Stephenie Meyer e o desejo feminino

Stephenie Meyer é membro de A Igreja de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias e é daquelas que nunca viram filmes de terror. Um belo dia, ao sonhar com uma garota que se encontra no meio da madrugada com um vampiro, resolveu escrever o primeiro livro da tetralogia que se tornaria sucesso no mundo todo: Crepúsculo. O livro já virou um filme e deve ser lançado no Brasil em breve.

Faz um mês que terminei de ler o romance. Não o considerei um clássico ou não tive a sensibilidade para perceber que um dia possa se tornar? Não sei. Só sei que corri atrás do livro porque sou fascinado por histórias com vampiros. Quem leu o texto sobre Buffy, pôde constatar. E sim, gostei do livro.

 

Lendo o livro pude perceber que é mais do que uma história sobre esses seres das trevas e sua relação com os humanos. Stephenie cria novos mitos, como a suposta aversão dos vampiros à luz do sol. Na imaginação de Meyer, os vampiros fogem da luz solar porque se tornam reluzentes demais quando expostos ao sol, o que denunciaria sua natureza não-humana. Isso fica explícito na passagem na qual Bella Swan (a mocinha adolescente do romance) tem um encontro ao ar livro com Edward Cullen (o belo vampiro, também adolescente).

 

Como disse no parágrafo anterior, o livro é mais do que o choque cultural entre dois mundos. O livro traz escondido o desejo feminino pelo perigo, pelo sedutor, pelo risco, pelo mistério. Nessa minha pouca experiência de vida, ficou clara a motivação feminina por um certo tipo de homem que traz consigo algumas interrogações em cima da cabeça, até uma certa melancolia (?) no olhar. Não precisa usar jaqueta de couro e um cigarro no canto da boca. Basta ser misterioso, um tanto evasivo e talvez….um pouco safado. Isso não faz dele um canalha, mas traz algo de interessante a desvendar.

Tem um momento que Bella diz, perplexa:

 

 

“De três coisas eu estava convicta. Primeira, Edward era um vampiro. Segunda, havia uma parte dele – e eu não sabia que poder essa parte teria – que tinha sede do meu sangue. E, terceira, eu estava incondicionalmente e irrevogavelmente apaixonada por ele.”

 

Não só Bella caiu de amores pelo jovem morto-vivo, mas a escola inteira localizada em Forks, cidade na qual se passa a história.

 

Outras obras com os dentuços provam a atração que eles despertam nas fêmeas que encontram pelo caminho. No filme Drácula, de Bram Stoker, dirigido pelo genial Francis Ford Copola, Nina é atraída de forma irrevogável pelo Drácula vivido por Gary Oldman. Na série Buffy – a caça-vampiros, a bela heroína tem em Angel, vampiro dividido entre o bem e o mal, o amor da sua vida. Cito outro exemplo: A hora do espanto, de 1985, dirigido por Tom Holland. A lista é muito maior.

 

Não quero criar uma nova teoria, até porque ela já é velha e bem conhecida. O vampiro é símbolo do mundano, da lascívia, e em nossa atual realidade de doenças sexualmente transmissíveis, está bem popular. Afinal, é pelo sangue que o vampiro “contamina” sua vítima.

 

Creio que Stephenie tenha sonhado com um encontro sensual à noite, talvez porque ela mesma tenha nos vampiros um símbolo sexual, que dentro da realidade diária da escritora seja o cara misterioso citado lá em cima. Mas, é apenas uma teoria.

 

 

 

 

 

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3 pensamentos sobre “Stephenie Meyer e o desejo feminino

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