Um armário com poucas respostas

Comecei a ler com freqüência maior a partir dos 18 anos. Meu primeiro livro, pelo que me lembro, foi “Dom Casmurro”, de Machado de Assis. De lá pra cá, muitos outros livros e uma pergunta: qual a importância de lermos? Encontrei resposta, pelo menos parcialmente, no pequeno e grandioso livro “A importância do ato de ler”, do educador Paulo Freire. Para ele, ler é descortinar o mundo, preenche-lo de significados.

Os livros que li até agora não me fizeram essencialmente alguém melhor ou pior do que já sou. Creio que seu caráter não irá ser modificado por causa dos clássicos da literatura. Mas percebi que os grandes livros têm o poder de transformar sua maneira de se relacionar com o mundo. Os grandes livros mudam algo nas nossas mentes, evocam a mudança de atitude diante da vida. Nesse sentido, eles são fundamentais, embora existam pessoas muito sábias e cultas que não tenham lido tanto assim. Corre a lenda de que o grandioso escritor inglês William Sheakespeare leu em média 30 livros. Então, a qualidade do que é lido é que se torna importante. Mas esse é um exemplo fora da realidade da grande maioria. Afinal, nem todo mundo é um Sheakespeare.

Mas falei dos clássicos, não foi? Essas grandes obras são grandes justamente porque esmiúçam a alma humana e nos dão luz sobre questões complexas de serem abordadas. Claro, não precisa ser um clássico para ter qualidades. Apenas falo dessas obras-primas, porque são elas que atravessam os tempos como referência. Ainda assim, você já encontrou em algum clássico a resposta para a criação ou o surgimento do universo? Algum livro já falou sobre o que há depois da morte? Ou já conseguiram exprimir em palavras o sentimento de amor por alguém? E olha que essas são apenas três perguntas! Quantas outras mais não têm resposta?

Mesmo diante da realidade de que os livros não podem nem nunca vão dar respostas para as questões que mais inquietam o ser humano, penso que sem eles a humanidade se tornaria menos interessante. As cenas que descrevem, o vocabulário que adquirimos, os fatos históricos dos países e civilizações de hoje e as já extintas, o estímulo à imaginação e por aí vai. Os livros são importantes, libertam, quebram preconceitos. Com eles, nossos argumentos são recheados. Não ficamos à mercê da retórica furada.

Acho que ler é importante, para mim é imprescindível. Mas adoro, também, olhar para o nada e não pensar. Talvez seja aí que mergulhemos em nós mesmos para descobrir, enfim, as verdades que já sabíamos e que os livros apenas esfregam nas nossas faces.

Abaixo, 10 livros de grande importância para mim:

Crime e Castigo (Fiódor Dostoiévski)
Grande Sertão Veredas (Guimarães Rosa)
O Senhor dos Anéis – a trilogia (J.R.R. Tolkien)
1984 (George Orwell)
O Mundo de Sofia (Jostein Gaarder)
Cem Anos de Solidão (Gabriel García Márquez)
Cultura do Medo (Barry Glassner)
Orgulho e Preconceito (Jane Austen)
Felicidade Clandestina (Clarice Lispector)
História Sexual da MPB (Rodrigo Faour)

Esta foto é do meu armário de livros. Mandem suas estantes, armários, bibliotecas etc. Gostaria de conhecer.

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4 pensamentos sobre “Um armário com poucas respostas

  1. Minha estante ainda é tímida, mas vem crescendo. Aliás, ainda tento manter uma média de 12 livros/ano, que nem é tão alta assim, mas eu estou conseguindo com muita dificuldade. Esse ano, por exemplo, tô lendo o 10o; tô na média.
    Eu também passei a ler de verdade quando entrei na faculdade e qual não foi minha pretensão ao tentar ler “Política” de Aristóteles aos 17 anos!? Não entendi 80% do livro, mas foi imporante pra compreender muita coisa, inclusive o próprio ato da leitura.
    Final do ano vou colocar a lista dos livros que li em 2008 e um breve comentário. Esse ano já serviu pra eu derrubar alguns preconceitos; cheguei a ler livro de “auto-ajuda”, que eu mesmo abomino. Foi uma experiência, digamos, razoável.

  2. 12 ao ano é uma excelente média! Acho que supera o número europeu.
    Quero muito ver essa sua lista dos lidos. Talvez me interesse por algum que ainda não conheça.
    Outra coisa, livro de auto-ajudo nem sempre é o fim! Li um de economia e outro de psicologia que são tão bons quanto qualquer outro.
    Abraços!

  3. Eu costumo ler pelo menos 15 por ano. Acabo lendo três ou quatro ao mesmo tempo, é uma loucura, mas eu me entendo assim mesmo. Em meu flickr tem fotos de alguns dos meus livros (www.flickr.com/leonaraujo)
    Abraços

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