo pizza ahhahaha
    Nostalgia!

  4. Eu descobri o mundo dos blogs há pouco mais de um ano – e pra mim foi como descobrir a pólvora. Porque eu era completamente AVESSA a essa coisa de virtualidades. Quando comecei a escrever em blogs, foi pra me desetressar, e as pessoas começaram a me visitar, e comecei a visitar as pessoas, e a coisa foi crescendo e cá estou eu, no Vinil Digital, um blog de um jornalista baiano que eu nunca vi mas que eu acho muito gente boa além de ser a cara do meu primo, fazendo um comentário enquanto tento entender como tudo aconteceu e fez com que os meus conceitos mudassem, porque foi uma senhora expansão pessoal a que se operou em mim, sem exageros. E acho que essa tecnologia que nos permite estabelecer conexões tão estreitas com tante gente tá aí pra isso mesmo: pra ajudar a gente a crescer, a se expandir, a ser mais gente, a trocar o que realmente interessa: conhecimentos, experiências e, por que não, amizade também.

    Beijoca!

  5. Poxa, Rodrigão, tinha esquecido do Visões de Mundo. Era bem legal MESMO!
    É verdade, o Vinil ia ser um site de música, mas como muitas coisas que nascem em mesa de ar, ficam lá dentro de um copo de cerveja. Ainda bem que de certa forma, aquela idéia está presnete aqui no Vinil Digital.
    E sobre asreuniões na casa de Marcelão…essas lembranças valem a vida!
    Abraços!!!

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