Pela moral e os bons costumes (uma parte deles)


Li na revista Época de 20 de outubro uma matéria que falava sobre as qualidades morais dos novos produtos infanto-juvenis surgidos nos últimos anos. O texto exaltava, particularmente, o megasucesso da Disney “High School Musical”, que estréia mundialmente hoje. Diz o texto: A série High School Musical, cujo terceiro episódio estréia nesta semana, quer mais que recordes de bilheteria, audiência de TV e venda de CDs. Ela oferece um pacote de valores morais para as novíssimas gerações. Mas, que valores são esses? Eles realmente são o reflexo da boa conduta e da felicidade eterna?

Vamos refletir.

Eu vi o primeiro “High School Musical” na TV a cabo. Achei um filme divertido, com jovens corretos, enfrentando seus problemas de forma saudável, sem recorrer às drogas (álcool, por exemplo) ou tendo acessos de rebeldia – o que é normal nessa fase. De qualquer forma, esse tipo de produto pretende ser um modelo a ser seguido, não o reflexo do que talvez fosse a realidade.

Quando li que crianças estavam se comunicando melhor com seus pais por causa da boa relação de Troy (Zac Efron) com seu pai, achei isso legal. Zac é protagonista do filme e par romântico de Gabriella (Vanessa Hudgens). Filmes também servem para passar bons ensinamentos e nos fazer pensar. Valores como amizade, respeito aos pais e professores, além de uma vida saudável com esportes e boa alimentação, também fazem parte do pacote. Gosto disso, mas é apenas uma parte da história.

Um historiador dos Estados Unidos, Neil Howe, chamou as pessoas que nasceram de 1981 para cá, de “milênicos”. Para ele, essa palavra se aplica às pessoas que entraram em contato com uma realidade que as transformaram em seres mais críticos, com uma noção de tecnologia maior, com uma quantidade maior de informação disponível ao seu alcance. Outra ponto citado por Howe são, especificamente, as pessoas que nasceram de 1990 até os dias atuais. De acordo com o estudioso, são jovens que são mais convencionais nas escolhas, estilos de vida e valores do qualquer outra geração na mesma idade. Dessa forma, “High School Musical” “reflete o conservadorismo cultural e os valores dessa turma, que é menos provocativa culturalmente, justamente porque não precisa romper barreiras”, diz Howe.

Eu me pergunto se isso é tão bom assim. Talvez não seja, mas é melhor do que vermos crianças e adolescentes destruídos (mas romper barreiras e experimentar é fundamental). Creio que esses valores invadam esses produtos por serem uma espécie de “retrocesso” ao que era considerado o padrão máximo da moral e dos bons costumes: o velho amor romântico, por exemplo. Assim, seria um ataque consciente ou inconsciente à problemas como a AIDS. Valorizando o amor romântico, valoriza-se a monogamia, mesmo que essa idéia já esteja sendo fortemente contestada. Afinal, a liberdade sexual fez surgir o ser instintivo e pornográfico que a maioria de nós é.

Outra virtude valorizada é a virgindade. Os integrantes da banda Jonas Brothers (lançada em mais um filme da Disney) usam até um anel para selar o compromisso de não se entregar aos prazeres antes do casamento. O que dizer de “Harry Potter”, que no último livro passa meses em um acampamento cheio de jovens e não acontece uma paquera sequer? No final, todos casam e são felizes para sempre. Hum, não acho isso muito real.

Outro lado

Ao mesmo tempo que vemos os filmes e programas de TV passarem valores morais, notamos que seus atores, adolescentes que são (humanos, também), cometerem seus atos de natural transgressão e ebulição hormonal. Vamos aos exemplos. A bela Miley Cirus, 15 anos, que faz o papel da cantora “Hanna Montana” (outro produto Disney), pousou para a revista Vanity Fair usando apenas um lenço cobrindo os seios. Outro exemplo, mais picante, foi o de Vanessa Hudgens, que mandou fotos como veio ao mundo para um namorado. Fotos que foram colocadas pelo ex-namorado no mundo sem fronteiras da web.

Apesar de sabermos que esses programas passam idéias legais de convivência entre amigos, pais e professores, além de darem dicas sobre saúde e comportamento em relação ao sexo, não devemos tapar o sol com a mão. Acho importante termos uma sólida formação, que envolva o respeito ao ser humano e à sua diversidade cultural e que contemple nossa formação intelectual aliada ao prazer de viver. Mas com o passar do tempo, a vivência desses futuros adultos os mostrará que o mundo é mais do que eles viram nos filmes e programas. A vida emocional do ser humano é complexa, não há como negar.

Os modelos de família mudaram. A relação dos seres humanos com o sexo, também mudou. A mulher já pode expressar sua sexualidade de forma mais ampla. Um dia, essas crianças e adolescentes vão se deparar com essa realidade diversificada e não menos colorida.

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5 pensamentos sobre “Pela moral e os bons costumes (uma parte deles)

  1. É estranho que cada vez mais cedo as crianças estão se tornando adolescentes, e essas adultas. É um processo que vem crescendo e esses exemplos de seriados que você mostrou corroboram. Na minha época eu só fui ver Malhação quando tinha 13 anos. Hoje, qualquer criança de 8 anos se interessa pela temática do seriado. E assim é com esses High School Music da vida. Os pais devem ter cuidado porque esse tipo de coisa pode adianta outras etapas da vida. Veja o exemplo de Eloá, que namorava sério um cara desde os 12 anos de idade, sendo que ele tinha 19. Isso é bom?

  2. é uma vergonha as mulheres não se valorizam mais são oferecidas e facéis demais e o resultado é que os homens só olha agora pra mulheres como objeto hoje pega uma amanhã pega outra é por isso que eles não querem casar pq mulher tá muito fácil

  3. Pingback: Colírio de segunda | Vinil Digital

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